Escândalo Wikileaks - o que opinam?

JorgeCorreia

Membro participativo
Qual a vossa opinião sobre as consequências da divulgação de documentos diplomáticos do site Wikileaks na Internet?

Quais as consequências para as relações diplomáticas entre os EUA, os Aliados e outras superpotências?

wikileaks.png



Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, teceu duras críticas à atitude da WikiLeaks de publicar documentos diplomáticos confidenciais, alguns portugueses. Obama ainda não reagiu, mas Washington está perturbado


A Casa Branca procurou ontem minimizar o impacto da publicação de milhares de documentos confidenciais e secretos que enformam a sua diplomacia. Mais uma vez, a única superpotência mundial foi alvo de um ataque da organização WikiLeaks que, utilizando publicações dos EUA (The New York Times) e da Europa (Le Monde, El País, The Guardian e a revista alemã Der Spiegel), começou a tornar públicos, domingo, milhões de documentos americanos com impacto na diplomacia mundial - de Lisboa há 722 telegramas (ver página seguinte). E, em especial, na Administração democrata norte-americana.



Barack Obama, o Presidente afro-americano cuja eleição em 2008 animou todo o mundo, ainda não se pronunciou sobre o ocorrido. Mas um dos seus porta-vozes fez já questão de afirmar que "no mínimo, ele está descontente". Por contraste, a chefe da diplomacia dos EUA, Hillary Clinton, veio já a terreiro afirmar que as fugas da correspondência diplomática americana, orquestradas pela WikiLeaks, representam um "ataque à comunidade internacional". "Estas publicações não representam apenas um ataque contra os interesses diplomáticos americanos.
Elas representam também um ataque contra a comunidade internacional", afirmou a secretária de Estado de Obama durante uma breve conferência de imprensa.

Hillary Clinton foi ainda veemente em "condenar" a publicação dos documentos (entre os quais se encontram textos portugueses, ver texto ao lado), ao mesmo tempo que manifestou o "mais profundos pesar dos Estados Unidos quanto à divulgação de informações destinadas a ser confidenciais".


Os corredores do poder e os meandros da diplomacia não são propriamente desconhecidos para a secretária de Estado Hillary Clinton. Para alguma coisa lhe terão servido os oito anos em que foi primeira dama durante os dois mandatos do seu marido, o então presidente Bill Clinton.
Neste momento, portanto, a questão para muitos aliados dos Estados Unidos vai muito para além da publicação dos documentos: centra-se no próprio conteúdo do texto. Por outras palavras, muitos aliados não terão gostado de se ver retratados como tontos, hipocondríacos, ou mesmo animais de estimação em documentos confidenciais da única superpotência.


No momento, todos os governos estão a ser consonantes na crítica à atitude da WikiLeaks mas, tal como Hillary Clinton, sublinha, muita da confiança entre os aliados quebrou-se, ou, pelo menos, foi atingida. Há, portanto, que a recuperar. E esse vai ser o trabalho intenso e árduo que Hillary Clinton e Barack Obama vão ter de desenvolver a partir de agora.
Um antigo representante diplomático dos EUA em Berlim confidenciava ontem à revista Der Spiegel que tudo levará o seu tempo. "Alguns governos irão ser mais renitentes do que outros na sua aproximação a Washington mas tudo acabará por se recompor", garantiu. Optimismo de embaixador? Talvez. Porque o facto é que, como sublinha a Spiegel, nunca na história uma superpotência perdeu o controlo de uma tão grande quantidade de documentos com informação sensível. E nunca a credibilidade dos aliados nos EUA foi tão abalada.


A prova de que nem todos os aliados tencionam ficar sem uma explicação é a declaração do chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu, que já anunciou ir a Washington para falar com a sua homóloga sobre o assunto. Nos documentos publicados o primeiro-ministro turco, Tayyp Erdogan, é referido como suspeito de querer islamizar o país.
 
Última edição:
A parte mais cómica de tudo isso é assistir a certos jornalistas nacionais e internacionais a levar uma ensaboadela de liberdade de expressão, e depois andarem preocupados com as éticas e schméticas disto tudo, só para disfarçar o facto de serem reles sombras do verdadeiro jornalismo de investigação.

Carl Bernstein e Bob Woodward devem estar orgulhosos do que o Assange está a fazer, o resto da gentalha que se diz jornalistas nem deve ter a noção da importância do Wikileaks no mundo de hoje.
 
Quer-me parecer que, por trás da Wikileaks, estão governos que têm algo a ganhar com esta exposição mediática, até porque ainda não compreendi porque é que a Wikileaks só divulga documentos secretos de certos países e nunca o faz de outros, como por exemplo, o Irão. Torna-se assim demasiado suspeito confiar numa fonte que não mostra todos os dados de ambas as partes envolvidas nos processos.
 
Respondendo mais ao tópico:

Não vai haver grandes consequências, porque o que o Wikileaks fez foi mostrar que há esqueletos no armário de qualquer democracia, e que todas agem e são assim. Nenhum governo é tão ignorante a ponto de achar que, por exemplo, a CIA não tenha detalhes de todos os governantes, biografias, perfis, etc.

Acho que estão todos mais preocupados com o Wikileaks do que propriamente com as notas diplomáticas feitas entre eles. A preocupação deles é evitar que o site continue a funcionar, porque eles precisam de garantir a confidencialidade entre eles.

Como alguém disse e muito bem, às vezes a política de megafone só cria mais desentendimento e conflito, enquanto a política de diplomacia confidencial é mais apaziguadora.

Para mim, o alvo do Wikileaks com isto foi criar hype para as próximas leaks, estas sim bem mais importantes, e que estão na base do colapso imobiliário nos EUA.
 
Baseando me apenas no que deu na tv não achei nada de grave, maioria das coisas é o que toda a gente pensa.

Mais interessante é o que dizem ter sobre grandes companhias privadas.
 
Baseando me apenas no que deu na tv não achei nada de grave, maioria das coisas é o que toda a gente pensa.

Mais interessante é o que dizem ter sobre grandes companhias privadas.

O grave é a quebra de confiança, muitos problemas são resolvidos silenciosamente e por métodos menos recomendáveis.

Apenas mostrou a fragilidade dos EUA em manter segredos.
 
Escândalo Wikileaks

Escândalo Wikileaks

Boas pessoal,

A opinião que tenho sobre a base de dado que este site revelou e no qual muitos se terão identificados como ofendidos pelas alcunhas e demais distinções sem medalhas, é que afinal chegamos á conclusão que nada no mundo é seguro nem secreto. Há sempre quem queira dar cabo do velho sistema de segurança que afinal se tem mostrado inseguro em todos os sentidos.
Pelo menos, entre os visados, já ficaram a saber como são tratados pelos seus pares. Pela frente "Sr. Doutor", por trás "Grande Imbecil". Isto é que facadas nas costas uns dos outros. [:D]
 
O que mais estranho neste caso do Wikileaks é mesmo a relativa facilidade com que se obtiveram estes dados. Um individuo que trabalha numa instalação militar norte-americana apresenta-se ao serviço com vários objectos pessoais, entre eles um CD pirata da Lady Gaga... [:D]

Ora o CD não tinha nada gravado e foi suficiente colocar o mesmo no gravador de CD's e copiar informação classificada a granel e levar tudo para casa.

Na empresa onde trabalho (Fujitsu) a politica relativa à divulgação de informação interna está bem definida. Óbvio que há mil e uma maneiras de subtrair dados "eyes only" mas o pessoal do IT sabe como evitar, quem foi, quando e inclusive bloquear sites e ficheiros.

Nos EUA, em instalações militares do Pentágono deixam que esse CD caia na net? Diria que há uma conspiração dentro desta teoria da conspiração.

Alguém quis que isto acontecesse? Agora porquê? Porque motivos? Quem ganha com isto?
 
O que mais estranho neste caso do Wikileaks é mesmo a relativa facilidade com que se obtiveram estes dados. Um individuo que trabalha numa instalação militar norte-americana apresenta-se ao serviço com vários objectos pessoais, entre eles um CD pirata da Lady Gaga... [:D]

Ora o CD não tinha nada gravado e foi suficiente colocar o mesmo no gravador de CD's e copiar informação classificada a granel e levar tudo para casa.

Na empresa onde trabalho (Fujitsu) a politica relativa à divulgação de informação interna está bem definida. Óbvio que há mil e uma maneiras de subtrair dados "eyes only" mas o pessoal do IT sabe como evitar, quem foi, quando e inclusive bloquear sites e ficheiros.

Nos EUA, em instalações militares do Pentágono deixam que esse CD caia na net? Diria que há uma conspiração dentro desta teoria da conspiração.

Alguém quis que isto acontecesse? Agora porquê? Porque motivos? Quem ganha com isto?

Na minha imensa ignorância acho que estas coisas são como as spies dos carros que vemos no geral: a maior parte das vezes chegam cá fora porque alguém de dentro quis que chegassem cá fora.

Agora, qual é o interesse que podem ter em que sejam conhecidas? Não faço a mínima mas a hipótese que já sugeriram em cima de criar hype para algo que aí venha parece-me um bom palpite.

De resto, não dizem nada que de certo modo não se soubesse.
 
Na minha imensa ignorância acho que estas coisas são como as spies dos carros que vemos no geral: a maior parte das vezes chegam cá fora porque alguém de dentro quis que chegassem cá fora.

Agora, qual é o interesse que podem ter em que sejam conhecidas? Não faço a mínima mas a hipótese que já sugeriram em cima de criar hype para algo que aí venha parece-me um bom palpite.

De resto, não dizem nada que de certo modo não se soubesse.

Exacto. [;)]

Ocorre-me se estes "leaks" não irão, a médio-prazo, criar medidas draconianas na Internet.

Há muito tempo que em certos círculos se pretende desfazer o anonimato que ainda é possível na WWW. O conceito de Network Neutrality pode esfumar-se com base nesta premissa dos Wikileaks. Uma Internet totalmente controlada pelos governos, por o poder. O fim da verdadeira liberdade de opinião e também da pirataria entre outros.

Isto é só uma ideia, estou certo que muita água vai correr debaixo da ponte.
 
Foram divulgadas algumas informações de superior interesse público, mas também foram divulgadas informações que apesar de "interessantes" não são de interesse público.

Actualmente já virou mais publicity stunt que outra coisa qualquer...
 
Duvido muito que os US of A estejam indignados, se realmente fossem informações secretas e comprometedoras não estariam ao alcance de todo e qualquer militar.
 
É algo muito grave para a diplomacia dos EUA.. Apenas acho estranho não falarem do Sócrates!


Para quê?

Já teve dose mais do que suficiente cá dentro(salvo seja, dentro não vai....:(:sh)), desde licenciaturas domingueiras via fax, contas próprias e de familiares - outrora remediados, agora ricos powered by Freeport, Cova da Beira, fundações fantasmas(sim, ele era sócio do Vara, ou pensam que esse fez tudo sozinho?), pequeno-almoço a 1 milhão de euros, made by BPN/Figo, e muitas mais.

Se isto não chegou, já nada o afecta, até pode falar verdade que já ninguém quer saber....
 
não vi nada de especial ou surpreendente.

vi um corpo diplomático a fazer o seu trabalho.


menos na parte da sra clinton pedir ADN.

quanto ao resto, subscrevo o que o timothy garton ash disse no the guardian
 
É algo muito grave para a diplomacia dos EUA.. Apenas acho estranho não falarem do Sócrates!

Bah, mas alguém liga ao que se passa neste rectangulo a não ser a UE? Por alguma razão as aldrabices continuam a passar incólumes por cá... Para a grande maioria dos chefes de estado mundiais, Sócrates é um gajo porreiro pá! [:D] Querem lá saber se tem uma licenciatura tirada a um domingo ou doutras aldrabices, eles tambem as fazem.[;)]

Exacto. [;)]

Ocorre-me se estes "leaks" não irão, a médio-prazo, criar medidas draconianas na Internet.

Há muito tempo que em certos círculos se pretende desfazer o anonimato que ainda é possível na WWW. O conceito de Network Neutrality pode esfumar-se com base nesta premissa dos Wikileaks. Uma Internet totalmente controlada pelos governos, por o poder. O fim da verdadeira liberdade de opinião e também da pirataria entre outros.

Isto é só uma ideia, estou certo que muita água vai correr debaixo da ponte.

Também tenho a sensação que este espéctaculo todo tá relacionado com isso. Esperemos que não. Ter uma internet com conteúdos controlados vai ser o fim do que a Internet deveria ser:(.
 
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