«Eles estão doidos!»

Deve ter sido o texto mais tendencioso que eu já vi, e sinceramente alguns users não tem a consciência miníma do perigo que correm muitas vezes ao comer coisas "caseirinhas", pois porque o que é caseiro é que sé bom, croquetes, rissóis da senhora do 1º dto. que é muito jeitosa e tem umas mãozinhas de fada, mas que de regras de higiene e haccp nunca ouviu falar na vida. Sabe-se que à partida fazer esse tipo de coisas em casa é proibido.... para que é que as pessoas insistem? Depois admiram-se de ficarem a ca*gar de leque durante uma semana na casa de banho e sem saber porquê. Ah e as bolinhas de berlim na praia? Fantástico ter pessoas que muitas vezes não pagam impostos como devem (ou acreditam que declaram todas as bolas de berlim que vendem?) ovos pasteurizados? Isso é para mariquinhas, o que eu quero é o meu creme de ovos feito à 4 dias atrás e que nunca viu um abatedor de temperatura, mas também isso não importa nada porque a salmonella não lhe pega porque vá é caseirinho e feito com os ovos trazidos da terra das galinhas da dona alice que comem só restos da horta e têm uma gema amarelinha como a malta gosta. E um queijinho?! vai? pois a dona Joaquina e o marido das suas ovelhas fazem um queijinho que é pá aquilo é comer e chorar por mais, mas como é caseirinho e as pessoas são muito honestas e só estão a tentar ganhar a vida a brucella também não lhes toca.... assim como assim nunca ninguém morreu "prontos" a malta come.
UI e esses aditivos todos "E's" malandros das empresas que apenas querem ganhar dinheiro e provocar "cancaro" às pessoas.
E com esta conversa toda não quer dizer que eu ache ridiculo certas regras, como o dos copos descartáveis, adoro comida caseira e muitas das coisas caseiras são bastante boas mas.... COMO POR MINHA CONTA E RISCO, não vou andar a vender a um cliente que confiou em mim, e que eu sei que não estaria a a cumprir as regras. Pão com chouriço em forno de lenha, é fantástico, mas sei que o carvão é prejudicial à saúde, mas como sabendo do risco, mas não posso armar-me em deus e por em risco a saúde dos OUTROS... Só uma pergunta deixariam nas mãos de outras pessoas que não tem formação a vossa saúde? e a dos vossos filhos? Relativamente aos queijos penso que deveria das poucas coisas em que se deveria abrir um regime de excepção, pois muitas das queijarias necessitam mesmo de "sujidade" para que cresçam os microganismos necessários para o fabrico de determinado queijo, principalmente porque os queijos portugueses não tem normalmente starter's, ou seja estãºo completamente sujeitos às questões ambientais e à formação de bolores que conferirão características únicas ao queijo, e que se assim continuar acabaremos com essa parte da nossa cultura em que somos francamente bons. Outra coisa cumprir as regras não quer dizer que não possa ter o mesmo sabor "caseiro", os produtores de enchidos, nomeadamente as alheiras mirandela adaptaram-se e não vi ninguém a queixar-se de que não sabiam ao mesmo.

Já agora a ASAE limita-se a cumprir as regras, não cabe a eles legislar sobre o assunto.
 
Tipicamente Tuga, dizer mal de tudo e de mais alguma coisa, mesmo quando são coisas para o nosso bem.
Não acredito nem no fim das coisas típicamente boas nem no fim da porcaria, apenas vai elevar a fasquia mais um pouco.
Tenho uma amiga na Administração Regional de Saúde e ela conta-me às vezes cada badalhoquice que nem vos passa!
 
O António Barreto responde aos comentários do Sorumbático, e que são idênticos aos que há por aqui.

Eles estão doidos! (II) - Comentário aos comentários

Por António Barreto

Imagem obtida [aqui]​


LI OS COMENTÁRIOS que vários leitores quiseram fazer ao meu texto sobre as regras que afectam hoje a restauração e outros tipos de comércio. A maior parte era favorável aos pontos de vista que exprimi. Ou pelo menos partilhava as minhas preocupações e até a minha indignação. Devo dizer, sem vaidade, que me senti reconfortado.
MAS A LEITURA de alguns comentários muito críticos obriga-me a responder. Segundo estes, parece que defendo nostalgicamente o passado sem higiene, a aldrabice, a falta de cuidado e o desmazelo. Segundo alguns, eu estaria disposto, a bem da tradição, a conviver com a porcaria e os comportamentos incivilizados que trazem a doença e a insegurança. Ainda de acordo com essas opiniões, eu admitiria que as autoridades nada têm a fazer pela segurança colectiva e que cada um poderia fazer o que muito bem entenda, mesmo com perigo para os outros.
A ESSES, quero dizer que estão errados. Não me revejo na nostalgia dos cocós de cão na rua, do lixo no chão, das beatas no soalho dos cafés, na comida estragada, no contrabando de produtos congelados, nas chávenas mal lavadas e nas nódoas nas toalhas. Abomino o vinho a martelo, o excesso de alho para esconder carne antiga, o leite azedo, as sopas fermentadas, os iogurtes fora de prazo, o pão seco em cima da mesa e os ovos estragados. Raramente me deixo convencer por aquilo a que se chama vulgarmente o “vinho do produtor” ou os “produtos da terra”, que muitas vezes são eufemismos para produções pouco cuidadas, produtos mal confeccionados e géneros mal cultivados. Já provei enchidos “tradicionais” que são um verdadeiro nojo. Já bebi vinho “do produtor” capaz de intoxicar qualquer cidadão robusto. Já saí de restaurantes e cafés que não respeitavam os mínimos critérios de decência.
EM RESUMO: olho com esperança para os progressos que se vêm fazendo na restauração e que anunciam, gradualmente, limpeza e cuidado. Assim como para os cidadãos que, cada vez mais, prestam atenção ao que se lhes serve e protestam quando necessário. Assim como vejo com prazer a agricultura biológica a crescer, com os seus produtos que fogem da velha porcaria, mas que evitam também a nova porcaria que trazem muitas das tecnologias agro-industriais e que nos são apresentadas como sinal de modernidade e segurança. Como é sabido, muitos dos produtos “seguros”, com toda a espécie de conservantes e outros acrescentos tolerados pelas regras modernas, são autênticos venenos, sendo cada vez em maior número as pessoas que sofrem de alergias e outras doenças causadas por esses produtos “seguros”.
ACONTECE QUE A LEGISLAÇÃO e as regras, tanto europeias como portuguesas, pecam por excesso e fundamentalismo. Sofrem do síndrome de perfeição, pois pretendem organizar a virtude à força, com métodos intrusivos e atentatórios das liberdades. São frequentemente irracionais e representam a defesa de interesses escondidos de certo tipo de embalagens, de determinadas indústrias e de alguns produtos. Assim como de certas profissões novas, como as dos engenheiros de nutrição e segurança alimentar. Muitos ingredientes do “fast food” e dos alimentos enlatados ou plastificados são claramente mais perigosos do que o pão deixado secar de um dia para o outro ou do que as flores naturais colocadas numa jarra em cima do balcão de um café. Mas não deixa de ser estranho que, em Portugal, as normas são mais duras do que noutros países. As autoridades mais maximalistas. Os especialistas mais fundamentalistas. E as polícias e os fiscais mais absurdamente violentos e agressivos.
VIVI LONGOS ANOS NA SUÍÇA, país obcecado com a limpeza e a higiene. Em frente a minha casa, duas vezes por semana, um mercado de produtos frescos abastecia a população do bairro. Vinham agricultores com os seus produtos, traziam queijos, manteiga, fruta, legumes e mesmo alimentos confeccionados, como doces, compotas, quiches, empadas e bolos. Vi inspectores sanitários que passavam pelas bancas e iam examinando os produtos, davam conselhos e, raramente, obrigavam a substituir produtos. Nunca vi fiscais armados nem agentes mascarados. Nunca ouvi falar de proibições definitivas ou encerramento de bancas. Nunca um agricultor foi proibido de vender os seus produtos ou obrigado a medir a temperatura dos géneros e das embalagens. Voltei muitas vezes à Suíça, assim como vou frequentemente a outros países, designadamente França e Inglaterra. A realidade dos mercados de alimentos e das feiras urbanas onde os agricultores trazem os seus produtos é semelhante àquela que conheci de perto na Suíça.
O QUE VEJO EM FRANÇA ou em Inglaterra, hoje, dever-nos-ia fazer reflectir, pois esses países também pertencem à UE, também devem cumprir as directivas e os regulamentos comunitários. Acontece que o fazem de modo diferente daqueles que foram contemplados pela Administração portuguesa, sejam os governantes e o legislador, sejam os serviços sanitários e de segurança alimentar. Ou têm uma interpretação diferente das leis. Ou entendem que a sua aplicação se deve fazer de modo gradual e inteligente. Ou os agentes da segurança alimentar não estão apostados em defender certos interesses. Ou não estão apostados em criar emprego para os novos especialistas da saúde e da perfeição. Ou a cultura cívica e política das autoridades é muito diferente da nossa. Ou não pensam nem esperam impor a virtude a que preço seja. Ou estão mais habituados a respeitar direitos e tradições. Ou evitam a intrusão e a agressividade como métodos de educação do povo.
DE VEZ EM QUANDO, agrada-me ver, na televisão, programas de cozinha ingleses, italianos ou americanos. São em geral engraçados, aprende-se muito, os cozinheiros são, além de bons profissionais, pessoas cultas e divertidas. Vejo os instrumentos com que eles trabalham. Além de máquinas de toda a espécie, como as que já há em Portugal, reparo que fazem praticamente tudo em cima de pranchas de madeira, usam a mesma faca para cortar quaisquer géneros e não dispensam uma ou outra colher de madeira. Ostentam flores naturais nas suas cozinhas. E nem sempre abrem as torneiras com os cotovelos ou os pés. Estas práticas e estes instrumentos são simplesmente proibidos pelas leis e pelas autoridades portuguesas. Seremos mais rigorosos do que eles? Teremos mais cuidado?
O QUE É CONFRANGEDOR, no que se passa actualmente em Portugal, a este propósito, é a falta de sensatez e de sentido do equilíbrio. Muitas das regras de segurança alimentar podem ser justas, outras são desadequadas. Quem se propõe aplicá-las não procura melhorar a situação sanitária, antes pretende mostrar folhas de serviço. Há, nas práticas antigas e tradicionais, muito que se pode fazer, e até ir melhorando, sem que seja necessário, de repente, eliminar procedimentos artesanais, na convicção de que são perigosos. Pisar as uvas com os pés, o que ainda se faz em numerosas quintas, poderia ser imediatamente condenado pelas autoridades. Mas não o deve ser, mais vale tentar introduzir gradualmente algumas normas de higiene nas explorações. O que já se faz. As autoridades portuguesas não querem convencer, nem melhorar ou reformar: querem mostrar quem manda!
A ATITUDE POLÍTICA e, se quisermos, “filosófica”, das autoridades está errada. Partem do princípio que todos são ignorantes, todos pretendem vigarizar o próximo e todos preferem a porcaria. Aceitam como postulado que os consumidores, os utentes e os clientes são ignorantes, ingénuos, não exercitam os seus poderes de crítica, de apreciação e de escolha. As autoridades não confiam nos cidadãos, nem esperam que melhorem com o exemplo e a informação. Finalmente, as autoridades sabem o que é bom para os cidadãos, elas conhecem os perigos, elas julgam ter a missão de proteger as nossas vidas, orientar os nossos comportamentos e dirigir as nossas opções de vida. É contra esta visão do mundo que me elevo e indigno. É este modo de vida que, na medida do possível, não aceitarei.
«Sorumbático» - 6 de Dezembro de 2007
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http://sorumbatico.blogspot.com/
 
Ora aqui está.

Tenho contacto directo com fabrico de bolos de uma confeitaria.
Esta confeitaria fornece de bolos uma região extensa do nosso país.

Ora, os carros de distribuição estão forrados de acordo com as regras da delegada de saúde, a água é tratada, a matéria prima (ovos, farinha, chocolate, fermento, leite, etc....) o aramzém destes é composto por estrados e prateleiras para nada estar no chão, todos os empregados têm curso de higiene e segurança no trabalho, contrato de trabalho, etc..., todos os bolos são embalados, com prazo de validade, em embalagens descartaveis em plástico ou cartão, as áreas de confecção, acabamentos, fornos, armazenamento, distribuição, casas de banho, vestiários sofrem desinfestações regulares e são lavadas todos os dias 2x ao dia, os extintores existem em nº maior que o requerido por lei, todos os seguros estão em dia, todos os alvarás estão em dia tudo está em ordem e não existem medo nenhum por parte dos respectivos proprietários de uma inspecção da ASAE, nem de uma paragem pela guarda fiscal dos vendedores (que acontece quase matematicamente todos os dias).

Resultado prático:
bolos mais caros que a concorrencia,
diminuição das vendas aos clientes (cafés, mercearias, mini-mercados, etc.),
diminuição do lucro.

E ainda: se um cliente decidir congelar, armazenar ou manter em exposição um bolo desta empresa e vende-lo ao consumidor final fora do prazo de validade (que não pode vir "colado a cada um bolo individual mas sim nas caixas de 10 unidades que são vendidas ao cliente-café, que recebe bolos todos os dias), adivinhem quem vai ser responsabilizado......

Pois é.... se em vez de vender os bolos a 55c cada os vender a 35c e os fabricar numa garagem sem condições nenhnumas, o distribuir no Porta bagagens de um belo BMW 318tds em pleno verão alentejano sem identificações, facturas, produtos certificados, etc... vou ganhar bem mais e nem posso ser responsabilizado!!!

É preciso ter paciencia........
 
Sim mas aí está a pôr em risco a saúde dos outros, o que até pode nem dizer muito a muita gente. No entanto se houver algum problema (p.ex. toxinfecção alimentar) eles não deixam de ir atrás do prevaricador, (não se pense que é o café/mercearia que vai ficar com as culpas, apesar de ser proibido comprar estes alimentos nestas condições e a pessoas/empresas sem licenciamento), ou seja você, e aí a batelada da asae não é assim tão pequena, e quando estou a falar de batelada não estou só a falar de multa, estou a falar mesmo da incorrência num crime, e por isso ir parar à prisão. Por isso compensa sempre ter regras de higiene, quanto muito dormir descansadinho à noite.
 
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