Eleições francesas

Como dizem os comentadores mais cautelosos, Macron recolhe o voto volátil de pessoas com convicçoes diferentes das dele.
Eu diria que é uma questão de sorte. Se tiver a mesma sorte do nosso Buda, é só deixar rolar que as coisas acontecem sem que ele faça nada.
Mas se tiver o azar dos planetas se desalinharem, então rapidamente é contestado e aniquilado por falta de fundações e cai como um edifício na mesma situação.

Eu pouco me interessa se a seguir entra le pen ou o tiririca ou o macaco Adriano. O povo vota é ganha quem consegue legitimar-se de forma democrática.
Tenho algum nojo em ver e ler a forma como se referem a Le Pen alguém que recolhe 35%dos votos dum país que nos encosta a um canto em termos de participação democrática: é significativo de alguma coisa que nós não conseguimos alcançar.

Relembrando o ditado "para lá do Marão mandam os que lá estão"
 
Como dizem os comentadores mais cautelosos, Macron recolhe o voto volátil de pessoas com convicçoes diferentes das dele.
Eu diria que é uma questão de sorte. Se tiver a mesma sorte do nosso Buda, é só deixar rolar que as coisas acontecem sem que ele faça nada.
Mas se tiver o azar dos planetas se desalinharem, então rapidamente é contestado e aniquilado por falta de fundações e cai como um edifício na mesma situação.

Eu pouco me interessa se a seguir entra le pen ou o tiririca ou o macaco Adriano. O povo vota é ganha quem consegue legitimar-se de forma democrática.
Tenho algum nojo em ver e ler a forma como se referem a Le Pen alguém que recolhe 35%dos votos dum país que nos encosta a um canto em termos de participação democrática: é significativo de alguma coisa que nós não conseguimos alcançar.

Relembrando o ditado "para lá do Marão mandam os que lá estão"

Concordando com tudo na generalidade, para mim não é indiferente lepen ou tiririca ou macaco adriano. A política de um país não é estanque, e o peso da França na geopolítica é significativo.

Da mesma forma que Macron recebe o voto volátil mas útil de quem quer rejeitar Le Pen, Le Pen recebe todos os votos de descontentamento da extrema esquerda (irónico!) à extrema direita. É o "mal" das segundas voltas, porque é uma escolha maniqueísta de sim/não ou tudo/nada. A primeira volta é muito mais esclarecedora quanto ao eleitorado: fragmentado e dividido, nisso não difere de Portugal ou Espanha, por exemplo. A segunda volta diz outra importante coisa: um candidato teve o dobro dos votos do outro, e isso é esmagador, uma vitória retumbante!
 
Eu trabalhei 11 anos, e a ideia com que fiquei deles são bastante conservadores e avessos ás mudanças...

Concordo com esta visão. Apesar das generalizações serem sempre algo injustas.

Diria que nalguns aspectos os Franceses são até algo ortodoxos.

De qualquer modo convém olhar para a consciência politica do francês dentro do contexto histórico do país. Por um lado existe o legado da Revolução Francesa e dos valores que ali nasceram (e eles são hoje algo vítimas disso), por outro existe a WWII muito presente na consciência colectiva.

Nós vivemos na ressaca de uma ditadura de décadas, do PREC e da república e constituição que lhe sucedem. Os Franceses tiveram Paris tomada pelos Nazis... são coisas que marcam e moldam a consciência política.
 
Os Franceses tiveram Paris tomada pelos Nazis... são coisas que marcam e moldam a consciência política.

As gerações que viveram a WWII está a morrer, os seus filhos estarão bastante doutrinados, mas as novas gerações já não sabem/esquecem/percebem.
A prova disso é Le Pen conseguir arrebanhar 1/3 dos votos!
 
As gerações que viveram a WWII está a morrer, os seus filhos estarão bastante doutrinados, mas as novas gerações já não sabem/esquecem/percebem.
A prova disso é Le Pen conseguir arrebanhar 1/3 dos votos!

Depende da perspectiva.

Eu diria que se não fosse esta consciência colectiva ela teria ganho, qual Trump... até porque ela é mais coerente que este.

Nem creio que tenha sido a nova geração (em teoria menos consciente da WWII) a votar na sra Le Pen.

Mas olha que o francês médio tem muita consciência da segunda guerra. Eles estiveram no olho do furacão...
 
Concordando com tudo na generalidade, para mim não é indiferente lepen ou tiririca ou macaco adriano. A política de um país não é estanque, e o peso da França na geopolítica é significativo.

Da mesma forma que Macron recebe o voto volátil mas útil de quem quer rejeitar Le Pen, Le Pen recebe todos os votos de descontentamento da extrema esquerda (irónico!) à extrema direita. É o "mal" das segundas voltas, porque é uma escolha maniqueísta de sim/não ou tudo/nada. A primeira volta é muito mais esclarecedora quanto ao eleitorado: fragmentado e dividido, nisso não difere de Portugal ou Espanha, por exemplo. A segunda volta diz outra importante coisa: um candidato teve o dobro dos votos do outro, e isso é esmagador, uma vitória retumbante!

Leituras são mais que muitas...Claro que a vitória é expressiva e clara mas não usaria o termo esmagadora. Com menos votos (em %) que a Lepen, estamos a levar com o António Costa que está onde está com apenas 32% dos votos.
Portanto eu não colocaria as coisas nestes termos. 35% para Le Pen é notável e tem o seu significado.
 
As gerações que viveram a WWII está a morrer, os seus filhos estarão bastante doutrinados, mas as novas gerações já não sabem/esquecem/percebem.
A prova disso é Le Pen conseguir arrebanhar 1/3 dos votos!

ia escrever isso...[;)]
 
Será que a vitória de Trump mobilizou as pessoas a rejeitar Le Pen? Por lá o candidato que de certeza que não ia ganhar, ganhou. Apesar do sistema eleitoral ser completamente diferente, o eleitorado francês poderá ter ficado mais alerta depois do resultado americano. A "ameaça" Trump foi desvalorizada por todos. Não me parece ter acontecido o mesmo com Le Pen.
 
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Como disse La Pen, "A França vai ter uma mulher como presidente. Eu, ou a Srª Merkel"
 
Estamos a falar do país onde tem havido mais atentados.

Só em Nice foram 84 mortos... não é brincadeira.

Haver um candidato com um discurso destes e ter 35% não me espanta assim tanto.

Volto a dizer que se não fosse a consciência colectiva, ela teria ganho com alguma facilidade. Como seria noutro país com atentados desta mortandade, violencia e impacto?

Mas isto será sempre a história do copo meio vazio ou meio cheio...
 
Será que a vitória de Trump mobilizou as pessoas a rejeitar Le Pen? Por lá o candidato que de certeza que não ia ganhar, ganhou. Apesar do sistema eleitoral ser completamente diferente, o eleitorado francês poderá ter ficado mais alerta depois do resultado americano. A "ameaça" Trump foi desvalorizada por todos. Não me parece ter acontecido o mesmo com Le Pen.

Acho que foi antes o medo do Franxit e do "fim da europa" que assustou mais o eleitorado.

Le Pen apostou erradamente na saída do Euro e na descolagem da Europa de forma tão exuberante.
Penso que teria tido mais votos neste acto eleitoral se tivesse optado por não acenar com a hipótese de saída da UE.

Porém, no longo prazo ( espero estar enganado) no caso da UE borregar ainda mais, aí sim, essa posição precoce em relação ao "projecto falhado da EU" vai dar-lhe dividendos.
 
Será que a vitória de Trump mobilizou as pessoas a rejeitar Le Pen? Por lá o candidato que de certeza que não ia ganhar, ganhou. Apesar do sistema eleitoral ser completamente diferente, o eleitorado francês poderá ter ficado mais alerta depois do resultado americano. A "ameaça" Trump foi desvalorizada por todos. Não me parece ter acontecido o mesmo com Le Pen.

Acho que muito mais elucidativo não foi Trump, foi o Brexit: muito alarido, muita gritaria contra a UE, que sair da UE era a panaceia para todos os males. Vai daí ganha o Brexit, Farage and Friends não fazem puto de ideia que fazer com a vitória e saltam fora do barco, o poder sobra para uma Teresa May em 15º lugar na linha de hipóteses e a libra recua para valores de 1985 tornando toda a gente mais pobre. A receita Le Pen foi sempre diabolizar o Euro e a UE e querer a saída da França como o UKIP defendia no Reino Unido. Viu-se...
 
Também acredito. Incrível como praticamente toda a gente que queria o Brexit desapareceu de circulação...

Sim, aquilo foi quase uma brincadeira de mau gosto que correu mal.

De qualquer modo, sobre a França, espero que as coisas corram bem ao novo presidente. A Europa precisa de uma França a andar para a frente.

Hollande foi um flop a diversos níveis, infelizmente.
 
Incrível também como Hollande vai ficar na história como um dos piores presidentes de sempre. Incrível se tivermos em conta o sentimento que se vivia em França na noite em que foi eleito.
 
O Macron tem apenas um senão na minha visão distorcida da Realidade ( pq eu sou cegueta crónico mesmo).[:D]

Licenciado em Filosofia ( se bem que, parece que e tal, esperemos que não seja Relvas...), entrou na FP como inspector das finanças em 2004( obviamente as habilitações perfeitamente adequadas à função) e vai volta vem volta, passa para banqueiro da banca de investimento em 2008, esforça-se bastante e é promovido a sócio em 2010, dá mais umas piruetas, e chega finalmente a PR.( tudo normalíssimo, portanto).

A minha leitura crua: entre Jesuítas, Opus Dei e Maçonaria é escolher o que encaixa melhor. Dada a formação base, aponto para o primeiro.

E vira o disco e toca o mesmo. E qd sair: é preciso dizer que vai para ums Goldman da vida ou é demasiado óbvio?

Mas continuemos a falar de projectos políticos e tal, faz de conta que é verdade que vivemos num mundo democrático.
 
O que ela defendia era o populismo que o povinho mais estúpido papa às colheres cheias, como a ideia que "a culpa é do euro" porque o café custava 60 escudos e agora custa 60 cêntimos. Ignorantes são fáceis de manipular, basta dar uma resposta curta e concisa (mesmo que errada) a um problema que parece muito díficil e complexo que vão logo na cantiga.

Infelizmente tens toda a razão. É impressionante como tanta gente se deixa convencer com meia dúzia de palavras vazias e demagógicas.
 
A minha leitura crua: entre Jesuítas, Opus Dei e Maçonaria é escolher o que encaixa melhor. Dada a formação base, aponto para o primeiro.

E vira o disco e toca o mesmo. E qd sair: é preciso dizer que vai para ums Goldman da vida ou é demasiado óbvio?

Mas continuemos a falar de projectos políticos e tal, faz de conta que é verdade que vivemos num mundo democrático.

Por vezes é preciso escolher a opção menos má.

Entre o Macron e uma fascista, nacionalista, racista e xenófoba com vontade de destruir a UE, o que é melhor?
 
Mas continuemos a falar de projectos políticos e tal, faz de conta que é verdade que vivemos num mundo democrático.

É melhor para ele que não siga o mesmo tipo de projetos que seguiu enquanto ministro da economia, senão lá vêm os sindicatos "festejar" para as ruas como fizeram nos últimos anos.
 
Última edição:
O Macron tem apenas um senão na minha visão distorcida da Realidade ( pq eu sou cegueta crónico mesmo).[:D]

Licenciado em Filosofia ( se bem que, parece que e tal, esperemos que não seja Relvas...), entrou na FP como inspector das finanças em 2004( obviamente as habilitações perfeitamente adequadas à função) e vai volta vem volta, passa para banqueiro da banca de investimento em 2008, esforça-se bastante e é promovido a sócio em 2010, dá mais umas piruetas, e chega finalmente a PR.( tudo normalíssimo, portanto).

A minha leitura crua: entre Jesuítas, Opus Dei e Maçonaria é escolher o que encaixa melhor. Dada a formação base, aponto para o primeiro.

E vira o disco e toca o mesmo. E qd sair: é preciso dizer que vai para ums Goldman da vida ou é demasiado óbvio?

Mas continuemos a falar de projectos políticos e tal, faz de conta que é verdade que vivemos num mundo democrático.

E no meio disso tudo ainda foi ministro do governo de um presidente eleito a prometer erradicar os Rothschild desta vida. Ah, a ironia. [:p]
 
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