Achei este artigo interessante e decidi-o partilhar convosco.
Artigo (in)definido
Afinal, é “o” Ferrari ou “a” Ferrari? “O” BMW ou “a” BMW? Essa confusão pode ter causa definida: o “espírito italiano”
Texto: Josué Machado, revista Língua Portuguesa
Fotos: Divulgação
A maioria dos redatores das seções de jornais, revistas, TV e rádio tem o triste hábito de atribuir gênero feminino a carros de luxo. Influência de um ou outro locutor italiano comentarista de esportes, principalmente de corridas de automóveis. E os papagaios nacionais passaram a imitá-lo(s).
Na Itália, chamam o “automobile” de “la macchina”, uma senhora, portanto. Daí, por aqui começaram a escrever e dizer: a Mercedes, a Alfa Romeo, a Brabham, a McLaren. Seria bom lembrar que em português os carros, os automóveis, são masculinos: o Mercedes, o Alfa, o Ferrari, o Brabham, o Williams. E por aí vai.
As fábricas, sim, são a Mercedes, a Alfa Romeo, a Ferrari, a Brabham, a Lotus. Curioso que o nome de alguns carros, talvez por não fazer parte tradicionalmente da Fórmula 1, era e continua sendo precedido pelo artigo masculino: o Audi, o Toyota, o Porsche e alguns outros poucos. Isso não explica, entretanto, o fato de o automóvel BMW ser chamado de a BMW. Italianês, provavelmente.
O italianês também faz parte das narrações de jogos do campeonato italiano por locutores brasileiros. Por isso eles não se cansam de repetir: a Juventus, a Fiorentina, a Lazio, a Inter, a Udinese, a Roma e assim por diante, embora se refiram a times de futebol, a clubes. A equipes também, é claro. Mas no Brasil os quadros de futebol são tradicionalmente masculinos. É estranho que digam, no entanto, o Milan, o Cagliari e alguns poucos.
Verdade que no Brasil temos a Portuguesa de Desportos, a Portuguesa Santista e a Ferroviária de Araraquara, entre outros poucos precedidos pelo artigo feminino. Ainda não se sabe por que não chamaram o Palmeiras de a Palmeiras ou as Palmeiras, considerando a italianidade de boa parte da torcida.
O fato é que a contaminação da linguagem, principalmente no esporte, é um fenômeno entranho. Talvez complexo de vira-lata, como diria Nélson Rodrigues.
Fonte: Revista Língua Portuguesa, matéria publicada na edição nº 7 sob o título “O feminino no esporte”.
Nota: Algumas das imagens que ilustram esta matéria são do filme Carros (Cars, da Disney/Pixar), que estréia 30 de junho nos cinemas nacionais. Nesse filme, talvez por uma provocação dos americanos aos alemães, um Porsche 911 assume personagem feminina – a doce Sally, que pelas fotos torna-se namorada (!) do "galã" da história, o cupê esportivo McQueen. Certamente a discussão sobre o masculino/feminino vai se acirrar com essa brincadeirinha...
Artigo retirado da Webmotors http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Reportagens_Conteudo.vxlpub?hnid=36234
Artigo (in)definido
Afinal, é “o” Ferrari ou “a” Ferrari? “O” BMW ou “a” BMW? Essa confusão pode ter causa definida: o “espírito italiano”
Texto: Josué Machado, revista Língua Portuguesa
Fotos: Divulgação
A maioria dos redatores das seções de jornais, revistas, TV e rádio tem o triste hábito de atribuir gênero feminino a carros de luxo. Influência de um ou outro locutor italiano comentarista de esportes, principalmente de corridas de automóveis. E os papagaios nacionais passaram a imitá-lo(s).
Na Itália, chamam o “automobile” de “la macchina”, uma senhora, portanto. Daí, por aqui começaram a escrever e dizer: a Mercedes, a Alfa Romeo, a Brabham, a McLaren. Seria bom lembrar que em português os carros, os automóveis, são masculinos: o Mercedes, o Alfa, o Ferrari, o Brabham, o Williams. E por aí vai.
As fábricas, sim, são a Mercedes, a Alfa Romeo, a Ferrari, a Brabham, a Lotus. Curioso que o nome de alguns carros, talvez por não fazer parte tradicionalmente da Fórmula 1, era e continua sendo precedido pelo artigo masculino: o Audi, o Toyota, o Porsche e alguns outros poucos. Isso não explica, entretanto, o fato de o automóvel BMW ser chamado de a BMW. Italianês, provavelmente.
O italianês também faz parte das narrações de jogos do campeonato italiano por locutores brasileiros. Por isso eles não se cansam de repetir: a Juventus, a Fiorentina, a Lazio, a Inter, a Udinese, a Roma e assim por diante, embora se refiram a times de futebol, a clubes. A equipes também, é claro. Mas no Brasil os quadros de futebol são tradicionalmente masculinos. É estranho que digam, no entanto, o Milan, o Cagliari e alguns poucos.
Verdade que no Brasil temos a Portuguesa de Desportos, a Portuguesa Santista e a Ferroviária de Araraquara, entre outros poucos precedidos pelo artigo feminino. Ainda não se sabe por que não chamaram o Palmeiras de a Palmeiras ou as Palmeiras, considerando a italianidade de boa parte da torcida.
O fato é que a contaminação da linguagem, principalmente no esporte, é um fenômeno entranho. Talvez complexo de vira-lata, como diria Nélson Rodrigues.
Fonte: Revista Língua Portuguesa, matéria publicada na edição nº 7 sob o título “O feminino no esporte”.
Nota: Algumas das imagens que ilustram esta matéria são do filme Carros (Cars, da Disney/Pixar), que estréia 30 de junho nos cinemas nacionais. Nesse filme, talvez por uma provocação dos americanos aos alemães, um Porsche 911 assume personagem feminina – a doce Sally, que pelas fotos torna-se namorada (!) do "galã" da história, o cupê esportivo McQueen. Certamente a discussão sobre o masculino/feminino vai se acirrar com essa brincadeirinha...
Artigo retirado da Webmotors http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/Reportagens_Conteudo.vxlpub?hnid=36234