Eu, dentro da informática, tenho-me movimentado numa área que até considero rentável, por haver pouco pessoal novo a apostar nela: a área dos mainframes e dos midranges (MVS, AS400, etc...).
E, como em todas as áreas, há muitas empresas que funcionam "à tuga", ou seja, como já aqui foi descrito, tratam os empregados como números dos quais podem dispor como entenderem: o horário que consta do contracto é meramente decorativo, a retribuição por trabalho suplementar é uma miragem, e a palavra "regalias" é meramente uma formalidade.
O horário é das 9 às 18, mas se sais às 18 (mesmo que tenhas entrado às 8) és olhado de lado, és um mau exemplo, e és um gajo que "se arrisca a ser despedido um dia destes, ou a não subir nesta empresa". O ordenado não estica quando trabalhas 2 sábados e sais muitos dias às 19/20h, mas encolhe logo se precisas duma tarde para qualquer coisa. O teu trabalho não é valorizado (e, no entanto, o teu horário é, por muito impecável que seja o teu trabalho), etc...
Claro que, nestas condições, um gajo farta-se e mete-se a andar, não o fazendo até mais vezes porque a vida não está fácil, porque tem contas para pagar, etc...
Eu estou no meu 5º emprego, e o único onde tinha um bom ambiente e o trabalho valorizado foi aquele em que me mentiram descaradamente para me aliciar. Só descobri ao fim de ano e meio, e depois de confrontar quem de direito com a situação, despedi-me.
Não vou ser hipócrita: eu penso, e muito, em termos de ordenado. Mas não é, para mim, factor determinante. Estabilidade, regalias, ambiente, etc... tudo isso importa. Só odeio é injustiças, e não as tolero.