continuar ou não os estudos

Altar

Well-known member
há dias, num almoço com colegas e amigos


falei que um dos meus filhos estava a concluir o 12º ano num curso tecnico-profissional, e ele estava em estágio na ilha espanhola de Menorca, ele tem 19 anos


disse um desses meus amigos para o incentivar a continuar os estudos


mas como ? vou ser pai tirano ? abrir-lhe a cabeça para meter lá dentro essa ideia ?

os jovens hoje em dia não estão nada motivados para continuar os estudos


o meu mais velho, tem 23 anos, faltam-lhe 4 ou 5 cadeiras para acabar o curso de Audiovisual & Multimedia no Politecnico de Lisboa, e está desmotivado, não sente interesse nem necessidade em acabar, apesar de todos os meus esforços

ele disse que ia acabar, não sei....neste momento está a trabalhar na hotelaria...800 euros liquidos + gorjetas


eles vêm amigos já licenciados e até com mestrados a ganharem 900 euros, 1000 euros

como pode motivar isso ? eles não são parvos, eles sabem do que se passa com os seus amigos


nem todos os nossos filhos entram para boas engenharias no Técnico, ou vão para medicina

ou vão ? não vão !!!


a minha mulher é professora e diz que a desmotivação é geral, andar a estudar tantos anos para quê ? para ganhar 900 euros ? 1000 euros ?

nem casa conseguem comprar, não conseguem nada

e eles próprios vêm isso a acontecer com todos os seus amigos


agora fui mudar os pneus à Norauto, estavam a contratar pessoal, eles dão formação, formam-se em mecânicos e ganham bem mais que 1000 euros por mês


tantos anos a estudar, tanto esforço financeiro dos pais em propinas ou em deslocações ou em alojamento....para nada...para nada

este país é uma merd*

eu como pai só queria que fossem felizes, que tivessem um bom futuro
 
Última edição:
eu ia dizer continuar os estudos, mas depois li "Audiovisual & Multimedia no Politecnico de Lisboa".

o que os pais têm de ajudar os putos é escolher os cursos certos, andar a fazer licenciaturas de faz de conta só para ter um canudo é uma perda enorme de tempo.


 
eu ia dizer continuar os estudos, mas depois li "Audiovisual & Multimedia no Politecnico de Lisboa".

o que os pais têm de ajudar os putos é escolher os cursos certos, andar a fazer licenciaturas de faz de conta só para ter um canudo é uma perda enorme de tempo.



tens filhos ?! acho que não deves ter
 
Eu também desanimei de estudar. Eu tenho 2 cursos técnicos mas não tenho faculdade. Já tenho mais de 30 e não tenho saco para ficar 4,5 anos dentro de uma sala de aula. As universidades particulares aqui são carissimas e a prova para faculdade publica é dificil demais e injusta. O ensino publico aqui não é bom e o governo permite que alunos ricos de escolar particular façam o exame. Não podem impedir já que eles tambem pagam impostos. Eles estudaram nas escolas mais caras do país e obviamente alcançam as maiores notas. E a maioria das faculdades publicas é longe e em período integral. A maioria dos alunos que frequentam faculdades públicas aqui são ricos, Já que eles tem familias que os sustentem e podem se dar ao luxo de ficar 5,6 anos sem trabalhar. 90% dos alunos de universidade publicas são ricos e brancos e tem sobrenomes pomposos como Von Ritchofen e Matarazzo.Por isso é raro ver um preto ou mestiço em cargos poder. E aqui só consegue emprego bom quem tem indicação. Alguém pra te por lá dentro. Eu não conheço ninguém importante e não tenho contatos. Por outro lado estudar é bom porque conhecimento não ocupa espaço. E tem chance de um salário melhor. Eu pretendo fazer algum técnologo ou um curso curto. Por mais que o cenário seja desanimador se com estudo está dificil imagina sem. Então incentivo sim a estudar.
 
tens filhos ?! acho que não deves ter


tenho, e sabem perfeitamente quais os empregos que dão dinheiro e quais não dão.

e nem todos requerem cursos superiores, por isso eles só têm de escolher um dentro do leque dos que dão dinheiro (dos que têm procura).

sabem também que um emprego não é um hobby (por isso é que te pagam), se gostam de estudos africanos ou sociologia, podem aprender depois nas horas vagas, tal como pintar ou tocar guitarra.

claro que não consigo controlar o que eles escolhem, a única coisa que posso fazer é influenciar e explicar-lhes claramente quais são os caminhos que levam a algum lado e quais não levam a lado nenhum.

há demasiada oferta de cursos no mercado e os putos não fazem ideia do que resulta ou não, temos de ser nós a guiá-los e a abrir-lhes os olhos.
 
tenho, e sabem perfeitamente quais os empregos que dão dinheiro e quais não dão.

e nem todos requerem cursos superiores, por isso eles só têm de escolher um dentro do leque dos que dão dinheiro (dos que têm procura).

sabem também que um emprego não é um hobby, se gostam de estudos africanos ou sociologia, podem aprender depois nas horas vagas, tal como pintar ou tocar guitarra.

claro que não consigo controlar o que eles escolhem, a única coisa que posso fazer é influenciar e explicar-lhes claramente quais são os caminhos que levam a algum lado e quais não levam a lado nenhum.

há demasiada oferta de cursos no mercado e os putos não fazem ideia do que resulta ou não, temos de ser nós a guiá-los e a abrir-lhes os olhos.


o meu filho tem jeito para artes, teve 19 no exame de Geometria Descritiva

esse curso é polivalente, dá para vídeo, fotografia, e sei lá...é bastante técnico

enquanto as Belas Artes é tudo teoria

tu que és tão crítico, tão atento, não vês o que se está a passar ?

- os médicos fogem para o privado, muitos concursos públicos ficam por preencher
- a média de idades na FP são 50 anos, eu tenho 50 anos, há poucos jovens
- a minha mulher é professora, também com 50 anos, não há sangue novo
- os grandes grupos hoteleiros queixam-me de mão de obra, querem ir buscar mão-de-obra a áfrica

eu sou engenheiro informático, analista programador, tomara eu que seguissem este meu ramo....mas não...eles não gostam, detestam programação

não podes obrigar os teus filhos a irem para o técnico ou para a faculdade de medicina

se forem para a faculdade de direito é para serem explorados nos escritórios de advogados

pá...é tudo assim

eu espero então que os teus filhos tenham muita sorte
 
Eu sou um desses casos.
Desisti do curso de eletrónica e redes de computadores no segundo ano.
Além de não ter futuro na minha zona (gosto muito de Viana) os salários não são nada de especial e ainda tinha a agravante de o meu pai estar a pagar-me o curso com o salário mínimo da época.
Passado mais de 20 anos desta decisão, não estou nada arrependido, uma grande parte dos meus colegas que acabaram estão em fabricas fora do local de residência deles.
Eu estou num trabalho que gosto com um salário razoável a dois minutos de casa e com muitas benesses de horário.
 
tenho, e sabem perfeitamente quais os empregos que dão dinheiro e quais não dão.

e nem todos requerem cursos superiores, por isso eles só têm de escolher um dentro do leque dos que dão dinheiro (dos que têm procura).

sabem também que um emprego não é um hobby (por isso é que te pagam), se gostam de estudos africanos ou sociologia, podem aprender depois nas horas vagas, tal como pintar ou tocar guitarra.

claro que não consigo controlar o que eles escolhem, a única coisa que posso fazer é influenciar e explicar-lhes claramente quais são os caminhos que levam a algum lado e quais não levam a lado nenhum.

há demasiada oferta de cursos no mercado e os putos não fazem ideia do que resulta ou não, temos de ser nós a guiá-los e a abrir-lhes os olhos.

Pois… um filho de um colega, não quis ir para a Universidade e entrou para um curso profissional de engenharia eléctrica (associate’s degree)… mal entrou já tinha convite da Scottish Power, uma das maiores empresas do UK de energia, para fazer um estágio lá…
 
Um dos problemas atuais é que de uma forma geral os miúdos são pouco maduros aos 18 anos, são umas crianças. De facto, têm que ser orientados pelos Pais.

No meu caso eu abri o jogo com eles: mostrei-lhes quais os cursos que lhes podem providenciar um futuro profissional/financeiro desafogado e quais os que, embora sejam interessantes do ponto de vista da formação, não têm saídas profissionais.

A escolha deve ser sempre dos jovens, convém é saberem o que os espera no fim dos cursos.

No fundo, o mais importante na vida é que sejam felizes. Nem todos procuram o mesmo tipo de vida.
 
Última edição:
Pois… um filho de um colega, não quis ir para a Universidade e entrou para um curso profissional de engenharia eléctrica (associate’s degree)… mal entrou já tinha convite da Scottish Power, uma das maiores empresas do UK de energia, para fazer um estágio lá…

o meu filho mais novo, aquele que está em estágio, é muito sociável e tem bastante queda para línguas

uma certificação do nível mais alto, acho que é o C, em Inglês e até em francês

nisso parece-me mais motivado
 
No fundo, o mais importante na vida é que sejam felizes. Nem todos procuram o mesmo tipo de vida.

E serem bons naquilo que gostam, porque não é tanto o tipo de curso ou trabalho que têm que garante dinheiro, é serem bons e se for preciso não terem medo de emigrar durante uns tempos

Agora quando se tira um curso sem nenhuma saída e se tem a postura de não procurar melhor e esperar que só porque tenho um curso quero fazer o que estudei, aí pode ser um problema
 
Compreendo o que dizes, mas as coisas não são assim tão simples.

Porque tu não podes forçar um filho a ir para um curso que ele não gosta. Isso simplesmente não funciona.

No meu caso eu abri o jogo com eles: mostrei-lhes quais os cursos que lhes podem providenciar um futuro profissional/financeiro desafogado e quais os que, embora sejam interessantes do ponto de vista da formação, não têm saídas profissionais.

A escolha deve ser sempre dos jovens, convém é saberem o que os espera no fim dos cursos.

No fundo, o mais importante na vida é que sejam felizes. Nem todos procuram o mesmo tipo de vida.



opa, estás a dizer exactamente o que eu disse.

a única diferença é que eu não limito as escolhas a "terem curso superior". Isso é redutor e prejudica muito os jovens.

o curso superior deve ser prioritário, mas SÓ se for um curso superior com saída. É mil vezes preferível um curso profissional com saída do que um curso superior da tanga.

outra coisa que sempre lhes disse é para não se deixarem limitar pelo país onde estão. O mundo é enorme e as possibilidades infinitas.

no fundo, o importante é para serem pragmáticos e se focarem no objectivo. Se o objectivo é um futuro profissional/financeiro desafogado, então há muitos caminhos para chegar lá, e é nisso que se têm de focar.
 
o meu filho mais novo, aquele que está em estágio, é muito sociável e tem bastante queda para línguas

uma certificação do nível mais alto, acho que é o C, em Inglês e até em francês

nisso parece-me mais motivado



eu vou-te contar um segredo - as pessoas melhor sucedidas não são as que têm vocação para X ou "queda" para Y.

são aquelas que dão 150% naquilo que fazem independentemente do que seja. Que são competitivas, têm resiliência, capacidade de trabalho, e vontade de fazer sempre melhor.

é isso que faz a diferença, e é isso que ensino aos meus filhos.
 
É assim não vale apena tentares introduzir o teu rapaz a seguir estudos, já tem 19 anos, tem de ser ele a decidir se quer continuar ou ir trabalhar, e depois no decorrer então prosseguir estudos numa coisa que goste, as coisas estão uma valente miséria hoje em dia e tu próprio já constatas-te isso a realidade portuguesa.

Hoje tem maior probabilidade de um estudante de um curso profissional acabar logo a trabalhar no final do curso do que um que vai para a universidade anos a fio e depois chega cá fora, experiência zero e estágios para iniciar carreira poucos ou mesmos nenhuns na área de residência, obrigando a ter de olhar para outras opções e depois acabar a fazer tudo menos para aquilo que andou a estudar.

É certo que existe áreas que não tem procura nenhuma outras tem e ninguém quer ir para elas pois não se identificam.

O meu filho saltou logo para o profissional tirou um curso de mecatrônica industrial, por iniciativa dele acabou com 18 anos , a empresa onde estagiou ficou logo com ele, mas ao fim de um ano com esta treta que andamos ainda a viver dispensaram-no a ele e a outros, acabou por ir trabalhar para Espanha, ao inicio custo-me a habituar há ideia, mas pronto lá está em Barcelona a trabalhar, ganha razoavelmente 1500€ a empresa anda sempre a dar formação constante, e vem só cá a Portugal de 3 em 3 meses durante 15 dias.

Eu vou todas as semanas do centro para o Algarve para ir eletrificar embarcações , outra área em que é difícil encontrar mão de obra, é um trabalho muitas vezes penoso, mas quem gosta faz de bom grado, mas é muito difícil encontrar alguém para trabalhar, pois tem de se ter responsabilidade no que se está a fazer, e é uma profissão de risco acrescido.

Dito isto deixa as coisas desenrolarem-se é certo que queremos o melhor para os nossos filhos, mas lá está tem de ser eles a escolher e aprender com as suas escolhas, nós só podemos dar a nossa opinião para os encaminhar e não forçar a ir por um caminho que não gostam que mais tarde pode vir a trazer repercussões na sua vida.
 
Humilde opiniao que vale absolutamente nada, mas como pai também quero o melhor para as minhas filhas.

O ir ou nao ir para a faculdade depende primeiro dos cursos em que se está, alguns é necessário outros é facultativo e nao significa que alguém que nao tenha completado a universidade vá ser melhor ou pior profissional baseado nisso, na realidade nao quer também dizer que tenha mais ou menos oportunidades que outro.

No final acima de tudo o que importa é a vontade do teu filho.
 
Eu com 18 anos comecei a trabalhar.

Continuei sempre a estudar, fiz bacharelato e uns anos depois a licenciatura. Depois durante uns anos dediquei-me mais ao trabalho e à família.

Há cerca de 10 anos voltei a estudar, fiz uma Pós Graduação, depois a parte letiva de um Mestrado (a tese ficou em standby sine-die...) e depois outra Pós Graduação. Depois disso ainda fiz um curso de especialização que uns anos antes era também uma Pós Graduação... Com a pandemia parei.

Pelo meio disto tudo fui sempre fazendo algumas formações não conferentes de grau e de curta duração.

Como é obvio todo o meu percurso académico foi sempre em regime pós laboral. Em 2022 não, mas em 2023 conto regressar ao mundo académico, não sei se finalmente para fazer a tese de mestrado ou para fazer outro mestrado, mas provavelmente um dos cenários será.

Há sempre lugar para a aprendizagem. Nunca me arrependi dos custos financeiros (e outros) que existiram.

Com 18 anos tinha colegas a ganhar na industria de moldes 4 ou 5 vezes o que eu ganhava. Se tiveram uma vida melhor ou estão melhores do que eu agora? Que eu saiba não. Nem monetariamente, nem fisicamente. Alguns pela violência de trabalhos estão completamente rebentados fisicamente e com a minha idade ou mais novos, passam mais tempo de baixa do que a trabalhar.

Motivação para estudar? Nem sempre há. Para trabalhar também não, pois não? É a vida ... faz parte ... Mas como em tudo na vida ou se luta contra o que nos faz parar, ou simplesmente pára-se ... e os outros vão passando.
Mas cada um sabe de si ...
 
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continuar ou não os estudos

Eu se tiver filhos também os vou influenciar a escolher um curso decente, também acho uma perda de tempo e de dinheiro a pessoa andar a estudar e depois esse curso não servir de nada ou a pessoa ganhar pouco ou o mesmo que uma pessoa que não tirou nada

Eu quando terminei o secundário com 18 anos não sabia bem o que queria e não tinha ninguém para me dar conselhos, e à conta disso perdi muitos anos da minha vida.. deixa me doente pensar nisso lol
MAs pronto agora a situação ja tá remediada mas foram anos que se perderam
 
Ja agora a minha situação.

Filho com 17 anos ( faz os 18 em Setembro ) acabou o 12º e sem ninguem saber inscreveu-se na PSP como agente e na Escola Superior da PSP.
Só soubemos porque foi necessario assinar a papelada por ele ser menor de idade.

Agora vejam o que eu como pai penso no futuro do rapaz, policia em Portugal vale zero.
 
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