Constipação nos EUA

Isto pode ser um problema muito sério...

Deixo aqui um outro artigo retirado do site Think Finance, já com alguns meses, mas que já falava deste assunto:


A Bolha Invisível
Uma das coisas que tenho comentado aqui no Think Finance é que existe novamente uma Bolha no mercado. Ou melhor, existe uma Bolha de crédito na economia que faz com que o mercado possa também apelidar-se de Bolha.Essa visão está longe de ser consensual. No mundo, mesmo existindo quem ache que os mercados estão esticados ou necessitam de uma correcção, praticamente ninguém fala de bolha. O consenso é aliás para um “Soft Landing”, para uma economia “Goldilocks”, nem demasiado quente, nem demasiado fria. O consenso é ainda que para os níveis de taxas de juro presentes, os múltiplos de mercado são baixos ou razoáveis, e que portanto existe espaço para mais subidas.
E subidas não têm faltado. Até ao ponto de os mercados estarem a bater recordes de baixa volatilidade e ausência de quedas, com a maior sequência de subidas da história do S&P sem uma queda de 2% num dia ou de 10% em qualquer número de dias.
Com os resultados das empresas a subir, as taxas baixas e a prometer continuar baixas, o Imobiliário em queda mas sem afectar o mercado e supostamente já a estabilizar, porquê falar de Bolha?
A razão é só uma: O Crédito e a sua brutal expansão em todo o mundo Ocidental.
O Crédito, nunca é demais reafirma-lo, é consumo antecipado. Além disso o Crédito tem uma outra característica: quando alguém pede Crédito e o usa numa compra, esse Crédito vai constituir receitas e rendimento para quem efectua a venda. E depois, quem efectua a venda vai pagar aos seus fornecedores também com parte desse Crédito, e esses, por sua vez, vão fazer as suas compras também com parte do Crédito original.
Ou seja, a tomada de dívida funciona como rendimento para quem a contrai, e vai inflaccionar o rendimento de quem recebe o produto dessa dívida, aumentando também a sua capacidade de endividamento. Forma-se neste ponto um ciclo virtuoso de tomada de dívida.
É esse ciclo virtuoso de tomada de dívida que inflacciona a totalidade da actividade económica, aumentando as receitas e lucros de todas as empresas mesmo daquelas que não estão nos mercados onde se está a criar a dívida. Ao contrário do debate que muitas vezes se faz de qual a % do Crédito que acaba em consumo (50%? 60%?) a realidade é que o que acaba em consumo é um MÚLTIPLO daquilo que é originalmente pedido.
É esse ciclo virtuoso de tomada de dívida que permite dizer que os fundamentais da maioria das empresas, enquanto dura esse ciclo, estarão sobreavaliados, mesmo que os seus múltiplos de mercado pareçam normais. Isto porque a própria actividade das empresas estará subavaliada por uma componente que não existiria, se não existisse uma expansão descontrolada do crédito.
Existem ainda outras consequências observáveis desta Bolha de crédito: aumentam as margens de lucro, pois o rendimento dos trabalhadores – custo das empresas – cresce a um ritmo inferior à expansão do crédito e seus efeitos nas receitas e resultados das empresas; e aumentam as desigualdades, pois a expansão do crédito inflacciona o valor dos activos – mobiliários e imobiliários – e estes são detidos maioritariamente pelas camadas mais ricas da população.
A Bolha de crédito presente, porém, é especial.
Normalmente existem vários travões para o Crédito:

  • [*]A capacidade de quem o contrai, o pagar;
    [*]As reservas dos bancos que os impedem de dar Crédito infinito;
    [*]Quando os bancos procedem à venda dos Créditos, a quantidade de Crédito de boa qualidade que possuem para vender (porque os Institucionais só tendem a comprar Crédito de boa qualidade);
    [*]Quem esteja disposto a ficar com Crédito de má qualidade, já que os devedores de boa qualidade rapidamente se esgotam numa expansão descontrolada de Crédito.
O que aconteceu nos últimos 10-12 anos, foi que existiu uma transformação brutal nestes travões, que levou a que se atingissem níveis de endividamento face ao rendimento historicamente recorde, mesmo ao nível do serviço da dívida e não obstante as baixas taxas de juro.
As regras sobre quais as necessidades de reservas foram relaxadas, e o mercado de titularização de créditos desenvolveu-se de forma exponencial. Foram criadas (e expandiram-se brutalmente) novas formas de titularizar crédito que permitiram transformar Crédito de relativa baixa qualidade (A/BBB) em Crédito 90-95% AAA/AA e 5-10% A/BBB/BBB-. Essas formas foram os CDOs, Collateralized Debt Obligations.

....

Continua em:
http://www.thinkfn.com/content/view/246/

 
Óptimas notícias (NOT) para mim, logo agora que me vou meter a comprar casa...

Quanto às acções ainda estou dentro, contava perder um pouco agora em Agosto e voltar à tendência em Setembro... [8b]

Ainda me vou meter mas é num emprestimo com taxa fixa, pois estas cedências de liquidez estão-me a deixar bastante inseguro!
 
Bom post, axxantis.

Acrescento algumas coisas.

Ha esquemas de credito nos USA perfeitamente incriveis. Entre os quais temos os NINJA Loans (No Income, No Job and Assets) e outras estruturas em que so se paga juros nos dois 1os anos, e depois comeca-se a repagar o credito + spread.

Estes ultimos sao os mais perigosos, pois as suas consequencias so se veem passado dois anos.

Outra consequencia sobre as bolsas tem a ver com as facilidades que os hedge funds / private equity tinham em financiar compras de empresas. Agora essa fonte secou, e uma parte da valorizacao que as bolsas estavam a ter estava relacionada com expectativas de buy-outs. Assim sendo, ha uma descida dos precos, pois o risco dos mesmos acontecer diminuiu.

Agora o maior receio tem a ver com os bancos de investimento, que fizeram a chamada "bridge financing" em que emprestaram dinheiro as private equitys para fazerem essas compras, contando passar o risco dos emprestimos depois, atraves de derivados de credito (CDO, CDS).

Como agora pouca gente quer comprar a divida, alguns bancos estao meio entalados no meio de deals enormes (dezenas de bilioes de dolares) em que nao conseguem passar o risco, e vao ter de assumir o mesmo.

ISto e' um grande risco para bancos que nao tem uma balance sheet forte, tipo MErryl Lynch, Goldman sachs e Bear Sterns, pois veem-se a bracos com emprestimos que ameacam o capital dos proprios bancos.

Mesmo assim, ainda estamos numa situacao muito nebulosa, em que nao se sabe bem as consequencias e extensao do embate.

Desculpem la se isto foi muito confuso:(
 
Isto pode ser um problema muito sério...

Também convém não panicar. Objectivamente e por muito que a gente possa saber do assunto, a opinião de cada um não passa disso mesmo, de uma opinião, e por isso façam o favor de não levar muito à letra o que digo, mas eu acho que:

Não estão reunidas as condições necessárias para que haja um efectivo crash nas bolsas.

Antigamente os motores da economia eram os EUA, UE e Japão. A economia global de hoje tem muitos mais players, alguns eles de muito peso. Estes players acrestam milhões de consumidores de rendimentos crescentes a cada ano que passa, o que deve ser suficiente para absorver a crise financeira.
Como disse acima, a economia mundial cresce 5% ao ano, pelo que se conlcui que a tendência é de expansão, com naturais oscilações.
É de esperar uma correção de 10% a 15%, talvez, mas julgo que o mais tardar em Setembro se retomará o caminho ascendente.
Tudo depende dos nervos de cada um...[:blush:]
 
Também convém não panicar. Objectivamente e por muito que a gente possa saber do assunto, a opinião de cada um não passa disso mesmo, de uma opinião, e por isso façam o favor de não levar muito à letra o que digo, mas eu acho que:

Não estão reunidas as condições necessárias para que haja um efectivo crash nas bolsas.

Antigamente os motores da economia eram os EUA, UE e Japão. A economia global de hoje tem muitos mais players, alguns eles de muito peso. Estes players acrescentam milhões de consumidores de rendimentos crescentes a cada ano que passa, o que deve ser suficiente para absorver a crise financeira.
Como disse acima, a economia mundial cresce 5% ao ano, pelo que se conlcui que a tendência é de expansão, com naturais oscilações.
É de esperar uma correção de 10% a 15%, talvez, mas julgo que o mais tardar em Setembro se retomará o caminho ascendente.
Esperar para ver o que vai acontecer ou desfazer-se já de tudo depende dos nervos de cada um...[:blush:]
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engracado... vejam a cotacao do ABN Amro hoje e as noticias associadas.

ISto e' um exemplo perfeito do que eu dizia de accoes inflacionadas por expectativas de compras e fusoes.
 
Ora, uma das funções do BCE é amenizar/evitar as crises, e portanto ele decidiu emprestar dinheiro aos bancos que dele precisem à taxa directora actual, isto é, 4%. Deste modo tentaram satisfazer a procura de liquidez, sem com isso fazerem disparar ainda mais as taxas de juro do mercado.
O problema é que se a crise persisitir isto pode não ser suficiente. Até mesmo as reservas dos Bancos Centrais têm fim...

O problema é que é bem possível que até o crescimento da economia esteja a ser sustentada por uma expansão descontrolada do crédito.

Neste caso, basta haver menor procura de crédito para a economia se ressentir fortemente e passar do crescimento actual para recessão.

Quanto às reservas dos bancos centrais terem fim...... Na eventualidade de um colapso, as reservas seriam asseguradas pela continua impressao de dinheiro... é possivel...
 
Isto até pode ser bom para as taxas de juro.

Basta ver q a origem estará nos aumentos da taxa de juro. Por causa desta crise os Bancos Centrais para além de já não subirem mais as taxas até é bem possivel q desçam!
 
Nos US os juros é certo que devem descer já na proxima semana, por cá devem manter inalteradas e as subidas que se previam para setembro adiadas.
 
Última edição:
Isto até pode ser bom para as taxas de juro.

Basta ver q a origem estará nos aumentos da taxa de juro. Por causa desta crise os Bancos Centrais para além de já não subirem mais as taxas até é bem possivel q desçam!

E isso é atrasar o rebentamento da bolha.

Taxas mais baixas servirão para continuar a expandir a dívida e vão aumentar a inflacção. Quase que parece uma atitude "quem for o ultimo, feche a porta"

edit: Dias: em que fonte viste isso? edit2: já vi.
 
Última edição:
O problema é que é bem possível que até o crescimento da economia esteja a ser sustentada por uma expansão descontrolada do crédito.

Neste caso, basta haver menor procura de crédito para a economia se ressentir fortemente e passar do crescimento actual para recessão.

Quanto às reservas dos bancos centrais terem fim...... Na eventualidade de um colapso, as reservas seriam asseguradas pela continua impressao de dinheiro... é possivel...

Sim, à custa de taxas de inflação descontroladas. O doente não morria da doença, mas ainda acabava por morrer da cura[:D]
 
Última edição:
É especialmente estupida q as bolsas europeias desçam bastante mais q as americanas...

Isto foi apenas o despontar de mais uma correcçãozinha saudável, embora + forte q as outras.
 
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