Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Temos que partir do princípio que são adultos que pedem os créditos não são criancinhas, e os bancos não são também propriamente entidades incentes. As pessoas sabem gerir a sua vida e os bancos sabem gerir os seus negócios, e ambos devem assumir as responsabilidades das decisões que tomam.
O que me impressiona são discursos demagógicos que tentam normalizar e emitir juízos de valor sobre comportamentos. Se alguém quer ter um M3 à porta e comer canja todos os dias, ninguém tem nada a ver com isso. Lá porque eu não faria essa opção de vida eu não sou ninguém para dizer que isso está bem ou está mal.
Este tipo de atitudes e de julgamento prévio é que leva à actual esquizofrenia regulamentar que actualmente vivemos. Já nem podemos comer uma bola de berlim na praia.[8b] Se começamos com o tipo de discurso que se verifica neste tópico, qualquer dia temos o governo a dizer-nos que nós só podemos gatar até 30% do rendimento em habitação, 20% em alimentação, 25% em educação e 10% em saúde. E como até é um bom governo até nos deixa gastar 15% do rendiemnto no que quisermos.
Temos que partir do princípio que as pessoas são racionais e que são diferentes entre elas. Bem como muito cuidado ao emitir juízos de valor porque a liberdade individual é um bem que deve ser preservado e estimado.
Claro que uma coisa tem a ver com a outra. Se as coisas fossem assim tão simples e lineares como tu queres pintar, e todos fossemos adultos, então não seriam precisos policias por exemplo. Todos somos humanos e cedemos a desejos materiais, mas uns mais que outros, porque alguns tem a consciencia de pensar onde vai arranjar o dinheiro para pagar o emprestimo, ou se acontecer uma infelicidade como perder o emprego ou pior, se terá possibilidade de continuar a pagar.
Os bancos claro que não são inocentes, mas em Portugal, pelo menos da experiência que eu tenho, nem puxam muito para o crédito, mas pode ser que comecem com esta crise. Nos EUA, até estudantes universitários que não trabalhavam os bancos chateavam, resumindo, muitos estudantes ainda antes de começarem a ter rendimentos já teem dívidas na casa dos milhares de dolares. Bonito não é? Afinal nem todos são assim tão adultos, mesmo tendo idade de adulto.
O exemplo que dás do M3 desculpa que te diga é um bocado ridiculo, porque nesse caso não temos que ter em conta só a prestação do carro, mas também a sua manutenção ( gasolina, mecanico, possiveis gastos em acidentes, seguro...) Basta acontecer um imprevisto e passa de comer canja todos os dias, para ir comer à sopa dos pobres ou passar a fazer sopa de pedra em casa. É que grandes gastos normalmente trazem outros pequenos atrás que por vez "esquecemos". E depois dá barraca..."Shit happens" como dizia o outro.
Eu acho que ter cuidado e algum receio em pedir um emprestimo não é ter um comportamento esquizofrénico, é ser um bocado racional e ponderado. É que para alguém que não nasceu rico, pedir um emprestimo hoje em dia é um risco um bocado elevado, sendo o risco proporcional ao montante pedido, pois de um dia para o outro quem trabalha no privado pode perder o emprego e arranjar outro pode-se tornar complicado. Agora se trabalhares para um banco já consigo compreender essa tua reacção e opinião. É o caso?
Tens razão por um lado, não devemos deixar o Governo ou as entidades bancárias, mais estas últimas, condicionarem o que gastamos, por isso mesmo é que devemos ponderar bem que emprestimos é que pedimos, senão ficamos mesmo condenados a gastar apenas o necessario e viver tipo à "ucraniano que gasta só o essencial para mandar o resto pra terra" sendo neste caso " a terrinha" a prestação do carro, plasma, casa, etc.