luso2kx disse:
Tu é que mencionaste os países nórdicos, eu simplesmente disse que os que constituem a Troika são nórdicos. E até economistas nórdicos. Ou seja, supostamente são os "melhores" que eles tem para oferecer nesse aspecto.
Porque razão deveriam ser os mais competentes? Estamos a falar de credores, não estamos a falar de sistemas/modelos. Os nórdicos da "tróika", representam nossos credores. Ora, o interesse do credor, nunca é o bem-estar do devedor... O interesse do credor é que o devedor pague bem e rápido. Se o devedor morre ao pagar a dívida, tal é irrelevante. Acho que a discussão acerca dos nórdicos está mal focada... Aquilo que deveríamos estar a discutir é porque razão economias nórdicas que:
- têm cargas fiscais altíssimas (48%-51%);
- têm um elevado número de funcionários públicos (25% da população);
- cujas maiores e mais lucrativas empresas são públicas (petróleo);
- têm Estados Sociais fortíssimos (RSIs, casa paga, etc.), bastante interventivos nas economias;
- têm sindicatos fortíssimos, com enorme adesão;
- salários altíssimos (salário médio, 4000-5000 euros/mês);
estão a emprestar dinheiro a países que:
- têm cargas fiscais baixas (30-37%);
- poucos funcionários públicos (8% da população);
- maiores e mais lucrativas empresas privatizadas (telecoms, petróleo, etc.);
- Estados Sociais paupérrimos, fracos, muito pouco redistributivos;
- sindicatos fracos, divididos, altamente politizados, pouco focados nos interesses dos trabalhadores/as
- salários baixos (450-1000 euros/mês).
Acho que é isto que devíamos discutir, como sociedade e como país. Porque, segundo aquilo que os papagaios ideológicos vomitam constantemente no "jornalismo imparcial", os baixos impostos, os "mercados de trabalho" flexíveis, os Estados fracos, a economia altamente privatizada, são essenciais para o crescimento das economias. Por isso eu questiono... Se tal é verdade, porque é que as economias ocidentais (anglosaxónicas e seus satélites como Portugal), que passaram
décadas a fazer "tax-breaks", liberalizando e privatizando tudo, continuam em crise e em estagnação, enquanto que aqueles que têm economias
exactamente contrapostas, estão bem e a "ajudar" as anteriores?
Dou um exemplo... Japão. Economia altamente liberalizada, trabalha-se 18 horas por dia, flexibilidade
total, tudo privado.
Há 25 anos com a economia estagnada
Porque não confrontar Camilos Lourenços e Medinas Carreiras com este facto?