Alternativa? Mas qual alternativa? A hipotética situação que estava em causa no início da conversa era: a alguém no subsídio de desemprego, era proposto um trabalho a ganhar menos do que a ganhar o subsídio. Neste caso, a
alternativa era continuar a ganhar o subsídio e
continuar à procura de melhor. Como disse o user
xsaraman : "(...)especialmente se tivessem filhos e casa para sustentar então rapidamente perceberiam que todos os euros contam! Uma oferta de um emprego com salário ainda mais baixo do que o subsidio representa uma quebra de rendimento que em muitos casos terá graves consequências!" Penso que com um pouco de bom senso qualquer pessoa entende isto, tenha ou não passado pela situação.
E frases como "preferia ganhar o ordenado mínimo e estar a ser útil para a sociedade do que ganhar um pouco mais e estar inactiva" ... em relação a outras frases que li, apesar de não concordar a 100% (e na minha área de trabalho discordo mesmo totalmente), prefiro as ideias de quem defende que aceitava o trabalho, para tentar provar o que vale, ganhar experiência, etc... parecem-me BEM mais honestas...
Acha justo que alguém cujos pais não o deixaram estudar porque teve de ir trabalhar aos 9 anos para ajudar a família a ganhar dinheiro (mentalidades de algumas gerações atrás, infelizmente - e se calhar, se remexermos bem, no Portugal profundo ainda existem nos dias de hoje) tenha de aceitar, sem reclamar, um trabalho onde lhe propõem o ordenado mínimo com condições muitas vezes lamentáveis?
Aliás, já pensou que algumas pessoas com menos do 9º ano podem não ter qualificações académicas, podem não saber interpretar um texto literário, nem saber fazer equações, mas se calhar têm muitas vezes uma cultura geral superior a muitos de nós com curso e frequência universitária? E muitos outros conhecimentos que a experiência profissional proporciona e que não vem nos livros.
Há casos como os que disse, que preferem ficar "alapados" no sofá? Calculo que sim, não estou la em casa para ver o que ficam a fazer enquanto ganham o sub. de desemprego. De qualquer forma, não me parece coerente generalizar dessa maneira. Há casos e casos. Depois, e como disse o user amora: "também há aqueles que por exemplo são doentes e com filhos deficientes mas como vivem com a mãe ou o pai que aufere uma bela reforma de 200 euros e que perderam o RSI devido aos cortes cegos feitos em 2010."
E como Portugal é um país onde se tivermos o azar de ter algum filho com deficiência, é mesmo azar, porque ajudas...viste-as... como se costuma dizer, há que ter em consideração todo o tipo de casos.
Essas situações deviam ser muito bem fiscalizadas, e serem definidas regras para atribuição de RSI, subsídios, etc, tendo em conta todo o contexto das pessoas em causa.