Calor mata. No HOSPITAL !!

Excalibur

Banido
Mortalidade duplicou
Calor mata 37 pessoas

Trinta e sete pessoas morreram no Hospital de S. José, em Lisboa, no período entre 7 e 18 de Julho, em circunstâncias que podem ser associadas à vaga de calor. Um número amplamente superior ao mesmo período de 2005, quando morreram 19 pessoas.

De acordo com uma notícia divulgada ontem pela TVI, além da duplicação da mortalidade houve também um aumento no número de internamentos da ordem dos 32 por cento, com 152 pessoas a serem admitidas naquele hospital durante a primeira vaga de calor de 2006.

Os números nacionais sobre o efeito do calor ainda não foram divulgados.

Ontem, além do calor, boa parte dos portugueses tiveram de se preocupar com os níveis de ozono na atmosfera.

Os limites máximos de concentração de ozono de superfície, a partir dos quais este gás poluente pode ter efeitos nocivos na saúde, foram ultrapassados em dez concelhos do distrito de Lisboa, Aveiro, Porto e Viana do Castelo.

Os níveis de ozono são nocivos acima de 180 microgramas por metro cúbico.
S.R.S. com Lusa



[xx(] :(

Isto em Lisboa

Se tivermos em conta que existem Hospitais distritais em zonas com temperaturas mais elevadas e que nem climatização ou outras condições de ventilação possuem, podemos perceber que os nossos serviços de saude não estão preparados para casos um pouco mais delicados, em termos de condições ambientais.
 
acho que estás a ler mal a notícia.
as pessoas foram para o hospital por causa da vaga de calor, por estarem doentes, e acabaram por morrer lá. não morreram porque estava calor no hospital!
 
citação:Originalmente colocada por Luis Capelo

acho que estás a ler mal a notícia.
as pessoas foram para o hospital por causa da vaga de calor, por estarem doentes, e acabaram por morrer lá. não morreram porque estava calor no hospital!
Tiraste-me as teclas dos dedos (vulgo tirar as palavras da boca)... :)

Aqui no Porto, no Hospital de S. João o nº de óbitos duplicou. Pela mesma razão.
 
de inverno com a vagas de frio os obitos tb aumentam...

Tá visto que o calor extremo e o frio extremo representa o pico do negócio das agencias funerárias.
 
A última vaga de calor em França foi responsavel pela morte de cerca de 1300 pessoas... logo, seguindo a linha de raciocinio exposta, podemos concluir q os hospitais em França, esse bastião do desenvolvimento apregoado por tanta gente, também não estão preparados...

Ah, ja me esquecia, na Holanda o nº de mortes foi idêntico, logo poderemos concluir o mesmo !

Ou então, se calhar vamos concluir o óbvio que será o facto de a exposição a calor em excesso pode ser fatal em pessoas que já de si têm condições de saúde debeis !
 
Calor sempre houve, e muito mais do que há agora. Mortos relacionados
directamente com o mesmo também, o que não havia eram estas estatísticas
modernas que permitem contabilizar efectivamente o nº de óbitos [:0]
 
Agora que existem hospitais com dificuldades a nivel de climatização as mesmas sao inegaveis até em Hospitais aonde no Verão as temperaturas sao incomportaveis.
Mas isso tb acontece em escolas enfim...
 
citação:Originalmente colocada por Luis Capelo

acho que estás a ler mal a notícia.
as pessoas foram para o hospital por causa da vaga de calor, por estarem doentes, e acabaram por morrer lá. não morreram porque estava calor no hospital!

Como interpretas isto !?

citação:Trinta e sete pessoas morreram no Hospital de S. José, em Lisboa, no período entre 7 e 18 de Julho, em circunstâncias que podem ser associadas à vaga de calor.


A ver se encontro e coloco aqui um estudo que foi efectuado relativo ao desconforto e potencial risco para um efermo que se encontre acamado sem condições de climatização adequadas.

Se isto não se enquadrar na falta de condições dos nossos hospitais no que diz respeito a climatizações não sei o que mais dirá respeito.
 
Podes dar as voltas que quiseres, mas as causa de morte são geralmente provocadas pelas condições fora do Hospital.

Por muito fracas que sejam, as condições num Hospital são na sua esmagadora maioria muito superiores às da habitação do doente.

Claro que não significa que os Hospitais tenham as condições ideais, mas na sua maioria não estão tão mal como isso.
 
Não encontro o dito estudo mas está aqui algo que se aproxima ao que refiro, e não querendo dar a volta ao assunto, mas o que sublinho ou evidêncio é o especial cuidado que se deve ter em doentes acamados, que dada a onda de calor os riscos de morte associada ao calor são potenciados, sim o calor é o directo causador pelo agudizar da saude de um doente, em condições de climatização e de ventilação adequadas é sabido que o racio de mortalidade não é tão elevado.

Eu tive pessoas de familia ligadas á Engª. Militar e na decada 1960 foi projectado a "Casa de Saúde da Familia Militar" ( agora Chamado Hospital Militar Principal ) em que por razões económicas foi dispensado o investimentio num sistema de AVAC e central, por caso estive lá á poucas semanas para vistar um conhecido e a temperatura no interior do edifcio o mais alto na Estrela é simplesmente impossivel.


E para que se saiba quando o dito edificio militar foi projectado já se sabia que um hospital de campanha com climatização diminuia o numero de mortos no pós operatório, ou em simples tratamento de casos clinicos.


Efeitos das ondas de calor na saúde

As ondas de calor dos últimos Verões têm sido motivo de preocupação e de iniciativas de informação, dirigidas aos
profissionais sanitários e ao público, com recomendações para estas épocas de calor extremo.

Regulação da temperatura corporal
O ser humano dispõe de distintos mecanismos para regular a temperatura corporal conhecidos como termorregulação.

Quando a temperatura ambiente aumenta, a via mais eficaz de dissipação do calor é a evaporação do suor
na pele.


Outro factor importante de regulação da temperatura, é o débito sanguíneo cutâneo que pode aumentar consideravelmente durante a exposição ao calor, permitindo ao sangue venoso ser refrescado, favorecendo deste modo o arrefecimento corporal e limitando a elevação da temperatura interna.

A secreção normal de suor representa mais de 500 ml/24h e acompanha-se da perda de electrólitos (sódio, cloro, potássio). Em ambiente seco e quente, as perdas podem alcançar os 5 a 10 litros de água.

Todo o factor que impeça a secreção e evaporação do suor (desidratação, roupas, ausência de movimento) tem uma repercussão negativa na adaptação do sujeito ao calor. É forçoso beber uma quantidade para além da necessária para matar a sede.

Quando a humidade é alta o suor não se evapora rapidamente, impedindo o corpo de libertar depressa o calor.

Uma alta humidade ambiente e o exercício vigoroso prolongado aumentam os problemas relacionados com o calor.

Patologias produzidas pelo calor
Os transtornos provocados pelo calor são resultado do fracasso dos mecanismos fisiológicos que mantêm a tempe-
ratura corporal ante uma sobrecarga de calor interna ou ambiental.

A exposição à alta temperatura ambiente sem perda de calor eficiente pode levar a cãibras, esgotamento devido ao calor ou ao golpe de calor.
Outros problemas menores são: edema das extremidades e rash cutâneo.

O aumento da mortalidade durante as ondas de calor é atribuído em parte a um agravamento súbito das patologias preexistentes, nomeadamente cardio#8209;respiratórias; há outros casos devidos à ocorrência do golpe de calor.

Cãibras por calor – São espasmos musculares dolorosos do abdómen e das extremidades, devidos à perda de sais e electrólitos.

Podem acontecer com a exposição a fortes calores, sobretudo quando se transpira muito após um
exercício físico intenso.

As cãibras podem resultar de uma hidratação inadequada só com água sem substituição
dos electrólitos.

São especialmente perigosas em pessoas com problemas cardíacos ou dietas hipossalinas.

Deve#8209;se aconselhar o repouso em lugar fresco e calmo, não realizar actividades exigentes durante várias horas, beber sumos ligeiros de frutos ou uma bebida com minerais (desportiva) e consultar o médico se as cãibras durarem mais de uma hora.

Esgotamento devido ao calor – É consequência da alteração do metabolismo hidroelectrolítico provocada por
uma excessiva perda de água e electrólitos devido à transpiração.

Acontece após vários dias de calor.

É especialmente grave nos idosos.

Manifesta#8209;se com diferentes sintomas como: desmaio, cansaço, cefaleia, suor, palidez, cãibras, náuseas e vómitos;
a pele pode estar fria, a respiração é rápida e superficial.

Em geral, o tratamento inclui o afastamento do ambiente quente e a reposição da perda de líquidos e electrólitos.

O paciente deve repousar em lugar fresco, beber água, sumo de fruta ou uma bebida energética diluída com água.

Convém chamar o médico se os sintomas pioram ou duram mais de uma hora, se a pessoa tiver problemas cardíacos ou tensão alta.

O esgotamento ligeiro pode ser precipitado por permanecer em pé em ambiente quente, manifesta#8209;se por tempe-
ratura corporal abaixo do normal e síncope.

Golpe de calor – Resulta de uma insuficiência aguda da termorregulação e constitui uma urgência médica extrema,
de ocorrência súbita e evolução fatal se não for tratada rapidamente.

Há uma forma clássica, não associada a esforço físico, que afecta principalmente o idoso durante os períodos muito quentes.

Pode associar#8209;se ao exercício, sendo típico o diagnóstico em jovens saudáveis que fazem exercício intenso com temperaturas ou humidade ambiental superiores às normais.

Os sinais variam e podem incluir alguns dos seguintes: cefaleia, tonturas, confusão, temperatura corporal muito elevada, pele vermelha, quente e seca, pulso rápido, perda de consciência, diminuição da sudação.

Deve#8209;se procurar ajuda médica imediata,levar a pessoa para a sombra ou lugar fresco,e usar os métodos possíveis para baixar rapidamente a temperatura, por exemplo, submersão numa banheira de água fria ou sob um duche
frio, molhar a pessoa com uma mangueira ou esponja, aplicação de compressas de água fria, se a humidade for baixa
envolvê-la em lençóis molhados e encontrar algum meio de arejar o doente (agitar o ar vigorosamente ou com ajuda de ventilador).

Também é referida a aplicação de sacos de gelo, dentro dum pano húmido, no pescoço, nuca, axilas e virilhas.

Se ocorrerem calafrios o arrefecimento deve ser mais lento porque estes aumentam a temperatura.

A temperatura corporal muito elevada pode afectar o cérebro e outros órgãos vitais.

Diminuir o tempo em que o corpo permanece acima da temperatura crítica tem uma influência crucial no prognóstico e no resultado.

Ocorrências como isquemia do miocárdio, choque, arritmia, insuficiência renal, síndroma de dificuldade respiratória do
adulto, insuficiência hepática ou comprometimento neurológico, levam a mortalidade a 10% dos doentes. Com um
tratamento rápido as complicações são raras.

População em risco
As ondas de calor provocam desconforto a toda a gente, mas são mais vulneráveis e necessitam de maior atenção:
crianças nos primeiros anos de vida, idosos, alguns doentes crónicos (com doenças cardíacas, respiratórias
ou diabetes), doentes mentais, pessoas acamadas e obesas
.

Nestes casos os mecanismos de regulação da
temperatura poderão ter a sua eficácia comprometida, diminuindo a capacidade de adaptação ao calor.

Os idosos são particularmente vulneráveis pelo risco acrescido de desidratação ligado à diminuição da sensação de sede e das capacidades de termorregulação por transpiração e ao menor controlo do equilíbrio hidroelectrolítico.

A frequente presença de várias patologias e tratamentos associados e, em alguns casos, a perda de autonomia incapacita#8209;os de adaptar o seu comportamento ao calor.

Efeitos das ondas de calor na saúde
As pessoas dependentes (crianças, lactentes, deficientes, idosos) estão em maior risco de desidratação e requerem
a atenção dos familiares ou dos prestadores de cuidados.

As pessoas com doenças mentais apresentam risco acrescido pela própria patologia e pela menor toma de consci-
ência do perigo que representa o calor. Por outro lado, os tratamentos com psicotrópicos são susceptíveis de per-
turbar os mecanismos de termorregulação.

Em doentes crónicos, o calor pode agravar a patologia já instalada ou contribuir para o seu desencadeamento.
As doenças cardiovasculares, a insuficiência renal e as patologias endócrinas (como a diabetes) podem agravar#8209;se em
caso de desidratação.

A arteriosclerose e a diabetes podem diminuir a resposta vascular vasodilatadora.

A doença cardiovascular pode limitar a capacidade para aumentar adequadamente o débito cardíaco.

Estão igualmente em risco as pessoas com condições de vida ou trabalho que as torne mais vulneráveis (isolamento
social, prática intensa de desporto, trabalho físico ou em ambiente muito aquecido).

O tratamento com alguns medicamentos poderia agravar os efeitos provocados pelo calor.

Conselhos práticos

A morte e morbilidade relacionadas com o calor podem ser evitadas; no entanto todos os anos há casos a lamentar.

Para prevenir os efeitos prejudiciais do calor excessivo:

Limitar o aumento da temperatura no domicílio: fechar cortinas, estores ou persianas das janelas ao sol, ventilar
a casa de manhã, ao fim da tarde e à noite para permitir a circulação de ar fresco em todas as salas.

O uso de ventoinhas pode ser uma forma de baixar um pouco a temperatura.

Evitar a exposição ao calor especialmente nas horas do meio#8209;dia, permanecendo em espaços acondicionados ou ventilados.

Se a casa não tem ar condicionado, passar algum tempo em sítios públicos com ar condicionado como um cinema ou centro comercial.

Se for necessária a deslocação a edifícios sem ar condicionado, ou com aglomerados de pessoas, procurar ir logo de manhã para fugir ao calor.

Não permanecer em viaturas estacionadas ao sol, em especial em horas de maior calor ou se pertencer aos grupos mais vulneráveis.

Bebés e pessoas idosas não devem ir à praia nos dias de maior calor.

Se for necessária a exposição ao sol, usar chapéu, roupa ligeira (de fibras naturais como algodão) ampla e de preferência de cor clara, óculos e protector solar.

Sempre que possível procurar locais à sombra, arejados, para descansar um certo período de tempo.

Diminuir a actividade física especialmente em ambiente quente e húmido.

Refrescar#8209;se regularmente: tomar duches ou banhos frescos, vaporizar a cara com aerossol de água; humidificar a boca (enxaguar, pulverizar água); reduzir a roupa da cama.

Aumentar a ingestão de líquidos sem estar à espera de ter sede para manter uma hidratação adequada; com frequência a sede é inferior às necessidades hídricas do indivíduo.

Beber no mínimo 1,5 a 2 litros por dia, excepto no caso de contra#8209;indicação médica.

Neste caso os doentes devem aconselhar#8209;se com o seu médico.

Quando realizar exercício físico, beber sem necessidade de ter sede, antes, durante e após o exercício.

Deve#8209;se repor os sais minerais; isto pode ser feito com sumos de fruta que os contêm no seu estado natural ou, caso não seja possível, com produtos que os contenham, como as chamadas bebidas dos desportistas. Se houver indicação de dieta hipossalina ou em insuficiência renal, é aconselhável consultar o médico antes de tomar estes produtos.

É útil ingerir soluções de hidratação oral.

Não consumir bebidas alcoólicas porque alteram a capacidade de luta contra o calor e favorecem a desidratação.

Evitar as bebidas com alto conteúdo de cafeína ou muito açucaradas pois são diuréticas e causam maior perda de líquidos.

Cuidado com as bebidas muito frias que podem provocar cãibras no estômago.

Evitar comidas copiosas,a comida pesada ou muito condimentada.

Consumir fruta (melão, ameixas) e vegetais ricos em água (tomate),mas com cuidado, na limpeza e manipulação higiénica.

Não duvidar em telefonar à família, vizinhos ou profissionais de saúde.

As pessoas que vivem sozinhas, especialmente as idosas, devem pedir a alguém que as contacte duas vezes por dia durante a onda de calor, para saber se estão bem.
Aurora Simón


Bibliografia
1. Encore la canicule? Le pharmacien en première ligne! Cespharm, Les Nouvelles Pharmaceutiques 204 ; 279.
2. Anon. Farmaceuticos 2004; 288:48#8209;51.
3. Tscheng D. Can Pharm J 2000; 133:30#8209;32.
4. Anon. Rev Prescrire 2004; 24(252):526#8209;32.
5. Beers M., Berkow R. (eds) The Manual Merck 17
th
ed, Whitehouse Station, Merck Research Lab, 1999.
6. Martinez M. et al. Souther Med J 2002; 95(8):799#8209;802.
7. Extreme heat: a prevention guide to promote your personal health and safety. <www.bt.cdc.gov> (consulta 23.05.05).
8. Mise au point sur le bon usage des médicaments en cas de vague de chaleur. 29/04/2004 AFSSAPS < http://agmed.sante.gouv.
fr> (consulta 23.05.05).
9. Onda de calor < www.arsc.online.pt> (consulta 04.04.05).
10. Madurga M. Panorama Actual Med 275: 573#8209;7.
11. Ballester J.M., Harchelroad F.P. Geriatrics 1999; 5
12. Heled Y. et al. Military Medicine 2004; 169(3):184#8209;6
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur



Mortalidade duplicou
Calor mata 37 pessoas

Trinta e sete pessoas morreram no Hospital de S. José, em Lisboa, no período entre 7 e 18 de Julho, em circunstâncias que podem ser associadas à vaga de calor. Um número amplamente superior ao mesmo período de 2005, quando morreram 19 pessoas.

De acordo com uma notícia divulgada ontem pela TVI,

Eu cheguei aqui e parei de ler...
 
citação:Originalmente colocada por DêCêIi

citação:Originalmente colocada por Excalibur



Mortalidade duplicou
Calor mata 37 pessoas

Trinta e sete pessoas morreram no Hospital de S. José, em Lisboa, no período entre 7 e 18 de Julho, em circunstâncias que podem ser associadas à vaga de calor. Um número amplamente superior ao mesmo período de 2005, quando morreram 19 pessoas.

De acordo com uma notícia divulgada ontem pela TVI,

Eu cheguei aqui e parei de ler...



Humm esta noticia é da TVI mas e as outras de outros anos ?

Exemplos !?

citação:A ONDA DE CALOR DE AGOSTO DE 2003 E OS SEUS EFEITOS SOBRE A MORTALIDADE DA POPULAÇÃO PORTUGUESA


Rui Calado; Paulo Jorge Nogueira; Judite Catarino; Eleonora de Jesus Paixão; Jaima Botelho; Mário Carreira; José Marinho Falcão


Portugal continental, como outros países europeus, foi afectado por uma onda de calor de grande intensidade no Verão de 2003, com efeitos na mortalidade da população.
O excesso de óbitos associados à onda de calor foi estimado pela comparação do número de óbitos observados entre 30 de Julho e 15 de Agosto de 2003 e o número de óbitos esperados se a população tivesse estado exposta às taxas de mortalidade médias do biénio 2000-2001 no respectivo período homólogo. Os óbitos esperados foram calculados com ajustamento para a idade.
O número de óbitos observados (O) foi superior ao número esperado (E) em todos os dias do período estudado e o seu excesso global foi estimado em 1953 óbitos (excesso relativo de 43%), dos quais 1317 (61%) ocorreram no sexo feminino e 1742 no grupo de 75 e + anos (89%). A nível distrital, Portalegre teve o maior aumento relativo do número de óbitos (+ 89%), e Aveiro o menor (+18%). Numa área geográfica contínua do interior do território (Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Évora), houve aumentos relativos superiores a 80%. Em termos absolutos, o maior excesso de óbitos ocorreu no distrito de Lisboa (mais cerca de 396) e no do Porto (mais cerca de 183). As causas de morte «golpe de calor» e «desidratação e outros distúrbios metabólicos» tiveram os aumentos relativos mais elevados (razões O/E de, respectivamente, 70 e 8,65). Os maiores aumentos absolutos do número de óbitos ocorreram no grupo das «doenças do aparelho circulatório» (mais 758), nas «doenças do aparelho respiratório» (mais 255) e no conjunto de «todas as neoplasias malignas» (mais 131). No período da onda de calor e no período de comparação, a percentagem dos óbitos que ocorreu nos hospitais (52 e 56%), no domicílio (32 e 33%) e em «outros locais», foi semelhante.
A discussão sobre os factores que condicionaram a obtenção dos valores apresentados, relativos ao excesso de óbitos por sexo, grupo etário, distrito, causa e local da morte, permite concluir que os mesmos se afiguram adequados para medir a ordem de grandeza e caracterizar o efeito da onda de calor na mortalidade. O erro aleatório, medido pelos intervalos de confiança e alguns possíveis erros sistemáticos associados ao período de comparação escolhido, não deverão afectar, de modo relevante, as estimativas.
Revista Portuguesa de Saúde Pública
nº 2 /2004 (Julho - Dezembro)


citação:O Ministério da Saúde escusou-se esta segunda-feira a comentar um eventual acréscimo de mais de dois mil mortos durante a vaga de calor de Agosto do ano passado, em relação à média registada no mesmo período dos anos anteriores, por esperar pela conclusão de um estudo do Instituto Ricardo Jorge.

Dados do Instituto Nacional de Estatística citados pelo Diário de Notícias permitem concluir que o mês de Agosto de 2003 teve um acréscimo na mortalidade de 25,2 por cento, quando comparada com a média de óbitos no mês homólogo entre 1990 e 2002.

Em Agosto passado morreram 9.962 pessoas, enquanto a média dos 13 anos anteriores é de 7.995 mortes. Fonte do Ministério da Saúde disse à Agência Lusa que está a aguardar a conclusão de um estudo da mortalidade causado pela vaga de calor de Agosto, da responsabilidade do Instituto Ricardo Jorge, estudo que só deverá ficar terminado dentro de dois ou três meses.

A fonte acrescentou que o Ministério só possui o número de mortos registados no Serviço Nacional de Saúde, ou seja nos hospitais e centros de saúde, ficando de fora os óbitos ocorridos em lares e residências.

Fonte: Lusa

19 de Janeiro de 2004
http://www.mni.pt/destaques/?cod=5290&MNI=323f8aa80fa5afe72180dfff8112d052
 
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