Um pequeno detalhe sobre a liberdade de expressão, de imprensa na Venezuela.
O que teria acontecido, em qualquer país desenvolvido, com uma emissora que participasse de uma conspiração para depor o governo eleito de seu próprio país?
Segundo
Patrick McElwee, da ONG estadunidense Just Foreign Policy:
“o caso da RCTV não é de censura de opinião política. Um governo, por meio de um processo falho, deixou de renovar a concessão de uma empresa que não a teria conseguido em outras democracias, inclusive os Estados Unidos. De fato é espantoso, francamente, que essa companhia tenha tido permissão de transmitir por cinco anos após o golpe e que o governo Chávez tenha esperado pelo fim da licença para lhe tirar a permissão de usar o espectro público”.
Nos dias que precederam o golpe de abril de 2002, as quatro principais redes – Venevisión, RCTV, Televen e Globovisión, apelidadas por Chávez de “Cavaleiros do Apocalipse” – trocaram a programação regular por discursos antichavistas e convocações aos espectadores para ocupar as ruas:
“Nenhum passo atrás. Saia! Saia agora!”
Esses anúncios eram patrocinados pela PDVSA, ainda controlada pela oposição, mas as emissoras o colocavam no ar como “de interesse público”.
Na noite do golpe, os conspiradores, inclusive o candidato a ditador Pedro Carmona, reuniram-se na emissora do poderoso empresário Gustavo Cisneros, a Venevisión. O presidente da Televen, Omar Camero, e a co-proprietária do Canal Metropolitano de Televisión (CMT), Albertina de Petricca, foram signatários, juntamente com outros empresários e militares, do decreto que empossou Carmona e dissolveu a Assembléia Nacional.
As emissoras celebraram abertamente a “renúncia” de Chávez. Mas, quando os chavistas reagiram, foi imposto um apagão noticioso. Andres Izarra, jornalista venezuelano que trabalhou como editor da CNN em espanhol antes de se tornar gerente de produção do telejornal da RCTV, recebeu instruções claras:
“Nenhuma informação sobre Chávez, seus seguidores, ministros ou qualquer pessoa que possa ser relacionada a ele”.
Izarra viu os chefes suprimirem a reportagem de uma afiliada dos EUA que revelava que Chávez não havia renunciado e sim seqüestrado e preso. Também as notícias de que o golpe fora condenado por México, Argentina e França.
Quando o repórter em Miraflores avisou que o palácio fora retomado por chavistas e o presidente retornava, as notícias foram trocadas por Pretty Woman e desenhos de Tom e Jerry. [

] O jornalista decidiu dar um basta e pediu o boné. Meses depois, dizia a
Naomi Klein,
da revista estadunidense The Nation,
que as quatro redes deveriam ter as concessões revogadas.
É caso para dizer que na Venezuela há "liberdade de expressão" a mais...
Fontes:
http://www.rnv.gov.ve/noticias/index.php?act=ST&f=32&t=50902&hl=rctv&
http://www.cartacapital.com.br/2007/06/nem-estado-nem-mercado
http://www.voltairenet.org/article151010.html