Excalibur
Banido
O titulo ainda me oferece duvidas, mas o que interessa é noticia sobre os mesmos, e a reter o que a lesgislação e lápis azul ainda fazem em alguns paises.
2006-08-24 - 00:00:00
Internet
Diários on-line conquistam portugueses
De todos os tipos, para todos os gostos. São assim os blogues, páginas com conteúdos que vão dos testemunhos anónimos à informação, humor, textos guardados no fundo das gavetas ou simples banalidades. À distância de um clique, os blogues conquistam legiões de adeptos.
A motivação foi simples: o ‘boom’ dos blogues nacionais. E numa noite em que a insónia não dava tréguas, em 2003, nasceu o Médico Explica Medicina a Intelectuais (http://www.medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com). Dias depois, o seu autor, um médico que se esconde por detrás do anonimato, viu-se rodeado de leitores. Hoje, o blogue caminha já para os 150 mil visitantes. O número destes diários virtuais não pára de crescer. Em todo o Mundo o tamanho da blogosfera, uma comunidade de diferentes unidos pelo facto de serem autores de um blogue, é hoje 60 vezes maior do que era há três anos, ascendendo os 40 milhões de páginas que inundam a internet com opiniões, comentários, testemunhos e histórias.
Diz o Technorati, um ‘site’ que se dedica a fazer buscas pelos blogues do mundo inteiro, que todos os dias são criados 75 mil destes diários – um novo por segundo. De acordo com o Pew Internet & American Life Project, instituição norte-americana que estuda o impacto da internet, são 57 os milhões de internautas dos Estados Unidos que lêem blogues todos os dias, abastecidos por cerca de 1,2 milhões de novos conteúdos diários, ou seja, cerca de 50 mil por hora. Por cá, são menos, mas estima--se que foi em 2003 que se deu a explosão da blogosfera nacional. Dos 174 registados em Janeiro desse ano, passou-se para 2724 em Novembro. No fim do ano seguinte, 2004, contabilizavam-se qualquer coisa como 90 mil feitos por portugueses.
‘Macacos sem Galho’ é considerado o blogue português mais antigo, em actividade desde 19 de Março de 1999. Na lista dos dez que duram há mais tempo encontra-se ainda o Ervilha Cor-de-rosa (http://ervilhas.weblog.com.pt/).
“Os blogues são importantes como espaço de liberdade de criação e discussão”, avança ao CM o criador do Médico Explica Medicina a Intelectuais. Opinião partilhada por outro bloguista, Luís Ene, licenciado em Direito e autor de vários blogues e de um livro sobre o tema. “Comunicar, partilhar, parece-me ser esse o motor da criação e desenvolvimento de ferramentas como o blogue, que pode dar cada vez mais voz às pessoas e à ‘net’ em geral, como meio livre e incontrolado de comunicação.”
SEM CONSTRANGIMENTOS
Começou na Primavera de 2003. Três anos depois, o blogue Praça da República (http://pracadarepublica.weblog.com.pt/) mantém-se vivo e de boa saúde, com milhares de visitantes diários. Tudo começou, conta João Carlos Espinho, o nome por detrás dos ‘posts’, como “uma forma de trazer a público tudo o que se dizia na mesa do café” sobre as alterações que se viviam na cidade que é a sua, Beja.
Apesar do trabalho e da exigência de regularidade, os blogues transformaram em realidade a promessa de liberdade de expressão numa escala universal. Foi assim para João Carlos Espinho, que viu o espaço semanal numa rádio local, da sua responsabilidade, deixar de ser suficiente. “Percebi que, através de um ‘weblog’, poderia escrever sem constrangimentos temporais e em qualquer ocasião.”
A ferramenta é simples. Graças a ela, em pouco tempo é possível criar um blogue e escrever nele o que se entender, para ser lido mesmo nos locais mais distantes, por qualquer habitante do planeta. Basta, para isso, ter alguns conhecimentos informáticos e ser conhecedor da língua.
Os blogues facilitam ainda o contacto entre os internautas, interactividade que muda o estatuto destes espaços: de meros diários ‘on-line’ passaram a meios de transmissão de notícias, fazedores de informação, política e arte, listagens de recados, laboratório de experiências literárias, diários de viagens e muito mais. A imaginação é o limite. “São um complemento dos media. Não os substituindo, serão futuramente uma plataforma complementar de informação”, refere João Carlos Espinho.
Para Luís Ene, os blogues ainda não concorrem com os meios de informação tradicionais – rádio, jornais, televisão. “Não me parece uma questão de rivalidade e certamente que não se reduz aos blogues, mas a todos os meios que a internet coloca cada vez mais nas mãos de qualquer cidadão”, explica. Mas não tem dúvidas: “Os blogues aproximam as pessoas ao constituir um instrumento comunicacional de fácil manejo.”
PODER OU CONTRAPODER
Ele era presidente dos Estados Unidos. Ela uma estagiária na Casa Branca. A relação adúltera entre ambos encheu as bocas do Mundo e quase lhe custou o mandato presidencial. Bill Clinton conseguiu manter-se à frente dos destinos da nação mais poderosa do planeta, mas não se livrou da vergonha pública e de um pedido de desculpas. A história é conhecida. O que muitos não sabem é que o escândalo que envolveu o ex-presidente dos EUA e a estagiária Monica Lewinsky começou como um ‘post’ num blogue.
Foi em Janeiro de 1998 que se ouviu falar pela primeira vez do envolvimento sexual de Bill Clinton com uma estagiária, história veiculada pelo ‘Drudge Report’, o blogue de um americano que ganhava a vida a vender roupa.
A informação, conseguida através de um amigo, tinha sido omitida numa reportagem publicada na revista ‘Newsweek’. O ‘Drudge Report’ tornou-a pública, servindo de rastilho para uma das histórias que mais deu que falar, ultrapassando as fronteiras dos Estados Unidos e pondo em causa a permanência de um presidente no poder.
Mas há mais. Se a política tem sido alvo dos blogues e por eles afectada, também o mundo dos negócios não tem conseguido escapar ileso ao poder crescente dos diários ‘on-line’.
Em Setembro de 2003 um consumidor americano teve problemas com a bateria do seu iPod. Depois de várias tentativas feitas para a trocar e tendo recebido sempre a mesma resposta – não havia nada a fazer, a não ser adquirir um equipamento novo – decidiu lutar com outras armas. Para isso, criou um blogue, a que deu o nome de iPod's Dirty Secret (O Segredo Sujo da iPod, em português), que rapidamente se tornou um sucesso.
Apesar de negar que o tenha feito por causa do blogue, a verdade é que depois da sua criação a Apple, empresa que fabrica os aparelhos, criou um programa formal de troca de baterias.
CUIDADO COM LEI
Apesar de não haver legislação que regule a criação ou o funcionamento dos blogues, qualquer crime neles cometidos, seja, por exemplo, de difamação, ofensa ou violação de direitos de autor, pode julgar-se com base nos princípios da lei geral. “Quem, por exemplo, se sentir difamado num blogue pode apresentar queixa ao Ministério Público”, adiantou ao ‘CM’ um jurista.
Quase todos os servidores criaram, entretanto, os seus próprios contratos de utilização. “A nossa preocupação é assegurar que determinados excessos não sejam cometidos”, afirmou fonte da Sapo. Material difamatório, obsceno, ou invasivo da privacidade alheia são exemplos do que não pode constar.
CORTAR O MAL PELA RAIZ
Acabar com os blogues tem sido, em alguns países, a fórmula encontrada para minimizar os estragos feitos pela informação que muitas destas páginas teimam em veicular.
É o que acontece sobretudo nos países com regimes ditatoriais, como Irão, China ou Coreia do Norte. O resultado, para além do fim dos blogues, tem sido ainda a detenção dos seus autores, o que levou já à criação de ‘sites’ que denunciam os casos de bloguistas presos apenas por terem difundido informação contrária à defendida pelo poder estabelecido.
Em Portugal, o autor do blogue Do Portugal Profundo, António Caldeira, viu, em 2004, o seu computador apreendido pela Polícia Judiciária, devido às informações veiculadas na página da internet onde escrevia, a propósito do processo Casa Pia. De acordo com as autoridades, os temas divulgados constituíam peças processuais e documentos incorporados no caso, de reprodução proibida.
Apesar de não haver legislação que regule a criação ou o funcionamento dos blogues, qualquer crime neles cometidos, seja, por exemplo, de difamação, ofensa ou violação de direitos de autor, pode julgar-se com base nos princípios da lei geral. “Quem, por exemplo, se sentir difamado num blogue pode apresentar queixa ao Ministério Público”, adiantou ao ‘CM’ um jurista.
Quase todos os servidores criaram, entretanto, os seus próprios contratos de utilização. “A nossa preocupação é assegurar que determinados excessos não sejam cometidos”, afirmou fonte da Sapo. Material difamatório, obsceno, ou invasivo da privacidade alheia são exemplos do que não pode constar.
CRONOLOGIA
Surgiram pela primeira vez em 1994, nos Estados Unidos. Desde então, os blogues têm conquistado cada vez mais adeptos, espalhando-se por todo o Mundo.
Janeiro de 1994
– Nasce o primeiro ‘weblog’ do Mundo, o Links.net, uma ideia de um estudante norte-americano, Justin Hall.
Dezembro de 1997
– Surge o termo ‘weblog’, nome que o internauta Jonn Barger decidiu dar ao seu diário pessoal na internet.
Abril de 1999
– O programador Peter Merholz encurta o nome e o ‘weblog’ torna-se o blogue.
Agosto de 1999
– Nasce a primeira ferramenta que permite a criação de um blogue: o Blogger.com.
Fevereiro de 2002
– Uma designer norte-americana é despedida depois de ter escrito comentários sobre o emprego e os colegas de trabalho no seu blogue, o Dooce, nome que se tornou sinónimo de quem é prejudicado por difundir opinião ou crítica ‘on-line’.
Dezembro de 2004
– O dicionário inglês Merriam-Webster classifica blogue como a palavra do ano.
Janeiro de 2005
– Um inquérito revela que pelo menos 32 milhões de americanos lêem blogues
ACTUALIDADE SEMPRE
Tornar um blogue o favorito de entre os milhares que povoam a internet não é difícil, dizem os especialistas. Uma das melhores formas para prender a atenção de quem lê é comentar os factos e acontecimentos do dia.
COERÊNCIA DE NOMES
Para quem quer ter um blogue com muitos leitores, aconselha-se a que o nome do blogue e o endereço na internet sejam iguais, para facilitar o acesso nos motores de busca.
VERDADEIRO DIÁRIO
A regularidade é importante, ou seja, deve manter-se o blogue actual, fazer dele um verdadeiro diário, para que o leitor não fique frustado ao encontrar entradas antigas e desactualizadas.
AGRADAR À VISTA
Também a aparência é importante para alcançar o sucesso. Criar textos atraentes é meio caminho andado para captar os olhares.
JOVENS ADEPTOS
Um estudo feito no Reino Unido revelou que um em cada cinco jovens com idades entre os 16 e os 24 anos tem o seu próprio blogue.
ALHOS E BUGALHOS
Qualquer tema é válido num blogue: ambiente, cinema, televisão, ciência, cultura, desporto, humor, política e até os aspectos da vida diária de cada um.
Carla Marina Mendes
2006-08-24 - 00:00:00
Internet
Diários on-line conquistam portugueses
De todos os tipos, para todos os gostos. São assim os blogues, páginas com conteúdos que vão dos testemunhos anónimos à informação, humor, textos guardados no fundo das gavetas ou simples banalidades. À distância de um clique, os blogues conquistam legiões de adeptos.
A motivação foi simples: o ‘boom’ dos blogues nacionais. E numa noite em que a insónia não dava tréguas, em 2003, nasceu o Médico Explica Medicina a Intelectuais (http://www.medicoexplicamedicinaaintelectuais.blogspot.com). Dias depois, o seu autor, um médico que se esconde por detrás do anonimato, viu-se rodeado de leitores. Hoje, o blogue caminha já para os 150 mil visitantes. O número destes diários virtuais não pára de crescer. Em todo o Mundo o tamanho da blogosfera, uma comunidade de diferentes unidos pelo facto de serem autores de um blogue, é hoje 60 vezes maior do que era há três anos, ascendendo os 40 milhões de páginas que inundam a internet com opiniões, comentários, testemunhos e histórias.
Diz o Technorati, um ‘site’ que se dedica a fazer buscas pelos blogues do mundo inteiro, que todos os dias são criados 75 mil destes diários – um novo por segundo. De acordo com o Pew Internet & American Life Project, instituição norte-americana que estuda o impacto da internet, são 57 os milhões de internautas dos Estados Unidos que lêem blogues todos os dias, abastecidos por cerca de 1,2 milhões de novos conteúdos diários, ou seja, cerca de 50 mil por hora. Por cá, são menos, mas estima--se que foi em 2003 que se deu a explosão da blogosfera nacional. Dos 174 registados em Janeiro desse ano, passou-se para 2724 em Novembro. No fim do ano seguinte, 2004, contabilizavam-se qualquer coisa como 90 mil feitos por portugueses.
‘Macacos sem Galho’ é considerado o blogue português mais antigo, em actividade desde 19 de Março de 1999. Na lista dos dez que duram há mais tempo encontra-se ainda o Ervilha Cor-de-rosa (http://ervilhas.weblog.com.pt/).
“Os blogues são importantes como espaço de liberdade de criação e discussão”, avança ao CM o criador do Médico Explica Medicina a Intelectuais. Opinião partilhada por outro bloguista, Luís Ene, licenciado em Direito e autor de vários blogues e de um livro sobre o tema. “Comunicar, partilhar, parece-me ser esse o motor da criação e desenvolvimento de ferramentas como o blogue, que pode dar cada vez mais voz às pessoas e à ‘net’ em geral, como meio livre e incontrolado de comunicação.”
SEM CONSTRANGIMENTOS
Começou na Primavera de 2003. Três anos depois, o blogue Praça da República (http://pracadarepublica.weblog.com.pt/) mantém-se vivo e de boa saúde, com milhares de visitantes diários. Tudo começou, conta João Carlos Espinho, o nome por detrás dos ‘posts’, como “uma forma de trazer a público tudo o que se dizia na mesa do café” sobre as alterações que se viviam na cidade que é a sua, Beja.
Apesar do trabalho e da exigência de regularidade, os blogues transformaram em realidade a promessa de liberdade de expressão numa escala universal. Foi assim para João Carlos Espinho, que viu o espaço semanal numa rádio local, da sua responsabilidade, deixar de ser suficiente. “Percebi que, através de um ‘weblog’, poderia escrever sem constrangimentos temporais e em qualquer ocasião.”
A ferramenta é simples. Graças a ela, em pouco tempo é possível criar um blogue e escrever nele o que se entender, para ser lido mesmo nos locais mais distantes, por qualquer habitante do planeta. Basta, para isso, ter alguns conhecimentos informáticos e ser conhecedor da língua.
Os blogues facilitam ainda o contacto entre os internautas, interactividade que muda o estatuto destes espaços: de meros diários ‘on-line’ passaram a meios de transmissão de notícias, fazedores de informação, política e arte, listagens de recados, laboratório de experiências literárias, diários de viagens e muito mais. A imaginação é o limite. “São um complemento dos media. Não os substituindo, serão futuramente uma plataforma complementar de informação”, refere João Carlos Espinho.
Para Luís Ene, os blogues ainda não concorrem com os meios de informação tradicionais – rádio, jornais, televisão. “Não me parece uma questão de rivalidade e certamente que não se reduz aos blogues, mas a todos os meios que a internet coloca cada vez mais nas mãos de qualquer cidadão”, explica. Mas não tem dúvidas: “Os blogues aproximam as pessoas ao constituir um instrumento comunicacional de fácil manejo.”
PODER OU CONTRAPODER
Ele era presidente dos Estados Unidos. Ela uma estagiária na Casa Branca. A relação adúltera entre ambos encheu as bocas do Mundo e quase lhe custou o mandato presidencial. Bill Clinton conseguiu manter-se à frente dos destinos da nação mais poderosa do planeta, mas não se livrou da vergonha pública e de um pedido de desculpas. A história é conhecida. O que muitos não sabem é que o escândalo que envolveu o ex-presidente dos EUA e a estagiária Monica Lewinsky começou como um ‘post’ num blogue.
Foi em Janeiro de 1998 que se ouviu falar pela primeira vez do envolvimento sexual de Bill Clinton com uma estagiária, história veiculada pelo ‘Drudge Report’, o blogue de um americano que ganhava a vida a vender roupa.
A informação, conseguida através de um amigo, tinha sido omitida numa reportagem publicada na revista ‘Newsweek’. O ‘Drudge Report’ tornou-a pública, servindo de rastilho para uma das histórias que mais deu que falar, ultrapassando as fronteiras dos Estados Unidos e pondo em causa a permanência de um presidente no poder.
Mas há mais. Se a política tem sido alvo dos blogues e por eles afectada, também o mundo dos negócios não tem conseguido escapar ileso ao poder crescente dos diários ‘on-line’.
Em Setembro de 2003 um consumidor americano teve problemas com a bateria do seu iPod. Depois de várias tentativas feitas para a trocar e tendo recebido sempre a mesma resposta – não havia nada a fazer, a não ser adquirir um equipamento novo – decidiu lutar com outras armas. Para isso, criou um blogue, a que deu o nome de iPod's Dirty Secret (O Segredo Sujo da iPod, em português), que rapidamente se tornou um sucesso.
Apesar de negar que o tenha feito por causa do blogue, a verdade é que depois da sua criação a Apple, empresa que fabrica os aparelhos, criou um programa formal de troca de baterias.
CUIDADO COM LEI
Apesar de não haver legislação que regule a criação ou o funcionamento dos blogues, qualquer crime neles cometidos, seja, por exemplo, de difamação, ofensa ou violação de direitos de autor, pode julgar-se com base nos princípios da lei geral. “Quem, por exemplo, se sentir difamado num blogue pode apresentar queixa ao Ministério Público”, adiantou ao ‘CM’ um jurista.
Quase todos os servidores criaram, entretanto, os seus próprios contratos de utilização. “A nossa preocupação é assegurar que determinados excessos não sejam cometidos”, afirmou fonte da Sapo. Material difamatório, obsceno, ou invasivo da privacidade alheia são exemplos do que não pode constar.
CORTAR O MAL PELA RAIZ
Acabar com os blogues tem sido, em alguns países, a fórmula encontrada para minimizar os estragos feitos pela informação que muitas destas páginas teimam em veicular.
É o que acontece sobretudo nos países com regimes ditatoriais, como Irão, China ou Coreia do Norte. O resultado, para além do fim dos blogues, tem sido ainda a detenção dos seus autores, o que levou já à criação de ‘sites’ que denunciam os casos de bloguistas presos apenas por terem difundido informação contrária à defendida pelo poder estabelecido.
Em Portugal, o autor do blogue Do Portugal Profundo, António Caldeira, viu, em 2004, o seu computador apreendido pela Polícia Judiciária, devido às informações veiculadas na página da internet onde escrevia, a propósito do processo Casa Pia. De acordo com as autoridades, os temas divulgados constituíam peças processuais e documentos incorporados no caso, de reprodução proibida.
Apesar de não haver legislação que regule a criação ou o funcionamento dos blogues, qualquer crime neles cometidos, seja, por exemplo, de difamação, ofensa ou violação de direitos de autor, pode julgar-se com base nos princípios da lei geral. “Quem, por exemplo, se sentir difamado num blogue pode apresentar queixa ao Ministério Público”, adiantou ao ‘CM’ um jurista.
Quase todos os servidores criaram, entretanto, os seus próprios contratos de utilização. “A nossa preocupação é assegurar que determinados excessos não sejam cometidos”, afirmou fonte da Sapo. Material difamatório, obsceno, ou invasivo da privacidade alheia são exemplos do que não pode constar.
CRONOLOGIA
Surgiram pela primeira vez em 1994, nos Estados Unidos. Desde então, os blogues têm conquistado cada vez mais adeptos, espalhando-se por todo o Mundo.
Janeiro de 1994
– Nasce o primeiro ‘weblog’ do Mundo, o Links.net, uma ideia de um estudante norte-americano, Justin Hall.
Dezembro de 1997
– Surge o termo ‘weblog’, nome que o internauta Jonn Barger decidiu dar ao seu diário pessoal na internet.
Abril de 1999
– O programador Peter Merholz encurta o nome e o ‘weblog’ torna-se o blogue.
Agosto de 1999
– Nasce a primeira ferramenta que permite a criação de um blogue: o Blogger.com.
Fevereiro de 2002
– Uma designer norte-americana é despedida depois de ter escrito comentários sobre o emprego e os colegas de trabalho no seu blogue, o Dooce, nome que se tornou sinónimo de quem é prejudicado por difundir opinião ou crítica ‘on-line’.
Dezembro de 2004
– O dicionário inglês Merriam-Webster classifica blogue como a palavra do ano.
Janeiro de 2005
– Um inquérito revela que pelo menos 32 milhões de americanos lêem blogues
ACTUALIDADE SEMPRE
Tornar um blogue o favorito de entre os milhares que povoam a internet não é difícil, dizem os especialistas. Uma das melhores formas para prender a atenção de quem lê é comentar os factos e acontecimentos do dia.
COERÊNCIA DE NOMES
Para quem quer ter um blogue com muitos leitores, aconselha-se a que o nome do blogue e o endereço na internet sejam iguais, para facilitar o acesso nos motores de busca.
VERDADEIRO DIÁRIO
A regularidade é importante, ou seja, deve manter-se o blogue actual, fazer dele um verdadeiro diário, para que o leitor não fique frustado ao encontrar entradas antigas e desactualizadas.
AGRADAR À VISTA
Também a aparência é importante para alcançar o sucesso. Criar textos atraentes é meio caminho andado para captar os olhares.
JOVENS ADEPTOS
Um estudo feito no Reino Unido revelou que um em cada cinco jovens com idades entre os 16 e os 24 anos tem o seu próprio blogue.
ALHOS E BUGALHOS
Qualquer tema é válido num blogue: ambiente, cinema, televisão, ciência, cultura, desporto, humor, política e até os aspectos da vida diária de cada um.
Carla Marina Mendes