Quando refiro a formas de ondas sem cortes quero referir-me a formas de onda lineares... eu explico....
Por maior que seja a taxa de amostragem dos DAC (digital do analogic converters), a forma de onda sai sempre em "escada", pois para cada nível da onda há uma representação digital. O problema são os valores intermédios que não são representados. O resultado é audivel, mas é sempre um compromisso. A solução é sempre aumentar a taxa de amostragem...
No caso do vinil esse problema não existe. O que resulta, retirando o eventual "fritar", num som mais puro (acho que as harmónicas têm aqui algum papel que ainda não percebi).
Se acopularmos a saida do "gira-discos" a um amplificador Class A e a umas boas colunas com uma curva da resposta que seja abaixo dos 20 Hz e acima dos 20000 Hz, com pelo menos o dobro da potência do amplificador, então penso que a experiência de audição poderá ser muito boa.
O problema é que hoje em dia, com os MP3's, aceitamos a perda da qualidade que resulta da compressão dos ficheiros. E quando ouvimos algo tocado numa boa aparelhagem, achamos que qualquer tipo de música é boa...
Este é um erro comum.
O vinil tem limitações na sua definição, por todos os factores mecânicos inerentes.
Esse efeito de escada que referes situa-se a um nível que é imperceptível.
No entanto, o vinil tem graves limitações:
Por um lado, tens uma relação sinal/ruído muito baixa. A tocar um LP, nunca fará muito melhor que 75 dB, enquanto num CD andas nos +90 dB. Logo aqui, tens a dinâmica comprometida no vinil.
Depois tens outro factor:
Imagina que com um gerador de sinal, crias uma sequência de frequências em intervalos de 1ms. O CD vai conseguir responder exactamente ao que foi gravado, já o vinil vai 'arredondar' essas frequências e intervalos, por falta de definição (33 rpm num disco não é muita distância para que possas ter uma definição decente).
Não obstante das limitações do vinil, ele consegue soar bem, mas porquê ?
Exactamente porque não consegue ter uma resposta imediata, e vai arredondar os resultados. Isto é particularmente verdade em pratos de bateria, por exemplo. Os pratos de bateria são muito complexos e dinâmicos (experimenta analisar com um software dedicado tipo cool edit pro). O vinil ao arredondar esta dinâmica torna os agudos mais suaves, menos agressivos - ainda que menos fieis ao original.
Já nem vou falar em frequência de resposta, onde um cd tem uma frequência plana até um pouco acima dos 20.000 hz e o vinil faz uma série de curvas e desvios ao longo da frequencia de resposta.
Este factor de suavização acontece aliás nas cassetes. Para quem teve oportunidade de utilizar bons decks com boas cassetes e sabendo o que estava a fazer (afinação de bias, etc) conseguia que as cassetes tivessem um som mais agradável do que o CD de onde eram gravadas.
Exactamente pelo fenómeno da suavização de picos, que estavam presentes no CD mas foram suavizados ao passar para fita.
Como digo, ouvir um vinil pode ser uma experiência muito gratificante, até pelo ritual de mudar o disco com todo o cuidado e todas as sensações inerentes. A suavização funciona muito bem em determinados discos e cria uma experiência mais agradável.
Para mim o grande problema sempre foi os riscos e as batatas fritas, que só com cuidados principescos com os discos se conseguiam evitar a médio prazo.
Quanto ao Mp3, concordo genéricamente com algumas reservas.
O formato Mp3 consegue ser superior ao MiniDisc (no qual eu detectava diferenças em testes cegos) mesmo com bitrates inferiores.
Mas não é de qualquer maneira.
Se te interessares por isso, tens um site na internet (cujo nome não me recordo mas posso por aqui se quiseres) onde a participação de quem quiser em testes ABX (cegos e objectivos) permitiu desenvolver o melhor codec de mp3 de todos os tempos, que é o LAME.
Em 99% das samples não se consegue notar a diferença para um original wav. Eu não queria acreditar até fazer os testes com as músicas de referência para mim com os melhores auscultadores em que consegui por as mãos. Se não acreditares como eu não acreditava, eu mando-te uns links e fazes um ABX por ti.
Já nos mp3 comerciais e habituais há muita desgraça. 128 k é ridículo, e mesmo 192 não chega para determinadas zonas complexas. Aliás o bit rate fixo é uma má ideia, a menos que fosse utilizado sempre com esse tal codec no máximo 320 k (em que aí representa um desperdício de espaço).
O problema é que hoje em dia as pessoas habituam-se aos mp3 sacados da net, ou mesmo do iTunes com qualidade fraca e para ouvir de seguida num leitor de mp3 fraco com uns auscultadores ainda piores.
Quando não é assim, é para ouvir no carro que não é um ambiente própriamente exigente em qualidade.
Neste sentido acho que se tem vindo a perder a cultura da qualidade do som, passando a ser mais importante a portabilidade e flexibilidade.
E a realidade é que não vejo sinais de isto vir a mudar...
É divx, mp3, mp4...tudo formatos de compressão com perdas.
Não sei se alguma vez vi alguma empresa a vender albuns em flac (compressão lossless), e poucos leitores o suportam...
É a chamada evolução...