Aniversário da FAMOSA QUEDA !!

Excalibur

Banido
Porque não uma data histórica que merece ser revista !


Passaram 38 Anos sobre a data


No dia em que Salazar caiu


A 3 de Agosto de 1968, Salazar, que estava instalado no Forte de Santo António do Estoril para um curto período de descanso mais a sua fiel governanta, Maria de Jesus Caetano Freire, levantou-se cedo – já o calista, Augusto Hilário, o aguardava.


O presidente do Conselho olha a barra do Tejo e deixa-se cair sobre uma velha espreguiçadeira de lona que se partiu aos bocados. Salazar bate com a cabeça no chão. O calista, obrigado a jurar que nem uma palavra diria sobre o acidente, ajuda-o a levantar-se e a sentar-se noutra cadeira.

Salazar era visto pelo seu médico assistente, professor Eduardo Coelho, de duas em duas semanas. A próxima visita seria daí a dois dias. Só então o chefe do Governo, ainda no forte, lhe contou que tinha batido com a cabeça no chão. O médico não adivinhou nada de bom. Salazar, de 79 anos, não tinha uma saúde de ferro.

O professor Eduardo Coelho terminou a consulta preocupado. E deixou ao chefe do Governo um sério aviso: mandasse chamá-lo ao mínimo sintoma.

Salazar volta ao trabalho. Queixa-se de dores de cabeça e arrasta ligeiramente a perna direita. Ainda assim, não manda avisar o médico e mergulha obstinado numa complexa remodelação do Governo.

O Governo reúne-se pela primeira vez em 3 de Setembro. Salazar está pior. Não fala, limita-se a ouvir. Está pálido e curvado. Os ministros abandonam a reunião convencidos de que ele está muito doente.

Apenas em 5 de Setembro, o presidente do Conselho resolve chamar o médico. Eduardo Coelho percebe imediatamente que o traumatismo craniano tinha provocado um hematoma. Salazar teria de ser operado, o mais tardar, no dia seguinte. O médico pede ao filho Eduardo Macieira Coelho, também ele médico, para procurar o neurocirurgião Moradas Ferreira. “Veja lá se é alguém da Situação” – avisa a fiel governanta do velho ditador, Maria de Jesus.

Moradas Ferreira está incontactável, de férias na Madeira. É chamado outro cirurgião: Álvaro Athayde, director dos serviços de neurocirurgia dos Hospitais Civis de Lisboa, que observa Salazar, em 6 de Setembro, e decide interná-lo.

Ainda nessa noite, Salazar é submetido a exames nos hospitais de São José e dos Capuchos. Está cada vez pior: não consegue responder às mais simples perguntas e nem se recorda em que Universidade se formou. Os médicos decidem operá-lo imediatamente. O sexto piso do Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, é evacuado. O presidente do Conselho, às 23h00, dá entrada no quarto 68.

A operação, conduzida por dois neurocirurgiões, Vasconcelos Marques e Álvaro Athayde, terminou com êxito ao nascer do sol. Nos dias seguintes, o presidente do Conselho passeia pelo quarto e conversa. Ganha vida.

Mas, a 16 de Setembro, sofre um profundo acidente vascular do lado direito do crânio. Fora operado do lado esquerdo para trepanação do hematoma. Entra em coma profundo. Os médicos perdem esperança. A morte é esperada a todo o momento.

Manuel Nazaré, médico e amigo pessoal de Salazar, ficou convencido de que o rebentamento da artéria cerebral se deveu aos copinhos de vinho do Porto e de Aveleda que o presidente do Conselho tanto apreciava e a governanta lhe deu às escondidas nos dias que se seguiram à operação. Os médicos, agora, não têm a mais pequena dúvida: mesmo que sobreviva à trombose, Salazar ficará inválido.

Américo Tomás, convoca o Conselho de Estado para o dia 17. Os conselheiros estão divididos quanto ao sucessor. De todos candidatos, Marcelo Caetano, catedrático de prestígio, é o mais ambicioso e o que tem mais experiência política. Américo Tomás convida-o, na noite de 26 de Setembro, para formar Governo. Dá-lhe posse no dia seguinte.

Salazar sobrevive à trombose, mas fica muito debilitado. Abandonou o Hospital da Cruz Vermelha e regressou à residência oficial de São Bento. Ninguém lhe disse que estava reformado e já não era chefe do Governo. Continuou a viver na residência oficial e recebia antigos ministros, que faziam de conta que ainda mandava. A farsa durou 20 meses. Terminou com a morte, na manhã de 27 de Julho de 1970. Tinha 81 anos.

OS ANOS DO SALAZARISMO

1889 - 28 Abril – Nasce António de Oliveira Salazar, no lugar de Vimieiro, em Santa Comba Dão. Reina em Portugal D. Luís I.

1917 - Inicia a carreira de professor de Economia e Finanças em Coimbra. Portugal participa na I Guerra Mundial. Surgem as aparições de Fátima.

1926 - 28 Maio – Um golpe militar derruba o regime. Salazar é ministro das Finanças do primeiro Governo da ditadura, chefiado por Mendes Cabeçadas.

1932 - É nomeado presidente do Conselho de Ministros. Cinco anos mais tarde, Salazar é alvo de um atentado à bomba, mas sai ileso.

1945 - Fim da II Guerra Mundial. Salazar decreta luto nacional pela morte de Hitler ao mesmo tempo que manifesta satisfação com a vitória dos Aliados.

1951 - Morte do presidente Carmona. Os monárquicos querem a restauração, mas Salazar lança o general Craveiro Lopes para a Presidência da Repúbllica.

1958 - Eleições presidenciais. Humberto Delgado faz campanha apoteótica. Questionado sobre o que fará a Salazar se ganhar, diz: “Obviamente, demito-o”.

1961 - Considerado como o ‘annus horribilis’ de Salazar. Desde o assalto ao paquete ‘Santa Maria’, a chacina de colonos em Angola, ao desvio do avião da TAP.

1968 - Manifestações de estudantes contra a guerra colonial. Mário Soares é deportado para S. Tomé, por dar informações sobre o escândalo do ‘Ballet Rose’.

1968 - 3 Agosto – Salazar cai da cadeira e bate com a cabeça. É operado a um hematoma. Dois anos depois, a 27 de Julho de 1970, morre em Lisboa.

Manuel Catarino

salazarpk5.jpg

Prof. Dr. António Oliveira Salazar
 
ORa aqui está uma história que nunca tinha ouvido tão ao promenor! :)


E nao saiba que ainda tinha durado 2 anos apos a queda.. tinha a ideia que tinha sido quase imediato..
 
Tb gostei bastante de ler.

Até pq o nosso é um pais onde estamos sempre a tentar esconder a nossa história. Até a porcaria da ponte foi rebatizada.
 
citação:Originalmente colocada por SilverArrow

Tb gostei bastante de ler.

Até pq o nosso é um pais onde estamos sempre a tentar esconder a nossa história. Até a porcaria da ponte foi rebatizada.


Meu caro, a História irá encarregar-se de julgar esses actos.

Factos históricos não devem ser sonegados/suprimidos ou pura e simplesmente obliterados, somente porque há "outras verdades" que convêm.

E isso de renomear, pontes ruas, destruir estátuas, é do mais ridiculo, simplesmente não concordo, pela positiva ou pela negativa são peças da história de um pais ou povo.
 
Qual ponte. Eu sempre lhe chamei ponte do Salazar e conheço muita gente que o faz... Não é uma questão política, simplesmente sempre me lembro de ouvir as pessoas mais velhas lhe chamarem assim...
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

citação:Originalmente colocada por SilverArrow

Tb gostei bastante de ler.

Até pq o nosso é um pais onde estamos sempre a tentar esconder a nossa história. Até a porcaria da ponte foi rebatizada.


Meu caro, a História irá encarregar-se de julgar esses actos.

Factos históricos não devem ser sonegados/suprimidos ou pura e simplesmente obliterados, somente porque há "outras verdades" que convêm.

E isso de renomear, pontes ruas, destruir estátuas, é do mais ridiculo, simplesmente não concordo, pela positiva ou pela negativa são peças da história de um pais ou povo.
Eu tb não concordo com o re-batizar da ponte. Tb acho absurdo.

E esconder factos e destruir isto e aquilo... É uma treta, o nosso pais sempre foi assim, sempre tapamos o passado.

Os alemães tb tiveram o periodo NAZI e apesar de a maioria não se orgulhar disso, tb não o escondem.
Até um bocado do muro deixaram de pé e tudo... Se fossemos nós ia tudo ao chão... [xx(]
 
citação:Originalmente colocada por M3

Terminou com a morte, na manhã de 27 de Julho de 1970

Abençoada data [xx(]

x2 ..

Contudo não deixo de lamentar a tentativa de se fazer esquecer tudo o que se passou no seculo passado. A nossa historia é bem rica e pouco divulgada na TV. :(

É Preferivel continuar a ver o calvario americano no vietnam por exemplo.:(
 
Recordo-me bem destes factos, e do Salazar só tenho a dizer que foi um grande estadista e uma pessoa honesta que não se aproveitou do poder para encher os bolsos, como alguns dos "grandes" politicos após o 25A fizeram.

Quanto á ponte, para mim foi, é, e sera sempre Ponte Salazar, pois o 25A em nada contribuiu para a construçâo da mesma.
Já agora relembro que se cumpre no proximo dia 6 de Agosto o 46ª aniversario da inauguração da Ponte Salazar.

Admito que haja pessoas que eventualmente tenham razões de queixas do Salazar, eu pessoalmente não tenho, mas certo é que nunca me meti em confusôes.
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

E isso de renomear, pontes ruas, destruir estátuas, é do mais ridiculo, simplesmente não concordo, pela positiva ou pela negativa são peças da história de um pais ou povo.
Não concordo.

Ninguém falou de deitar a ponte abaixo.

Em Democracia as regras são de não mudar, apesar que às vezes o pessoal abusa. E lembro-me de histeria colectiva aquando da morte de Sá Carneiro, onde o aparelho do PSD polvilhou o País com o nome do homem, que ainda nem sequer tinha mostrado grande obra, além de um enorme potencial. Até a porra do Aeroporto do Porto, Pedras Rubras, viu o seu nome alterado numa manifesta prova de muito amu gosto perante alguém que tragicamente perdeu a vida num acidente aéro, ao levantar de um aeroporto.

Agora, em regimes ditatoriais, sabemos que os nomes são dados para perpetuar o regime através dessa atribuição de nomes e de obras de arte. Para a glorificação do querido líder.

Por isso acho bem. O bicho morreu, tirem-no da frente.

Depois da queda o regime Soviético, andei a pensar cá para comigo porque raio os Moscovitas não mudavam o nome da Praça Vermelha.
Passados uns tempos, tive lá e reparei na razão... :)
 
Ainda me lembro de um teste de historia do 6º ano em que a professora pedia aos alunos para fazerem um desenho que ilustrasse a ditadura de Salazar e um colega meu não esteve como meias medidas e desenhou o Salazar a cair da cadeira, escusado será dizer que a professora quase lhe anulou o teste!
 
Já agora relembro que se cumpre no proximo dia 6 de Agosto o 46ª aniversario da inauguração da Ponte Salazar.

Essa ponte já não existe caro amigo. E ainda bem ;)
 
Eu conhecia esse facto de ele ter caído da cadeira, um dia contei a um tio meu e ele fartou-se de me gozar, dizia que ele tinha caído da cadeira, mas era num sentido politico e não na realidade, na altura não consegui arranjar provas..

passado muitos anos e com a internet um dia em casa dele pesquisei no google e encontrei um documento que relaatava esse facto, então pude provar que ele ter caído da cadeira foi mesmo de uma cadeira física.
 
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