Bem, o caso é o seguinte.
O meu pai, mesmo antes de nascer que exercia violência doméstica perante a minha mae, e, com o passar do tempo sempre o continuou a exercer...
Entretanto nasceu a minha irma, e depois eu, pelo que essa violencia continuou a ser exercida até eu ter mais ou menos 15 anos.
A violência de que falo, é uma violencia tanto a nível psicologico (ameaças, etc) como a nível fisico, através de basicamente "porrada".
A minha mãe por medo, nunca denunciou nada, e eu, pela idade que tinha, tb não podia fazer muito na altura, pelo que a solução que encontrei, aos 15 anos foi fazer frente ao meu pai quando tentava bater na minha mãe, tendo sido algo que surpreendentemente resultou.
No entanto, tendo agora já eu 20 anos, e essa violência, a nivel fisico não voltou a acontecer, no entanto a nível psicológico continua a faze-lo a minha mãe. Mas, de ha uns tempos para cá, também me tem começado a ameaçar, no entanto nunca passando aos actos pela razão obvia (cobardia).
O que gostaria de saber é que poderia fazer para que isto parasse...
cumprimentos
Bem foi o primeiro tópico neste fórum que ao ler senti um arrepio no corpo e até me deu uns suores.[s)]
João tinha precisamente a tua idade ( 15 anos ) quando tive ( infelizmente ) de fazer frente ao meu pai devido a violência doméstica para com a minha mãe, sou filho unico e a minha mãe por pensar que eu um dia lhe poderia exigir algo do género " deixas-te o meu pai e estamos a passar dificuldades " sempre aguentou durante 20 anos maus tratos, ameaças verbais entre outras coisas que não vale a pena comentar aqui. Quando atingi os meus 15 anos comecei me a aperceber o que realmente se passava, pois enquanto era mais novo a minha mãe sempre me fez ver o meu pai como bom pai, que era normal discutirem etc etc.
E assim foi, aos 15 anos pela primeira vez fiz frente ao meu pai, e tal como te aconteceu a ti ele começou a agir com cobardia, chegava ao cumulo de esperar que eu sai-se de casa depois de ele ter saído, para ele voltar atrás e fazer das dele. As coisas em vez de melhorarem pioraram, ele começou a perder cada vez mais o controlo ( problemas com o álcool ) e chegou mesmo a meter me uma caçadeira ( o meu pai é caçador ) na cabeça ( carregada ) e dizer que me matava a mim e a minha mãe, e que se tentássemos sair de casa ele matava quem nos viesse buscar ( acreditem que com o efeito do alcool ele era bem capaz disso ). Depois de mais agressões e ofensas durante uns meses , eu achei que tinha de colocar um ponto final na situação, e num dos dias em que eu estava fechado no quarto ( como já era habito ) com medo de tudo e de todos, telefonei para o trabalho da minha mãe e disse-lhe " vamos fugir de casa , tem de ser hoje " e assim foi, peguei numa mochila com os nossos documentos ( Bi, vacinas etc ) numas calças de ganga e uma blusa para a minha mãe ir trabalhar no dia seguinte, no meu cão Pinscher e fugi de casa com a roupa que tinha no corpo. Deixei para trás os meus brinquedos os meus bens e as minhas memorias de 15 anos de vida, tal como a minha mãe deixou.
Fugimos e fomos para casa dos meus avos maternos, ficamos lá 6 meses, enquanto a minha mãe e eu fomos á APAV, á PSP , e ao tribunal tentar arranjar o divorcio á minha mãe ( como devem calcular o meu pai rejeitou a ideia ) depois de muita espera foi nos nomeado uma advogada que tratou do caso e passado 2 anos o divorcio litigioso lá saiu. No entretanto a minha mãe e eu saimos da casa dos meus avós e numa casa alugada ( que a minha mãe depois pode comprar quando conseguiu o divorcio ) construi-mos a nossa vida a contar do zero, não havia um garfo, nem uma faca, nem um lençol para uma cama ( nem a cama quanto mais o lençol ) , foi duro, mas com a ajuda da pouca familia materna que tenho e alguns amigos la conseguimos sobreviver contra tudo e contra todos e contra muitas ameaças do meu pai com armas de fogo em duas das abordagens que nos fez a caminho de casa.
Passaram se 7 anos, eu já tenho o meu cantinho com a minha namorada, já não vejo o meu pai á 3 anos bem como toda a minha familia paterna que nunca mais quis saber de mim. A minha mãe lá esta no cantinho dela a tentar ainda ( sim ainda ) reconstruir a sua vida. Tudo o que tenho e a pessoa que sou devo-o a minha mãe, foi mãe pai e amiga, e sempre me apoiou a mim mesmo quando eu estava revoltado e não a apoiava a ela, mas lá conseguimos, e agora á dormimos descansados sem estarmos a acordar em sobressalto a espera que um homem entre pelo quarto de arma em punho para nos ameaçar.
João peço-te desculpa pelo testamento, mas só te queria deixar o meu testemunho e dizer te que nunca desistas, ajuda a tua mãe que deves ser a unica pessoa com quem ela pode contar, e luta, luta contra quem tiveres que lutar, porque a nossa altura chega sempre e um dia como toda a gente temos direito a ser felizes.
Abraço e boa sorte com tudo.