A Educação ainda pode ser melhor

ClioII

Well-known member
(in EXPRESSO de 03/11/07)


A Educação ainda pode ser melhor
St. Tropez, 30 de Outubro de 2007

Minha cara Maria de Lurdes

Mesmo a este recanto turístico francês chegou o sucesso da Educação: diminuição em 22 por cento do insucesso escolar! Estava eu, repimpado com vista para o mar, a celebrar com um Don Pérignon Vintage 1998 mais este sucesso da nossa Educação quando, para minha desgraça, o meu velho amigo Prof. Jean Desgrandes Baldàs me desencantou:
- Mais non, mon cher, não é um grand sucesso. É apenas um petit passo (o resto do diálogo vai em português, senão isto parece uma entrevista com o Comendador Berardo, caso ele tivesse sido educado no Québec).
Contrapus que eram 22 por cento! Mas ele insistiu.
- Podiam ser mais. Eu tenho um método quase perfeito para melhorar esses números.
- Qual? - perguntei, ávido.
- Não só acabar com a retenção ou chumbo por faltas, como também por notas ou por qualquer outro caso.
Perguntei ao Prof. Jean Desgrandes Baldàs em que circunstâncias poderia, então, um aluno chumbar.
- Nunca! Jamais! A menos claro, em casos muito graves, se matar um professor ou fumar no recreio ou assim... De resto, o aluno não é retido. E poderia mesmo ser - e este é o grande segredo do meu método acelerado!
- Acelerado? Que quer o Prof. Baldàs dizer com isso?
- Acelerado! Por exemplo, um aluno que está no 6.º Ano de escolaridade, se for a mais do que 20 aulas pode passar logo para o 8.º ou o 9.º Ano, por exemplo.
- Porquê?
- Porque sabe tanto como um que lá chega sem pôr os pés na aula, como é óbvio, evidente e absolutamente claro. Repare, se um aluno que nunca viu o quadro negro da sua turma, acaba por passar do 6.º para o 7.º, por que razão injusta o que se esforça e aparece, vá lá, mais de 10 vezes, não pode passar para o 8.º ou 9.º.
Concordei com o meu amigo. Mas como gosto de discutir, ainda tinha uma objecção.
- E se um aluno do 1.º Ano for todos os dias à escola? O que lhe dá? O diploma do 9.º Ano?
- Por que não? Que lhe falta a ele saber para a vida? Não vê o concurso "Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?"
- E se ele continuar sem faltar - objectei - pode dar-lhe a Carta de Condução? - interroguei, em tom de brincadeira.
- Claro que sim. Desde que ele não conduza. No fundo, não é diferente de dar o 9.º Ano a quem não sabe quantos são 7x8, ou a raiz quadrada de 9. Porque, repare - e este era o grande argumento do Prof. Desgrandes Baldàs -, o que interessa não é o conhecimento, mas sim a aprendizagem. Ora, quem está num programa de aprendizagem (ou seja, uma aula) ganha créditos e direitos, não lhe parece?
- Mas mesmo sem saber nada de útil? - ainda contrapus.
E ele respondeu, calmo:
- Se não tivermos de provar os conhecimentos, todos nós somos especialistas em Física Quântica. Este é o meu postulado.
Confesso, minha cara Ministra, que fiquei a pensar nisto. Como método de pedagógico é só mais um pequeno passo dos muitos que em Portugal temos dados.
Pense também, e aceite os meus cumprimentos

Comendador Marques de Correia


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Hilariante! [:D] [:D] [:D]
 
Não fosse a minha formação em Física Quântica e não saberia retirar dividendos desta noticia

Assim sendo , desde que não tenha de provar nada e não me tenha ausentado muito das aulas onde se abordou este tema, não terei problemas [;)]
 
O caminho do facilitismo é um caminho perigoso e sem retorno...

Se a única coisa que interessa à ministra são números bonitos nas estatísticas, está no caminho certo, porque rigor e excelência conseguem-se por outro caminho totalmente oposto.
 
Pois é realmente triste, mas de resto a ministra só esta a fazer uma enxertia do que se passa actualmente no ensino privado para o ensino publico.

Assim quando este for completamente privatizado (ânsia dos liberais), já ninguém nota a diferença.






 
A escola antes de ser um centro de acolhimento como é actualmente para os filhos e filhotes dos bons cidadãos deste País, era um centro de Ensino, um estabelecimento pedagógico.

E é preciso compreender estas mudanças antes de se fazer novas cruzadas a favor ou contra estas e outras causas.

Como é que se pode promover um ensino de excelência a uma população de medíocres?

Reúnem-se os bons, metem-se na sala aos lado os que escapam e excluem-se os maus?

É que, se eu não me alhear do País em que vivo, como é que poderá haver novas propostas para a educação?

Tiramos os medíocres da Escola e colocamo-los num Gueto, ou num típico bairro social?

Como é que nos USA, UK, França, Espanha, Canadá, ..., resolvem este problema?
 
A escola antes de ser um centro de acolhimento como é actualmente para os filhos e filhotes dos bons cidadãos deste País, era um centro de Ensino, um estabelecimento pedagógico.

E é preciso compreender estas mudanças antes de se fazer novas cruzadas a favor ou contra estas e outras causas.

Como é que se pode promover um ensino de excelência a uma população de medíocres?

Reúnem-se os bons, metem-se na sala aos lado os que escapam e excluem-se os maus?

É que, se eu não me alhear do País em que vivo, como é que poderá haver novas propostas para a educação?

Tiramos os medíocres da Escola e colocamo-los num Gueto, ou num típico bairro social?

Como é que nos USA, UK, França, Espanha, Canadá, ..., resolvem este problema?

Aí está a grande questão! E vê-se nas coisas mais simples.
Eu tenho uma tia que é professora primária. Lá na escola onde dá aulas, os professores e auxiliares estão a implementar um sistema de boas práticas alimentares de forma a que os meninos comecem bem cedo a 'torcer o pepino'.
Obviamente, as regras são para todos e quem não as seguir, tem castigo.
Um determinado miúdo (balofo), que em casa só come batatas fritas, recusa-se a comer a sopa e fica de castigo. Depois vai pra casa fazer queixa ao papá e este todo chateado vai pra escola mandar os seus bitaites de que o rapaz não precisa de comer sopa. [8b]
Já estão a ver a reacção dos colegas se o balofinho tiver uma lei especial pra ele..
E isto é só uma questão de base.. O que fará no resto..
 
Sou prof e nem queiram saber...

Dar hipóteses para... n respondo, claro! É q sou prof, n sei se estão a ver...!

Mesmo assim, acrescento: OPS!
 
uma pessoa extremamente inteligente e com visao, (e que por acaso foi minha professora) disse-me um dia: "a qualidade paga-se, portanto um sistema de ensino gratuito nao pode ser bom! é verdade que muitos alunos ricos nao estao a fazer nada na escola e muitos jovens pobres deviam estar a estudar, mas se é gratuito, nao pode ser grande coisa!"
isto para mim é a verdade nua e crua
 
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