[Sociedade] A ditadura do "urgente"

LinoMarques

Membro histórico
É só impressão minha ou a sociedade está cada vez mais marcada pela palavra "urgente!", "urgente!", "urgente!"??

Principalmente ao nível do trabalho, tudo é "urgente", "para ontem", "urgentíssimo", etc. Os mails que recebo: quase sempre com "urgente" no título, telefonemas igual... e muitas vezes vai-se ver e afinal não era tão urgente assim... :sh)

Mas isto é transversal a quase tudo. Até nos mails pessoais: "preciso de uma resposta urgente..." [8b][8b][8b]. "Promoção está já a acabar! Responda urgentemente!". Mas será que a nossa sociedade, talvez devido à maior rapidez que a informatização permite, acaba também por usar isso para querer fazer muito mais em muito menos tempo, caindo frequentemente em exageros? Ainda não era há muito tempo que toda a correspondência de uma empresa se fazia "à mão" (dactilografando) e não havia internet ou mails para fazer chegar informação escrita ao outro lado do país ou do mundo em poucos segundos! E vivia-se!

O que explica esta "urgentização" da nossa vida? Não estaria na altura de tirar um pouco o pé do acelerador, nem que fosse apenas de vez em quando?
 
Sociedade de consumo rápido. Tudo é urgente e quer-se tudo. Sai o telemóvel XPTO e daqui a 2 meses é urgente olhar para o novo que tem mais não sei quantos pintelhos e vale muito mais do que aquele que se tem. Urgente sair de casa, urgente ser adultos e ir para as bebedeirices com 12 ou 13 anos, dar a primeira e fazer um menáge, é urgente fazer rápido o que quer que seja porque senão vem outro que é mais rápido e faz. Já há muito que dei por mim a pensar nisso. Hoje em dia não se vive. Sobrevive-se. Não se pára para usufruir do que há. Infelizmente.
 
Às vezes as próprias instituições fazem de propósito para que tenha de ser tudo com urgência. Uma história que se passou comigo há uns dias: Licenciei-me, pedi à universidade o certificado de habilitações e o diploma. Se não pedisse com urgência - e pagar a peso de ouro essa urgência - só me mandavam as duas coisas em simultâneo e passado umas três ou quatro semanas. Nada disto importaria se não estivesse necessitado do certificado para fazer candidatura para mestrado e para um conjunto de estágios a terminar antes dessas três semanas.

Mas voltando ao post, concordo com o que dizes. Chego a receber alguns press releases a pedirem divulgação com urgência. Alguns ainda faz sentido, outros é como dizes.

O expoente máximo desta "urgentização" vejo-o com aquele anúncio de rádio da fibra da Vodafone: "João, estes documentos são para ontem" "marca aí uma reunião para ontem, com urgência".
 
De facto a nivel de trabalho é loucura.... todos os clientes querem coisas urgentes, incluindo aqueles que há anos não nos encomendavam nada... agora habituaram-se às palavras "line-stop", "line-down", antigamente ainda usavam o "asap".

Depois, a nível interno, é tabelas, relatórios, simulações, etc, tudo urgente, para "ontem de manhã".... e mais não digo porque a internet é pequenina...
 
E as decisoes que ficam 'n' tempo para serem tomadas e só o são em cima da hora quando praticamente se esgotou o tempo de fazer algo com pés e cabeça....
 
Este fórum parece o muro das lamentações... E vocês, não gostam das vossas coisas resolvidas com urgência? Eu gosto!
 
Este fórum parece o muro das lamentações... E vocês, não gostam das vossas coisas resolvidas com urgência? Eu gosto!

Acho a crítica do tópico legitima e enquadra-se perfeitamente no que discutia ainda agora no tópico da crise - Sobre as horas extra e o pessoal "muito trabalhador e ocupado"

É uma questão de "produtividade". Não adianta nada pressionar se não existe efectiva e real urgência. Da mesma forma que não adianta nada dizer que se é extremamente atarefado se não existe nada para fazer. Não vale a pena estar a entrar no vício da formalística.

Se é possível realizar um excelente trabalho em 10 minutos e sem urgência para quê estar a fingir o contrário?
 
Acho a crítica do tópico legitima e enquadra-se perfeitamente no que discutia ainda agora no tópico da crise - Sobre as horas extra e o pessoal "muito trabalhador e ocupado"

É uma questão de "produtividade". Não adianta nada pressionar se não existe efectiva e real urgência. Da mesma forma que não adianta nada dizer que se é extremamente atarefado se não existe nada para fazer. Não vale a pena estar a entrar no vício da formalística.

Se é possível realizar um excelente trabalho em 10 minutos e sem urgência para quê estar a fingir o contrário?
Não vou ao tópico da crise, não aguento mais negativismo dos mesmos de sempre e o politiquismo bacoco constante.

Sabem porque é que tudo é urgente hoje em dia? Olhem por exemplo para o S&P500, dobrou em 5 anos, quadruplicou em 20 anos! Esse crescimento tem um custo, exige-se mais de todos. Quem não tiver capacidade para jogar o jogo tem muitas soluções para viver ao lado disso, mas depois não se queixe das consequências.

É um dos predicados que procuro para as minhas equipas, capacidade de aprender rápido, apresentar trabalho independentemente e com qualidade... e saber distinguir o que é urgente do que é importante! E não se queixarem a toda a hora de tudo e de nada.
 
Acho a crítica do tópico legitima e enquadra-se perfeitamente no que discutia ainda agora no tópico da crise - Sobre as horas extra e o pessoal "muito trabalhador e ocupado"

É uma questão de "produtividade". Não adianta nada pressionar se não existe efectiva e real urgência. Da mesma forma que não adianta nada dizer que se é extremamente atarefado se não existe nada para fazer. Não vale a pena estar a entrar no vício da formalística.

Se é possível realizar um excelente trabalho em 10 minutos e sem urgência para quê estar a fingir o contrário?

Concordo totalmente.

Good+cheap+fast+like+your+mother_ce8ee7_4150068.jpg
 
Rasec, acho que estás a passar um bocado ao lado da questão. O que eu quero dizer, acima de tudo, é que se usa e abusa do "urgente". E a razão, volto a dizer, é que de tudo o que nos apresentam como urgente, vamos a ver e na verdade talvez apenas 50-60% o sejam verdadeiramente. Porque quando se chega a um ponto em que algumas coisas acabam por ser impossíveis de realizar nesse período "urgente", afinal depois descobre-se que foi mais uma forma quase gratuita de exercer pressão do que verdadeira necessidade...

Ou seja, tornou-se quase num automatismo, numa moda, numa mania... :sh)
 
Quando me pedem urgente no trabalho digo que é tudo urgente e pergunto o que querem que faça primeiro... Depois afinal de contas estão dias para dar seguimento a uma coisa que era urgente...
 
Não vou ao tópico da crise, não aguento mais negativismo dos mesmos de sempre e o politiquismo bacoco constante.

Sabem porque é que tudo é urgente hoje em dia? Olhem por exemplo para o S&P500, dobrou em 5 anos, quadruplicou em 20 anos! Esse crescimento tem um custo, exige-se mais de todos. Quem não tiver capacidade para jogar o jogo tem muitas soluções para viver ao lado disso, mas depois não se queixe das consequências.

É um dos predicados que procuro para as minhas equipas, capacidade de aprender rápido, apresentar trabalho independentemente e com qualidade... e saber distinguir o que é urgente do que é importante! E não se queixarem a toda a hora de tudo e de nada.

Mas o exigir mais de todos pára onde? Temos todos que ser Usains Bolt? Temos que viver em constante stress? Que me lembre ainda não foram encontrados beneficios para a saúde em levar uma vida sempre a correr.
 
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