Traduzido de
The Rise and Fall of the Third Reich
de William L. Shirer
Stauffenberg era um homem de uma largueza de espírito rara num militar de carreira. Nasceu em 1907 e descendia de uma velha familia aristocrática do sul da Alemanha, profundamente cató1ica e muito culta. Dotado de magnífica saúde fisica e, segundo todos os que o conheceram, de beleza impressionante, Klaus von Stauffenberg adquiriu um espírito brilhante, curioso e admiravelmente equilibrado. Durante algum tempo acariciou a idéia de dedicar-se A música, depois à arquitetura; mas, aos dezenove anos,entrou como cadete no exército e, em 1936, foi admitido na Escola de Guerra de Berlim. Monárquico de coração, como a maioria dos homens da sua classe, não se opôs, naquele tempo, ao regime nacional-socialista. Foram, ao que parece, os pogroms de 1938 que semearam no seu espírito as primeiras dúvidas, as quais aumentaram quando viu o Führer, no verão de 1939, empurrar a Alemanha para uma guerra que poderia ser longa, terrivelmente custosa em vidas humanas, e, finalmente, perdida.
Não obstante, quando chegou a guerra, atirou-se a ela com a sua caracteristica energia. Mas, na Rússia, Stauffenberg perdeu as últimas ilusões sobre o Terceiro Reich.
0 inútil desastre de Stalingrado fê-lo cair doente. Imediatamente depois, em fevereiro de 1943, pediu para ser enviado à frente da Tunísia. Mas a 7 de abril o seu automóvel foi pelos ares num campo de minas e Stauffenberg ficou gravemente ferido. Perdeu o olho esquerdo, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Durante sua convalescença teve tempo de refletir, e chegou à conclusão de que, apesar de mutilado, tinha uma missão a cumprir.
"Creio que devo fazer alguma coisa para salvar a Alemanha" - disse à sua mulher, a Condessa Nina, mãe dos seus quatro filhos, que fora vê-lo no hospital. - "Nós, oficiais do Alto Estado-Maior, temos todos que assumir nossa parcela de responsabilidade."
Em fins de setembro de 1943 estava de regresso a Berlim, no Comando-Geral do exército. Comegou a exercitar-se imediatamente, servindo-se de pinças, para por em funcionamento uma bomba inglesa da Abwehr com os três dedos da mão que lhe restava. Fez mais ainda. Sua dinâmica personalidade, a clareza da sua inteligência, seu profundo catolicismo e seu notável talento de organizador infundiram aos conspiradores uma nova vida e uma determinação maior.
Os conspiradores não tinham nas suas fileiras qualquer marechal da ativa. Fez-se uma proposta ao Marechal Von Rundstedt, que comandava as tropas do setor ocidental, mas ele recusou-se a faltar ao juramento de fidelidade ao Führer. 0 brilhante mas oportunista Marechal Von Manstein deu idêntica resposta.
Tal era a situação em princípios de 1944, quando um marechal, muito ativo e muito popular, prestou ouvidos aos conspiradores, sem que Stauffenberg o soubesse de inicio. Era Rommel e a sua participagdo na conjura contra Hitler surpreendeu imenso os chefes da resistência. Mas, na França, Rommel tinha-se dedicado a freqüentar dois dos seus velhos amigos, o General Von Falkenhausen, governador militar da Bé1gica e do Norte da França, e o General Karl Heinrich von Stülpnagel, governador militar da França. Estes dois generais já faziam parte da conspiração anti-hitlerista e, pouco a pouco, puseram-se ao corrente das suas atividades nesse terreno. Depois de algumas hesitações, Rommel aceitou:
"Creio - disse-Ihes -, que é meu dever ir em socorro da Alemanha."
E agora que se aproximava o verão decisivo de 1944, os conspiradores compreendiam a necessidade de atuar com urgência. 0 Exército russo estava quase nas fronteiras da Alemanha, os Aliados preparavam-se para langar uma operação de grande envergadura nas costas francesas do canal; na Itália, a resistbncia alemã caia por terra. Se queriam obter uma paz qualquer, que evitasse A Alemanha esmagamento e ruína totais, precisavam desembaraçar-se o mais depressa possível de Hitler e do regime nazista.
Em Berlim, Stauffenberg e seus conjurados tinham, enfirn, os planos prontos. Reuniram-nos sob o nome convencional de "Valkiria", termo apropriado, já que as valquírias são, segundo a mitologia nórdica, formosas mas terrívels jovens, que pairam sobre os campos de batalha para elegerem os que devern morrer. No caso presente, era Adolf Hitler quem devia desaparecer. Não deixa de ser irônico que o Almirante Canaris, antes de
cair em desgraça, desse ao Führer a idéia de um Plano Valkiria, destinado a garantir, pelo exército do interior,
a seguranga de Berlim e das restantes grandes cidades, no caso de uma insurreição dos milhões de trabalhadores estrangeiros que viviam maltratados nestes centros. Tal insurreição era muito improvável - na realidade era impossível -, pois os trabalhadores não estavam armados nem organizados; mas o Führer, muito desconfiado naquela época, via o perigo espreitar por todos os lados e, como quase todos os soldados válidos estavam ausentes do país, fosse na frente, fosse nos territórios ocupados, aceitou facilmente a idéia de que o exéreito do interior garantisse a seguranga do Reich contra as hordas dos trabalhadores forçados. Deste modo, a Operação Valkiria chegou a ser uma verdadeira cobertura para os conspiradores militares, permitindo-thes elaborar quase à luz do dia planos para que o exército do interior cercasse a capital e algumas cidades como Viena, Munique e Co1ônia, no próprio momento em que Hitler fosse, assassinado.
Em Berlim, a principal dificuldade residia no fato de que dispunham de muito poucas tropas e as formações SS eram muito mais numerosas. Havia também número considerável de unidades da Luftwaffe no próprio interior da cidade e nos arredores, que serviam as defesas antiaéreas. Estas tropas, a não ser que o exército agisse rapidamente, continuariam fiéis a Goering e lutariam por salvar o regime nazista e colocá-lo sob a autoridade do seu chefe, mesmo se Hitler tivesse morrido.
Frente A força das SS e das tropas da aviação, Stauffenberg só contava com a rapidez das operações para assegurar o controle da capital. As duas primeiras horas seriam as mais críticas. Neste breve espaço de tempo, as tropas sublevadas deveriam ocupar e defender a central da rádio nacional e as duas emissoras da cidade, as centrais telegráficas e telefônicas, a Chancelaria do Reich, os ministérios e os quartéis-generais da Gestapo. Goebbels, o único alto dignitário nazista que raramente saía de Berlim, deveria ser preso com os oficiais SS. Logo que Hitler tivesse morrido, seu quartel-general de Rastenburg seria isolado da Alemanha, para que nem Goering, nem Himmier, nem qualquer dos generais nazistas, como Keitel e Jodl, pudessem tomar o comando e tentassem incorporar a polícia ou as tropas num regime nazista onde só o chefe tivesse mudado. O General Fellgiebel, chefe das transmissões, cujo gabinete se encontrava no quartel-general, encarregou-se desta missão. Os planos, pois, estavam prontos.
Em fins de junho, os conspiradores tiveram uma cartada a seu favor. Stauffenberg foi promovido a coronel e nomeado chefe do Estado-Maior do General Fromm, comandante-chefe do exército do interior. Este posto não só lhe fornecia a possibilidade de dar ordens àquele exército em nome de Fromm, como ainda the permitia aproximar-se de Hitler: Este último, com efeito, adquirira o costume de convocar o chefe do exército do interior, ou o ajudante, para seu quartel-general, duas ou três vezes por semana, para lhe pedir novos reforços destinados às divisões dizimadas que lutavam na frente russa. Stauffenberg pensava fazer explodir a bomba numa destas entrevistas.
Na tarde de 19 de julho, Hitler convocou Stauffenberg para Rastenburg. Devia fazer seu relatório durante a primeira conferência quotidiana, que teria lugar no quartel-general do Führer, no dia seguinte, 20 de julho, A uma da tarde. Os oficiais que ocupavam os postos mais importantes na guarnição de Berlim e arredores foram avisados de que 20 de julho seria "Der Tag", o grande dia.
Pouco depois das 6h da cálida e ensolarada manhã de 20 de julho de 1944, o Coronel Stauffenberg, acompanhado do seu ajudante, o Tenente Von Haeften, dirigiu-se para Rangsdorf, o aeroporto de Berlim. Na pasta completamente cheia, entre os documentos e envolvida numa camisa, levava uma bomba com detonador retardado. O aparelho levantou voo e, pouco depois das 10h, aterrissaria em Rastenburg. Haetten deu ordem ao piloto para que estivesse preparado para decolar, de regresso, a qualquer momento depots do meio-dia.
Uma viatura do Estado-Maior conduziu o grupo ao quartel-general de Wolfsschanze (Toca do Lobo), situado num rincão sombrio, (úmido e cheio de bosques, da Prússia Oriental.
Não se tornava fácil entrar nem sair dali, observou Stauffenberg. O quartel-general era composto de três recintos, protegidos cada um deles por campos de minas, redutos de concreto e arame farpado eletrificado; noite e dia faziam ronda patrulhas de fanáticos SS. Para entrar no seu interior, severamente guardado, onde vivia e trabalhava Hitler, até o general de maior graduação tinha que apresentar um salvo-conduto especial, válido para uma só visita e sofrer uma inspeção individual. Não obstante, franquearam facilmente os três controles.
Stauffenberg foi imediatamente ver o General Fellgiebel, chefe das transmissões no OKW, um dos eixos principais da conjura, para assegurar-se de que o general estava disposto a transmitir sem demora as notícias, do atentado aos conspiradores de Berlim, com o objetivo de entrarem imediatamente em ação. Nesse momento Fellgiebel isolaria o quartel-general do Führer, cortando todas as comunicações telefônicas, telegráficas e radiofônicas. Ninguém se encontrava mais capacitado para fazê-lo do que o chefe da rede de comunicações do OKW, e os conjurados estavam muito satisfeitos por tê-lo conquistado para sua causa. Era indispensável ao êxito da conspiração.
Depois, Stauffenberg dirigiu-se para o departamento do Keitel, pendurou o chapéu e o cinturão na antecâmara e entrou no gabinete do chefe do OKW. Soube, por ele, que seria necessário atuar ainda mais rapidamente do que o previsto. Passava já do meio-dia quando Keitel o informou de que Mussolini chegava no trem das 2h 30min da tarde, e que a reunião diária do F0hrer seria antecipada: teria lugar As 12h 30min em vez da l h, como habltualmente.
Stauffenberg fez a Keitel o resumo daquilo que se propunha dizer a Hitler; e, ao final da sua exposição, notou que o chefe do OKW olhava para o relógio com impaciência. Alguns minutos antes das 12h 30min, Keitel levantou-se dizendo terem que se dirigir imediatamente A conferência, para não chegarem atrasados. Saíram do gabinete; Stauffenberg, porém, com o pretexto do que se esquecera do chapéu e do cinturão na antecâmara, deu rapidamente meia volta, antes de Keitel ter tempo para mandar o ajudante buscá-los.
Na antecâmara, Stauffenberg abriu com rapidez a pasta, tirou uma pinça com os três dedos de que dispunha e arrancou a cápsula. Se não se verificasse uma nova falha no mecanismo, exatamente dez minutos depois a bomba explodiria.
Keitel, tão brutal com os subordinados como adulador com os superiores, irritou~se com este atraso e voltou-se, gritando a Stauffenberg que se apressasse.
No entanto, como Keitel temia, chegaram atrasados. A conferência já começara. No momento em que Keitel e Stauffenberg entravam no barracão, o segundo parou um instante no vestíbulo, para dizer ao sargento encarregado da central telefônica que esperava uma chamada urgente de Berlim, do seu gabinete, do qual tinham que lhe transmitir uma informacão absolutamente necessária para o seu relatório (isto disse ele para que Keitel ouvisse). Portanto, era preciso avisá-lo logo que telefonassem.
Os dois homens entraram na sala. Haviam já decorrido quatro minutos depois do instante em que Stauffenberg arrancara a cápsula. Restavam seis minutos. O local era relativamente pequeno, de uns 9 metros por 4,50 e tinha dez janelas, inteiramente abertas para renovação do ar. Todas aquelas janelas escancaradas iriam reduzir sem dúvida o efeito da explosão. No meio do compartimento havia uma mesa oval, de 5 metros por 1,50, de carvalho maciço. Esta mesa possuía a particularidade de não estar sustenta sobre pés, mas sim sobre dois socos grandes
e pesados, colocados nos extremos, quase largos como ela. Este pormenor influiria notavelmente no desenrolar dos acontecimentos.
Quando Stauffenberg penetrou no compartimento, Hitler estava sentado ao centro, do mais comprido da mesa, de costas para a porta. À sua direita, encontravam-se o General Heusinger, chefe de operações e chefe de
Estado-Maior adjunto do exército, o General Korten, chefe do Estado-Maior do Ar, e o Coronel Heinz Brandt, chefe do Estado-Maior de Heusinger. Keitel sentou-se à esquerda do Führer; ao seu lado, ficou o General Jodl. Havia, A volta da mesa, mais dezoito oficiais, dos três exércitos da SS.
Stauffenberg sentou-se entre Korten e Brandt, A direita do Führer. Pôs sua pasta no chão e empurrou-a por baixo da mesa, apoiando-a contra a parede "interna" do pesado suporte de madeira. Encontrava-se deste modo, a cerca de dois metros das pernas do Führer. Eram 12h 37min. Restavam ainda cinco minutos. Heusinger continuou a falar, referindo-se constantemente ao mapa aberto sobre a mesa.
Quando Stauffenberg saiu do compartimento, parece que ninguém se apercebeu do fato, talvez com exceção do Coronel Brandt. Este oficial, absorto no que dizia Heusinger, inclinou-se para a mesa com a intenção de ver melhor o mapa e sentiu que a volumosa pasta de Stauffenberg ]he dificultava os movimentos; tentou afastá-la com os pés e, por fim, apanhando-a pela alça, levantou-a e encostou-a ao lado "exterior" do pesado suporte da mesa, o qual se interpunha agora entre a bomba e Hitler. Este pormenor insignificante salvou provavelmente a vida do Führer, à custa da do próprio Brandt.
"Os russos, concluía Heusinger, dirigem-se com forças importantes para o norte, a partir do oeste do Duina. Se o nosso grupo de exércitos que opera em redor do Lago Peipus não se retira imediatamente, uma catástrofe..."
Não pôde acabar a frase: nesse momento exato, 12h 42min, a bomba explodiu.
Staufenberg estava a 200 metros dali, na companhia do General Fellgiebel, diante da mesa de trabalho deste, no Bunker 88; enquanto passavam lentamente os segundos, seu olhar girava rapidamente do seu relógio para o barracão onde se realizava a conferência. Viu-o ir pelos ares; chamas e fumaça se eleva ram rugindo - contou
depois - como se tivesse sido atingido em cheio por um projétil de 155. Sairam corpos projetados pelas janelas e voavam escombros pelos ares. Na imaginação excitada de Stauffenberg, todos os que se encontravarn na sala de conferências deviam estar mortos ou moribundos. Lançou um rápido adeus a Fellgiebel que devia telefonar para os conspiradores de Berlim, anunciando-Ihes que o atentado fora coroado de êxito e, depois, cortar todas as comunicações até que os conspiradores se apoderassern de Berlim, proclamando o novo governo.
Stauffenberg tinha agora por objetivo imediato sair do quartel-general com vida e o mais depressa possível. Nos postos de vigilância, as sentinelas haviam visto e ouvido a explosão e tinham fechado imediatamente todas as saídas. Na primeira barreira, situada a alguns metros do Bunker de Fellgiebel, fizeram parar o carro de Stauffenberg. Este apeou e pediu para falar com o oficial de serviço do corpo da guarda. Na sua presença, telefonou para alguém (ignora-se para quem), falou rapidamente, desligou o telefone e, voltando-se para o oficial, disse: "Tenente, estou autorizado a sair."
Era um blefe, mas deu resultado; e, segundo parece, depois de ter anotado cuidadosamente no livro de registro: '12h m4min." 0 Coronel Stauffenberg atravessou o controle e o tenente ordenou aos controles seguintes que o deixassem passar.
A toda a velocidade, o automóvel dirigiu-se para o aeródromo, cujo comandante ainda não havia recebido o alarme. 0 piloto tinha já posto o motor em marcha quando os dois homens chegaram ao campo de aviação. Um minuto depois, o avido decolava. Passava pouco da 1h da tarde. As três horas seguintes devem ter parecido a Stauffenberg as mais longas da sua vida. Naquele avião nada mais podia fazer do que ter a esperança de que Fellgiebel houvesse transmitido para Berlim o importantissimo aviso e que os seus camaradas de conspiração se
tivessem apoderado da cidade e enviado as mensagens, previamente redigidas, aos comandantes militares em funções na Alemanha e no Oeste.
O avião aterrissou em Rangsdorf As 3h 45 min; e Stauffenberg, cheio de confiança, precipitou-se para o telefone mais próximo, tentando entrar em contato com o General Olbricht e saber exatamente o que acontecera no decurso daquelas três horas, das quais tudo dependia. Com grande consternação, soube que nada se fizera. Imediatamente depois da explosão, haviam recebido uma chamada telefônica de Fellgiebel, mas estava-se ouvindo tão mal que os conspiradores não perceberam se Hitler morrera ou não. Em vista disso, nada fora feito.
Mas Hitler não morrera, ao contrário do que supunha Stauffenberg. Salvara-o, sem o suspeitar, o Coronel Brandt, ao deslocar a pasta de Stauffenberg para o outro lado do soco da mesa. Suas feridas não eram graves, embora se encontrasse fortemente traumatizado. Como uma testemunha diria mais tarde, estava quase irreconhecível quando saiu do edificio destroçado e em chamas, pelo braço de Keitel, com o rosto enegrecido, o cabelo fumegante e o casaco feito em pedaços. Keitel, milagrosamente salvo, ficou ileso. Mas, em sua maior parte, os que se encontravam sentados no extremo da mesa, perto do lugar onde a bomba explodiu, estavam gravemente feridos; só Brandt morrera.
Na confusão e no alvoroço reinantes, ninguém se lembrou, a princípio, de que Stauffenberg escapulira da sala de conferências pouco antes da explosão. Acreditou-se, nos primeiros momentos, que estava no barracão e devia figurar entre as vítimas mais gravemente feridas, transportadas rapidamente para o hospital. Hitler - que ainda não suspeitava dele - ordenou que se pedissem informações ao hospital.
Cerca de duas horas depois da explosão, comegaram a ser conhecidos indícios suspeitos. O sargento encarregado do telefone apresentou-se, para declarar que o "coronel zarolho" lhe dissera esperar por uma chamada de Berlim, saíra da sala de confer6ncias e, sem esperar por esta comunicação, abandonara o barracão a toda a pressa.
Alguns oficiais presentes à conferência lembraram-se de que Stauffenberg deixara a pasta sob a mesa. Nos postos de controle, as sentinelas revelaram que Stauffenberg e seu ajudante haviam saído do campo imediatamente depois da explosão.
Hitler começou a suspeitar. Uma chamada telefônica para o aeroporto de Rastenburg trouxe uma informação interessante: Stauffenberg tomara o avião precipitadamente pouco depois da 1h da tarde, indicando como destino o aeroporto de Rangsdorf. Até esse momento ninguém suspeitara no quartel-general que em Berliin estavam-se desenrolando graves acontecimentos. Todos pensavam que Stauffenberg agira sozinho. Não seria difícil prendê-lo, a não ser que, como alguns suspeitavam, tivesse aterrissado por trás da frente russa. Hitler, que mostrou muita serenidade durante todo o tempo, tinha outra preocupação imediata, a de receber Mussolini, cuja chegada estava prevista para as 4h da tarde, por ter-se atrasado o trem.