A arte do elogio

nunomplopes

Membro participativo
Ora como andamos aqui numa onda de tentar valorizar as coisas e só dizem que abro coisas tristes ([:p][:D]) vamos aqui saber e discutir aquilo que é pró-activo e positivo, que é o acto de elogiar.

Acho que nos falta esta caracteristica, sabermos reconhecer as coisas e demonstrar, que por isso, este acto pode ser de uma grandiosidade e simplicidade enorme.

Quem o sente, sente-se assim reconhecido pelo que faz e pelo bem que pratica, valoriza-se, cria metas e objectivos e o proporcionar de fazermos coisas para atingir esse mesmo recnhecimento.

É uma valorização da própria pessoa ou situação

E é tambem isto que devemos praticar, que ao contrário de uma critica negativa pouco podemos extrair, sendo assim que optemos pela critica positiva, ajudar nesse caminho e por fim no seu reconhecimento elogiar pelo que merecem.

Mas vê-se que esta palavra é um pouco esquecida, marginalizada e pouco praticada no nosso dia-a-dia.

Elogiar é uma arte mas também exige os seus ensaios, que é praticar para podermos demonstrar tudo o que fazemos, chegariamos assim e diria que é um ponto de extase, faz-nos sentir bem connosco próprios, semos mais humanistas, retibuir e saber fazê-lo a quem nos dirige.

E vocês o que tem a dizer, ou a elogiar?

Um agricultor coleccionava cavalos e só lhe faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha esse determinado cavalo e atazanou-o até conseguir comprá-lo.

Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:

- Bem, o seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este
medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e, caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

Alí perto, o porco escutava a conversa toda...

No dia seguinte deram o medicamento e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e disse:

- Força amigo! Levanta-te daí, senão serás sacrificado!!!

No segundo dia, deram-lhe o medicamento e foram-se embora. O porco aproximou-se do cavalo e disse:
- Vamos lá amigo, levanta-te senão vais morrer!
- Vamos lá, eu ajudo-te a levantar... Upa! Um, dois, três.
No terceiro dia deram-lhe o medicamento e o veterinário disse:
- Infelizmente, vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

- Quando se foram embora, o porco aproximou-se do cavalo e disse:
- É agora ou nunca, levanta-te depressa! Coragem! Upa! Upa!
Isso, devagar! Óptimo, vamos, um, dois, três, agora mais depressa, vá...
Fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Tu venceste, Campeão!!!

Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo a correr no campo e gritou:
- Milagre!!! O cavalo melhorou! Isto merece uma festa... para comemorar 'Vamos matar o porco!!!´
Reflexão:

Isto acontece com frequência no ambiente de trabalho e na vida também.
Dificilmente se percebe quem é o funcionário que tem o mérito
pelo sucesso, por isso saber viver sem ser reconhecido é uma arte.
Se algum dia, alguém lhe disser que o seu trabalho não é de um profissional, lembra-te: 'Amadores construíram a Arca de Noé e os profissionais, construíram o Titanic'

Sem ofensa para o meu caro amigo e estimado Porco ([:D]), fica aqui uma pequena história interessante, mas que tenhamos a frontalidade e sinceridade de elogiar as coisas.

[;)]
 
O problema do elogio, principalmente aqui no forum, é que se elogiarmos, podemos ser acusados de lambe-botas, ovelhas a seguir pastor, etc.
Se nos auto-elogiamos, somos arrogantes, narcisistas, etc.

Apesar de ser novo aqui, noto que existe uma tendencia de alguns para elogiar em demasia certos membros mais antigos do AHO.

Eu pessoalmente elogio o que tenho de elogiar, discordo do que tenho de discordar.
 
belo exemplo.


eu diria que sei elogiar sempre que algo me agrada, faço o possível para fazê-lo porque sei que todos gostam de reconhecimento. é óbvio que gosto quando mos fazem a mim, por isso tento sempre fazer o melhor.
 
O problema do elogio, principalmente aqui no forum, é que se elogiarmos, podemos ser acusados de lambe-botas, ovelhas a seguir pastor, etc.
Se nos auto-elogiamos, somos arrogantes, narcisistas, etc.

Apesar de ser novo aqui, noto que existe uma tendencia de alguns para elogiar em demasia certos membros mais antigos do AHO.

Eu pessoalmente elogio o que tenho de elogiar, discordo do que tenho de discordar.
Faço-o quando acho e devo-o fazer e não tenho nenhum problema ou preconceitos nisso, existe sempre uma razão e se são merecedores disso acho que que deveremos fazer.

Não me revejo nisso muito (na minha opinião do que citas, mas não o nego) mas acredito que se for em demasia poderá tornar as pessoas mais egocêntricas e perder o seu real valor e sua intenção, e outros não compreendem a mesma.[;)]
 
De uma forma geral a nossa cultura não veicula muito o elogio.

Começa na educação, em que mais facilmente ouvimos frases a criticar negativamente do que a incentivar. Daí que as crianças comecem a ser piores ainda pois convencem-se (convencem-nas) que não prestam. O resultado disso são adultos frustrados e com muita, muita falta de auto-estima.

Na faculdade, ao ler livros de pedagogia, comecei a sentir-me particularmente sensível a esta realidade. E comecei a elogiar muito (quem eu admiro e acho que merece). Mas, na nossa sociedade critica-se negativamente 1000 vezes mais do que se elogia e incentiva. E quem elogia é olhado com desconfiança pois parece que está a dar graxa ou então que tem alguma intenção obscura.
Não é raro eu ouvir após elogiar alguém (ainda que na brincadeira): "Vá qual é o favor que me queres pedir?". Mesmo sendo a brincar, isto espelha que o elogio é uma coisa rara.

Eu lido com adolescentes todos os dias. Têm ipods e telemóveis de última geração, têm roupas de marca. Mas, não raramente, nunca tiveram alguém que lhes dissesse que são bonitos e bons em muita coisa.
Na 1ª aula costumo pedir-lhes 3 qualidades e 3 defeitos. Todos conseguem arranjar 3 defeitos (até mais), todavia as qualidades são raríssimos os alunos que conseguem apontar 3.

Quantos de vocês já disseram à vossa namorada/mulher que ela é bonita, hoje? Quantos elogiaram o bom trabalho do colega? O bom desempenho dos filhos? A paciência do amigo?
 
De uma forma geral a nossa cultura não veicula muito o elogio.

Começa na educação, em que mais facilmente ouvimos frases a criticar negativamente do que a incentivar. Daí que as crianças comecem a ser piores ainda pois convencem-se (convencem-nas) que não prestam. O resultado disso são adultos frustrados e com muita, muita falta de auto-estima.

Na faculdade, ao ler livros de pedagogia, comecei a sentir-me particularmente sensível a esta realidade. E comecei a elogiar muito (quem eu admiro e acho que merece). Mas, na nossa sociedade critica-se negativamente 1000 vezes mais do que se elogia e incentiva. E quem elogia é olhado com desconfiança pois parece que está a dar graxa ou então que tem alguma intenção obscura.
Não é raro eu ouvir após elogiar alguém (ainda que na brincadeira): "Vá qual é o favor que me queres pedir?". Mesmo sendo a brincar, isto espelha que o elogio é uma coisa rara.

Eu lido com adolescentes todos os dias. Têm ipods e telemóveis de última geração, têm roupas de marca. Mas, não raramente, nunca tiveram alguém que lhes dissesse que são bonitos e bons em muita coisa.
Na 1ª aula costumo pedir-lhes 3 qualidades e 3 defeitos. Todos conseguem arranjar 3 defeitos (até mais), todavia as qualidades são raríssimos os alunos que conseguem apontar 3.

Quantos de vocês já disseram à vossa namorada/mulher que ela é bonita, hoje? Quantos elogiaram o bom trabalho do colega? O bom desempenho dos filhos? A paciência do amigo?
Parabéns pela excelente opinião.apr:)

Acho que deviamos dar um pouco de nós para elogiar as coisas, e por vezes até o fazemos, mas sem, ou com pouca consciência, e existe muito para elogiar.

O bom exemplo da critica já parce um pouco institucionalizado, e estamos sempre a bater e cismar, quando podiamos alterar a coisas pela positiva.

O próprio incentivo, incita a que consigamos fazer e ultrapassar as coisas e receber um elogio no fim é o reconhecimento, de que, de forma construtiva o fizemos, ou tentamos pelo melhor.

E concordarei contigo, que já o mencionas-tes começa na nossa educação, e na prática (revela-se) ao longo da vida.

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De uma forma geral a nossa cultura não veicula muito o elogio.

Começa na educação, em que mais facilmente ouvimos frases a criticar negativamente do que a incentivar. Daí que as crianças comecem a ser piores ainda pois convencem-se (convencem-nas) que não prestam. O resultado disso são adultos frustrados e com muita, muita falta de auto-estima.

Na faculdade, ao ler livros de pedagogia, comecei a sentir-me particularmente sensível a esta realidade. E comecei a elogiar muito (quem eu admiro e acho que merece). Mas, na nossa sociedade critica-se negativamente 1000 vezes mais do que se elogia e incentiva. E quem elogia é olhado com desconfiança pois parece que está a dar graxa ou então que tem alguma intenção obscura.
Não é raro eu ouvir após elogiar alguém (ainda que na brincadeira): "Vá qual é o favor que me queres pedir?". Mesmo sendo a brincar, isto espelha que o elogio é uma coisa rara.

Eu lido com adolescentes todos os dias. Têm ipods e telemóveis de última geração, têm roupas de marca. Mas, não raramente, nunca tiveram alguém que lhes dissesse que são bonitos e bons em muita coisa.
Na 1ª aula costumo pedir-lhes 3 qualidades e 3 defeitos. Todos conseguem arranjar 3 defeitos (até mais), todavia as qualidades são raríssimos os alunos que conseguem apontar 3.

Quantos de vocês já disseram à vossa namorada/mulher que ela é bonita, hoje? Quantos elogiaram o bom trabalho do colega? O bom desempenho dos filhos? A paciência do amigo?
apr:)Não poderia estar mais de acordo, Patricinha!

Nós recebemos uma herança de décadas onde imperava a falta de liberdade de expressão onde proliferou o medo e a denúncia. Depois do fim da ditadura, as pessoas tendo liberdade de criticar, usaram e abusaram dela esquecendo-se de que o elogio também era necessário. Temos, por isso, sempre uma particular preferência em criticar o que está mal do que enfatizar o que se faz bem.

Não raras vezes se faz isso para nos sentirmos bem connosco próprios. Podemos estar mal, mas sabendo que outrem está a ser criticado, ficamos reconfortados em vez de tristes pela infelicidade do próximo. É a propensão que existe em se deitar abaixo o outro como forma de assim o suplantarmos. É o tal “não consegues ser melhor do que o outro, então deita-o abaixo”. É o tão famigerado bota-abaixo dos tugas que propicia o negativismo reinante.

Talvez esteja enraizada na nossa sociedade a ideia de que um elogio esteja conotado com a falsidade e o oportunismo. Sabemos bem que o reforço positivo altiva o espírito e faz-nos acreditar nas nossas capacidades. No entanto, este continua a pecar pela raridade. Quiçá, não será esta nossa dificuldade em exaltar o próximo que seja a verdadeira culpada de baixar tanto a nossa auto-estima enquanto povo. O nosso miserabilismo, o nosso queixume, o nosso negativismo e a sobrevalorização que damos ao que é estrangeiro podem ser o reflexo dessa nossa postura. Parece que nos temos de contentar numa atitude passiva a este nosso triste fado.

Mas em abono da verdade se diga que, se no fórum se encontra uma crítica ao virar de cada esquina, no que toca à arte do elogio, esta existe aqui em abundância (muitas vezes até em PM ou na mensagem da reputação). Diga-se mesmo que aplaudimos com mais facilidade aqui do que fora do fórum.

Mas, aqui e em toda a parte, existe realmente uma dificuldade em se enaltecer. Se elogiamos muito, somos interesseiros. Se elogiamos pouco, somos orgulhosos. Se não elogiamos, somos invejosos. Se nos elogiam, ficaremos egocentristas. Se nos elogiam muito, vamos ficar arrogantes. Acaba-se preso por ter cão e preso por não ter. E é essa necessidade de atribuir rótulos a todos os gestos, por mais genuínos que sejam, que leva a que muitas vezes nos retraiamos preferindo ficar calados.

Sabendo que todos são válidos e têm capacidades e conhecimentos nesta ou naquela área que suplantam os nossos, todos nós deveríamos valorizar essas características no nosso próximo. Afinal, a arte de elogiar é tão-somente a de saber reconhecer as qualidades nos outros. Nela se vê a importância que damos ao nosso outro. É este gesto grandioso que custa tão pouco a dar, que enche os bolsos dos portugueses de orgulho por não o saberem praticar. Podemos ser um povo pobre em dinheiro, mas talvez a nossa maior pobreza seja mesmo a de espírito.
 
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