Não te zangues Nephilim,eles estão só a tentar "espicaçar-te" e pelos vistos conseguiram! [

]
e há mais...
Polícias venderam armas aos ladrões
Carlos Varela</B>
Havia uma suspeita mas agora há uma certeza. Os agentes da PSP detidos no ano passado pela própria PSP, por envolvimento em tráfico de armas, não só as vendiam a elementos criminosos como ainda lhes conseguiam licenças para uso e porte de arma. Curiosamente, várias das armas transaccionadas pelos agentes eram adaptadas ou tinham os números de série rasurados, subterfúgios usados para a prática de crimes, no sentido de reduzir vestígios, segundo fontes policiais adiantaram ao JN.
A conclusão relativa aos trâmites do negócio e à sua perigosa envolvência vem referida na acusação do caso, concluída pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, do Ministério Público, no mês passado.
O processo entrou agora na fase instrutória e só em sede de julgamento poderão ser dirimidas as dúvidas, mas, para já, dos 28 arguidos, a acusação com 256 páginas destaca cinco agentes e a 11 funcionários civis da PSP, a maioria a trabalhar no Departamento de Armas e Explosivos (DEPAEXP), o centro dos esquemas fraudulentos que, no ano passado, levaram à apreensão de cerca de mil armas de fogo.
E as principais responsabilidades recaem sobre o agente da PSP Henrique Martinho, apontado como sendo o responsável por uma espingardaria de que a esposa era sócia. É acusado de "conseguir obter licenças de uso e porte de armas de fogo a indivíduos que, em condições normais, não as obteriam".
Cobranças difíceis
Com efeito, a legislação não permite o uso e porte de arma a indivíduos com cadastro criminal ou cuja conduta possa ser violenta, mas a verdade é que, de acordo com a acusação, um indivíduo de nome F.G., "com cadastro criminal", veio a conseguir "uma arma militar"- que comprou a Henrique Martinho - e uma licença para uso e porte de arma de caça.
Também um indivíduo de nome J.M.R.C. veio a conseguir uma licença para arma de precisão e recreio , "embora da sua ficha policial constasse que entre os crimes pelos quais já fora detido se encontrava o de tráfico de estupefacientes". A licença foi atribuída em 2005 e acabou por ser renovada em Janeiro de 2006, poucos meses antes de ser desencadeada a operação da PSP.
No meio dos processos de legalização surgiam, no entanto, alguns engulhos, como no caso do cadastrado C.M.C.F., que tinha licença para uso e compra de armas de precisão desde 2001. Em 2005 o indivíduo requereu a renovação que foi indeferida. No ano seguinte repetiu o pedido, mas desta vez Henrique Martinho fez acompanhar o processo de uma nota pessoal "Ainda não apareceu esta licença isto é mesmo importante para mim agradeço que interceda". O destinatário era José Celestino Soares, um dos outros arguidos no processo e ao tempo chefe de Repartição do DPAEXP. No dia 3 de Janeiro de 2006 dava deferimento ao pedido do agente.
Noutro caso, um indivíduo requereu também licença para ter arma de defesa pessoal, dando como justificação o facto de ter como actividade a realização de cobranças difíceis. O facto não foi impedimento para que lhe fosse atribuída a respectiva licença, já que os problemas foram ultrapassados pelo mesmo sistema de favores.
Armas rasuradas à venda em espingardaria
A espingardaria em Lisboa a que surge ligado o agente da PSP Henrique Martinho não servia apenas para a venda de armas não manifestadas. A acusação dá conta da venda de armas rasuradas ou alteradas a partir do espaço comercial. Um dos clientes era um indivíduo de nome L.M.S. a quem a GNR redigira o parecer desaconselhando a possibilidade de poder ter uma licença de arma, pelo carácter perigoso e conflituoso, uma vez que a cedência de licença obriga a ouvir o parecer da força policial da zona de residência. Apesar de o parecer não ter carácter vinculativo, a verdade é que lhe foi passada a licença e Martinho vendeu-lhe seis pistolas, parte delas com o número de série rasurado. E durante as buscas da operação da PSP, no dia 23 de Março de 2006, foram-lhe apreendidas em casa oito armas, três delas com o número de série rasurado. Curioso, no entanto, o facto de não ter sido este único caso em que eram ignorados os pareceres das forças policiais para atribuição de licenças. Com efeito, em outros casos, os próprios pareceres da PSP tinham o mesmo destino, mesmo quando se tratava de indivíduos com cadastro associado ao tráfico de droga.
Processo era escondido da Direcção do DEPAEX
O esquema era montado entre os vários elementos de forma a que as ilegalidades não chegassem ao conhecimento do responsável do DEPAEXP da PSP. Assim, por exemplo, nos processos de licenciamento, os elementos não estavam completos e eram omitidas referências negativas.
Armas de caça afinal eram de guerra A importação de armas era feita com recurso a documentos que não estavam de acordo com o tipo de arma que chegava realmente a Portugal. Foi assim que chegaram ao nosso país armas de guerra que eram certificadas como de caça grossa e como tal eram vendidas.
Agente fazia de estafeta em carro da Polícia
O arguido Henrique Martinho passava parte do seu tempo na espingardaria de que era sócia a mulher e a familiar de um outro armeiro também constituído como o segundo arguido do processo. Um outro elemento da PSP funcionava como estafeta fazendo-se transportar num veículo oficial e fardado mas prestando com frequência nessas condições serviços que beneficiavam os arguidos.
Movimentos bancários com armas ilegais
Os lucros da actividade ilícita revertiam para os vários participantes, em particular os agentes da PSP e os funcionários civis. Foram também encontrados movimentos bancários que mostram a venda de armas de guerra a indivíduos não autorizados e referenciados por actividades ilegais.
http://jn.sapo.pt/2007/04/09/primeiro_plano/policias_venderam_armas_ladroes.html
[:vm)] [:vm)] [:vm)] [:vm)] [:vm)]