Admito, também alinho pela bitola dos que não gostam de SUVs. Também não gosto de jipes. Não gosto lá muito de monovolumes. Para dizer a verdade nem gosto de station wagons.
É óbvio que só gosto de berlinas e que isso gera um enviesamento de opinião tão grande que me permite excluir tudo o resto.
As razões são várias e começam pela racionalidade da proposta; os SUVs são geralmente grandes, com coeficientes aerodinâmicos menos favoráveis e - logo - mais gastadores ou, no mínimo, menos eficientes.
É claro que a força da técnica se sobrepõe à força da razão momentânea quando menos esperamos. Por isso, os SUVs modernos não têm nada a ver com os SUVs antigos (antigos como em "do ano passado"). Gastam menos, são derivados de berlinas convencionais, são mais trabalhados em termos de atritos, enfim, são melhores a cada dia.
Mas isso, de maneira nenhuma, me faz pensar em comprar um. Preferiria sempre um C1.
Muito menos um jipe. Não me consigo lembrar de nenhuma situação, no meu dia-a-dia, em que a demasia de tracção me poderia ser útil. Para além disso os jipes são regra geral pachorrentos e, quando o não são, são autênticos sorvedouros de combustível. E isso incluí o insuspeito X3, mesmo na desejável versão Sd.
É claro que um Panda faz o mesmo. Ou um Twingo. Devagarinho, mas igualmente igual.
As station-wagons também não se percebem [e agora é que comecei a arranjar amigos em barda]. Não se percebe para é que serve uma station-wagon se a assoberbante maioria das que vejo anda sempre só com um ocupante. Ou dois, quando o outro anda numa cadeira de reduzidas dimensão.
Nada que um capaz Fiesta não consiga fazer, com igual galhardia.
Pior só os monovolumes, não são raros os casos, no para-arranca de todas as manhãs, em que a Galaxy pariu um rato, ou melhor, um só ocupante - o condutor.
Mesmo que, durante o fim-de-semana, as coisas se invertam [e a família invada o amplo espaço, desdobrando banquinhos à sorrelfa, por detrás das poltronas à séria] quase que, conceptualmente, não compensa andar a arrastar o Cx pelas avenidas das cidades durante 313 dias, para passear 3 gerações durante 52.
Bem apertados, cabiam num Mini.
Resultado, não gosto lá muito de carros grandes, pesados, pouco aerodinâmicos, gastadores e poluidores.
Mas também não gosto de couves e, pelo Natal, lá terei de fazer o sacrifício.
Em resumo, respeito, mas não gosto. Como, mas não faço lá muito bem a digestão. Por isso, caro V7, se gostas de couves (leia-se SUVs) não vejo porque razão havias de comer o bacalhau com arroz-de-feijão.