Não percebi o que queres dizer, paulo [

]
"A Constituição da República de 1976, no seu art.º 9.º definiu as tarefas fundamentais do Estado; no art.º 7.º os princípios orientadores das relações internacionais; e nos artigos 273.º a 276.º fixou com transparência as funções, a natureza e a estrutura das FFAA decorrendo, inevitavelmente, de toda esta arquitectura constitucional as missões das Forças Armadas.
As missões decorrentes dos desígnios constitucionais deveriam ter constituído a sapata fundamental para a definição da nova doutrina militar. Não obstante ser claro o rumo, e por isso mesmo, desde cedo começaram as desvirtuações, por acção e omissão, aos fundamentos do regime democrático-constitucional. Como temos dito, a Constituição não é neutral, toma partido pelos trabalhadores, pelos mais excluídos e, antes das sucessivas revisões, perspectivava um modelo de desenvolvimento económico, social, político e cultural que contrariava de forma mais clara o poder do capital. E diz-se de forma mais clara porque, como é sabido, as mesmas forças e interesses que contestaram, ignoraram e desrespeitaram a Constituição de 1976, são as mesmas que, ao longo dos anos, a foram torpedeando, e hoje, apesar do seu notório e crescente domínio, tanto no plano económico como no plano político, prosseguem o objectivo de uma revisão constitucional que definitivamente a conforme com a realidade, passando assim a terem na Constituição a legitimação de toda a sua acção passada e presente contra os trabalhadores e o povo.
Com a aprovação da Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas em 1982, onde o objectivo central foi o regresso dos militares aos quartéis, como era referido pelas forças reaccionárias, foi empreendido o caminho que tem conduzido a um crescente divórcio entre as FFAA e a sociedade portuguesa, acompanhando o crescente fosso e desconfiança que se vai abrindo entre os trabalhadores e o povo e as instituições, em resultado de uma política contrária aos interesses das mais amplas camadas populares. O empobrecimento do regime democrático em resultado da ofensiva contra a democracia económica, política e social, tem vindo a ter tradução na política de defesa, seja no plano conceptual, das prioridades no reequipamento, da acção ideológica, na estrutura e organização das FFAA e, consequentemente, na forma como a sociedade com elas se identifica. Tal assumiu ainda um carácter mais expressivo, com a alteração da natureza das FFAA, ou seja, a sua passagem de umas FFAA de conscritos para uma outra de voluntários e profissionais, mas também com a alteração do método de escolha das chefias militares que passou a ser de estrita indigitação governamental e confirmação presidencial, arredando os ramos das FFAA de qualquer processo.
Portugal continua pois, e como o Partido tem referido, a não ter uma doutrina militar própria, nacional e patriótica, desde logo porque o Conceito Estratégico de Defesa Nacional e o Conceito Estratégico Militar são os que derivam dos Conceitos da NATO e da divisão de tarefas ali produzido. Aprofundam-se assim, paulatinamente, as relações de dependência no seio da NATO e no quadro da Política Externa de Segurança e Defesa da União Europeia; envolve-se Portugal crescentemente em missões externas no quadro dos objectivos do imperialismo; padronizam-se as FFAA, em todos os planos, à imagem e semelhança dos EUA e dos conceitos e directivas NATO; destrói-se o aparelho produtivo e os direitos sociais, ao invés de uma política que visasse eliminar as fragilidades nacionais e impulsionar as potencialidades; fragiliza-se a soberania e a independência nacionais, partindo da premissa que a defesa dos interesses da NATO e/ou da UE é a defesa dos interesses nacionais.
"
[

]