Esta mulher tem mais tomates que muitos homens por cá.

O nosso "governo" devia meter a mãozinha na consciência (ou algo parecido que, porventura, possam ter) e fazer um "mea culpa".
 
Também acho ridídulo que nos verguemos às opiniões do governo chinês. Vou já deixar de cumprimentar um amigo por outro não gostar dele... vou, vou.
 
O problema é que Portugal é pequenino e a Alemanha é grandalhona...

Por isso é temos sempre necessidade de dizer que somos os melhores do mundo...
 
Há inúmeros países "pequenos" que têm até mais coluna vertebral que muito "grandalhão".

Isto é algo mais fundo na própria cultura do país.
 
Informem-se bem sobre o Tibete, antes e depois da ocupação chinesa e depois larguem uns bitaites [;)]

Sobre o tópico, porventura as relações comerciais entre Alemanha/China não devem ser complexas e poderão existir por parte do governo alemão outras opções
 
O problema é que Portugal é pequenino e a Alemanha é grandalhona...

Por isso é temos sempre necessidade de dizer que somos os melhores do mundo...

Esta questão nada tem a ver com "tamanhos", mas sim com interesses politico-economicos por um lado, e uma enorme falta de coerencia e firmeza de valores socio-culturais por outro, e tipica dos Portugueses, e nem é de agora, é historico (!!!) [s)] [s)] [s)] [s)]
 
Informem-se bem sobre o Tibete, antes e depois da ocupação chinesa e depois larguem uns bitaites [;)]

Sobre o tópico, porventura as relações comerciais entre Alemanha/China não devem ser complexas e poderão existir por parte do governo alemão outras opções

Isso quer dizer o quê? Que o tibete está melhor agora?


Eu não sei, mas a contra informação tem disto:

Questão do Tibete
2004-08-17

É um fato reconhecido universalmente por todos os países no mundo que o Tibete é uma parte inalienável do território chinês.

Em 1959, o Governo Central da China realizou reforma democrática no Tibete à exigência de milhões de servos tibetanos e aboliu o sistema cruel de servidão.

As numerosas massas populares, antes escravos, se tornaram assim dono do país em vez de escravos e começaram daí a usufruir os amplos direitos humanos e liberdades fundamentais.

Contudo, uns muito poucos donos de servo do Tibete exilados no estrangeiro nunca podiam esquecer-se dos seus privilégios perdidos.

Sob o respaldo de algumas forças internacionais, eles inventaram uma chamada “ Questão dos Direitos Humanos no Tibete ” para enganar a mídia internacional com o objetivo de separar o Tibete da China e restaurar seu estatuto dos donos de servo como no passado.

Nesse contexto existe uma questão de Dalai Lama, que deixou de ser uma questão religiosa mas sim política.

O grupo de Dalai trata-se de um grupo político separatista com organização e orientação e o próprio Dalai não é, de maneira alguma, exclusivamente uma figura religiosa mas sim um politiqueiro engajado nas atividades separatistas da Pátria.

Foi chamado por Dr. Henry Kissinger, ex-Secretário do Estado dos Estados Unidos da América, como “monge político”.

Opomo-nos a que Dalai pratique quaisquer atividades separatistas em qualquer país ou região em qualquer qualidade e nem as personalidades oficiais de qualquer país ofereçam local para as atividades de Dalai sob qualquer título.

Links:
Centro de Informação de Internet da China www.chinaguide.org/spanish/

Embaixada da China Brasil
 
A história que poderemos confirmar em muitos manuais e compêndios e mesmo em variados sites da Internet diz isto:


A partir do século VII, torna-se o centro do Lamaísmo, religião budismo, que transforma o país num poderoso reinado.

Motivo de cobiça dos chineses desde o século XVII, quando é declarado território soberano da China, o Tibete luta durante séculos pela independência, obtida em 1912.
baseada no


A História Pré-Tibetana


Há registos arqueológicos encontrados no planalto Tibetano, datados de há 10.000 anos, representativos de um povo nómada, surgindo os primeiros indícios de fixação de habitantes, há cerca de 2.300 anos.

Historiadores Tibetanos referem que no planalto Tibetano existiam seis clãs primitivos (Se, Mu, Dong, Tong, Ba e Da), cuja origem lendária, de terem sido originadas pela união de uma ogra e de um macaco, vem descrita nos textos do Mani Kabum. Os quatro clãs predominantes eram Se, Mu, Dong e Tong e apesar destes clãs terem acabado por ser integrados no Império Tibetano, as familias aristocrátas Tibetanas e muitos dos mais famosos Mestres que surgiram no Tibete continuaram a identificar a sua origem com um ou outro destes clãs.

No limiar do que historicamente se pode estabelecer, existia um império conhecido por Shangshung e cujo primeiro rei foi Tiwor Sergyi Jhagruchen.

Mais especificamente Shangshung Go-Phug-Bar-sum, era um império que se estendia sobre todo o planalto Tibetano, compreendia Kham e Amdo que formavam o Go ou Portão, U e Tsang formavam o Bar ou Meio, e Stod-Ngari Korsum formavam o Phug ou Interior.

Quinhentos anos antes do Buda Shakyamuni vir a este mundo i.e., cerca de 1063 A.C., o imperador Shenrab Miwo, uma figura semi-legendária, reformou o primitivo animismo da raça Shen e fundou a religião Bön, caracterizada pela prática de rituais de divinação, magia e sacrifício para agradar a um vasto numero de deidades do submundo, do meio ambiente e celestiais. Era uma religião que se baseava na interpedendência do homem e da natureza e dieiteficava elementos da natureza, especialmente montanhas e céu.

Com o declínio do império Shangshung surgiu um reinado chamado Bod, termo pelo qual os Tibetanos se referem ao Tibete. Este reinado começou nos vales Yarlung e Chongyas e teve como primeiro rei Nyentri Tsenpo, que segundo a lenda era o rei Indiano Rupati que chegou ao Tibete em fuga da sua derrota na guerra contra os Pandavas, e é geralmente visto como a primeira personagem da história Tibetana. Assim se conta que fazia o ano 127 A.C. quando se iniciou a dinastia Yarlung ou também designada por Chogyal ("Reis do Dharma") a qual viria a ter 42 reis que governaram até o século VII. O inicio do calendário Tibetano oficial, data do ano da coroação do Rei Nyentri Tsenpo, 127 A.C.

Foi no século II, durante o reinado do Rei Lha Thothori Nyatsen, que surgiu o primeiro contacto com o Budismo, apesar disso o sistema religioso continuava a ser o Bön, gerido localmente por chamãs.

A dinastia real baseada numa lógica militar foi-se expandindo desde o vale Yarlung, anexando gradualmente tribos e territórios, os quais já partilhavam a mesma língua da família Tibeto-Birmanês e tendência religiosa.

Com os seus exércitos a marcharem sobre a Azia central, os reinados vizinhos ofereceram as suas princesas para estabelecer alianças matrimoniais.

Assim, Bod cresceu até que, no princípio século VII, sob o domínio do 33° Rei da dinastia Yarlung, Songtsen Gampo (617-650A.D.), venceu o último Rei de Shangshung, Ligmigya, e reunificou todo o planalto Tibetano num poderoso império de mais de dois milhões de quilómetros quadrados, no que também ficou conhecido pelo "Império Central".

O Rei Tibetano Songtsen Gampo, casou com nove princesas. A primeira foi uma princesa Tibetana, filha do Rei de Shangshung, entre as outras estavam, a filha Wen Ch´en Kung Chu do imperador da dinastia Chinesa Tang e a princesa Tritsun, filha do rei Nepalês Asuvarman. Foi por influência de ambas estas esposas, que eram budistas praticantes, que o budismo Mahayana se reforçou no Tibete, transformando o império feudal e militar num mais pacífico e espiritual.

Transmutação para um Império Espiritual


Com a intenção de transformar o seu império, Songtsen Gampo enviou uma equipa de estudiosos para a Índia para aprender Sânscrito e criar uma escrita Tibetana, e iniciou-se a tradução da vasta literatura Budista. Foram construídos vários templos imperiais, com destaque para o Jokhang e Ramoche em Lhasa, iniciando a consagração do império à religião.

Durante o reinado do 37° Rei Trisong Detsen (742-798 A.D.), o império Tibetano estava no seu auge e os seus exércitos marchavam sobre a China e outros países da Ásia Central. Em 763 A.D., os Tibetanos tomaram a capital Chinesa Ch'ang-an (a actual Xian). Como o imperador Chinês havia fugido, os Tibetanos designaram um novo. Esta memorável vitória foi preservada para a posterioridade no "Zhol Doring" (pilar de pedra) em Lhasa e reza em parte:

"O Rei Trisong Detsen, sendo um homem profundo, a amplitude da sua razão era extensa, e tudo o que fizesse pelo reino era bem sucedido. Conquistou e manteve sob o seu domínio vários distritos e fortalezas na China. O imperador Chinês, Hehu Ki Wang e os seus ministros estavam terrificados. Ofereceram um tributo anual e perpétuo de 50.000 rolos de seda e a China ficou obrigada a pagar este tributo."

Foi por volta desta altura que o Guru Padmasambhava fundou Samye, o primeiro mosteiro no Tibete. Segundo a história, Padmasambhava estabeleceu a supremacia do Budismo e converteu as deidades indígenas em guardiãs do Dharma. O Rei Trisong Detsen expulsou também o monge Chinês (Hoshang) e baniu permanentemente do Tibete a escola de Budismo Chinês Chan, para adoptar o sistema Indiano. Ele também declarou o Budismo como religião oficial do estado Tibetano.

O Inicio do Poder Temporal e Espiritual dos Dalai Lamas


Nascido no ano 1543, Sonam Gyatso, emergiu como um erudito com grande sabedoria espiritual e temporal. Ele tornou-se o mestre espiritual do regente da Phamo Drugpa, Drakpa Jungne. Ele era o abade do mosteiro Drepung e o Lama mais eminente desse período. Ele providenciou um extenso apoio às vítimas das cheias do Kyichu em 1562, fundou o mosteiro Lithang em 1580 e o Mosteiro Kumbum em 1582. Também efectou mediações bem sucedidas entre as várias facções em guerra no Tibete. Converteu Altan Khan ao Budismo e este último conferiu-lhe, em 1578, o título de Dalai Lama, significando "Oceano de Sabedoria". Como Sonam Gyatso era reconhecido como o terceiro da sua linhagem, ele tornou-se o terceiro Dalai Lama, sendo este título conferido pos-mortem às anteriores duas encarnações.

Desenvolveu-se uma estreita relação espiritual entre o Tibete e a Mongólia, a ordem dos Gelugpa ganhou força e gradualmente eclipsou a já diminuída autoridade dos Sakya.

Foi neste período que os portugueses descobriram o Tibete e revelaram a existência desta cultura ao mundo ocidental, uma vez que o Padre António de Andrade alcançou, em 1624, Tsaparang no Gugue, seguido, depois, por Estêvão Cacela e João Cabral no Utsang até Shigatsé.

Antecedentes da Invasão Chinesa

Neste período a Inglaterra tinha ligações estreitas e rentáveis com a China. Os Chineses convenceram os Ingleses que exerciam 'soberania' sobre o Tibete. O que levou, na Convenção Sino-Britânica em Che-fu a 13 de Setembro de 1876, à concessão do 'direito' dos Britânicos enviarem uma missão de exploração ao Tibete. A missão foi abandonada quando os Tibetanos recusaram a permissão com base no não reconhecimento da autoridade Chinesa. Mais dois acordos similares, a Convenção de Peking a 24 de Julho, 1886 e a Convenção de Calcutá a 17 de Março, 1890, foram também repudiados pelos Tibetanos.

O Governo Tibetano recusava envolver-se com os Britânicos, que negociavam atrás das suas costas com os Chineses. Isto coincidia com novos contactos entre a Rússia e o Tibete por volta de 1900-1.

Seguiu-se uma troca de cartas e presentes entre o Dalai Lama e o Czar Russo. Isto reforçou os receios Britânicos de do envolvimento da Rússia em assuntos Tibetanos. À medida que o poder da Rússia na Azia crescia, o governo Britânico sentia que os seus interesses estavam em causa. O Tibete foi invadido por uma força expedicionária comandada pelo Coronel Younghusband, que entrou em Lhasa a 3 de Agosto de 1904.

Foi assinado um tratado entre o Tibete e a Grã Bretanha a 7 de Setembro de 1904. Durante a invasão Britânica o Tibete continuou a conduzir os seus assuntos como uma nação independente. Peking não emitiu nem um protesto pela invasão Britânica do Tibete, o que fala por si acerca da independência do Tibete.

Quando os Britânicos envadiram o Tibete, o 13o Dalai Lama foi para a Mongólia. Os Manchu, que então governavam a China, fizeram uma última tentativa de interferir no Tibete através das campanhas militares do infame Chao Erhfeng. Quando o Dalai Lama estava no mosteiro Kumbum na província de Amdo, ele recebeu duas mensagens - uma de Lhasa, pedindo-lhe que regressasse a toda a velocidade pois receavam pela sua segurança e não conseguiam opor-se às tropas de Chao Erhfeng, e a outra de Peking, pedindo-lhe que visitasse a capital Chinesa. O Dalai Lama optou por ir a Peking com a esperança de persuadir o Imperador Chinês a parar a agressão militar ao Tibete e retirar as tropas.

Quando finalmente em 1909 o Dalai Lama regressou a Lhasa, verificou que, ao contrário das promessas que tinha recebido em Peking, as tropas de Chao Erhfeng lhe continuavam no encalce. Durante o festival anual de Monlam em 1910, cerca de 2000 soldados Chineses e Manchu, sob o comando do General Chung Ying, entraram em Lhasa cometeram muitas atrocidades, massacres, violações, pilhagens e destruição aleatória. Mais uma vez o Dalai Lama foi forçado a deixar Lhasa. Ele nomeou um Regente para governar na sua ausência e dirigiu-se para a cidade Dromo a sul, com a intenção de ir à Índia Britânica se necessário. Os acontecimentos em Lhasa e a perseguição dos tropas Chinesas forçaram-no a deixar novamente o país.

Na Índia o Dalai Lama e os seus ministros apelaram ao Governo Britânico para ajudarem o Tibete. Entretanto a força de ocupação Manchu tentou subverter o Governo Tibetano e dividir o Tibete em províncias Chinesas - exactamente o que, nem meio século mais tarde, os Comunistas Chineses haviam de fazer.

Foi assinado um tratado entre o Tibete e a Grã Bretanha a 7 de Setembro de 1904. Durante a invasão Britânica o Tibete continuou a conduzir os seus assuntos como uma nação independente. Peking não emitiu nem um protesto pela invasão Britânica do Tibete, o que fala por si acerca da independência do Tibete.

Quando os Britânicos envadiram o Tibete, o 13o Dalai Lama foi para a Mongólia. Os Manchu, que então governavam a China, fizeram uma última tentativa de interferir no Tibete através das campanhas militares do infame Chao Erhfeng. Quando o Dalai Lama estava no mosteiro Kumbum na província de Amdo, ele recebeu duas mensagens - uma de Lhasa, pedindo-lhe que regressasse a toda a velocidade pois receavam pela sua segurança e não conseguiam opor-se às tropas de Chao Erhfeng, e a outra de Peking, pedindo-lhe que visitasse a capital Chinesa. O Dalai Lama optou por ir a Peking com a esperança de persuadir o Imperador Chinês a parar a agressão militar ao Tibete e retirar as tropas.

Quando finalmente em 1909 o Dalai Lama regressou a Lhasa, verificou que, ao contrário das promessas que tinha recebido em Peking, as tropas de Chao Erhfeng lhe continuavam no encalce. Durante o festival anual de Monlam em 1910, cerca de 2000 soldados Chineses e Manchu, sob o comando do General Chung Ying, entraram em Lhasa cometeram muitas atrocidades, massacres, violações, pilhagens e destruição aleatória. Mais uma vez o Dalai Lama foi forçado a deixar Lhasa. Ele nomeou um Regente para governar na sua ausência e dirigiu-se para a cidade Dromo a sul, com a intenção de ir à Índia Britânica se necessário. Os acontecimentos em Lhasa e a perseguição dos tropas Chinesas forçaram-no a deixar novamente o país.

Na Índia o Dalai Lama e os seus ministros apelaram ao Governo Britânico para ajudarem o Tibete. Entretanto a força de ocupação Manchu tentou subverter o Governo Tibetano e dividir o Tibete em províncias Chinesas - exactamente o que, nem meio século mais tarde, os Comunistas Chineses haviam de fazer.

Mas, quando em 1911 chega a Lhasa a notícia da Revolução na China, as tropas Chinesas amotinaram-se contra os oficiais Manchu e atacaram a residência do Amban (representante Manchu). Rebentou uma luta entre generais rivais, Manchu e Chineses. Depois, numa tentativa desesperada de reconquistar o precário domínio em Lhasa, os Chineses atacaram os Tibetanos. No entanto, por essa altura, os Tibetanos já se tinham reorganizado com ordens vindas do Dalai Lama na Índia. As tropas Chinesas em Lhasa e noutros lugares do Tibete foram dominadas pelos Tibetanos em finalmente expulsas em 1912. Durante este período de luta e confusão o novo governante da China, o Presidente Yuan Shih-kai, tentou enviar reforços militares às suas tropas beligerantes enquanto simultaneamente tentava apaziguar os Tibetanos. Ele pede desculpa pelos excessos e diz ter reinstituído o Dalai Lama, o qual respondeu mencionando que não estava a pedir ao Governo Chinês qualquer estatuto já que pretendia continuar a exercer tanto o poder espiritual como temporal no Tibete e declarou a independência do Tibete.

No mês de Janeiro de 1913, em Urga, foi assinado um tratado bilateral entre o Tibete e a Mongólia. Nesse tratado ambos estes países declaravam-se livres e separados da China. O Décimo terceiro Dalai Lama, tendo regressado da Índia nesse mês de Janeiro de 1913, emitiu uma declaração formal da completa independência do Tibete, datada do oitavo dia do primeiro mês do ano do Boi de agua (Março 1913). O documento também clarificava:

"Agora a intenção Chinesa de colonizar o Tibete sob pretexto da relação Padre-Patrono, esvaneceu como um arco íris no céu."

O Décimo Terceiro Dalai Lama iniciou relações internacionais, introduziu os serviços modernos como correio e telegrafia e, apesar do período turbulento em que governou, introduziu medidas para modernizar o Tibete. A 17 de Dezembro de 1933, ele faleceu.

No ano seguinte chegou a Lhasa uma missão Chinesa para oferecer condolências, mas de facto o que tentaram fazer foi resolver a questão da fronteira Sino-Tibetana. Depois da delegação principal ter ido embora, outra delegação Chinesa permaneceu para continuar as discussões. Em pé de igualdade com os representantes Nepaleses e Indianos, foi permitido à delegação Chinesa permanecer em Lhasa até que em 1949 foram expulsos.

A Invasão do Tibete

Em Setembro de 1949 e sem qualquer provocação, a China comunista de Mao Tse Tung invadiu o Leste do Tibete capturando Chamdo, a sede do Governador do Leste do Tibete. Em 11 de Novembro de 1950, o Governo Tibetano protestou às Nações unidas contra a agressão Chinesa. Embora El Salvador tenha levantado a questão, a Comissão orientadora da Assembleia Geral decidiu-se pelo adiamento da mesma.

A 17 de Novembro de 1950, Sua Santidade o Décimo quarto Dalai Lama, face à grave crise que o país enfrentava e embora tendo apenas dezaseis anos de idade, assumiu pleno poder espiritual e temporal como chefe de estado. A 23 de Maio de 1951 uma delegação Tibetana, que se deslocou a Peking para manter conversações acerca da invasão, foi forçada a assinar o assim chamado "Acordo em 17-pontos para a libertação pacífica do Tibete", com a ameaça de mais acções militares no Tibete e por forgamento dos selos oficiais do Tibete.

Os Chineses usaram então este documento para concretizar os seus planos de tornar o Tibete numa colónia Chinesa desconsiderando a forte resistência do povo Tibetano. Para além disso, os Chineses violaram todos os artigos deste 'tratado' desigual imposto aos Tibetanos.

A 9 de Setembro de 1951 milhares de tropas marcharam para Lhasa. A ocupação forçada do Tibete foi marcada por destruição sistemática de mosteiros, supressão da religião, privação de liberdade política, apreenções e aprisionamento em larga escala com massacres de inocentes, homens, mulheres e crianças.

A 10 de Março de 1959 a escala abrangente da resistência Tibetana, culminou num Levantamento Nacional Tibetano contra os Chineses em Lhasa. A retaliação dos Chineses foi de uma inapelável violência e crueldade, milhares de homens mulheres e crianças foram massacrados nas ruas e muitos presos e deportados. Monjes e monjas foram o alvo principal. Mosteiros e Templos foram arrasados.

A 17 de Março, 1959 o Dalai Lama deixou Lhasa e escapou a perseguição Chinesa para procurar asilo político na Ìndia. Ele foi seguido por um exodo sem precedentes de Tibetanos. Nunca antes na história do Tibete, tantos tinham sido forçados a deixar o seu país em circunstâncias tão difíceis. Existem mais de cem mil refugiados Tibetanos por todo o mundo.

Consequências da Invasão Chinesa

Já passaram cerca de 50 anos desde que os Chineses invadiram o Tibete e a destruição da sua cultura única é algo que ainda hoje acontece, no entanto o mundo não veio em auxilio dos Tibetanos, só lhes prestou apoio retórico.

Em 1989 a Comissão Norueguesa para os prémios Nobel, atribuiu a Sua Santidade o Dalai Lama o Prémio Nobel da Paz pela Sua abordagem não violenta da questão Tibetana.

Uma citação de Sua Santidade o Dalai Lama: "Este é o nosso pior período da nossa história bimilenar. Isto realmente é o período mais sério. Nesta altura, agora, existe todo o perigo da totalidade da nação Tibetana, com a sua herança cultural única, desaparecer completamente. A situação presente é tão séria que se trata mesmo de uma situação de vida ou morte. Se ocorrer a morte, nada restará."
Tibete - Wikipédia

Songtsen - Casa da Cultura do Tibete

Lenda e arqueologia
Os primeiros Clãs e as Tribos Chiang
A dinastia Yarlung ou Chogyal
dummy.gif

As administrações do séc.XIII ao séc.XX
 
Mas para que tenhamos, as várias vertentes e versões da causa tibetana.

Se dois alfaiates anunciarem que têm um tecido de fio mágico que só alguns conseguem ver e que quem o consegue ver pode ajudar o povo tibetano, muita gente reconhecerá aí a história da “Roupa Nova do Imperador”.
Mas os mitos tecidos à volta do Dalai Lama são mais enganadores. Em consequência disso, nos países ocidentais muitos intelectuais, estudantes e artistas crêem que o Dalai Lama representa uma justa luta de libertação no Tibete. Vários filmes sobre a sua vida e vários espectáculos musicais têm apelado ao seu regresso ao poder.
Segundo a mitologia desse movimento, o Tibete tradicional era uma sociedade harmoniosa e a Revolução Chinesa de 1949 foi uma invasão que iniciou um longo pesadelo para o povo tibetano. Algumas pessoas até acreditam que apoiar o Dalai Lama é uma forma de se oporem ao governo norte-americano, por este ter ligações ao governo chinês.
A realidade é bem o contrário.
No antigo Tibete, o Dalai Lama era o líder de uma sociedade feudal opressora. Quando a Revolução Chinesa chegou ao Tibete em 1950, os sacerdotes (chamados lamas) e os aristocratas opuseram-se à libertação dos servos, que viviam em condições de escravatura. Durante os anos 50, o Dalai Lama (que se manteve no poder) e a sua família estabeleceram uma relação com a CIA, que financiava e abastecia de armas os levantamentos no Tibete e na vizinha região de Kham. Quando o Dalai Lama abandonou o país em 1959, foi acompanhado por dois agentes da CIA (o seu cozinheiro e um radiotelegrafista). No exílio, depois de 1959, a sua família conspirou com a CIA para sabotar as mudanças revolucionárias que estavam a transformar a região.
Será que o Dalai Lama é um “combatente da liberdade” ou um “humilde monge” (como o mesmo gosta de dizer)? De forma nenhuma! É um fiel servidor de uma ordem social opressora e uma mascote querida da CIA.
Em 1976, um golpe de estado derrubou os revolucionários maoistas da China e, para grande alegria do Ocidente, um novo governo pró-capitalista dirigido por Deng Xiaoping tomou o poder. Esses acontecimentos tiveram graves consequências para o povo tibetano.
Desde essa data, os imperialistas norte-americanos têm aplicado uma táctica “dúplice” face a esse reaccionário governo chinês e nela o Dalai Lama tem desempenhado um papel especial.
Por um lado, os imperialistas têm muitos laços, tanto económicos como geoestratégicos, com a China. A restauração capitalista abriu as portas a novos investimentos e formas de domínio e Washington tem feito todo o possível para aproveitar essas oportunidades.
Mas, por outro lado, também pressiona os dirigentes chineses para que sejam mais submissos às suas exigências. Com esse objectivo tem aproveitado a situação no Tibete e promovido o Dalai Lama.
Estas tácticas dúplices têm levado muitos progressistas a pensar que apoiar o Dalai Lama e a independência do Tibete (quer dizer, o Tibete contra a China) é uma posição justa e de oposição ao imperialismo. Na realidade, estão a deixar-se enganar.
O programa do Dalai Lama não tem nada a ver com a libertação do povo tibetano. Ele apela a um acordo entre o governo chinês e a antiga classe dominante tibetana (actualmente no exílio). Quer que lhe devolvam alguns privilégios e um certo grau de influência da hierarquia religiosa e, em troca, oferece-se para ajudar a apaziguar a população com a sua filosofia pacifista. Se bem que o governo chinês não tenha mostrado o menor interesse nessas propostas, o Dalai Lama continua a apresentá-las em digressões internacionais.
A verdadeira revolução no Tibete, bem como o papel do Dalai Lama, não são como a pintam. Na realidade, a única solução para o povo do Tibete é a luta contra os que restauraram o capitalismo na China, contra os imperialistas norte-americanos e contra todas as potências imperialistas que exploram a mão-de-obra e os recursos da região.
Nós, que vivemos nas entranhas da besta imperialista, temos a obrigação de não nos deixarmos enganar; de examinar a roupa do imperador.
A 1ª parte desta série mostra como a antiga sociedade tibetana era um lugar extremamente opressor: a vasta maioria das pessoas vivia escravizada, brutalizada e explorada por uma minúscula classe dominante de aristocratas e altos lamas (padres budistas).
As 2ª e 3ª partes descrevem como os maoistas organizaram as classes oprimidas do Tibete para se libertarem – apoderando-se da terra dos antigos exploradores, abolindo privilégios e superstições feudais com séculos de existência e desenvolvendo novas formas colectivas de propriedade e poder.
Na 4ª parte desta série mostramos que o golpe de estado reaccionário na China em 1976, após a morte de Mao, levou ao poder forças ANTI-maoistas. Esta restauração do capitalismo inverteu as políticas de Mao em todas as áreas. Em resultado disso, a divisão entre ricos e pobres reemergiu nos campos do Tibete, as políticas chauvinistas da maioria étnica chinesa (Han) ameaçaram a cultura e os direitos de minorias étnicas como a tibetana e o poder militar do estado voltou-se contra o próprio povo.
Na 5ª parte discutimos a natureza de classe das forças do Dalai Lama no exílio – descrevendo como a classe dominante tibetana exilada ajudou a criar um exército apoiado pela CIA ao estilo dos contras nicaraguenses e como eles organizaram uma sociedade opressora nos campos de exilados tibetanos na Índia.
Na 6ª parte continuamos essa análise da natureza de classe do Dalai Lama – focando especificamente as suas recentes propostas para o Tibete e mostrando como elas nada têm a ver com a libertação do povo tibetano.

Site:
http://www.paginavermelha.org/documentos/tibete/_tibete-intro.htm
 
Última edição:
Continuando


Quando os Dalai Lamas Governavam – O Inferno na Terra

Um Clima Cruel, Uma Sociedade Sem Piedade

O Tibete é um dos lugares mais remotos do mundo. Situa-se num planalto de alta montanha bem no coração da Ásia. Está separado da Ásia do Sul pelos Himalaias, as montanhas mais altas do mundo. Inúmeros desfiladeiros cavados pelos rios e pelo menos seis diferentes cordilheiras de montanhas dividem essa região em vales isolados. Antes de todas as mudanças que chegaram com a revolução chinesa de 1949, não havia no Tibete nenhuma estrada em que os veículos de rodas pudessem andar. Todas as viagens eram feitas através de sinuosos e perigosos caminhos de montanha – em mulas, a pé ou em iaques (animais de montanha que parecem vacas peludas). O comércio, as comunicações e um governo centralizado eram quase impossíveis de manter.
A maior parte do Tibete está acima da linha das árvores. O ar é muito rarefeito. Aí não crescem a maioria das culturas e das árvores. Era uma luta dura cultivar alimentos e mesmo encontrar lenha para fazer fogo.
Por altura da revolução, a população do Tibete vivia extremamente dispersa. Cerca de dois ou três milhões de tibetanos viviam numa área quase igual a metade dos Estados Unidos – 3,9 milhões de quilómetros quadrados [cerca de 40 vezes Portugal ou metade do Brasil – NT]. As aldeias, mosteiros e acampamentos nómadas estavam frequentemente separados por muitos dias de viagem árdua.
Os revolucionários maoistas viram que havia “Três Grandes Carências” no velho Tibete: carência de combustível, carência de comunicações e carência de pessoas. Os revolucionários concluíram que essas “Três Grandes Carências” não eram causadas pelas condições físicas, mas sobretudo pelo sistema social. Os maoistas disseram que as “Três Grandes Carências” eram causadas pelas “Três Abundâncias” da sociedade tibetana: “Abundância de pobreza, abundância de opressão e abundância de temor ao sobrenatural”.
A Sociedade de Classes no Velho Tibete

Antes das mudanças revolucionárias iniciadas em 1949, o Tibete era uma sociedade feudal. Havia duas classes principais: os servos e os aristocratas proprietários dos servos. O povo vivia como os servos na Europa da “Idade das Trevas”, ou como os escravos e os meeiros africanos no Sul dos EUA.
Os servos tibetanos raspavam as colheitas de cevada da terra dura com arados e foices de madeira. Criavam cabras, ovelhas e iaques para obterem leite, manteiga, queijo e carne. Os aristocratas e os lamas dos mosteiros eram proprietários das pessoas, da terra e da maioria dos animais. Forçavam os servos a entregar a maioria dos cereais e exigiam todo o tipo de trabalhos forçados (chamados ulag). Entre os servos, tanto os homens como as mulheres participavam no trabalho duro, incluindo o ulag. Os povos nómadas dispersos pelas áridas terras altas do Tibete ocidental também eram propriedade dos senhores feudais e dos lamas.
O irmão mais velho do Dalai Lama, Thubten Jigme Norbu, alegou que na ordem social lamaísta, “não havia nenhum sistema de classes e a mobilidade de classe para classe tornava impossível qualquer preconceito de classe”. Mas a própria existência dessa ordem religiosa baseava-se num sistema de classes rígido e brutal.
Os servos eram tratados como seres “inferiores” menosprezados – tal como eram tratados os negros no sistema Jim Crow do Sul dos EUA. Os servos não podiam sentar-se nos mesmos sítios, usar o mesmo vocabulário ou comer com os mesmos talheres que os seus donos. Tocar num dos pertences dos amos poderia mesmo ser punido com chicotadas. Os amos e os servos estavam tão distante uns dos outros que em muitas partes do Tibete falavam idiomas diferentes.
Era costume um servo pôr-se de joelhos e mãos no chão para que o seu amo pudesse usar as suas costas para montar um cavalo. O estudioso do Tibete A. Tom Grunfeld descreveu uma menina da classe dominante que habitualmente fazia com que os criados a levassem escada acima e escada abaixo por pura preguiça. Frequentemente, os amos atravessavam os riachos às costas dos seus servos.
No Tibete, a única coisa pior que um servo era um “escravo pessoal” que nem sequer tinha direito a cultivar nenhuma cultura para si próprio. Estes escravos eram frequentemente espancados, obrigados a passar fome e a trabalhar até à morte. Um amo podia transformar um servo em escravo quando quisesse. Na capital do Tibete, Lhasa, havia rotineiramente crianças a ser compradas e vendidas. Cerca de 5% dos tibetanos eram considerados escravos pessoais. E pelo menos outros 10% eram monges pobres que na realidade eram “escravos em túnicas”.
O sistema lamaísta tentava impedir qualquer fuga. Os escravos foragidos não podiam ir simplesmente estabelecer-se nas vastas terras vazias. Alguns ex-servos explicaram à escritora revolucionária Anna Louise Strong que, antes da libertação, “Não se podia viver no Tibete sem um amo. Seríamos apanhados como criminosos a não ser que tivéssemos um dono legal.”
Nascer Mulher – Prova de Pecados Passados?

O Dalai Lama escreveu: “No Tibete não havia nenhuma discriminação especial contra as mulheres”. O biógrafo autorizado do Dalai Lama, Robert Hicks, alega que as mulheres tibetanas estavam contentes com a sua situação e que “influenciavam os seus maridos”. Mas, no Tibete, nascer mulher era considerado um castigo por comportamento “ímpio” (pecador) numa vida anterior. No velho Tibete, a palavra para “mulher”, kiemen, significava “nascimento inferior”. Dizia-se às mulheres que rezassem: “Possa eu rejeitar um corpo feminino e renascer homem”.
A superstição lamaísta associava as mulheres ao mal e ao pecado. Dizia-se: “Em cada dez mulheres encontrarás nove diabos”. Tudo o que as mulheres tocassem era considerado contaminado – pelo que foram criados todo o tipo de tabus sobre as mulheres. As mulheres estavam proibidas de tocar em medicamentos. A escritora Han Suyin relatou: “Nenhuma mulher estava autorizada a tocar nos bens de um lama, nem podia construir uma parede, porque ‘a parede cairia’... Uma viúva era um ser desprezível, um diabo em vida. Nenhuma mulher estava autorizada a usar instrumentos de ferro ou a tocar no ferro. A religião proibia-as de erguerem os olhos acima dos joelhos de um homem, tal como os servos e os escravos não estavam autorizados a erguer os olhos até à face dos nobres ou dos grandes lamas.”
Os monges das principais seitas do Budismo Tibetano rejeitavam a intimidade sexual (ou mesmo o contacto) com mulheres, como parte dos seus planos de santidade. Antes da revolução, nenhuma mulher tinha alguma vez posto os pés na maior parte dos mosteiros ou nos palácios do Dalai Lama.
Há relatos de mulheres queimadas por darem à luz gémeos ou por praticarem a religião tradicional pré-budista (conhecida como Bon). Os gémeos eram considerados prova de que a mulher tinha acasalado com um mau espírito. Os rituais e a medicina popular da Bon eram considerados “bruxaria”. Como noutras sociedades feudais, as mulheres da classe alta eram vendidas em casamentos arranjados. A tradição permitia que um marido cortasse a ponta do nariz da mulher caso descobrisse que ela tinha dormido com outra pessoa. As práticas patriarcais incluíam a poliginia (em que um homem rico podia ter muitas mulheres) e, nas famílias nobres das terras mais pobres, a poliandria (em que uma mulher era forçada a ser esposa de vários irmãos).
Entre as classes mais baixas, a vida familiar era semelhante à da escravatura no Sul dos EUA. (Ver A Vida de Uma Escrava Tibetana.) Os servos não podiam casar nem sair de uma propriedade sem autorização do amo. Os amos transferiam à sua vontade os servos de uma propriedade para outra, separando para sempre as suas famílias. A violação das servas era comum – no sistema ulag, um senhor feudal podia exigir “esposas” temporárias.
Os Três Amos

O povo tibetano chamava aos seus governantes “Os Três Grandes Amos” porque a classe dominante dos proprietários de servos estava organizada em três instituições: os lamas dos mosteiros possuíam 37% das terras aráveis e de pastoreio do velho Tibete; a aristocracia laica 25%; e os restantes 38% estavam nas mãos dos agentes governamentais nomeados pelos conselheiros do Dalai Lama.
Cerca de 2% da população do Tibete pertencia a essa classe alta e mais 3% eram seus funcionários, encarregados, mordomos, gerentes das propriedades e oficiais dos exércitos privados. A ger-ba, uma minúscula elite de cerca de 200 famílias, governava no topo do sistema. Han Suyin escreveu: “Apenas 626 pessoas possuíam 93% de toda a terra e riqueza e 70% de todos os iaques do Tibete. Entre essas 626 pessoas estavam 333 dirigentes de mosteiros e responsáveis religiosos e 287 autoridades laicas (incluindo nobres do exército tibetano) e seis ministros do governo”.
Os comerciantes e os artesãos também pertenciam a um aristocrata. Um quarto da população da capital Lhasa sobrevivia a mendigar aos peregrinos religiosos. Não havia nenhuma indústria moderna nem uma classe operária. Até os fósforos e os pregos tinham que ser importados. Antes da revolução, ninguém no Tibete tinha alguma vez recebido salário pelo seu trabalho.
A essência desse sistema era a exploração. Os servos trabalhavam 16 a 18 horas por dia para enriquecerem os seus amos – recebendo apenas cerca de um terço da comida que produziam.
A. Tom Grunfeld escreveu: “Essas propriedades eram extremamente lucrativas. Um antigo aristocrata disse que uma ‘pequena’ propriedade consistiria tipicamente em alguns milhares de ovelhas, mil iaques, um número indeterminado de nómadas e duzentos servos agrícolas. A produção anual consistiria em mais de 36 toneladas de cereais, mais de 1800 kg de lã e quase 500 kg de manteiga... os funcionários governamentais tinham ‘poderes ilimitados de extorsão’ e podiam fazer uma fortuna com os seus poderes, extraindo subornos em troca de não encarcerarem nem castigarem as pessoas... Também podiam extorquir aos camponeses mais dinheiro que o dos impostos oficiais”.
Os proprietários dos servos eram parasitas. Um observador, Sir Charles Bell, descreveu um funcionário típico que passava uma hora por dia nas suas tarefas oficiais. Nas suas festas, a classe alta passava dias a comer, jogar e descansar. Os lamas aristocratas também nunca trabalharam. Passavam os dias a cantar, a memorizar dogmas religiosos e a não fazer nada.
Os Mosteiros: Praças-Fortes do Feudalismo

Os defensores do velho Tibete retratam o Budismo Lamaísta como a essência da cultura do povo tibetano. Mas na realidade não é mais que a ideologia de um sistema social opressor específico. A própria religião lamaísta é exactamente tão antiga quanto a sociedade feudal de classes. O primeiro rei tibetano, Songsten-gampo, estabeleceu um sistema feudal unificado no Tibete, por volta do ano 650. Casou-se com princesas da China e do Nepal para aprender com elas as práticas feudais de fora do Tibete. Essas princesas trouxeram o Budismo Tântrico para o Tibete, onde foi fundido com as antigas crenças animistas para criar uma nova religião, o Lamaísmo.
Essa nova religião teve que ser imposta pela violência ao povo pela classe dominante durante o século e meio seguinte. O rei Trosong Detsen decretou: “Quem apontar um dedo a um monge terá o dedo cortado; quem disser mal dos monges e da política budista do rei terá os lábios cortados; quem olhar desconfiadamente terá os olhos arrancados...” (Grunfeld, pág. 33).
Entre os séculos XIII e XVII, teve lugar uma sangrenta consolidação do poder e os abades dos grandes mosteiros tomaram o poder global. Como esses abades praticavam um celibato misógino (anti-mulher), o seu novo sistema político não se podia basear na sucessão hereditária de pai para filho. Por isso, os lamas criaram uma nova doutrina na sua religião: anunciaram que conseguiam identificar crianças recém-nascidas que seriam reencarnações dos altos lamas mortos. Centenas de altos lamas foram declarados “Budas Vivos” (Bodhisattvas) que supostamente governavam há séculos, mudando ocasionalmente para novos corpos quando se gastavam os velhos corpos anfitriões.
Disseram que o símbolo central desse sistema, os vários homens chamados Dalai Lamas, eram o antigo deus tibetano da natureza, Chenrezig, que pura e simplesmente tinha reaparecido em 14 corpos diferentes ao longo dos séculos. Na realidade, apenas três dos 14 Dalai Lamas governaram de facto. Não houve nenhum Dalai Lama adulto no trono do Tibete entre 1751 e 1950 durante 77% do tempo. Os abades mais poderosos governaram como conselheiros “regentes” que ensinavam, manipulavam e chegavam a assassinar as crianças-rei Dalai Lamas.
Os mosteiros tibetanos não eram nenhuns Shangrilas santos e de compaixão, como nas actuais fantasias New Age. Esses mosteiros eram escuras fortalezas de exploração feudal – aldeias armadas de monges, que incluíam depósitos militares e exércitos privados. Os peregrinos iam para alguns santuários para rezarem por uma vida melhor. Mas a principal actividade dos mosteiros era roubar os camponeses vizinhos. O enorme e ocioso clero religioso cultivava pouca comida – alimentá-los era um grande fardo para o povo.
Os maiores mosteiros alojavam milhares de monges. Cada mosteiro “pai” criava dezenas (ou mesmo centenas) de pequenas praças-fortes dispersas pelos vales das montanhas. Por exemplo, o enorme mosteiro de Drepung alojava 7000 monges e era proprietário de 40 000 pessoas em 185 diferentes propriedades com 300 pastos.
Os mosteiros também criaram inúmeros impostos religiosos para roubarem o povo – incluindo impostos sobre cortes de cabelo, janelas, soleiras de portas, sobre crianças ou bezerros recém-nascidas, sobre bebés nascidos com pálpebras duplas... e por aí adiante. Um quarto dos rendimentos de Drepung vinha dos juros do dinheiro emprestado aos servos camponeses. Os mosteiros também exigiam aos servos que entregassem um grande número de rapazes para servirem como crianças-monges.
As relações de classe do Tibete foram reproduzidas dentro dos mosteiros: a maior parte dos monges eram escravos e criados dos abades superiores e viviam vidas meio-esfomeadas de trabalho servil, cânticos de orações e espancamentos rotineiros. Os monges superiores podiam obrigar os monges pobres a fazerem os seus exames religiosos ou a prestarem serviços sexuais. (Na seita tibetana mais poderosa, o sexo homossexual era considerado um sinal de sagrada distância em relação às mulheres.) As freiras constituíam uma pequena percentagem do clero.
Depois da libertação, Anna Louise Strong perguntou a um jovem monge, Lobsang Telé, se a vida do mosteiro seguia os ensinamentos budistas sobre a compaixão. O jovem lama respondeu que nas salas das escrituras ouvia muita conversa sobre generosidade para com todas as criaturas vivas, mas que a ele o tinham chicoteado pelo menos mil vezes. “Se algum lama da classe alta se abstém de nos chicotear”, disse ele a Strong, “isso já é muito bom. Eu nunca vi um lama superior a dar comida a nenhum lama pobre que tivesse fome. Eles tratavam os leigos crentes da mesma forma ou ainda pior”.
Nos dias de hoje, o Dalai Lama é “apresentado” internacionalmente como um homem santo não-materialista. Na realidade, o Dalai Lama era o maior proprietário de servos do Tibete. Legalmente, possuía todo o país e todos os seus habitantes. Na prática, a sua família controlava directamente 27 solares, 36 pastos, 6170 servos de campo e 102 escravos domésticos.
Quando se movia de palácio em palácio, o Dalai Lama seguia num trono transportado por dezenas de escravos. As suas tropas marchavam ao som de “It's a Long Way To Tipperary”, uma canção que aprenderam com os seus instrutores imperialistas britânicos. Ao mesmo tempo, os guarda-costas do Dalai Lama, todos com mais de dois metros de altura, ombros almofadados, caras pintadas e longos chicotes, espancavam as pessoas para as afastar do caminho. Este ritual é descrito na autobiografia do Dalai Lama.
Da primeira vez que fugiu para a Índia em 1950, os conselheiros do Dalai Lama enviaram à frente várias centenas de mulas carregadas de barras de ouro e prata para assegurarem o seu conforto no exílio. Depois da segunda vez que fugiu, em 1959, a revista Peking Review noticiou que a sua família tinha deixado para trás grandes quantidades de ouro e prata, mais de 20 331 jóias e 14 676 peças de roupa.

Site :

http://www.paginavermelha.org/documentos/tibete/_tibete-intro.htm
 
Concluindo

Uma Pobreza Amarga, Uma Morte Precoce

As pessoas viviam constantemente com frio e fome. Os servos recolhiam interminavelmente a escassa madeira existente para os seus amos. Mas as suas próprias cabanas só eram aquecidas por pequenos fogões de cozinha a excrementos de iaque. Antes da revolução não havia electricidade no Tibete. A escuridão só era iluminada por trémulas lamparinas de manteiga de iaque.
Os servos ficavam frequentemente doentes de desnutrição. A comida tradicional das massas é uma polpa feita de chá, manteiga de iaque e uma farinha de cevada chamada tsampa. Os servos raramente comiam carne. Um estudo feito em 1940 no Tibete oriental dizia que 38% das casas nunca tinham qualquer chá – e apenas bebiam ervas selvagens ou “chá branco” (água fervida). Setenta e cinco por cento das casas eram por vezes forçadas a comer relva. Metade das pessoas não tinha possibilidade de obter manteiga – a principal fonte de proteínas disponível.
Entretanto, um importante santuário, o Jokka Kang, queimava diariamente quatro toneladas de ofertas de manteiga de iaque. Calcula-se que um terço de toda a manteiga produzida no Tibete se transformava em fumo em quase 3000 templos, sem contar com os pequenos altares em cada casa.
No velho Tibete, não se sabia nada sobre higiene básica, saúde pública ou o facto de os germes causarem doenças. As pessoas comuns não tinham sanitas, esgotos ou casas de banho. Os lamas ensinavam que a doença e a morte eram causadas pela “impiedade” pecadora. Diziam que os cânticos, a obediência, dar dinheiro aos monges e engolir rolos de papel de oração eram as únicas verdadeiras protecções contra as doenças.
As antigas superstições do Tibete, as práticas feudais e o baixo nível das forças produtivas faziam com que as pessoas sofressem terrivelmente com doenças. A maioria das crianças morria antes do seu primeiro aniversário. Mesmo a maioria dos Dalai Lamas não chegou aos 18 anos de idade e morreu antes das suas coroações. Um terço da população tinha varíola. Em 1925, uma epidemia de varíola matou 7000 pessoas em Lhasa. Não se sabe quantas morreram no campo. A lepra, a tuberculose, a papeira, o tétano, a cegueira e as úlceras eram muito comuns. Os hábitos sexuais feudais propagavam as doenças venéreas, incluindo nos mosteiros. Antes da revolução, cerca de 90% da população estava infectada – causando uma generalizada esterilidade e morte. Depois, sob a liderança de Mao Tsétung, a revolução conseguiu reduzir enormemente essas enfermidades – mas isso implicou uma intensa luta de classes contra os lamas e as suas superstições religiosas. Os monges denunciaram os antibióticos e as campanhas de saúde pública, dizendo que era pecado matar os piolhos ou mesmo os germes! Os monges denunciaram o Exército Popular de Libertação por eliminarem as grandes matilhas de cães selvagens infestados de raiva que aterrorizavam as pessoas em todo o Tibete. (Ainda hoje, uma das “acusações” contra a revolução maoista é que “matou cães”!)
A Violência dos Lamas

No velho Tibete, as classes altas pregavam uma não-violência budista mística. Mas, como todas as classes dominantes da história, praticavam uma violência reaccionária para manterem o seu domínio.
O sistema lamaísta de governo foi forjado em lutas sangrentas. Sabe-se que os primeiros lamas assassinaram o último rei tibetano, Lang Darma, no século X. Depois, durante séculos, travaram guerras civis que incluíram massacres mútuos de mosteiros inteiros. No século XX, o 13º Dalai Lama trouxe instrutores imperialista britânicos para modernizarem o seu exército nacional. Ele ofereceu mesmo algumas das suas tropas para ajudarem os britânicos na I Guerra Mundial.
Estes factos históricos só provam que as doutrinas lamaístas de “compaixão” e “não-violência” são uma hipocrisia.
A antiga classe dominante nega que havia luta de classes no velho Tibete. Um relato típico de Gyaltsen Gyaltag, um representante do Dalai Lama na Europa, diz: “Antes de 1950, os tibetanos nunca passaram fome e as injustiças sociais nunca resultaram numa insurreição popular”. É verdade que há poucos registos escritos da luta de classes. A razão disso é que o Lamaísmo impediu que fossem escritas quaisquer histórias verdadeiras. Apenas foram registadas as disputas sobre dogmas religiosos.
Mas as montanhas do Tibete estavam cheias de bandidos foragidos e cada propriedade tinha os seus próprios soldados armados. Isto só prova que uma luta constante – por vezes aberta, por vezes escondida – definia a sociedade tibetana e as suas relações de poder.
Os historiadores revolucionários documentaram insurreições dos servos tibetanos em 1908, 1918, 1931 e nos anos 40. Numa famosa insurreição em 1918, 150 famílias de servos do município de Thridug, no norte do Tibete, ergueram-se lideradas por uma mulher, Hor Lhamo. Mataram o dirigente do município, sob as palavras de ordem: “Abaixo os funcionários! Abolição de todo o trabalho forçado ulag!”
A violência diária no velho Tibete era dirigida contra as massas populares. Cada amo castigava os “seus” servos e organizava bandos armados para imporem o seu domínio. Esquadrões de monges brutalizavam as massas. Eram chamados “Barras de Ferro” por causa das grandes barras metálicas que usavam para bater nas pessoas.
Era crime “sair do seu lugar” – como pescar ou caçar ovelhas selvagens que os lamaístas consideravam “sagradas”. Era mesmo crime que um servo recorresse das decisões do seu amo junto de outra autoridade. Quando os servos fugiam, os bandos dos seus amos perseguiam-nos. Cada propriedade tinha o seu próprio calabouço e câmara de tortura. Introduziam pimenta sob as pálpebras e espigas debaixo das unhas. Ligavam as pernas dos servos com pequenas grilhetas e libertavam-nos para que vagueassem mancos para o resto das suas vidas.
Grunfeld escreveu: “As crenças budistas excluem tirar a vida, pelo que chicotear uma pessoa até à beira da morte e libertá-la para morrer noutro lugar permitia então aos responsáveis tibetanos que justificassem a morte como ‘um acto de Deus’. Outras formas brutais de castigo incluíam cortar as mãos pelos pulsos, arrancar olhos com ferros incandescentes, pendurar pelos polegares ou estropiar o ofensor, cosê-lo numa bolsa e atirar a bolsa ao rio”.
Como sinais do poder dos lamas, as cerimónias tradicionais usavam partes dos corpos de pessoas que tinham morrido: flautas feitas de ossos de coxas humanas, tigelas feitas de crânios, tambores feitos de pele humana. Depois da revolução, foi encontrado no palácio do Dalai Lama um rosário feito de 108 crânios diferentes. Depois da libertação, os servos relataram extensivamente que os lamas faziam sacrifícios humanos rituais – incluindo enterrar filhos de servos vivos nas cerimónias da primeira pedra dos mosteiros. Os antigos servos testemunharam que pelo menos 21 pessoas foram sacrificadas pelos monges em 1948 na esperança de impedirem a vitória da revolução maoista.
Usar o Karma para Justificar a Opressão

Uma crença central do lamaísmo é a reencarnação e o karma. Dizem que cada ser vivo é habitado por uma alma imortal que nasceu e renasceu muitas vezes. Após cada morte, supostamente a alma obtém um novo corpo.
Segundo o dogma do karma, cada alma recebe a vida que merece: um comportamento piedoso conduz a um bom karma – e com isso vem uma subida de estatuto social na vida seguinte. Um comportamento ímpio (pecador) conduz a um mau karma e a próxima vida poderá ser como insecto (ou como mulher).
Na realidade, isso da reencarnação não existe. As pessoas mortas não regressam em novos corpos. Mas, no Tibete, a crença na reencarnação teve terríveis consequências reais. As pessoas intrigadas pelo misticismo tibetano precisam de perceber a função social que essas crenças lamaístas serviam dentro do Tibete: o Budismo Lamaísta foi criado, implementado e perpetuado para impor uma extrema opressão feudal sobre o povo.
Os lamaístas contam hoje a história de um antigo rei tibetano que queria fechar o fosso entre ricos e pobres. O rei perguntou a um académico religioso por que é que os seus esforços tinham fracassado. “Diz-se que o sábio lhe explicou que o fosso entre ricos e pobres não podia ser fechado à força, porque as actuais condições de vida são sempre consequência de actos de vidas anteriores e por isso o curso da vida não podia ser mudado arbitrariamente”.
Grunfield escreveu: “De um ponto de vista puramente laico, esta doutrina deve ser sempre vista como uma das formas mais engenhosas e perniciosas de controlo social jamais inventado. Para o tibetano comum, a aceitação dessa doutrina excluía a possibilidade de alguma vez mudar o seu destino nesta vida. A doutrina do karma ensina que se alguém nasce escravo, isso não é culpa do esclavagista mas antes do próprio escravo por ter cometido alguma falta numa vida anterior. Por seu lado, o esclavagista apenas está a ser recompensado pelas suas boas acções numa vida anterior. Para o escravo, tentar romper as cadeias que o prendem equivale a uma autocondenação a renascer numa vida pior que a que já padece. Certamente este não é o material de que são feitas as revoluções...”
Os abades-lamas feudalistas do Tibete ensinavam que o seu lama supremo era um único ser divino deus e rei – cujo domínio e sistema impiedoso era uma exigência dos mecanismos naturais do universo. Esses mitos e superstições ensinavam que não podia haver nenhuma mudança social, que o sofrimento tem uma justificação e que para deixarem de sofrer as pessoas tinham que tolerar pacientemente o sofrimento. Isto é quase exactamente o mesmo que a igreja católica medieval da Europa dizia às pessoas em defesa de um sistema feudal semelhante.
Também como na Europa medieval, os feudalistas do Tibete tentaram reprimir tudo o que pudesse minar o seu sistema “fechado”. Todos os observadores concordam em que, antes da revolução maoista, não havia jornais, revistas, livros impressos ou literatura não-religiosa de qualquer tipo no Tibete. O único jornal em língua tibetana era publicado em Kalimpong por um cristão tibetano convertido. As fontes de notícias do mundo exterior eram os viajantes e duas dezenas de rádios de onda curta que apenas pertenciam a membros da classe dominante.
As massas criaram um folclore, mas o idioma escrito estava reservado aos dogmas e disputas religiosas. As massas populares e provavelmente a maioria dos monges eram mantidos completamente analfabetos. A educação, as notícias do exterior e a experimentação eram consideradas suspeitas e maléficas.
Os defensores do lamaísmo agem como se essa religião fosse a essência da cultura (e mesmo da existência) do povo tibetano. Isso não é verdade. Como todas as coisas na sociedade e na natureza, o Budismo Lamaísta teve um início e terá um fim. Houve culturas e ideologias no Tibete antes do lamaísmo. Depois surgiram esta cultura e religião feudais conjugadas com a exploração feudal. Era inevitável que a cultura lamaísta se estilhaçasse com o fim dessas relações feudais.
De facto, quando em 1950 surgiu a revolução maoista, esse sistema já estava a apodrecer por dentro. Mesmo o Dalai Lama admite que a população do Tibete estava em declínio. Estima-se que havia cerca de 10 milhões de tibetanos há 1000 anos atrás, quando o Budismo foi inicialmente introduzido – por altura da revolução maoista restavam apenas dois ou três milhões. Os maoistas estimaram que o declínio se tinha acelerado: a população tinha-se reduzido a metade durante os 150 anos anteriores.
O sistema lamaísta sobrecarregava as pessoas com uma enorme exploração. Impunha o fardo especial do apoio a um clero enorme, parasita e que não se reproduzia, de cerca de 200 000 pessoas – que absorvia 20% ou mais dos homens da região. O sistema reprimia o desenvolvimento das forças produtivas: impedia o uso de arados de ferro, a exploração de minas de carvão ou de combustíveis, a pesca e a caça e as inovações médicas e sanitárias de qualquer tipo. A fome, a esterilidade causada pelas doenças venéreas e a poliandria mantinham as taxas de natalidade baixas.
O invólucro místico do lamaísmo não consegue esconder que a velha sociedade tibetana era uma ditadura dos proprietários sobre os servos. Não há nada que possa ser romantizado nessa sociedade. Os servos e os escravos precisavam de uma revolução!
Na Parte 2: A Revolução Maoista Chega ao Tibete

Nas décadas de 30 e 40 surgiu uma guerra popular revolucionária entre os camponeses da China central. Sob a direcção do Partido Comunista e do seu Presidente Mao Tsétung, em 1949 a revolução tomou o poder de estado nas zonas densamente povoadas do leste da China. Por essa altura, as manobras norte-americanas já começavam a surgir na fronteira da China com a Coreia e os imperialistas franceses estavam a iniciar a sua invasão colonialista do Vietname, na fronteira meridional da China. Os revolucionários maoistas desejavam claramente libertar os oprimidos de toda a China e afugentar os agressores estrangeiros das regiões fronteiriças da China.
Mas o Tibete colocava um problema particular: até 1950, essa enorme região tinha estado quase completamente isolada do vendaval revolucionário que sacudiu o resto da China. Não havia quase nenhum comunista tibetano. Não havia nenhum movimento comunista clandestino entre os servos do Tibete. De facto, os servos do Tibete não tinham ideia nenhuma que estava a ocorrer uma revolução noutras zonas do seu país, ou mesmo que uma coisa como uma “revolução” fosse possível.
A influência do sistema lamaísta e da sua religião era extremamente forte no Tibete. Não podia ser quebrada pura e simplesmente com as tropas revolucionárias da maioria étnica Han a chegarem e a “declararem” que o feudalismo estava abolido! Mao Tsétung rejeitava a abordagem “comandista” de “fazer as coisas em nome das massas”. A revolução maoista confia nas massas.
Na Parte 2 desta série, discutiremos como a revolução maoista ganhou raízes no Tibete e como resultou em grandes tempestades de massas que varreram a opressão lamaísta.
(Publicado originalmente no jornal Revolutionary Worker / Obrero Revolucionario n.º 944, 15 de Fevereiro de 1998)
Ver mais nestes Links
A Verdadeira História da Revolução Maoista no Tibete

por Mike Ely

Parte 1: Quando os Dalai Lamas Governavam – O Inferno na Terra

Parte 2: O Assalto aos Céus

Parte 3: Os Guardas Vermelhos e as Comunas Populares

Parte 4: Regressa a Opressão – Após o Golpe de Estado na China

Parte 5: A Vida sob o Dalai Lama no Exílio

Parte 6: Os Sonhos Terrenos do Dalai Lama

Outros artigos sobre o Tibete:

O Dalai CIA Lama

O Dalai Lama e a CIA

A Vida de uma Escrava Tibetana

Recrutando Jovens Rebeldes para a Revolução

Pilhagem Revisionista

As Falsas Acusações de “Genocídio no Tempo de Mao”

[/quote]



Site:

http://www.paginavermelha.org/documentos/tibete/_tibete-intro.htm
 
Voltar
Superior