O Veyron foi, é e será sempre uma temática polémica.
O problema do Veyron é apresentar os números que apresenta e ter aquela arquitectura.
Fala-se em motores em posição central e pensa-se logo em superdesportivo à la McLaren F1, F40 ou Carrera GT.
Têm de olhar para o Veyron e imaginá-lo como um Bentley Continental GT levado a um extremo. Se continuarem a olhar para o Veyron como superdesportivo, então o Smart 4/2 é um baby-911 (um tudo atrás)[

].
O Veyron está num nicho de mercado sozinho... o dos hyper-GT's.
A minha maior critica relativamente ao Veyron, como também ao SLR e até em menor escala a carros como o Brera, é a forma como nascem e são desenvolvidos.
O Veyron nasce como concept estético, mostrando uma orientação estilistica para a ressuscitada marca, quebrando uma série de concepts desenhados por Giugiaro. O concept vinha equipado com um 18cil e 550cv.
O Piech teve o "vaipe" e continuando a sua onda megalómana, decide que aquela "forma" iria ter 1000cv e dar os 400km/h
É muito mau e principalmente vindo de um engenheiro reputado (audi quattro e porsche 917 tiveram o dedo dele) como ele, seguindo uma metodologia projectual começar pelos "resultados", ou por um concept estético, tendo em conta o nivel de performance que era exigido.
E o resultado está à vista. Orçamentos mais que ultrapassados. Cabeças a rolar, adiamentos constantes. Se tivessem feito as coisas com cabeça, tronco e membros, certamente teríamos um carro superior e de certeza que apresentaria lucros.
Quanto ao carro em si, e tendo em conta que não é um super-desportivo, também está longe de ser perfeito.
Sim, os meus parabéns ao batalhão de engenheiros (70 ou coisa assim parecida), que conseguiram pôr tudo a funcionar.
Sim, conseguiram tornar 1000cv acessiveis de utilizar ao mais comum dos mortais (isto é, do ponto de vista da condução).
Nada o bate em linha recta, apesar de não faltarem candidatos que ainda têm de o provar que o conseguem fazer (Koenigsegg CCX-R - 1018cv).
É razoavelmente confortável, o que o faz um bom companheiro para longas distâncias, o que não deixa de ser notável tendo em conta os números que apresenta
Mas dado o ponto de partida as coisas nunca poderiam ter saído perfeitas.
O carro sofre de turbo-lag e, aparentemente não é pouco. Na realidade, torna-se mais interessante conduzi-lo em circuito, já que é mais fácil manter o carro no regime ideal, o que não deixa de ser irónico.
A visibilidade não é grande coisa, com os pilares A a prejudicarem imenso a mesma.
A consola central, apesar do belo efeito, torna-se incomodativa à luz do sol, com demasiados brilhos.
O painel de intrumentos é de dificil leitura.
Sim, são apenas questões ergonómicas/práticas, mas temos de ter em conta o nivel de eprformance que este carro tem, onde pormenores destes fazem imensa diferença, tendo em conta as velocidades a que facilmente circulam. Há que focar a atenção do condutor...
Tem a cena mais estupida que já vi em qualquer "extreme car". Uma 2ª chave para se poder dar os 400. É simplesmente ridiculo, tótó, parvo...
Quanto à questão do peso, em ordem de marcha o Veyron não tem 1888kg como é anunciado. Isso é peso a seco, sem fluidos. Enfiem para lá 100litros de gasosa, fluido para os 9/10 radiadores que aquilo tem, e nem sei quantos litros de óleo. O peso real em ordem de marcha, deve andar mais perto das 2.1t/2.2t. E isto já é a versão "light" do projecto...
No entanto reconheço o triunfo de engenharia que foi, tendo em conta as condicionates do projecto. Deram-se passos em frente no que toca a tecnologia de pneus, materiais e até mecãnicas, como a bomba de gasolina especifica, ou até a caixa DSG. E isso há-de ser sempre o contributo real do Veyron para a indústria.