Tópico das Casas

Moro numa cidade a cerca de 45min do Porto. Nos últimos anos a construção tem sido muito forte por aqui - sejam moradias, sejam prédios em zonas "novas" da cidade. Densidade populacional a crescer e a cidade a acompanhar...

O que é que não acompanha?

Os acessos, as estradas, os supermercados, aa frequ|encia dos comboios, o estacionamento junto à estação, a capacidade de escoamento de transito da cidade, a ponte na EN que dá acesso à cidade... Não é totalmente incomum demorar 1h e 30min para fazer os cerca de 8km que me separam a AE da minha casa.

Sim, construir é preciso mas não é construir de qualquer forma e feita. Existem limitações das infra-estruturas existentes que nunca vão conseguir acompanhar o ritmo de construção de habitação.
 
Última edição:
(...)

Certamente alguns estrangeiros terão colmatado uma parte dessa hecatombe, mas do pouco que eu sei a maioria do pessoal que saiu foram profissionais com mais experiência e que fez falta para orientar quem começa e ainda está "verde".

Soma-se a isso as exigências legais e técnicas e parece-me utópico pensar que vamos chegar perto dos valores de pico (~125 mil/ano).

Neste momento devemos estar perto dos 30 mil fogos anuais e a realidade é o que é. Construir - sistematicamente - perto de 50 mil/ano já seria muito bom.

Quem tiver dúvidas que olhe bem para os números: até 2008 foram anos e anos seguidos a construir acima dos 60 mil/ano e em alguns anos muito acima; em 2009 ~50 mil ... e depois buuuum! Houve uma mudança completa de paradigma.

Não se fiem no que eu digo, vejam pelos vossos próprios olhos em Fogos concluídos em construções novas para habitação familiar: total e por tipologia do fogo

Faltam muitos profissionais no sector para conseguir um boom na construção. Basta passar em algumas empresas para perceber a dimensão do problema - a emigração resolve parte do problema, mas, do que tenho recolhido, muitos dos que aparecem pouca ou nenhuma experiência têm e demoram tempo até se formarem. Segundo alguns o pior ainda está para vir.

Por outro lado, a imigração também é parte do problema. A demanda por mão de obra, também obriga a criar infra-estrutura para habitação.

Estimam-se cerca de 800 mil imigrantes a entrar no pais nos últimos 5 anos... esta gente precisa de casa e se fizermos uma média de 2,4 pessoas por casa (dados médios em Portugal) são cerca de 300mil casas necessárias. Não se consegue resposta suficientemente rápida para este boom e claro que os preços sobem.
 
Moro numa cidade a cerca de 45min do Porto. Nos últimos anos a construção tem sido muito forte por aqui - sejam moradias, sejam prédios em zonas "novas" da cidade. Densidade populacional a crescer e a cidade a acompanhar...

O que é que não acompanha?

Os acessos, as estradas, os supermercados, aa frequ|encia dos comboios, o estacionamento junto à estação, a capacidade de escoamento de transito da cidade, a ponta na EN que dá acesso à cidade... Não é totalmente incomum demorar 1h e 30min para fazer os cerca de 8km que me separam da AE da minha casa.

Sim, construir é preciso mas não é construir de qualquer forma e feita. Existem limitações das infra-estruturas existentes que nunca vão conseguir acompanhar o ritmo de construção de habitação.
Esqueceste dos hospitais e serviços públicos , e os recursos como a água , na Costa da Caparica acabou a água .
Portanto construção nova só vai retirar qualidade de vida e destruir o país .
E construção nova não resolve o problema da eventual falta de habitação , porque as casas são construídas custam acima de meio milhão de euros e quem as compra são os estrangeiros , muitas imobiliárias até colocam o anúncio das casas no estrangeiro , a minha agente imobiliária disse que vendeu imensas casa a estrangeiros .
 
É isso. Aqui bem explicado pelo PM de Singapura:


Perfeito.

O grande drama de Portugal é que se transformou isto num país que não cresce e não tem futuro.

Porque num país que crescesse a inflação resolvia parte do problema.

O pessoal comprava agora casa com 40% de taxa de esforço mas depois o crescimento e inflação de 3% em 10 anos descia isso para 30% e em 20 anos para 20%.
 
Bastava aos pouco começar a subir os juros.
As pessoas deixavam de comprar com receio e por já não cumprirem os critérios para empréstimo e naturalmente o preço das casas subiam.

Mas também começo a acreditar que o Governo quer manter isto como está…
já viste o que o millenium fez para contornar a descida da taxa de esforço do BP?

se calhar ainda compram mais agora, é uma piada do crl
 
Perfeito.

O grande drama de Portugal é que se transformou isto num país que não cresce e não tem futuro.

Porque num país que crescesse a inflação resolvia parte do problema.

O pessoal comprava agora casa com 40% de taxa de esforço mas depois o crescimento e inflação de 3% em 10 anos descia isso para 30% e em 20 anos para 20%.
true, nós nem temos tido inflação nem vêm aí mais uma ondita
 
Bastava aos pouco começar a subir os juros.
As pessoas deixavam de comprar com receio e por já não cumprirem os critérios para empréstimo e naturalmente o preço das casas subiam.

Mas também começo a acreditar que o Governo quer manter isto como está…

Basta França estalar (como parece que vai suceder) e lá vão os juros por aí acima.

E , nessas condições, o nosso governo não vai fazer nada. Nem pode
 
Se quiserem que os preços desçam, eles descem…
- subida dos juros
- agravamento (a sério) para quem tem mais que x casas no IMI
- descida da taxa de esforço tornando obrigatório não ultrapassar os 25% (por exemplo).
Registo obrigatório de cada nif associado a uma morada não podendo exceder o número de quartos mais 2(t2 poderia ter 6 Nif no máximo associados)
Isto são alguns exemplos do que podem fazer e certamente que baixam o preço das casas.

Se o querem fazer (por motivos vários) já é outro assunto.

Se não houver procura necessariamente o preço desce, se fomentarem a procura, o preço sobe (que é o que tem acontecido).
 
O
Se quiserem que os preços desçam, eles descem…
- subida dos juros
- agravamento (a sério) para quem tem mais que x casas no IMI
- descida da taxa de esforço tornando obrigatório não ultrapassar os 25% (por exemplo).
Registo obrigatório de cada nif associado a uma morada não podendo exceder o número de quartos mais 2(t2 poderia ter 6 Nif no máximo associados)
Isto são alguns exemplos do que podem fazer e certamente que baixam o preço das casas.

Se o querem fazer (por motivos vários) já é outro assunto.

Se não houver procura necessariamente o preço desce, se fomentarem a procura, o preço sobe (que é o que tem acontecido).

Se não houver procura o preço não tem que descer, o que acontece é que se deixa de construir..

E se aumentas os juros tambem aumentas os custos da construção com isso.

Portugal tinha casas baratas ( sendo que há 10 anos toda a gente achava que estavam caras, e muita gente falava em bolha) porque andou dezenas de anos a construir essa realidade, de repente quiseram aumentar brutalmente a população num espaço curto de tempo e rebentaram com essa realidade.

O mesmo acontece com a falta de professores por exemplo. Os sistemas tem inercia não se conseguem adaptar de um dia para o outro.

Esta é assessora da ministra da habitação espanhola.


Eu diria que o que pode resolver isto é a morte da geração da malta que esta agora nos 65-70 anos, é esperar 15-20 anos.
 
E quando herdares uma casa vais ficar com ela e pagar os impostos elevados por exemplo?
E se as pessoas não conseguem comprar casa porque os juros são altos ou não cumprem os critérios da taxa de esforço o preço não das que estão à venda mas ninguém as compra não vai descer?
Se fizeres com que um bem não seja querido por ninguém automaticamente esse bem perde valor.

E se começares a remunerar os certificados à séria a 5% líquidos não vai haver movimentação do capital para os certificados em vez de imobiliário que as pessoas já não vão estar a comprar porque são altamente penalizadas nos impostos relativos à posse.

E se penalizares os fundos eles não vão despejar as casas que lá estão parqueadas?

E se obstaculizares a compra a estrangeiros não vai existir menos procura?

E se penalizares fortemente os AL não vai haver mais casas disponíveis porque o negócio deixa de compensar?

E podia continuar…

Agora com visto gold, mais incentivos à compra até x valor e com determinada idade não pagar impostos mais entrada à fartazana de emigrantes sem qq tipo de controlo…

Permissões de transformações de T3 e T4, etc para t1 de AL…

Realmente aí só quando os velhotes morrerem para os filhos herdarem as casas porque comprar serão poucos os filhos que o poderão fazer.
 
O que eu vou escrever não é uma resposta a tua pergunta, é apenas uma divagação minha :D

Também é algo que eu me pergunto ("quais as medidas?"), principalmente em relação a quem acha que o estado conseguiria construir em barda (se quisesse e investisse), pois eu acho que muita gente se esquece que o estado não construiria por artes mágicas ... o pool de profissinais do sector é o que é, e o estado estaria sempre limitado por esse factor.

Todos sabemos que muitas empresas faliram na altura do subprime e posterior fase da troika em PT. Podemos especular se com os preços da construção não foram criadas novas empresas? Com certeza, mas na mesma escala das falências citadas? Eu especularia que não.

Para essa fase pós 2007 eu já ouvi dados que citam a saída de profissionais da área em 70 mil até 120 mil trabalhadores. É uma perda de profissionais numa escala colossal. E quantos mais não terão já falecido, ficaram incapacitados ou reformaram-se? Com certeza mais uns milhares.

Certamente alguns estrangeiros terão colmatado uma parte dessa hecatombe, mas do pouco que eu sei a maioria do pessoal que saiu foram profissionais com mais experiência e que fez falta para orientar quem começa e ainda está "verde".

Soma-se a isso as exigências legais e técnicas e parece-me utópico pensar que vamos chegar perto dos valores de pico (~125 mil/ano).

Neste momento devemos estar perto dos 30 mil fogos anuais e a realidade é o que é. Construir - sistematicamente - perto de 50 mil/ano já seria muito bom.

Quem tiver dúvidas que olhe bem para os números: até 2008 foram anos e anos seguidos a construir acima dos 60 mil/ano e em alguns anos muito acima; em 2009 ~50 mil ... e depois buuuum! Houve uma mudança completa de paradigma.

Não se fiem no que eu digo, vejam pelos vossos próprios olhos em Fogos concluídos em construções novas para habitação familiar: total e por tipologia do fogo
O banco de Portugal tem um estudo ligeiro sobre os agregados familiares e o défice de casas vs procura nos últimos anos.

Passou pela comunicação social brevemente.
 
E quando herdares uma casa vais ficar com ela e pagar os impostos elevados por exemplo?
E se as pessoas não conseguem comprar casa porque os juros são altos ou não cumprem os critérios da taxa de esforço o preço não das que estão à venda mas ninguém as compra não vai descer?
Se fizeres com que um bem não seja querido por ninguém automaticamente esse bem perde valor.

E se começares a remunerar os certificados à séria a 5% líquidos não vai haver movimentação do capital para os certificados em vez de imobiliário que as pessoas já não vão estar a comprar porque são altamente penalizadas nos impostos relativos à posse.

E se penalizares os fundos eles não vão despejar as casas que lá estão parqueadas?

E se obstaculizares a compra a estrangeiros não vai existir menos procura?

E se penalizares fortemente os AL não vai haver mais casas disponíveis porque o negócio deixa de compensar?

E podia continuar…

Agora com visto gold, mais incentivos à compra até x valor e com determinada idade não pagar impostos mais entrada à fartazana de emigrantes sem qq tipo de controlo…

Permissões de transformações de T3 e T4, etc para t1 de AL…

Realmente aí só quando os velhotes morrerem para os filhos herdarem as casas porque comprar serão poucos os filhos que o poderão fazer.

Depende se a precisas de vender ou não, e se não compensar vender tambem não se constrói. Eu tenho uma casa herdada que não está habitada, e não arrendo nem vendi porque não preciso.

Os fundos em Portugal não tem uma quantidade relevante de casas, e os vistos gold menos relevancia ainda, alias os vistos gold deram para manter algumas empresas de construção abertas quando o mercado estava a rebentar...

Isso que falas dos certificados de aforro é muito importante, não especificamente os certificados de aforro mas sim o mercado de capitais, em Portugal a habitação sempre foi o investimento mais facil e obvio, se a acções fossem menos taxadas as pessoas podiam direcionar o capital para empresas e com isso financiar industria e tirar dinheiro do imobiliario.

E sim é evidente que devia ter sido feito alguma coisa sobre os estrangeiros, mas o mal já foi feito, isso devia ter sido feito há 5 anos atras.
 
Se quiserem que os preços desçam, eles descem…
- subida dos juros
- agravamento (a sério) para quem tem mais que x casas no IMI
- descida da taxa de esforço tornando obrigatório não ultrapassar os 25% (por exemplo).
Registo obrigatório de cada nif associado a uma morada não podendo exceder o número de quartos mais 2(t2 poderia ter 6 Nif no máximo associados)
Isto são alguns exemplos do que podem fazer e certamente que baixam o preço das casas.

Se o querem fazer (por motivos vários) já é outro assunto.

Se não houver procura necessariamente o preço desce, se fomentarem a procura, o preço sobe (que é o que tem acontecido).
Para começar a falar de soluções concretas, não vale a pena falar em situações impossíveis.


Juros são decretados pelo BCE, não dependem do governo, para além que afectam muito mais que o preço das casas.

Quanto muito em vez de crédito bonificado, haveria crédito agravado, o que é muito eleitoral. Até se espumam para a implementar na Assembleia.


Descida da taxa de esforço para 25% é um um completo exagero sem sentido.

As x casas não estão exemplificadas, podem ser 2, podem ser 10. Mas existirá sempre o problema da propriedade vertical.

Era a única que pressionaria a redução do preço das casas, mas não do arrendamento, pelo contrário.
 
Apenas apresento medidas, umas podem ter mais apoiantes do que outras, mas o objetivo é demonstrar que havendo vontade é possível sim baixar o preço das casas.

É claro que existiriam sempre efeitos colaterais (em tudo existe), seria apenas responder à questão se os efeitos colaterais valeriam a pena.

Se muita gente é contra, claro que sim, muita gente ganha com o estado das coisas atuais.
 
Apenas apresento medidas, umas podem ter mais apoiantes do que outras, mas o objetivo é demonstrar que havendo vontade é possível sim baixar o preço das casas.

É claro que existiriam sempre efeitos colaterais (em tudo existe), seria apenas responder à questão se os efeitos colaterais valeriam a pena.

Se muita gente é contra, claro que sim, muita gente ganha com o estado das coisas atuais.
Depende se a precisas de vender ou não, e se não compensar vender tambem não se constrói. Eu tenho uma casa herdada que não está habitada, e não arrendo nem vendi porque não preciso.

Os fundos em Portugal não tem uma quantidade relevante de casas, e os vistos gold menos relevancia ainda, alias os vistos gold deram para manter algumas empresas de construção abertas quando o mercado estava a rebentar...

Isso que falas dos certificados de aforro é muito importante, não especificamente os certificados de aforro mas sim o mercado de capitais, em Portugal a habitação sempre foi o investimento mais facil e obvio, se a acções fossem menos taxadas as pessoas podiam direcionar o capital para empresas e com isso financiar industria e tirar dinheiro do imobiliario.

E sim é evidente que devia ter sido feito alguma coisa sobre os estrangeiros, mas o mal já foi feito, isso devia ter sido feito há 5 anos atras.
Nao vendes porque o IMI não é agravado para situações dessas, bastava teres de pagar 10% do valor da casa por ano e o valor das finanças ser atualizado que vias se não vendias.

90% das pessoas vendiam logo.

E podia-se fazer isso a partir de uma segunda casa (por exemplo).
 
Apenas apresento medidas, umas podem ter mais apoiantes do que outras, mas o objetivo é demonstrar que havendo vontade é possível sim baixar o preço das casas.

É claro que existiriam sempre efeitos colaterais (em tudo existe), seria apenas responder à questão se os efeitos colaterais valeriam a pena.

Se muita gente é contra, claro que sim, muita gente ganha com o estado das coisas atuais.
Então ficamos por aqui.
 
Apenas apresento medidas, umas podem ter mais apoiantes do que outras, mas o objetivo é demonstrar que havendo vontade é possível sim baixar o preço das casas.

É claro que existiriam sempre efeitos colaterais (em tudo existe), seria apenas responder à questão se os efeitos colaterais valeriam a pena.

Se muita gente é contra, claro que sim, muita gente ganha com o estado das coisas atuais.

Nao vendes porque o IMI não é agravado para situações dessas, bastava teres de pagar 10% do valor da casa por ano e o valor das finanças ser atualizado que vias se não vendias.

90% das pessoas vendiam logo.

E podia-se fazer isso a partir de uma segunda casa (por exemplo).

vais ai para o interior do pais e estão carradas de casas que vendem baratas e ninguem as quer.
 
Vamos tentar ser coerentes…
Então o português é aquele indivíduo que para poupar 10€/100km gasta milhares num elétrico e acreditam mesmo que se o Estado passasse a cobrar de IMI na segunda casa - 10% do valor da casa, tendo sido o valor atualizado nas finanças ele não despachava logo a casa?

Neste momento as pessoas que as têm vazias (nada contra) só o fazem porque os custos são irrisórios, bastava uma casa de 200k pagar 20k de IMI que o dono até a dava.

Fosse na aldeia ou na cidade
 
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