CP suprime Intercidades e Alfa Pendular em linhas onde os comboios regionais circulam sem restrições
Empresa não explica por que motivo aproveitou para imobilizar praticamente todos os comboios de longo curso a norte de Lisboa, na sequência dos efeitos provocados pela tempestade Kristin.
Na impossibilidade de fazer viagens completas em linhas que têm restrições operacionais, a CP decidiu mandar parar toda a sua frota de Intercidades e Alfa Pendulares nas linhas do Norte, Beira Baixa e Beira Alta, apesar de manter o serviço regional a funcionar nos troços onde os comboios podem circular.
Neste momento, os Intercidades de Évora e de Faro, o Alfa Pendular Lisboa – Algarve e um Intercidades Porto – Valença são os únicos comboios de longo curso que circulam no país.
Isto significa que a CP está a suprimir diariamente 53 comboios de longo curso, supostamente devido aos problemas causados pelo mau tempo, provocado pela
tempestade Kristin. No entanto, na linha do Norte, apenas o troço Entroncamento – Coimbra está interditado e nada impede que circulem Intercidades entre Lisboa e o Entroncamento, e até mesmo Pombal. Do lado norte, a CP mantém em funcionamento os regionais entre Coimbra e Porto, o que significa que também poderia assegurar a sua oferta de longo curso naquele troço, mas não o faz.
Também a linha da Beira Alta está operacional e nela circulam os comboios regionais. A CP poderia assumir a sua oferta diária com os Intercidades entre Coimbra e Guarda, mas preferiu suprimir o serviço em toda a sua extensão.
Outro exemplo é o Intercidades Viana do Castelo – Lisboa que acabou por ver o seu percurso agora encurtado entre Viana do Castelo e Porto.
O PÚBLICO perguntou à CP por que motivo suprime comboios em linhas onde estes podem circular demitindo-se assim de prestar o serviço possível aos seus clientes, mas a empresa não respondeu.
Historicamente, sempre que uma linha fica com um troço interdito, o normal é a empresa assegurar o serviço nos percursos que ficaram operacionais e organizar um transbordo entre as estações onde a infra-estrutura está danificada. É o que poderia estar agora a acontecer entre Pombal e Coimbra, podendo a CP garantir o serviço normal a montante e a jusante.
“É como se toda a linha do Norte só existisse em função de Lisboa”, desabafou ao PÚBLICO um maquinista da CP. Este profissional, que falou sob anonimato, contou que na sexta-feira chegaram a estar dez maquinistas parados numa sala em Campanhã porque os seus comboios foram suprimidos, apesar de os poderem ter realizado entre o Porto e Coimbra.
Curiosamente, apesar de a CP ter comunicado a supressão dos Intercidades na Beira Baixa e dos regionais entre Entroncamento e Coimbra, os horários desses comboios continuam a constar no
site da empresa.
A normalidade ferroviária poderá tardar semanas em concretizar-se. Uma das linhas mais danificadas é a do Oeste devido à queda de dezenas de árvores sobre a via férrea
na zona do Pinhal de Leiria. A sul das Caldas da Rainha registaram-se aluimentos da via férrea, inclusive em zonas que já tinham sido supostamente modernizadas no âmbito do Ferrovia 2020.
Na linha do Norte a estação de Alfarelos está inundada e a via está inoperacional entre Coimbra e Pombal. A sua reparação dependerá do caudal do Mondego nos próximos dias.
As inundações do Mondego e a queda de árvores são igualmente responsáveis pelo encerramento do troço Alfarelos – Figueira da Foz.
As supressões de comboios não acontecem apenas devido aos fenómenos climáticos extremos. Antes da tempestade Kristin, entre 1 e 27 de Janeiro a CP já tinha suprimido 84 comboios na linha do Oeste devido a falta de material circulante.
https://www.publico.pt/2026/01/31/economia/noticia/cp-suprime-intercidades-alfa-pendular-linhas-onde-comboios-regionais-circulam-restricoes-2163164?fbclid=IwY2xjawPrFeJleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjB mFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeYd1B0_XoZTudbPc WEoV5xA-jU7qGyDA2kPdPz_jV0elx6uDkUidAAXJX0LA_aem_CdJITjR5u fUyq7iMuANjQg