Permita-me uma pequena reflexão sobre este tema.
É precisamente esse o problema. Os vencimentos que se pagam neste país são uma vergonha e devem ser motivo de embaraço nacional.
Mas temos a tendência para criticar quem ganha perto do 3000€, como se isso fosse alguma coisa, em vez de criticar a lamentável politica de, artificialmente, manter os salários baixos para gente qualificada.
E continuamos a ver esta sangria de Professores, Enfermeiros, Engenheiros e Medicos para fora do país, para locais onde no inicio da carreira, se ganha mais do que cá ao fim de 40 anos.
É incompreensível que não existam progressões automáticas a cada 4 anos, sustentadas em critérios de avaliação racionais e procedimentos disciplinares para quem não atinge os mínimos, que permitam incentivar a excelência, seja no publico ou no privado. Condicionar a progressão na carreira a quotas e tempo de serviço superior a 6 e mais anos, promove a mediocridade. Vencimentos para gente qualificada inferiores a valores decentes, promove a mediocridade e afastam os melhores. Vencimentos para trabalhos essenciais, inferiores a valores decentes, promovem a desistência silenciosa e condicionam o desenvolvimento.
O meu vencimento bruto anda pelos 6000€, mas trabalho cá para uma empresa externa, tenho colegas de curso que recebem brutos perto dos 2000€, em empresas nacionais e isto envergonha-me profundamente, porque tenho noção que esta é uma das principais razões pelo atraso do país, que a falta de visão e mesquinhez condicionam tudo, até o desenvolvimento destas empresas.
Da mesma maneira que fico chocado que um professor só no final da carreira, chegue perto do 3000€ de salario, isso devia ser o vencimento no inicio da carreira. Em 2017 estive numa conferencia/formação nos EUA, onde a principal ausência era a representação nacional, entre outras conversas, falamos sempre de porquê só haver um Português, quando no mesmo local haviam centenas de Espanhóis, Italianos, Franceses, Ingleses e outros Europeus, (em cerca de 700 Europeus, só havia um tuga).
A minha resposta era sempre a mesma, os ordenados exíguos e a visão limitada das empresas em Portugal que promoviam um atraso enorme neste setor, mesmo quando as empresas recebem quantias gigantescas, colossais e descomunais, em benefícios fiscais.
E isto é cada vez mais a absurda normalidade, já nem os Professores vão fazer formação especializada fora do país, o dinheiro mal chega para viver, quanto mais para atualizar conhecimentos e técnicas pedagógicas.