Greve - porquê sempre as 6ªs feiras?

Poderiam fazer como no Japão...em dia de greve os transportes públicos funcionam, mas ninguém cobra bilhete. Só assim se prejudica a entidade patronal e não o utente, que é sempre o mais prejudicado.
Não percebo bem como podem fazer isso.
Se dão entrada no serviço, então não estão a fazer greve. E nesse caso ao não cobrarem bilhete, e como estão ao serviço, não estão a cumprir con as suas obrigações.
Se não dão entrada no serviço e pegam no transporte, se têm um acidente estão desgraçados.

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Confundir um direito constitucional com uma fraude...
As greves são sempre anunciadas.
Os dias de greve não são pagos, a falta é justificada.
A greve é um dos instrumentos mais importantes na melhoria das condições dos trabalhadores.
Países onde não está estabelecido o direito à greve não são bons exemplos para ninguém.

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Certo. Aqui não se está a discutir se deveria existir direito a greve ou não, nem é tema. A questão não é essa.
A questão é porque não fazem greve às 3ªs, 4ªs e 5ªs?
 
Não percebo bem como podem fazer isso.
Se dão entrada no serviço, então não estão a fazer greve. E nesse caso ao não cobrarem bilhete, e como estão ao serviço, não estão a cumprir con as suas obrigações.
Se não dão entrada no serviço e pegam no transporte, se têm um acidente estão desgraçados.

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Já ouviste falar em greve de zelo?

Na prática uma greve em serviços como nos transportes públicos só favorece a entidade patronal: os veículos não circulam, não gastam combustível, não sofrem desgaste, o dinheiro dos passes (a maior fatia) já entrou no início do mês, por isso quem se lixa são os utentes que normalmente ou não têm alternativa, ou se têm, têm de a pagar.
 
Última edição:
Não tendo querido partilhar a minha opinião para não influenciar a partilha de ideias, o que me levou a iniciar este tópico é bastante simples.
Concordo em pleno com a existência de greves e outras formas de protesto, mas...... Mas cada vez que vejo um pré-aviso de greve, habitualmente para uma 6ª feira, a 1ª coisa que penso não é "Olha, vão lutar por melhores condições de trabalho", mas sim "Olha, lá arranjaram mais um fim de semana prolongado".
E a realidade (a meu ver) é um bocado essa. Grande parte das pessoas que não vão trabalhar hoje não será certamente como forma de protesto mas sim porque sempre são 3 dias que ficam em casa.
Se ao convocarem greves para os dias centrais da semana não existiam pessoas assim? Se calhar existiam. Mas perante a opinião pública (não funcionários publicos) certamente que existira uma maior compreensão pelo facto de existir greve.
 
Não tendo querido partilhar a minha opinião para não influenciar a partilha de ideias, o que me levou a iniciar este tópico é bastante simples.
Concordo em pleno com a existência de greves e outras formas de protesto, mas...... Mas cada vez que vejo um pré-aviso de greve, habitualmente para uma 6ª feira, a 1ª coisa que penso não é "Olha, vão lutar por melhores condições de trabalho", mas sim "Olha, lá arranjaram mais um fim de semana prolongado".
E a realidade (a meu ver) é um bocado essa. Grande parte das pessoas que não vão trabalhar hoje não será certamente como forma de protesto mas sim porque sempre são 3 dias que ficam em casa.
Se ao convocarem greves para os dias centrais da semana não existiam pessoas assim? Se calhar existiam. Mas perante a opinião pública (não funcionários publicos) certamente que existira uma maior compreensão pelo facto de existir greve.
Em que não ganham 1 dia. E deve fazer mossa no final do mês.

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As greves em Portugal não são mais que a prova de vida de umas entidades vetustas, presididas por criaturas vetustas, chamadas sindicatos.

Uma greve de um dia vale zero. Se estão realmente descontentes, parem durante semanas/meses... Mas até sugeria outra coisa a quem está descontente com a entidade patronal. Mudar...
 
O objetivo aqui não é entrar em discussões demagogas e guerras entre função publica e os privados.

Sempre tive esta dúvida e a questão é bastante simples.
Porque é que quando existem greves na função pública, de professores, entre outros, as mesmas se realizam sempre às 6ª s feiras e não noutro dia qualquer da semana?

Existe alguma razão histórica ou prática para que tal aconteça?
Serve para testar a implementação dos 4 dias de trabalho por semana 😁
 
O objetivo aqui não é entrar em discussões demagogas e guerras entre função publica e os privados.

Sempre tive esta dúvida e a questão é bastante simples.
Porque é que quando existem greves na função pública, de professores, entre outros, as mesmas se realizam sempre às 6ª s feiras e não noutro dia qualquer da semana?

Existe alguma razão histórica ou prática para que tal aconteça?
Fiz greve algumas vezes ao longo da vida e logo no início tive precisamente essa duvida.

A melhor e mais sensata explicação que me deram tinha a ver com diversos fatores:
  1. A mini-greve é feita às sextas como forma de possibilitar a recuperação ao longo do fim de semana, do desgaste físico e psicológico de se estar num piquete de mini-greve .
  2. Uma greve deve ter como objetivo reclamar a atualização salarial e de condições de trabalho (salubridade e meios de produção mais atuais) e o foco em melhorar a reputação da entidade empregadora por corresponder às necessidades laborais e salariais. Desta forma, uma mini-greve à sexta e não à segunda, permite que se esteja nas melhores condições físicas e psicológicas na segunda-feira, no inicio da semana, tendo sempre em vista o interesse da instituição.
  3. Além disso, uma mini-greve numa sexta, transmite uma mensagem, quer para a opinião publica bem formada, quer para a empresa, de que ao se fazer uma mini-greve a direção da empresa ou neste caso a tutela, entende que não há vantagem para ninguém ao escolher o caminho de uma greve e há também a espectativa de que prevaleça o bom senso negocial.
 
Esta questão faz-me sempre lembrar de um episódio quando andava no 5 ou 6º ano.

Quando havia greve o nosso horário ficava uma manta de retalhos, porque havia profs que faziam e outros que não, e nós felizes da vida com os que não apareciam.

Então quando víamos um prof na escola já sabíamos que aquele não iria fazer greve. Mas houve um que nos enganou, apesar de andar por lá estava a fazer greve e não tivemos aula

Quando o confrontamos com isso ele respondeu prontamente: greve é estar no local de trabalho e recusar trabalhar. Não aparecer é faltar. E o tipo foi sempre coerente com isso, durante o tempo que foi nosso professor.

Como é evidente.
Greve não são férias.
 
BALELAS !!! Porque ficam 3 dias EM CASA, nada mais [8b][8b][8b]. Maximizar o quê??? A adesão grande ou pequena lá continua a ser à 6ª feira e andam aí alguns meninos em q o sindicato até lhes paga o dia [;)][;)][;)]

O q vale é q o governo já conhece a manha e não dá credibilidade nenhuma e por isso não passamos da cepa torta [:vm)][:vm)][:vm)]

Não percebeste o que eu disse... As greves são marcadas à sexta-feira para, com o incentivo adicional de os trabalhadores terem um fim-de-semana prolongado, assim aumentarem o número de aderentes. Como é lógico e constitui claramente uma prática de boa gestão por parte dos sindicatos. Não estou a dizer que é ético ou anti-ético ou seja o que for. Não estou a fazer um juízo de valor. Estou a constatar uma coisa evidente.
 
Confundir um direito constitucional com uma fraude...
As greves são sempre anunciadas.
Os dias de greve não são pagos, a falta é justificada.
A greve é um dos instrumentos mais importantes na melhoria das condições dos trabalhadores.
Países onde não está estabelecido o direito à greve não são bons exemplos para ninguém.

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Coisas tão básicas de um estado de direito democrático e há tanto quem não perceba.
 
Deixo aqui um pequeno texto para aqueles que gostam de dizer que os FP (especialmente professores) são só regalias:

VALENTE SUSTO

Hoje, resolvi pregar um valente susto a uma turma minha, do 8.º ano, um grupo bem recheado de bons alunos. A propósito do próximo teste de avaliação e da avaliação em geral, resolvi dizer-lhes o seguinte:

— Uma vez que estamos a falar da vossa avaliação, tenho a anunciar-vos que tomei uma decisão definitiva relativamente ao final dos dois primeiros períodos e ao final do ano letivo.
Os olhares dos catraios esbugalharam-se de genuína expectativa. E continuei.

— Após uma longa reflexão, decidi que, caso tenhais aproveitamento que o justifique, apenas darei, no máximo, um cinco e seis quatros. Já quanto ao número de níveis três e de níveis dois, não haverá limites. Em compensação, também não conto atribuir o nível um a ninguém.

A sala escureceu subitamente, como se uma tempestade se estivesse a formar a uma velocidade vertiginosa. E a saraivada não se fez esperar. Após um brevíssimo instante em que quase todos os olhares se entrecruzaram, as interrogações e as exclamações começaram a cair daquele céu cerrado aos trambolhões:

— Não faz sentido!
— Não faz sentido nenhum!
— Não entendo nada!
— Isso é possível?

— É claro que sim — respondi, com ar grave e sério. — Se não fosse possível, eu não tomaria tal decisão, não achais?

— E se houver, por exemplo, quatro cincos e dez quatros? ¬— perguntou um espertinho.

— É muito fácil. O melhor cinco terá cinco, os três restantes passam para o nível quatro, ocupando três dos seis quatros disponíveis. Nesse caso, selecionarei os três melhores quatros para completar o limite por mim definido (de seis). Os restantes quatros passarão todos para o nível três. É fácil de perceber, não é?

Caiu o Carmo e a Trindade.

— Mas isso é muito injusto, setor!
— Não é correto!
— Isso não pode ser legal!
— Então, se eu tiver sempre nível quatro em todas a avaliações, posso ter um três no final?

— Claro, à luz destas novas regras, é assim mesmo — esclareci, lançando mais uma acha para a fogueira.

— E o setor pode fazer isso? Está no Regulamento Interno?

Achei que já chegava de borrasca e resolvi então serenar os ventos e o granizo.

— A ser verdade o que acabei de vos dizer, seria um absurdo total e uma tremenda injustiça. Se fizesse tal coisa, não seria digno de estar aqui diante de vós, na qualidade em que estou. Gostei, por isso, de ver o vosso espanto, o vosso inconformismo e a vossa indignação! Gostei mesmo muito! Mas devo dizer-vos o seguinte: a avaliação dos professores é assim mesmo, sem pôr nem tirar, há muito tempo. É um absurdo e uma tremenda injustiça, mas é verdade. Aquilo que vós jamais admitiríeis está a ser imposto aos professores. Portanto, se ouvirdes dizer que os professores estão em luta, que estão a fazer greve, não é para acumularem regalias e mais regalias, é para se oporem a esta e a muitas outras injustiças.

Os olhares de revolta deram então lugar a olhares de incredulidade e — devo dizer, em abono da verdade — de pena, de compaixão até. Subitamente, parecia que os catraios tinham acabado de descobrir um mundo cuja existência julgavam impossível. Afinal, os seus setores andam a suportar maldades inadmissíveis, e, apesar de tudo, continuam a ser capazes de ensinar, diária e generosamente, aquilo que eles próprios não têm; apesar de mergulhados num poço de injustiças, continuam, incansáveis e esperançosos, a semear justiças e equidades neste mundo.

Fez-se silêncio total naquele início de aula. E foi nesse silêncio que, de seguida, semeei a revisão da formação dos tempos compostos. Foi uma boa aula, acho eu!
 
" — E se houver, por exemplo, quatro cincos e dez quatros? ¬— perguntou um espertinho."

A frase é engraçada, no contexto da história, mas alguém poderia virar o bico ao prego e perguntar:

" - E se houver zero cincos e 2 quatros?"


https://www.spf.pt/files/files/Pages_from_Publico_Lisboa-20220204.pdf

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Dá que pensar a % que estão do 6º Escalão para cima (46,4%) e do 8º Escalão para cima (27,5%).

Ao salário bruto deve ser somado o SA.

Eu não digo isto para denegrir a profissão ou para dizer que é tudo uma maravilha, porque não é. Por exemplo, o início da carreira, antes de estarem "no quadro" é horrível e não faz sentido, quer do ponto de vista individual, quer familiar. Não desejo a ninguém.

Aturar miúdos arruaceiros que acham que só têm direitos; levar com pais malucos e sem educação; lidar com burocracia lunática e sem sentido ... tudo isso são contras da profissão. E não digo com ligeireza ... são mesmo contras pesados e significativos.

E não me esqueço que há quem não esteja no quadro e que por isso ganha menos que os 1536€ + SA.
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O meu ponto é que os sindicatos gostam de fazer correr uma narrativa; e quem ouve pensa que chegar ao "topo" (8º, 9º ,10º) é impossível; que a maioria dos professores "do quadro" estão presos na parte baixa da tabela, quando 93,6% de quem está no quadro ganha - pelo menos -1886 + SA.

É muito? Não, não é.
O problema é que não faltam pessoas com muita formação; com cursos de acesso e conclusão muito difíceis; com muita responsabilidade em cima, que nunca verão este tipo de salários. Repito, nunca, em ponto nenhum das suas carreiras.
E não há garantia nenhuma de progressão, aliás há situações é de regressão.

Há muito poucas organizações com este tipo de distribuição de RH, em que uma percentagem de quase 1/3 está na parte superior da hierarquia.
 
Última edição:
Permita-me uma pequena reflexão sobre este tema.

O problema é que não faltam pessoas com muita formação; com cursos de acesso e conclusão muito difíceis; com muita responsabilidade em cima, que nunca verão este tipo de salários.
É precisamente esse o problema. Os vencimentos que se pagam neste país são uma vergonha e devem ser motivo de embaraço nacional.

Mas temos a tendência para criticar quem ganha perto do 3000€, como se isso fosse alguma coisa, em vez de criticar a lamentável politica de, artificialmente, manter os salários baixos para gente qualificada.

E continuamos a ver esta sangria de Professores, Enfermeiros, Engenheiros e Medicos para fora do país, para locais onde no inicio da carreira, se ganha mais do que cá ao fim de 40 anos.

É incompreensível que não existam progressões automáticas a cada 4 anos, sustentadas em critérios de avaliação racionais e procedimentos disciplinares para quem não atinge os mínimos, que permitam incentivar a excelência, seja no publico ou no privado. Condicionar a progressão na carreira a quotas e tempo de serviço superior a 6 e mais anos, promove a mediocridade. Vencimentos para gente qualificada inferiores a valores decentes, promove a mediocridade e afastam os melhores. Vencimentos para trabalhos essenciais, inferiores a valores decentes, promovem a desistência silenciosa e condicionam o desenvolvimento.

O meu vencimento bruto anda pelos 6000€, mas trabalho cá para uma empresa externa, tenho colegas de curso que recebem brutos perto dos 2000€, em empresas nacionais e isto envergonha-me profundamente, porque tenho noção que esta é uma das principais razões pelo atraso do país, que a falta de visão e mesquinhez condicionam tudo, até o desenvolvimento destas empresas.

Da mesma maneira que fico chocado que um professor só no final da carreira, chegue perto do 3000€ de salario, isso devia ser o vencimento no inicio da carreira. Em 2017 estive numa conferencia/formação nos EUA, onde a principal ausência era a representação nacional, entre outras conversas, falamos sempre de porquê só haver um Português, quando no mesmo local haviam centenas de Espanhóis, Italianos, Franceses, Ingleses e outros Europeus, (em cerca de 700 Europeus, só havia um tuga).

A minha resposta era sempre a mesma, os ordenados exíguos e a visão limitada das empresas em Portugal que promoviam um atraso enorme neste setor, mesmo quando as empresas recebem quantias gigantescas, colossais e descomunais, em benefícios fiscais.

E isto é cada vez mais a absurda normalidade, já nem os Professores vão fazer formação especializada fora do país, o dinheiro mal chega para viver, quanto mais para atualizar conhecimentos e técnicas pedagógicas.
 
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