Também acho. Se as leis do trabalho passassem a ser mais flexíveis, de certeza que os recibos verdes levavam uma machadade de uns 80%.
Em teoria é verdade, mas as decisões económicas/políticas neste campo nunca têm só vantagens, e encerram sempre numerosos perigos.
Uma liberalização generalizada do mercado de trabalho teria apenas e só as consequências que referes, se o dito mercado de trabalho fosse dominado por trabalhadores altamente qualificados, capazes de fazer uso das suas competências para rodar livremente entre oportunidades.
Mas no país real o que sucederia seria um choque socio/económico brutal! Temos uma mol humana imensa de trabalhadores com baixas qualificações, baixo nível sócio-cultural e baixa motivação, que no caso de entrarem num esquema de liberalização total, produziria uma massa imensa de desempregados de longa duração.
Em tese, eu até poderia concordar com a liberalização total, mas para isso o Estado (ou seja, todos nós com os nossos impostos) tem que estar preparado para arcar com os custos orçamentais de ver disparar as dotações para o fundo de desemprego, a assistência social, etc. Porque não vale a pena termos ilusões, uma situação destas ia gerar desemprego não qualificado, com baixíssima probabilidade de voltar a entrar no mercado de trabalho sem antes se submeter a uma longa e dolorosa reconversão, com todas as consequências sociais gravosas que daí advêm (pobreza, criminalidade, etc).
Se a receita proposta for liberalizar o trabalho e deixar os trabalhadores entregues à sua sorte, sem quaisquer apoios sociais, aí discordo frontalmente. Os custos socias desse ajustamento poderiam ser suficientes para desfigurarem completamente a nossa sociedade.
Em suma, não há soluções fáceis. Como em tudo na vida!