[Sociedade] Redes Sociais

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Com o desenvolvimento da Internet e como efeito a crescente dependência de cada um de nós a esta plataforma, a implementação das Redes Sociais virtuais na sociedade foi uma das suas consequências mais recentes. Esta novidade surgiu com a Web 2.0 que ampliou as possibilidades de interacção entre as pessoas. Hoje sabemos quem são os amigos dos nossos amigos, bem como os amigos que temos em comum, o que torna a nossa Rede Social virtual cada dia mais ampla e diversificada. Com a Web 2.0, a comunicação passou a ser bidireccional, ou seja, o utilizador deixa de ser um mero receptor para passar a ser também emissor. Há a possibilidade das pessoas comunicarem directamente umas com as outras. As suas preferências e opiniões passam a ser tidas em conta.

A questão que se levanta é a seguinte: vantagens e desvantagens das redes sociais...
 
A web 2.0 é cada vez mais um dos principais meios de poder. Penso que irá substituir a forma como actualmente a comunicação social se faz representar. [;)]

Perigoso? Depende do que cada um entender partilhar com a comunidade...
 
Aqui está um artigo deveras interessante sobre a Google e o Facebook que veio na revista Pública desta semana:

Pública - Google contra todos disse:
A Google é como a França napoleónica contra a qual as monarquias europeias mais fracas tiveram de se aliar no século XIX para conseguir um equilíbrio de forças – esta é apenas uma das imagens bélicas usadas no livro Google – o Fim do Mundo como o Conhecemos (lançado em Abril pela Civilização Editora), do jornalista americano Ken Auletta, que há 18 anos analisa o mundo dos media para a revista The New Yorker.

A comparação é usada para descrever a gigante da Internet e as muitas frentes de batalha que esta abriu, com incursões por vários sectores de actividade, que lhe valeram a antipatia (ou ódio, em alguns casos) de empresas tão diferentes, como jornais e revistas, cadeias de televisão, fabricantes de telemóveis, a poderosa Microsoft e até a antiga aliada Apple. Numa década, a Google deixou de ser um motor de busca, para passar a incomodar basicamente todas as empresas que se dedicam à produção de conteúdos.

Jornais, sites e revistas alegam que a Google é uma parasita, cujo motor de busca e o agregador de notícias se alimentam dos conteúdos que eles criam; as cadeias de televisão criticam o YouTube (propriedade da Google), argumentando que este foi demasiado tolerante com a pirataria de programas televisivos, só para poder fazer crescer a audiência. E boa parte das empresas que de alguma forma fazem dinheiro com publicidade olham com desconfiança para os minúsculos e simplistas anúncios de texto exibidos pela Google, que representam a esmagadora maioria das receitas anuais da empresa e que vieram mudar as regras do jogo publicitário. Para além disto, a Google criou ferramentas online para enviar emails, para escrever textos e para criar folhas de cálculo (uma preocupação para a Microsoft), anunciou que está a desenvolver um sistema operativo (uma potencial preocupação para a Microsoft) e já pôs um pé no mercado dos telemóveis (incomodando marcas como a Apple e a Nokia).

A ameaça Facebook

“Assim que se atinge uma certa dimensão, é necessário descobrir novas formas de crescimento. E é então que se começa a meter o nariz na indústria dos outros”, afirma o CEO da Verizon (uma empresa de telecomunicações americana), citado na abertura de um capítulo intitulado “Guerra em Múltiplas Frentes”. A crítica prossegue: “E é quando se faz isso que se começa a acordar os ursos e então os ursos saem da floresta e começam a dar-nos uma sova.” Mas a Google não está disposta a apanhar nenhuma sova. E tem uma vantagem que Napoleão não tinha: é improvável que as outras empresas, a operar em sectores diferentes, formem uma espécie de aliança anti-Google.

Ainda assim, há ameaças. E uma das mais recentes é o Facebook, a rede social lançada em 2004, que se tornou quase omnipresente em muitos países, Portugal incluído. Como pode uma rede social incomodar a Google? Auletta responde ao PÚBLICO: “O Facebook é uma ameaça porque ocupa o tempo das pessoas. Quanto mais tempo é gasto no Facebook, menos tempo se passa a usar [produtos da] Google.” Há ainda outro factor importante: o Facebook lança uma sombra – por ora, pequena e incerta – sobre a actividade central da Google: a pesquisa.

“O Facebook e as outras redes sociais podem vir a oferecer uma pesquisa mais eficiente”, sublinha o autor. “Se eu quiser procurar uma câmara e escrever o nome da câmara no motor de busca e receber dez mil resultados, não tenho tempo de os ver a todos [a Google aplica imensos recursos a tentar mostrar os resultados mais importantes primeiro]. Mas, se eu fizer uma pergunta sobre câmaras e dez amigos do Facebook me responderem, isso é uma pesquisa mais eficiente.”

A bomba da privacidade

O Facebook tem, no entanto, alguns grandes obstáculos a ultrapassar. Um é a desconfiança de muitos utilizadores, que começam a ficar assustados com o que dizem ser uma falta de respeito pela privacidade. O Facebook passou, em finais do ano passado, a mostrar publicamente muitos dados dos cibernautas (por exemplo, a lista de “amigos”); e parte do negócio da rede social passa mesmo por vender informação sobre os utilizadores a empresas que queiram fazer campanhas e publicidade direccionada.

Em protesto contra isto, alguns utilizadores resolveram criar o dia anti-Facebook (já a 6 de Junho) e um outro movimento está a apelar a que se apaguem os perfis até ao fim deste mês. Ao longo da semana passada, cerca de seis mil pessoas aderiram ao protesto – uma minúscula parcela dos 400 milhões que todos os meses usam o site.

A Google foi, pelo menos no princípio, muito mais eficaz a tornar-se uma companhia de confiança. Auletta recorda aquilo que mais o surpreendeu ao longo da investigação para o livro (que incluiu várias visitas à sede da Google, entrevistas com os responsáveis e um acesso inédito a algumas reuniões da empresa): a “clarividência” que os fundadores da empresa, Larry Page e Sergey Brin, tiveram quando “estavam apenas na casa dos 20” e criaram o motor de busca, no final da década de 1990. “Insistiram em cobrar aos anunciantes apenas quando os utilizadores clicavam nos anúncios. Recusaram-se a aceitar publicidade na página principal da Google, alegando que isso minaria a confiança de que necessitavam. Eles perceberam que construir a confiança dos utilizadores era a chave para o eventual sucesso.”

Com praticamente a mesma idade que os fundadores da Google tinham em 1998, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, parece hoje seguir exactamente o caminho oposto. Tem afirmado publicamente que a era da privacidade acabou, e, por entre as notícias de várias falhas no site relacionadas com dados dos utilizadores, os media e a blogosfera deliciaram-se com a publicação de mensagens de chat entre Zuckerberg (então com 19 anos) e um companheiro de dormitório, na altura em que o Facebook foi fundado, e na qual o criador da rede social goza com os utilizadores que confiam nele e se dispõe a dar os dados ao amigo, caso ele queira. Porém, e apesar da “clarividência” inicial, a segurança dos dados pessoais é hoje um ponto fraco também da Google.

“Os engenheiros são bons naquilo que conseguem medir. [Mas] os medos relacionados com a privacidade não são facilmente mensuráveis”, explica Auletta ao PÚBLICO. Ora, a Google é conhecida precisamente por ser uma empresa de engenheiros. São eles que têm de passar as entrevistas de emprego mais difíceis e são eles que têm garantido o equivalente a um dia por semana para se dedicarem ao desenvolvimento de projectos pessoais. “O engenheiro é rei, e está acima da multidão”, escreve o autor.

Os próprios fundadores são descritos no livro como engenheiros frios, com uma mente matemática e um gosto pela objectividade e exactidão. Auletta argumenta que esta mentalidade de engenheiros, que foi capaz de tornar a Google num gigante, é também responsável por fazer com que esta tenha sido lenta a compreender as preocupações que as pessoas têm com a privacidade. “A privacidade é uma bomba atómica que pode explodir nas mãos da Google.”

Outros planetas

Era uma aliança que fazia sentido: Google e Apple não se acotovelavam em nenhum mercado e podiam formar parcerias contra concorrentes, como a Microsoft. As duas tinham uma relação próxima. Tão próxima que o presidente executivo da Google, Eric Schmidt, tinha assento no conselho de administração da Apple. Em Janeiro de 2007, o presidente da Apple, Steve Jobs, chegou a partilhar o palco com Schmidt, nada mais, nada menos do que durante a apresentação do iPhone.

“Steve, os meus parabéns”, disse Schmidt. “Este produto vai ser espectacular.” Jobs mostrava um sorriso rasgado. Em meados do ano passado chegou o sinal de que a aliança já não era possível. Schmidt anuncia a saída do conselho de administração da Apple. A justificação: as duas empresas tinham-se tornado concorrentes em alguns mercados. A partir daí, a relação só azedou.

A Apple cresceu como uma empresa que produzia computadores e o respectivo sistema operativo. Em 2001, a empresa começou a produzir os iPod e a vender música. E, mais tarde, lançou-se, com um único aparelho, no mercado dos telemóveis. Nenhum destes sectores era uma área de negócio da Google. Foi esta que, como já fizera noutros sectores, avançou para terrenos da Apple. Logo em finais de 2007, a Google anuncia o desenvolvimento do Android, um sistema operativo para telemóveis, que pode ser usado por qualquer fabricante e que compete directamente com o iPhone. Em Janeiro deste ano, começou a vender o primeiro telemóvel de marca própria.

Eric Schmidt várias vezes lembra que há mais telemóveis no mundo do que computadores e parece acreditar firmemente que boa parte dos futuros acessos à Internet se farão através destes aparelhos. Nada mais natural para a Google do que querer ter uma palavra na forma como os utilizadores acedem à Internet via telemóvel – que é o mesmo que dizer tentar garantir que estes usam os serviços Google.

O modelo que o iPhone da Apple popularizou pode até ser uma ameaça à gigante da Internet, considera Auletta. Uma das razões do sucesso do iPhone são as mais de 200 mil aplicações que podem ser descarregadas para o telemóvel. As aplicações são pequenos programas, de vários tipos (jogos, processadores de texto, livros, ferramentas para aceder a redes sociais) e que qualquer pessoa pode criar.

Num pequeno ecrã como o dos telemóveis, usar uma aplicação é normalmente mais fácil do que aceder à Web. E, de cada vez que um utilizador prefere usar uma destas aplicações, não está a usar nenhum dos serviços que a Google oferece na Web (a Google quis colocar alguns dos seus serviços sob o formato de aplicação, mas a Apple usou o poder de veto que tem sobre as aplicações que disponibiliza).

“A Apple e as suas aplicações – a do Facebook, por exemplo – oferecem um modelo diferente para o futuro”, explica Ken Auletta. “Com a Apple, o perigo que a Google corre é o de que os consumidores vivam não num universo da Web, mas num planeta Apple, a saltar de uma aplicação para outra. Ao mesmo tempo que também andam pelo planeta Facebook.”

Efectivamente estamos cada vez mais dependentes da internet e de tudo o que ela oferece, neste caso, as redes sociais. Mas este artigo fez-me despertar para algo que nem fazia ideia_ se formos a ver, a Google está em praticamente todo o lado no nosso dia a dia. Qualquer dia o Facebook (mais que o Twitter) também poderá tomar o mesmo caminho, dado que apenas tem neste momento como travão, as questões de privacidade.

(Nota: este comentário é mesmo meu[:D][:p]).
 
O que se pode dizer...
como alguém dizia já tudo foi inventado. O que também não é novidade é a preocupação pelas partes e não pelo todo, isto é, a verdadeira questão aqui seria debater vantagens e desvantagens das redes sociais.
 
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