Razia no ar

Iuri

Membro participativo
Há dois atrás, viajava eu na TAP, no Airbus Florbela Espanca, quando, a cerca de 10.500 mt de altitude assisti a uma cena assustadora quando passava os Pirinéus.

Sei que o tráfego aéreo europeu está bastante congestionado, mas nunca imaginei que se fizessem razias tão graves como a que vi. Apercebi-me claramente de um avião comercial a aproximar-se em sentido contrário e a passar a cerca de 500 metros de nós.
Esta foto foi tirada segundos depois e, a linha branca que fiz, representa o jet stream deixado pelo avião...



Estou certo de que o avião nos deu uma razia, pois não me parece normal haver cruzamentos destes.
De qualquer modo, se a situação estava controlada (no que acredito), achei uma enorme loucura a razia feita, mas esta é a opinião de um leigo.
 
Última edição:
Tendo em conta que a velocidade de cada uma das aeronaves deveria andar entre os 700 e os 900 Km/h, estamos a falar de uma velocidade relativa entre os 1400 e 1800 Km/h, uma vez que iam em sentidos opostos.

Ora bem, a não ser que tenhas visto o avião passar num piscar de olhos, o mais provável é que a "razia" tenha sido feita a uma distância considerável, so que, à custa da tal velocidade relativa, pode ter dado a ilusão de proximidade.
 
Tendo em conta que a velocidade de cada uma das aeronaves deveria andar entre os 700 e os 900 Km/h, estamos a falar de uma velocidade relativa entre os 1400 e 1800 Km/h, uma vez que iam em sentidos opostos.

Ora bem, a não ser que tenhas visto o avião passar num piscar de olhos, o mais provável é que a "razia" tenha sido feita a uma distância considerável, so que, à custa da tal velocidade relativa, pode ter dado a ilusão de proximidade.

Concordo com isso... é uma velocidade relativa para ver fosse o que fosse. Ou só viste o jet stream?
 
A cena passou-se em 2 segundos.
Apercebi-me do ponto negro do avião e depois percebi o vulto junto à asa seguido do jet stream a desfazer-se mesmo ao nosso lado...
Pode ter sido bastante mais longe do que os 500 metros, mas, bolas, só mesmo vendo para notar.
Acresce que, mais tarde, reparei que nos cruzámos com outros aviões mas a distâncias consideráveis, de onde não se percebiam o movimento do jet stream... como deu para perceber neste caso...

O nosso avião circulava a 950km/h
 
A cena passou-se em 2 segundos.
Apercebi-me do ponto negro do avião e depois percebi o vulto junto à asa seguido do jet stream a desfazer-se mesmo ao nosso lado...
Pode ter sido bastante mais longe do que os 500 metros, mas, bolas, só mesmo vendo para notar.
Acresce que, mais tarde, reparei que nos cruzámos com outros aviões mas a distâncias consideráveis, de onde não se percebiam o movimento do jet stream... como deu para perceber neste caso...

O nosso avião circulava a 950km/h
950km/h? Deixa-me advinhar... Ia atrasado!
 
Sim, saímos quase 20 minutos atrasados...
A velocidade indicada nos visores era de cerca de 950km/h, apesar de a maior parte do tempo ter circulado a cerca de 850km/h.
 
Já me tinha posto a mim mesmo essas questões das separações verticais, e perguntei a quem sabe. Seguem as respostas

sim, é perfeitamente possível e bastante frequente.
Não sei se porventura ja terás ouvido falar em RVSM (Reduced Vertical Separation Minima). Este foi um novo conceito introduzido recentemente como resposta ao cada vez mais congestionado espaço aéro europeu, seguindo o qual as aeronaves passam a estar separadas com uma separação de apenas 1000´acima de FL270. Ou seja, estamos a falar de uma separação de apenas 300m, o que para este tipo de aviões não tem grande significado.
Daí parecer que se fazem grandes "razias" uns aos outros, mas acredita que está tudo muito bem separado.

Detalhando um pouco mais a resposta , no espaço aéreo RVSM em vigor em grande parte Europa, as aeronaves têm separações verticais de 1000' até FL410, embora em sentidos opostos. As aeronaves no mesmo sentido voam em separações de 2000', havendo portanto um sentido 'par' (FL290, FL310... FL410) e um sentido 'impar' (FL300, FL320... FL400).
Efectivamente nos cruzamentos fazem-se, "grandes razias"; no entanto, são mais distantes do que os cruzamentos a 500' que fazemos na Caparica...
 
Última edição:
Já me tinha posto a mim mesmo essas questões das separações verticais, e perguntei a quem sabe. Seguem as respostas

sim, é perfeitamente possível e bastante frequente.
Não sei se porventura ja terás ouvido falar em RVSM (Reduced Vertical Separation Minima). Este foi um novo conceito introduzido recentemente como resposta ao cada vez mais congestionado espaço aéro europeu, seguindo o qual as aeronaves passam a estar separadas com uma separação de apenas 1000´acima de FL270. Ou seja, estamos a falar de uma separação de apenas 300m, o que para este tipo de aviões não tem grande significado.
Daí parecer que se fazem grandes "razias" uns aos outros, mas acredita que está tudo muito bem separado.

Detalhando um pouco mais a resposta , no espaço aéreo RVSM em vigor em grande parte Europa, as aeronaves têm separações verticais de 1000' até FL410, embora em sentidos opostos. As aeronaves no mesmo sentido voam em separações de 2000', havendo portanto um sentido 'par' (FL290, FL310... FL410) e um sentido 'impar' (FL300, FL320... FL400).
Efectivamente nos cruzamentos fazem-se, "grandes razias"; no entanto, são mais distantes do que os cruzamentos a 500' que fazemos na Caparica...


Concordo, voando a uma altitude estabilizada não há qualquer perigo de colisão. O risco é ligeiramente maior quando 1 das aeronaves se encontra a subir ou descer, cruzando 1 FL que é normalmente utilizado pelos que circulam numa rota diferente. Mas mesmo aí as probabilidades de colisão são infimas... se bem que já tenha acontecido. Lembro-me de um acidente à uns anos sobre a Alemanha entre 1 avião de carga da DHL e 1 Tupolev russo cheio de crianças que iam de férias.
 
Também já vi um cruzamento quando seguia num avião em altitude cruzeiro. Foi mais ou menos na zona de França (vinha de Schipol para Lisboa) e é verdade que assusta um bocadinho, mas está tudo controlado. [:p]

Se bem que no meu caso foi um cruzamento com ~90º em que eu seguia para ~oeste e o outro para ~sul, ainda o vi durante um bom bocado, até consegui ver que era da virgin.
 
Também já vi um cruzamento quando seguia num avião em altitude cruzeiro. Foi mais ou menos na zona de França (vinha de Schipol para Lisboa) e é verdade que assusta um bocadinho, mas está tudo controlado. [:p]

Se bem que no meu caso foi um cruzamento com ~90º em que eu seguia para ~oeste e o outro para ~sul, ainda o vi durante um bom bocado, até consegui ver que era da virgin.


quem faz o controlo aereo nestas condições? há um protocolo que os pilotos devem seguir? quem decide quem se desvia? ou é a torre de controlo mais próxima? o espaço aereo era de espanha, certo? e se for a meio de atlântico?

desculpem lá as questões.... mas gostava de saber.

pedro
 
quem faz o controlo aereo nestas condições? há um protocolo que os pilotos devem seguir? quem decide quem se desvia? ou é a torre de controlo mais próxima? o espaço aereo era de espanha, certo? e se for a meio de atlântico?

desculpem lá as questões.... mas gostava de saber.

pedro

Ninguém se desvia, estes cruzamentos são normais e não são perigosos. Os pilotos fazem o que lhes mandam (excluindo casos de embate eminente - existe um sistema anti-colisão nos aviões).

Quem gere o espaço aéreo de cada país são as respectivas autoridades, em Portugal penso que seja a NAV, naquele caso não sei em que espaço aéreo estava, mas suspeito que fosse no Francês.

No meio do atlântico, fora da jurisdição das ilhas não sei quem será...
 
Concordo, voando a uma altitude estabilizada não há qualquer perigo de colisão. O risco é ligeiramente maior quando 1 das aeronaves se encontra a subir ou descer, cruzando 1 FL que é normalmente utilizado pelos que circulam numa rota diferente. Mas mesmo aí as probabilidades de colisão são infimas... se bem que já tenha acontecido. Lembro-me de um acidente à uns anos sobre a Alemanha entre 1 avião de carga da DHL e 1 Tupolev russo cheio de crianças que iam de férias.


Há também o famoso caso do avião da GOL brasileiro que colidiu com um jacto executivo quando voavam na mesma altitiude e o avião mais pequeno tinha o transponder desligado.
 
Avaliar 500 metros no ar sem qualquer referencia parece-me bastante complicado..:sh)

Obviamente que essa aviliação de distâncias não é feita a olho nu. Existem coisas chamadas instrumentos , através das quais se faz a navegação aérea. Nestes cruzamentos o piloto nem sequer tem qualquer influência porque vai ligado o piloto automático. Não sou expert na matéria mas diria que apenas em 5% da duração do voo, num voo sem incidentes, o piloto vai a 'dirigir' o avião.. descolagem, aterragem e AUTO-PILOT ON.. depois é ir passando para os FL conforme ordem do ATC.
 
Não há avaliação arriscada nenhuma, o que há é "Airways". Uma Airway não é mais do que uma Auto-Estrada do ar. Obviamente que há Airways que se cruzam formando intersecções mas não é o caso dessa foto. Nessa foto e em todas as situações semelhantes que se pode assistir da janela do avião, o cruzamento de aviões em sentido contrário é efectuado ou em Airways distintas (por muito próximas que possam parecer) ou a níveis de vôo separados. O computador de bordo do avião é previamente programado para passar pelas Airways que o levam ao seu destino e como em altitude de cruzeiro é o CB que vai a pilotar o avião não se coloca o problema de desvio da rota programada.

Acredito que para quem não conheça a matéria seja um susto valente, mas intersecções dessas acontecem milhares de vezes ao dia, está tudo programado ao pormenor.
 
Há dois atrás, viajava eu na TAP, no Airbus Florbela Espanca, quando, a cerca de 10.500 mt de altitude assisti a uma cena assustadora quando passava os Pirinéus.

Sei que o tráfego aéreo europeu está bastante congestionado, mas nunca imaginei que se fizessem razias tão graves como a que vi. Apercebi-me claramente de um avião comercial a aproximar-se em sentido contrário e a passar a cerca de 500 metros de nós.
Esta foto foi tirada segundos depois e, a linha branca que fiz, representa o jet stream deixado pelo avião...



Estou certo de que o avião nos deu uma razia, pois não me parece normal haver cruzamentos destes.
De qualquer modo, se a situação estava controlada (no que acredito), achei uma enorme loucura a razia feita, mas esta é a opinião de um leigo.

pelo menos vinha 300 metros abaixo, cada mil pes corresponde a +- 300 metros, agora no resto ele podia passar mesmo por baixo de ti, porque o avião onde ias e o avião que passou seguiam na mesma airway, que neste caso seria bidirecional, a poucas unidirecional
 
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