lidar com a morte

A morte é certa, pelo que devemos aproveitar todos os dias para fazer algo positivo por nós e pelos outros.

A pior coisa que podemos fazer é gastar tempo e energia com coisas que afinal de contas não são importantes.

Este pensamento devia estar na cabeça de todos assim que acordamos para mais um dia. Infelizmente não é assim.

Tenho sido algo massacrado nos últimos tempos com perdas, e ainda há dias estava a comentar isso com a minha mulher. Faz parte e temos que lidar com isso, mas falar é fácil. Fazer é que...
 
Apesar das minhas avós já terem falecido, a distância e o facto de nos vermos poucas vezes fez com que o sentimento de perda não fosse muito forte.

Na prática nunca tinha "lidado com a morte" até ao momento em que faleceu o pai da minha namorada, no início deste ano, e confesso que a partir desse momento tenho refletido um pouco mais sobre a vida.

Falamos de alguém com 55 anos que, num dia igual a tantos outros e sem que nada o fizesse prever, é encontrado morto caído em casa devido (ao que tudo indica) a um ataque fulminante.

Confesso que desde esse momento tenho aprendido imenso com a minha namorada devido à forma como ela tem lidado com toda a situação.
Obviamente já teve momentos maus (e virão mais, certamente) mas a forma como desde o primeiro momento lidou com a situação de forma a "proteger" a mãe e a avó foi algo que me surpreendeu. Já me disse várias vezes que, pior do que perder o pai, é perder o filho (o caso da avó dela) e que por isso tem de relativizar.

Além de toda a aprendizagem e reflexão que esta situação me trouxe, também foi mais uma prova de que por mais que conheçamos uma pessoa podemos vir a ser surpreendidos.
 
Na prática nunca tinha "lidado com a morte" até ao momento em que faleceu o pai da minha namorada...

é uma carga psicológica muito grande ir a um enterro e ver um cadáver

quando o cadáver pouca ligação tiver connosco até desviamos o olhar, mas quando é alguém muito querido e amado.....pá é uma grandessíssima merd*

eu ainda tenho aqui no meu telemóvel o contacto dele....e não posso ligar, tenho que o apagar....apagar para sempre....

é doloroso isto, faz-me questionar os fundamentos da existência, da vida de tudo....

milhares e milhares e milhares de milhões de biliões de triliões de combinações possíveis de genes e ADN, porque nasci português e não chinês, e não inglês, brasileiro, etíope ? ou ter nascido preto num país onde fosse escravo ?!

porque não nasci peixe ou qualquer outro animal para servir de alimento ? um mosquito ? uma sardinha ? um elefante ? uma gazela ? um cão ou um gato ? etc...etc...

lamechas ?! não sou lamechas, simplesmente estou já numa idade ( 52 ) que começo a ver tudo a morrer à minha volta

pá não sei, tenho que apagar o contacto do telemóvel, bani-lo para sempre, criou-me praticamente e a ele lhe devo tanto, agora tenho que o banir dos contactos

lamechas, o que é ser lamechas ?!

perder um filho sim, poderá ser pior, eu nem quero imaginar, mas aí acho que deixaria se calhar de viver porque não aguentava
 
Li os vários textos e as lágrimas vieram-me aos olhos.

Perdi o meu pai há 7 meses. Penso que não deve haver um dia desde a sua morte que não me lembre dele. Na maior parte das vezes é uma saudade boa. Penso que é bom sinal. Sabemos que é a lei da vida mas não é fácil lidar e encarar a nossa finitude.

O tempo não cura tudo mas ajuda a amenizar. A suavizar. Vai melhorar, acredita.
Esta é a questão central, no tema que nos é mais dramático... Dependendo da nossa idade e / ou da nossa personalidade, à medida em que à nossa volta (...) as pessoas vão partindo, torna-se, progressivamente mais necessário tornar a morte "justificada" e mais doloroso quando se não lida com esse facto com a racionalidade necessária (se é que há uma)!...

Nós, o nosso "eu", desaparecemos... E isso é, convenhamos, uma perspectiva "nada agradável"... Ora, como não há receitas certas, o mais "suave" é, diria, tentar viver a vida com os outros que nos são mais caros de forma indelével, na certeza de que eles partem e, depois, isso já não é possível, e viver a nossa existência mais prazenteiramente, pois também nós partiremos!

Depois, bem, depois,... talvez haja algo mais, não pela perspectiva teológica (na qual não me revejo, embora não a rejeite totalmente...), mas pela perspectiva científica. Viemos de algum lado, estamos aqui, partiremos para outro onde podemos ser outro ente qualquer...
 
...
Lamento ter apagado o meu comentário. Continha informação demasiado sensível. As minhas desculpas.
...
 
Última edição:
a vida continua

mas aquela imagem do cadáver de uma pessoa que gostava muito ainda não me saiu da cabeça, agora ando aqui a pensar na morte durante uns tempos [8b][8b]

não somos nada é o que é, de um momento para o outro acaba-se tudo e não levamos nada connosco a não ser o bem ou mal que fizemos em vida

Primeiro os meus sentimentos, nao só para ti como para os que aqui já descreveram situacoes em que perderam entes queridos.

A imagem do cadaver é uma das razoes que me leva a discordar completamente com funerais da forma como sao em várias culturas, há pessoas que nao conseguem retirar essa imagem das suas cabecas quando deveriam de recordar a pessoa viva, alegre, a viver.


Como já ouvi muitas vezes, a morte pode ser a melhor oportunidade que temos na vida, seja para quem parte, como para quem fica, nao há até ao dia de hoje como fugir dela por isso mais vale viver um dia de cada vez e chegar ao final do mesmo e reflectir "Se amanha nao acordar, estou contente com o que deixei para tras?", se a resposta for nao, algo está mal.
 
Primeiro os meus sentimentos, nao só para ti como para os que aqui já descreveram situacoes em que perderam entes queridos.

A imagem do cadaver é uma das razoes que me leva a discordar completamente com funerais da forma como sao em várias culturas, há pessoas que nao conseguem retirar essa imagem das suas cabecas quando deveriam de recordar a pessoa viva, alegre, a viver.


Como já ouvi muitas vezes, a morte pode ser a melhor oportunidade que temos na vida, seja para quem parte, como para quem fica, nao há até ao dia de hoje como fugir dela por isso mais vale viver um dia de cada vez e chegar ao final do mesmo e reflectir "Se amanha nao acordar, estou contente com o que deixei para tras?", se a resposta for nao, algo está mal.

Verdade!

Depois de estar nos US num sítio com uma forte comunidade mexicada em pleno Día de los muertos é que percebi que "temos" uma maneira muito triste e sombria de lidar com a morte... preto dos pés à cabeça, muitas vezes até ao fim da vida, dias dos fieis defuntos passados no cemitério a inalar os fumos das imensas velas a arder...

Felizmente não tenho "tido" funerais de pessoas mais chegadas, mas com o avançar da idade é natural que vá acontecer.

Também evito ver o morto, tento focar-me nos vivos que ainda cá ficam.

@Altar, meus sentimentos, e esquece essa imagem. Começa a pensar e a recordar os bons momentos que tiveste.
 
Verdade!

Depois de estar nos US num sítio com uma forte comunidade mexicada em pleno Día de los muertos é que percebi que "temos" uma maneira muito triste e sombria de lidar com a morte... preto dos pés à cabeça, muitas vezes até ao fim da vida, dias dos fieis defuntos passados no cemitério a inalar os fumos das imensas velas a arder...

Felizmente não tenho "tido" funerais de pessoas mais chegadas, mas com o avançar da idade é natural que vá acontecer.

Também evito ver o morto, tento focar-me nos vivos que ainda cá ficam.

@Altar, meus sentimentos, e esquece essa imagem. Começa a pensar e a recordar os bons momentos que tiveste.

A forma de lidar com os mortos é similar por todo lado (pelo menos dos países onde passei e vi/soube), os que mais que surpreenderam foi Uganda e Filipinas.

Sou da opiniao que a morte de um ente querido deveria de ser celebrada, nao para celebrar a sua morte claro, mas para celebrar o que esse ente querido viveu e relembrar as boas memórias antes de dizer adeus.
 
na Alemanha não há velório, acho eu

o meu Pai morreu lá e foi enterrado lá

só o vi assim por uns instantes, tipo segundos, um dia antes de ser enterrado

e a cerimónia foi tipo contar a vida dele, o que fez, o que criou e etc....

está enterrado num tipo de jardim, debaixo de uma árvore

aquilo é mesmo um jardim onde as pessoas podem passear e sentarem-se em bancos e admirar o jardim, e os mortos estão ali enterrados em campas espalhados, debaixo de árvores ou roseiras e etc....

não me custou tanto, mas também confesso que via o meu tio mais meu pai, pá não sei, sentimentos complicados
 
na Alemanha não há velório, acho eu

o meu Pai morreu lá e foi enterrado lá

só o vi assim por uns instantes, tipo segundos, um dia antes de ser enterrado

e a cerimónia foi tipo contar a vida dele, o que fez, o que criou e etc....

está enterrado num tipo de jardim, debaixo de uma árvore

aquilo é mesmo um jardim onde as pessoas podem passear e sentarem-se em bancos e admirar o jardim, e os mortos estão ali enterrados em campas espalhados, debaixo de árvores ou roseiras e etc....

não me custou tanto, mas também confesso que via o meu tio mais meu pai, pá não sei, sentimentos complicados

Há velório mas nao é igual nem tao pesado como em Portugal (e nao estou a criticar, sao apenas diferentes).

UK também é similar, a cerimonia é passado muitas vezes mais de uma semana depois do falecimento, falam da vida da pessoa, o que fez, pessoas da familia normalmente tem a oportunidade de ir falar e contar uma história que se recordem com a pessoa, depois há o enterro, numa espécie de jardim e a seguir há o que chamam funeral tea onde as pessoas se juntam para conversar, beber e comer.

Acho mais descontraido, nao sei, sao diferentes apenas.
 
Eu também tenho algum receio de lidar com isso, de momento já tenho muita gente muito idosa ao meu redor.

Por um lado é bom que estejam por cá, por outro, sabendo que todos têm idades de 90 anos para cima sei que vou ter anos de alguma dor e possivelmente seguidos!!

Temos que lidar da melhor maneira...ninguém saberá bem qual é essa maneira.
 
Eu comecei a lidar com a morte muito cedo e com isso ao longo dos anos encarei as várias mortes de pessoas próximas cada qual da sua maneira.

Se uns era espectável, fruto da idade, outros foram surpresas: suicídio, acidente ou doença. Tento sempre recordar as pessoas pelo que eram.

Já perdi avós, padrasto, tios, primos, amigos, colegas e por ultimo a minha esposa.

Com todos aprendi que os devemos valorizar quando cá estão.

Depois de partir fica a recordação e saudade. E é isso que importa!
 
Voltar
Superior