Renas
New member
VOU METER A COLHERADA.
Começo por contar a minha história. Haverá porventura alguém neste forum com percursos idênticos.
Comecei a trabalhar com 16 anos. O 10º ano era de repetição e as notas eram excelentes. Mas o Pai desempregado e a mãe. A falta de credibilidade do ensino levou-me a procurar alternativas.
16 anos, e 1º emprego foi tarefa dificil. Mas arranjei um emprego de vendas porta a porta. Pareceu-me arriscado mas lá teve de ser para ganhar uns cobres. Em pouco tempo estava a ganhar 15 contos por dia. Em 1996 era bom dinheiro. Trabalhava das 6 da manhã até ás 8 da noite para o namoro sobrava apenas a hora do almoço. Ou o café que era o mais normal. A empresa faliu para meu azar.
Aos 17 anos não quiz outro emprego 'arriscado' procurei emprego 'decente' e fui trabalhar para uma loja de motas bicicletas e acessórios. Penso que a maior da zona centro. Na altura era. Ainda não tinha concluido 18 anos e já andava tão maluco que não sabia o que fazer pois além de ganhar o SMN. O meu patrão assim que descobriu que eu com 17 anos estava para casar com uma filha a caminho não me iria despedir então toca de me arrancar o escalpe. 15 dias antes de me casar despedi-me. Ao qual o meu ex-patrão ainda respondeu com muito á vontade: 'Até gosto de ti, só te digo as coisas para abrires os olhos'. Abrir os olhos para ele passava por me mandar com coisas que tivesse á mão á cabeça, cacetadas com o punho fechado na cabeça e berros de meia noite. Enfim FDP há em todo o lado.
Aos 18 anos casado, uma filha a caminho e desempregado. Pior deve ser dificil. Mas rapidamente arranjei emprego. A dobrar chapa e a trabalhar como canalizador. O trabalho fazia-se bem mas infelizmente para mim a empresa era do pai da minha mulher. E o irmão começo a ver com maus olhos algumas ideias inovadoras não fosse eu roubar uma parte da empresa a qual hoje está praticamente falida. Mais uma vez, enfim.
Aos 19 novamente há procura de emprego. Desta vez assente nas competências que tinha no mesmo dia recebi três ofertas. Uma pareceu-me descabida. Mas 2 delas pareceram-me boas. Uma pagavam cerca de 200 contos na outra apenas 70 contos. Mas o meu bom senso disse-me que a 1ª seria má escolha. Empresa familiar e onde me pareceu que ninguém se entendia.
Optei pela 2ª onde estive 3 anos. Comecei a trabalhar como caixa de bomba de gasolina entre a 1 e as 7 da manhã. Apanhei muitos sustos mas mesmo assim esta empresa japonesa por sinal cumpria com tudo e em pouco tempo promoveu-me. Passei a trabalhar de dia e a ganhar cerca de 200 contos por mês. Não muito tempo depois tive a oportunidade de ingressar no curso que tanto desejei. Técnico de Informática de Nivel III. Mas eram 3 anos e a minha mulher também tinha sido chamada para o curso. Precisava do dinheiro queria o curso. Após muitas hipoteses colocadas pedi para me ser dado a opção de trocar algumas horas. Assim em vez de começar a trabalhar ás 4 da tarde começava ás 6. O colega que me compensava essas horas era recompensado no fim de semana o qual normalmente trabalhava 2 horários completos. Durante a semana das 8:30 ás 17:50 no curso. Depois trabalho das 18:00 ás 01:00. Fim de semana era das 7:00 até á 01:00. Escusado será dizer que aguentei 4 meses a muito custo. Ao fim de 4 meses 2 empregados foram despedidos 1 porque andava a palmar o outro por calonice. Com a empresa desfalcada vi a minha oportunidade de voltar para a noite. E depois de alguns problemas até com o Ministério do trabalho lá consegui. Assim dormia desde a hora a que chegava a casa depois do curso e trabalhava da 1 ás 7. Depois ia directo para o curso. Aguentei esta situação até ao ultimo ano. Já com estágio integrado numa empresa pelo meio. Nesse ultimo ano a gerência mudou e com essa vieram novas ideias o qual não concordei e sai. Fui para um hotel como recepcionista. Ao final de um mês descobri que era mais um engodo. Fui para outro hotel onde estive mais 6 meses e fui despedido por imcompetência 'alheia'. Eu explico, o meu director na noite da passagem de ano resolveu fazer uma reserva para uma Sra. Eng. qualquer mas não a confirmou. Resultado nessa noite a Sra. Ficou sem quarto e quase 2 horas depois da Sra. ter incomodado meio mundo e berrado aos meus ouvidos 'Sou a Eng. não sei o quê e pertenço ao grupo amorim (dona dos hoteis) e sou amiga de outro eng. qualquer'. Disse-lhe com muito cuidado. A Sra. Eng. queria entender por favor que nem que fale com Deus eu não lhe poderei arranjar um quarto. Pronto toca de citar exactamente isto no livro de reclamações. No final dos 6 meses o contracto não foi renovado. Fui para um restaurante trabalhar com Barman até ao ultimo mês de curso onde sai por causa dos ultimos testes.
Em relação ao estágio pois eu acho que tenho uma sorte imensa. No 1º mês e 1ª empresa correu logo mal. Andava a fazer entregas e carregar caixotes. Aprender nada. No final da 4ª semana o meu colega de estágio caiu com um monitor numas escadas. Ao qual a 1ª afirmação dele foi 'não têm cuidado nenhum'. Tendo mesmo esse meu colega ficado aleijado.
Reclamei ao centro pedagógico da situação. Disseram-me que se não fosse lá mais era excluido do estágio. Era o melhor aluno. Logo respondi. Não vou lá mais. Felizmente acabou bem pois fui para outra empresa e excelente por sinal onde tudo correu bem até ao final do estágio. Quiseram que eu ficasse lá a trabalhar mas o ordenado de 400€ em 2001 não me convenceu. Disse mesmo ao gerente que preferia ir voltar a lavar carros. Pensava eu que a lavar carros corria riscos de um emprego precário e mal pago.
Seguiram-se cerca de 4 meses de procura intensa de emprego. Onde no final fiquei com 2 ofertas. Um processo de selecção de uns milhares de pessoas para um empresa do estado. E acabei por escolher esta. A outra opção era o proprio estado. Mas com a sorte toda que tenho nem tudo correu bem. A fase inicial correu melhor do que esperava. Entre 15 apurados acabaram 10. Mas quando foi para escolher a área de desenvolvimento optei por comunicações o qual me foi dito que não pois essa pessoa já estava destinada. E dissera-me assim: 'Vai para sistemas, pois o 'Jorge' gostou muito de ti e a 'Andreia' não vai conseguir assegurar a continuidade da área. Esse mesmo Jorge dois anos passados percebi que o que ele queria era rabos de saia e a competência ficava á porta. Assim que ele saiu a 'Andreia' arranjou uma boa maneira de me transferir pois estava a causar incomodo. Num ano tinha 6 grandes projectos e manutençao ela tinha 'manutenção' que não conseguiu sequer explicar. Mas mesmo assim as minhas chefias resolveram-se por me transferir a mim. Foi fácil pois havia outra área de desenvolvimento a precisar urgentemente de 1 programador com experiência para um projecto novo. O projecto acabou e eu praticamente estou a ser pago para não fazer nada. Sendo que ainda por cima o meu colega directo que nem entrou com 'CUNHA' já começa a reagir ás coisas de maneira a esconder o trabalho não se vá descobrir competências em alguém.
Fim de História
Para quem se deu ao trabalho de ler, sim é verdade e posso provar cada palavra que transcrevi. O meu trabalho assentou sempre na competência e nunca em hipocrisias saloias de pseudo-conhecimento ou cunhas. Nunca tive uma cunha na minha vida mas já tive boas ofertas de emprego. Não fosse o Dubai ser do outro lado do mundo e estaria bem melhor.
Mas a todos aqueles que se queixam da falta de emprego ela existe por uma razão simples. As pessoas ocupam os cargos por cunha ou mero canudo. Porque quando é necessário alguém com um conhecimento técnico da situação ai das duas opta-se por uma. Ou se contracta alguém vindo do exterior ou se encontra alguém no mercado interno. Mas a esse não se pode pagar porque o conhecimento dele não é mais eficaz do que o gajo com o canudo que não faz nada.
Se quisesse um canudo com 'ias' já o tinha. Com muita facilidade. Na área onde trabalho, informática por sinal existem umas centenas deles. Engºs porém com capacidades á 2 ou 3. Eu não sou engº mas pretendo ser mas por acumulação de competências. Não por copianços e pseudo-conhecimentos.
Como a maior parte dos meus colegas dizia no secundário vais seguir para que área. Uma que não tenha matemática ou fisica. BAHHHHHHHHHH. O que é fácil toda a gente consegue o dificil é que nem todos. Procurem desafios e não se rendam ás evidências de um sistema que está condenado.
Um abraço,
Renas
Começo por contar a minha história. Haverá porventura alguém neste forum com percursos idênticos.
Comecei a trabalhar com 16 anos. O 10º ano era de repetição e as notas eram excelentes. Mas o Pai desempregado e a mãe. A falta de credibilidade do ensino levou-me a procurar alternativas.
16 anos, e 1º emprego foi tarefa dificil. Mas arranjei um emprego de vendas porta a porta. Pareceu-me arriscado mas lá teve de ser para ganhar uns cobres. Em pouco tempo estava a ganhar 15 contos por dia. Em 1996 era bom dinheiro. Trabalhava das 6 da manhã até ás 8 da noite para o namoro sobrava apenas a hora do almoço. Ou o café que era o mais normal. A empresa faliu para meu azar.
Aos 17 anos não quiz outro emprego 'arriscado' procurei emprego 'decente' e fui trabalhar para uma loja de motas bicicletas e acessórios. Penso que a maior da zona centro. Na altura era. Ainda não tinha concluido 18 anos e já andava tão maluco que não sabia o que fazer pois além de ganhar o SMN. O meu patrão assim que descobriu que eu com 17 anos estava para casar com uma filha a caminho não me iria despedir então toca de me arrancar o escalpe. 15 dias antes de me casar despedi-me. Ao qual o meu ex-patrão ainda respondeu com muito á vontade: 'Até gosto de ti, só te digo as coisas para abrires os olhos'. Abrir os olhos para ele passava por me mandar com coisas que tivesse á mão á cabeça, cacetadas com o punho fechado na cabeça e berros de meia noite. Enfim FDP há em todo o lado.
Aos 18 anos casado, uma filha a caminho e desempregado. Pior deve ser dificil. Mas rapidamente arranjei emprego. A dobrar chapa e a trabalhar como canalizador. O trabalho fazia-se bem mas infelizmente para mim a empresa era do pai da minha mulher. E o irmão começo a ver com maus olhos algumas ideias inovadoras não fosse eu roubar uma parte da empresa a qual hoje está praticamente falida. Mais uma vez, enfim.
Aos 19 novamente há procura de emprego. Desta vez assente nas competências que tinha no mesmo dia recebi três ofertas. Uma pareceu-me descabida. Mas 2 delas pareceram-me boas. Uma pagavam cerca de 200 contos na outra apenas 70 contos. Mas o meu bom senso disse-me que a 1ª seria má escolha. Empresa familiar e onde me pareceu que ninguém se entendia.
Optei pela 2ª onde estive 3 anos. Comecei a trabalhar como caixa de bomba de gasolina entre a 1 e as 7 da manhã. Apanhei muitos sustos mas mesmo assim esta empresa japonesa por sinal cumpria com tudo e em pouco tempo promoveu-me. Passei a trabalhar de dia e a ganhar cerca de 200 contos por mês. Não muito tempo depois tive a oportunidade de ingressar no curso que tanto desejei. Técnico de Informática de Nivel III. Mas eram 3 anos e a minha mulher também tinha sido chamada para o curso. Precisava do dinheiro queria o curso. Após muitas hipoteses colocadas pedi para me ser dado a opção de trocar algumas horas. Assim em vez de começar a trabalhar ás 4 da tarde começava ás 6. O colega que me compensava essas horas era recompensado no fim de semana o qual normalmente trabalhava 2 horários completos. Durante a semana das 8:30 ás 17:50 no curso. Depois trabalho das 18:00 ás 01:00. Fim de semana era das 7:00 até á 01:00. Escusado será dizer que aguentei 4 meses a muito custo. Ao fim de 4 meses 2 empregados foram despedidos 1 porque andava a palmar o outro por calonice. Com a empresa desfalcada vi a minha oportunidade de voltar para a noite. E depois de alguns problemas até com o Ministério do trabalho lá consegui. Assim dormia desde a hora a que chegava a casa depois do curso e trabalhava da 1 ás 7. Depois ia directo para o curso. Aguentei esta situação até ao ultimo ano. Já com estágio integrado numa empresa pelo meio. Nesse ultimo ano a gerência mudou e com essa vieram novas ideias o qual não concordei e sai. Fui para um hotel como recepcionista. Ao final de um mês descobri que era mais um engodo. Fui para outro hotel onde estive mais 6 meses e fui despedido por imcompetência 'alheia'. Eu explico, o meu director na noite da passagem de ano resolveu fazer uma reserva para uma Sra. Eng. qualquer mas não a confirmou. Resultado nessa noite a Sra. Ficou sem quarto e quase 2 horas depois da Sra. ter incomodado meio mundo e berrado aos meus ouvidos 'Sou a Eng. não sei o quê e pertenço ao grupo amorim (dona dos hoteis) e sou amiga de outro eng. qualquer'. Disse-lhe com muito cuidado. A Sra. Eng. queria entender por favor que nem que fale com Deus eu não lhe poderei arranjar um quarto. Pronto toca de citar exactamente isto no livro de reclamações. No final dos 6 meses o contracto não foi renovado. Fui para um restaurante trabalhar com Barman até ao ultimo mês de curso onde sai por causa dos ultimos testes.
Em relação ao estágio pois eu acho que tenho uma sorte imensa. No 1º mês e 1ª empresa correu logo mal. Andava a fazer entregas e carregar caixotes. Aprender nada. No final da 4ª semana o meu colega de estágio caiu com um monitor numas escadas. Ao qual a 1ª afirmação dele foi 'não têm cuidado nenhum'. Tendo mesmo esse meu colega ficado aleijado.
Reclamei ao centro pedagógico da situação. Disseram-me que se não fosse lá mais era excluido do estágio. Era o melhor aluno. Logo respondi. Não vou lá mais. Felizmente acabou bem pois fui para outra empresa e excelente por sinal onde tudo correu bem até ao final do estágio. Quiseram que eu ficasse lá a trabalhar mas o ordenado de 400€ em 2001 não me convenceu. Disse mesmo ao gerente que preferia ir voltar a lavar carros. Pensava eu que a lavar carros corria riscos de um emprego precário e mal pago.
Seguiram-se cerca de 4 meses de procura intensa de emprego. Onde no final fiquei com 2 ofertas. Um processo de selecção de uns milhares de pessoas para um empresa do estado. E acabei por escolher esta. A outra opção era o proprio estado. Mas com a sorte toda que tenho nem tudo correu bem. A fase inicial correu melhor do que esperava. Entre 15 apurados acabaram 10. Mas quando foi para escolher a área de desenvolvimento optei por comunicações o qual me foi dito que não pois essa pessoa já estava destinada. E dissera-me assim: 'Vai para sistemas, pois o 'Jorge' gostou muito de ti e a 'Andreia' não vai conseguir assegurar a continuidade da área. Esse mesmo Jorge dois anos passados percebi que o que ele queria era rabos de saia e a competência ficava á porta. Assim que ele saiu a 'Andreia' arranjou uma boa maneira de me transferir pois estava a causar incomodo. Num ano tinha 6 grandes projectos e manutençao ela tinha 'manutenção' que não conseguiu sequer explicar. Mas mesmo assim as minhas chefias resolveram-se por me transferir a mim. Foi fácil pois havia outra área de desenvolvimento a precisar urgentemente de 1 programador com experiência para um projecto novo. O projecto acabou e eu praticamente estou a ser pago para não fazer nada. Sendo que ainda por cima o meu colega directo que nem entrou com 'CUNHA' já começa a reagir ás coisas de maneira a esconder o trabalho não se vá descobrir competências em alguém.
Fim de História
Para quem se deu ao trabalho de ler, sim é verdade e posso provar cada palavra que transcrevi. O meu trabalho assentou sempre na competência e nunca em hipocrisias saloias de pseudo-conhecimento ou cunhas. Nunca tive uma cunha na minha vida mas já tive boas ofertas de emprego. Não fosse o Dubai ser do outro lado do mundo e estaria bem melhor.
Mas a todos aqueles que se queixam da falta de emprego ela existe por uma razão simples. As pessoas ocupam os cargos por cunha ou mero canudo. Porque quando é necessário alguém com um conhecimento técnico da situação ai das duas opta-se por uma. Ou se contracta alguém vindo do exterior ou se encontra alguém no mercado interno. Mas a esse não se pode pagar porque o conhecimento dele não é mais eficaz do que o gajo com o canudo que não faz nada.
Se quisesse um canudo com 'ias' já o tinha. Com muita facilidade. Na área onde trabalho, informática por sinal existem umas centenas deles. Engºs porém com capacidades á 2 ou 3. Eu não sou engº mas pretendo ser mas por acumulação de competências. Não por copianços e pseudo-conhecimentos.
Como a maior parte dos meus colegas dizia no secundário vais seguir para que área. Uma que não tenha matemática ou fisica. BAHHHHHHHHHH. O que é fácil toda a gente consegue o dificil é que nem todos. Procurem desafios e não se rendam ás evidências de um sistema que está condenado.
Um abraço,
Renas