Emprendedorismo é moda?

  • Iniciador de tópicos Iniciador de tópicos Pastis
  • Data de início Data de início
Para mim quem vende sonhos é um burlão, e há um Sr. chamado Miguel que é especialista nisso. Vão à TV, falam de maneira engraçada, descontraída, tratam tudo e todos por "tu", iludem as pessoas ao dizer-lhes que tudo é fácil desde que elas se apliquem, que tenham qualidades, que façam algo por ser diferentes passam logo a profetas! Mas a vida não é assim!

Por acaso a comunicação social tem-lhe dado tempo de antena de sobra.

Mas afinal ele produz alguma coisa consumível?
A pergunta é real de facto. O que o homem faz, produz, ou a sua empresa? Ele é só consultor e dá palestras ou tem algo em que produza bens de consumo ou I&D?

Não é inveja do rapaz, mas com tanta conversa às vezes é de desconfiar
 
Eu não me estava a referia ao verdadeiro empreendedorismo mas sim "Moda do empreendedorismo". O empreendedorismo vazio de conteudo que se vende em cursos e palestras um pouco por todo o lado e já aqui citado.

Penso que um empreendedor tem, antes de mais, que ter 1 ideia clara do que quer fazer. Só depois é que a deve colocar em prática.

Neste caso dizemos às pessoas: vc pode empreender mesmo que não tenha ideias, alguma coisa se vai arranjar. E isso acontece por exemplo nos cursos do IEFP ou em pós graduações.

Na minha opinião qualquer negócio deve servir para resolver problemas dos outros ou de outras empresas. Como é que pessoas sem experiência de vida e profissional podem resolver problemas de outros com base em nada?

Não se trata de uma questão de inteligência tb.

Alguns de vcs viram certamente o filme Forest Gump e deverão lembrar-se do Buba. O homem era um retardado que tinha elaborado todo um plano de negócio sobre camarão que ia até ao mais ínfimo detalhe. Pensou naquilo anos a fio e detalhou tudo ao Forest que se limitou a a seguir a ideia após a morte do Buba.

Dou esse exemplo para demonstrar que é necessário pensar muito antes de implementar qq negócio (não basta querer ser empreendedor). Mas não demais porque tb se pode correr o risco de nada-se fazer devido aos bloqueios.[:D]
 
Conheço vários auto-intitulados "empreendedores". Empreendedores a sério conheço poucos. Empreendedores que tiveram sucesso conheço ainda menos, se bem que há alguns que se saíram MUITO bem e aos 30 e poucos anos já garantiram um pé-de-meia simpático para o resto da vida.
No meu caso em concreto, a experiência está a ser muito estimulante e acima de tudo profícua. O meu projecto foi muito recentemente financiado com umas centenas de milhar de euros, dinheiro suficiente para manter a actividade da empresa durante 5 anos, contratar 3 pessoas qualificadas (habilitações ao nível de PhD e MSc) e produzir as provas de conceito que, espero eu, permitirão atrair ainda mais investimento em futuras calls. Tudo isto sem arriscar capitais próprios e mantendo a minha actividade profissional anterior. É um empreendedorismo "com rede"... se a coisa desse para o torto, não cairia desamparado no cimento.

Dito isto, se está na moda ser empreendedor, não sei. Mas tenho a certeza que há boas oportunidades para quem tem boas ideias e, acima de tudo, para quem mostre competências para as por em prática.
 
...

Alguns de vcs viram certamente o filme Forest Gump e deverão lembrar-se do Buba. O homem era um retardado que tinha elaborado todo um plano de negócio sobre camarão que ia até ao mais ínfimo detalhe. Pensou naquilo anos a fio e detalhou tudo ao Forest que se limitou a a seguir a ideia após a morte do Buba.

...
Deves recordar todo o main stream do Forrest Gump, que é associá-lo a uma série de acontecimentos notáveis, a ele uma pessoa com o relógio atrasado. E o sócio do camarão ( Bubba Gump Shrimp Company ), até lhe tinha comprado umas acções de uma empresa que produzia maçãs, a Apple.....
 
O empreendedorismo é sempre moda em tempos de crise, quando as nossas hipóteses de trabalho esgotam e reparas que não podes contar com mais nada do que tu próprio. Existem ideias e ideias, das mais absurdas ao mais um simples café no bairro. Tudo depende da garra que tenhas, e da consciência real dos riscos que se corre e do capital disponível para investimento.
Eu sou mais um "empreendedor" que vai tentar arriscar neste país, vou trabalhar sozinho na prestação de serviços e sem mais ninguém a meu cargo, com investimento total que não ultrapassa os 700€ (por incrível que pareça). Se vai resultar ou não? Eu estou convicto que sim, mas o futuro a curto/médio prazo assim o me vai dizer. Ao menos tentei, porque a vida segue para frente e não posso ficar à espera que me venham chamar a casa para ir trabalhar.
Comprometo-me dar o meu feedback daqui a meia dúzia de meses, e poder relatar a minha própria experiencia.
 
Em abstracto o empreendedorismo é vital para o sucesso de qualquer civilização. As armas de sílex, a maquina a vapor, os aquedutos, as descobertas e muitas outras coisas são fruto do empreendedorismo e vitais para evolução da humanidade.

Por outro lado percebo perfeitamente a questão, que já me passou pela cabeça. Creio que se deva ao facto de certas palavras e discursos estarem gastos. Já nenhum jovem quer ser empresário, porque um "empresário" é aquele gajo obeso de meia idade que fuma charutos e anda de classe E, paga o salário mínimo aos empregados e trata mal toda a gente. Empresárias são as mulheres dos jogadores de futebol. Empresária... é a Maya (não sei qual é o seu core business mas tem fama de ser cartomante). Um jovem não quer estar no mesmo saco da Maya e da Cláudia Jacques e do sr. Vítor que é um burgesso, quer fazer parte de outra classe de pessoas - os empreendedores - e ter como modelos gajos como o Steve Jobs, o Mark Zuck, o rapaz do Tumblr, o Jack Dorsey e por aí fora.

Um jovem não quer ter uma empresa - quer ter uma start-up. Porque uma empresa é uma coisa que é uma dor de cabeça, uma start-up é uma alavanca para o sucesso e quem sabe pode ser vendida por vários milhões ou valorizar loucamente numa IPO. Empresas são os cafés e as funerárias, o jovem quer criar a nova Zynga ou o novo Instagram. Uma olhadela pelas redes sociais e descobrimos um crescente grupo de pessoas que se apresentam como "CEO" de micro-empresas que nem devem ter mais que um ou dois colaboradores. Suponho que sejam C-É-Tudo, né...

Outra questão interessante é a preocupação com a imagem. Ai meu deus que nome vou dar que cores vou usar que mobília vou comprar. Nada contra, a imagem é importante, desde que haja preocupação com a qualidade de serviço, coisa que muitas vezes vejo relegada para segundo plano. Poucos pensam na hipótese de construir o seu próprio nome através de um serviço de indubitável qualidade, preferem fazer all-in numa imagem pomposa e num trocadilho qualquer.

Com isto lembro-me de um momento engraçado. Estava a ver um pequeno vídeo sobre o tema e fui pesquisar o "empreendimento" de um dos testemunhos. Mais não era do que um simples site de arrendamento de apartamentos, igual a muitos outros, com pouca oferta, a preços elevados e com uma pesquisa que funcionava mal.

O coaching é outra coisa engraçada. Ninguém me tira da cabeça que, no fundo, é uma espécie de auto-ajuda. Focada, é certo, mas mesmo assim é auto-ajuda. Não se chama "auto-ajuda" porque esse termo está conotado com o lucrativo ramo da venda de balelas vagas em forma de livro ou palestras.

No fundo acho que esta "moda" é mais uma questão de maquilhagem. Tivemos os "consultores" (acho que até eu agora sou consultor) e a invasão de anglicismos há uns anos, agora é o empreendedorismo. Como em tudo, há que fazer o trabalho de abstracção das palavras e dos estereótipos e retirar o que há de bom.
 
Por acaso a comunicação social tem-lhe dado tempo de antena de sobra.

Mas afinal ele produz alguma coisa consumível?
A pergunta é real de facto. O que o homem faz, produz, ou a sua empresa? Ele é só consultor e dá palestras ou tem algo em que produza bens de consumo ou I&D?

Não é inveja do rapaz, mas com tanta conversa às vezes é de desconfiar


Esse, o BEST, a AIESEC, o TedX(antigamente até se via palestras interessantes online)..parece tudo uma autentica venda de sonhos. Já falei com alguns e dizem que o que querem na vida é motivar pessoas para trabalhar....

Acho que as vezes ser empreendedor é simplesmente pensar "eu tenho este problema, deverão haver outros que o terão, vamos lá resolver isto"...e o problema é quase sempre numa fase inicial o capital para investir (ainda para mais quando os bancos\estado so financiam uma parte e não há capital inicial devido aos nossos baixos salarios).
 
Para quem quer formar uma empresa de IT e paga a alguém para programar o site, desistiu de um curso na faculdade de letras... acho que vai num bom caminho.
 
Empreendedorismo devia ser uma disciplina obrigatória, dada desde tenra idade. É tão importante como a matemática e o Português, a História ou a Geografia.

Há duas coisas que eu mudava no nosso sistema de ensino, uma era logo na primária: Responsabilidade Social (acho que conseguem imaginar o que se ensinaria aqui) e logo no início do liceu: Empreendedorismo. Desde tenra idade as crianças devem ser estimuladas a pensar em gestão, em marketing, em finanças, etc. Porque mesmo que depois sejam advogados, médicos, trolhas ou pescadores no final do liceu, será sempre muito benéfico saber como é que podem criar o seu próprio emprego (seja um consultório/escritório, seja um barco de pesca ou uma empresa de construção civil). Aliás isto nem sequer é uma ideia revolucionária, existe em imensos países, e não é raro ver putos saídos dos liceus da Holanda, Alemanha ou USA já com uma ideia muito bem formatada daquilo que querem construir/fazer.

Já tive este conversa com muitos amigos e é impressionante a diferença entre um típico Português (como eu) e um típico Holandês, por exemplo nesta área. Eu, prezo muito a segurança do trabalho, saber que ao final do mês tenho o ordenado certo, saber que se trabalhar bem posso ser promovido e ganhar mais dinheiro, mas pensar em sair da empresa e criar o meu próprio emprego traz-me tantas perguntas à cabeça que não consigo tomar nenhum iniciativa, apenas adio essa ideia. Por outro lado, tenho imensos amigos Nórdicos/Holandeses/Alemães, cuja ideia é a oposta, vieram para a empresa "a prazo", a ideia é em 2 anos ganharem dinheiro suficiente e know-how para poderem sair e abrir a sua própria empresa, serem patrões de si próprios. E nem sempre corre bem, mas estão-se a marimbar para os riscos, é o prazer "de jogar"!

E esta diferença de atitude, tem apenas e só a ver com a educação que nos foi dada, que é de facto muito diferente!
 
Voltar
Superior