Afonso Henriques - IPPAR - COMPLEX

J.R.

Banido
Este é o país que temos.
Onde para fazer qq coisa temos as burocracias dos vários poderes instituídos que impedem qq coisa que se faça.



Diocese e Universidade de Coimbra solidárias com investigadores



João Fonseca *

O bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, manifestou a solidariedade da diocese para com a investigadora e docente universitária Eugénia Cunha, cujo projecto de abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, foi cancelado quinta-feira por ordem dos serviços centrais do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). A intervenção, visando reconstituir o perfil biológico do primeiro rei de Portugal, e autorizada pela Direcção Regional de Coimbra daquele instituto e pela diocese, deveria - recorde-se - ser executada nesse mesmo dia.

Contactado pelo DN, D. Albino Cleto escusou-se a entrar em detalhes, mas disse ter sido "surpreendido [quinta-feira] por um contacto, delicado e correcto, do IPPAR, para [o] informar do embargo". Aos contactos da equipa de investigação, registados em Março e em Junho, para a necessária autorização, D. Albino Cleto respondera "por escrito", lembrou, dizendo que "a Igreja nada tinha a opor" ao projecto, exigindo apenas que "se mantivessem as condições de culto e de respeito pelo lugar sagrado", que "fosse isolada a capela-mor" e os "exames de peritagem fossem feitos [tanto quanto possível] no exterior", "para o que foi disponibilizado um espaço".

Consumado o cancelamento da intervenção, outras manifestações de apoio surgiriam: Eugénia Cunha disse ao DN que toda a equipa de investigadores envolvidos no projecto, designadamente o seu consultor científico, José Mattoso, lhe manifestou a sua "solidariedade" e votos de que "o projecto prossiga". Idêntico gesto foi tomado pelo reitor da Universidade de Coimbra, Seabra Santos.

Com este cancelamento, sem efeito ficou também um documentário, de registo da intervenção, que a produtora portuguesa Brave Ant deveria realizar para o canal National Geographic. Alexandrina Pereira, daquela produtora, disse ao DN que tudo estava pronto no local quando, duas horas antes de se proceder à abertura da arca tumular, as equipas foram informadas da decisão.

O DN tentou ontem contactar o presidente do IPPAR, mas tal não foi possível, dado Elísio Summavielle se encontrar em serviço fora do País.

Fonte dos serviços centrais do instituto referiu, no entanto, que, dada a "omissão da lei", projectos desta natureza, envolvendo operações de exumação, são objecto de "uma análise caso a caso", com base em "parecer jurídico". A um pedido semelhante, visando o túmulo de D. Sebastião, no Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa, e ainda em avaliação, é recomendada a sujeição a autorização, entre outros, da Igreja, Instituto de Medicina Legal e ministra da Cultura e/ou primeiro-ministro, dado o relevo da figura em apreço.

No caso do túmulo do primeiro rei de Portugal, a titular da pasta da Cultura só teve conhecimento da exumação no próprio dia da sua realização. Segundo o DN apurou, o pedido de intervenção no túmulo de D. Afonso Henriques deu entrada nos serviços regionais de Coimbra do IPPAR a 14 de Julho de 2005. A 21, é dada autorização, condicionada a referência obrigatória ao instituto e à entrega naqueles serviços de cópia do trabalho desenvolvido. Já este ano, a 20 de Junho, os serviços centrais do IPPAR recebem um pedido, de uma produtora privada, para filmagens em Santa Cruz de Coimbra, visando o registo da intervenção.

Ao que apurámos, e apesar deste súbito cancelamento, o projecto deverá ser retomado, havendo receptividade do Ministério da Cultura para tal. * Com Leonor Figueiredo e Maria João Pinto
 
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