Isto é daquelas coisas...a história que por ora vos conto é verídica, felizmente. E é daquelas que devia constar de alguns manuais de gestão ou empreendedorismo ou o raio que o valha...
Um gajo que pertence agora ao meu círculo familiar, e excelente pessoa por sinal, teve durante anos e anos a ocupação de segurança em discotecas, bares e até parques industriais.
Sei que a dada altura da vida dele ficou desempregado, com 2 filhos, agora já maiores de idade, ao seu encargo. O que é que ele magicou?
Pois bem, nas imediações de um local onde trabalhou reparou que não "havia nada"...fosse o indivíduo que trabalhava por turnos numa fábrica e gostava de aconchegar o estômago à saída/entrada, fosse o camionista que esperava largas horas para descarregar a mercadoria, e por aí em diante, todos se queixavam do mesmo. Não havia um alternativa mais interessante que os bolos e salgados vendidos numa estação de serviço da zona.
Se bem o pensou, melhor o fez...comprou uma roulote e ofereceu ainda mais do que procuravam. Bifanas, hambúrgueres e snacks, condimentados com aquilo que faltava realmente: a pitada de "relacionamento humano" e atendimento impessoal na tal estação de serviço.
Daí à inclusão de sopas "caseiras" no "cardápio" foi um instante. O que atraiu também os mais zelosos com o colesterol e afins. [

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E a tal roulote, que muitos pensavam uma loucura, começou a ter cada vez mais clientes. Se no início a ideia era servir aquele ponto de passagem em particular, rapidamente apareceu um multidão que fazia desvios de vários quilómetros porque o o amigo aconselhou, ou o amigo do amigo disse bem.
E o que, se bem percebi contado pelo próprio, era uma forma de ganhar uns "trocos" para fazer face ao desemprego, transformou-se na sua actividade profissional, já com empregados pelo meio.[

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Disse-me o homem certa vez num almoço de família que não há segredo e teve apenas sorte. Pois eu acho que há.[

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Nunca deixa passar mais de dois/três dias sem estar num dos "pontos de venda" umas valentes horas. É o garante do serviço tal como como o criou, e os clientes reparam nisso. Até porque foi "ele" que os cativou e muitos, para além dos hambúrgueres, das sopas e das bifanas, vão lá por ele. Pela personalidade alegre, pela generosidade que o caracteriza, enfim...
Resumindo: identificou a oportunidade, respondeu e excedeu as expectativas e soube fazer marketing de forma brilhante. Ainda que, de certa forma, involuntariamente, digamos.
Não houve análises SWOT, plano de não-sei-quê....whatever...
Mas que tudo isto foi feito, ainda que sem saber os nomes técnicos, disso não tenho dúvida. De outra forma, seria impossível.