Abrir Negócio... Viável?

Além do que já mencionaram sobre as crianças não poderem sair há ainda outro factor que eu acho que deve ser bem ponderado: é que a maioria dos miudos não tem assim tanto dinheiro para gastar em guloseimas quanto isso, para já não dizer que muitos hoje em dia nem sequer andam com dinheiro e sim com cartões próprios da escola que não permitem fazer compras fora.
Eu acho m negócio muito arriscado tendo em conta tão grande especificidade do público alvo.
 
Tens que fazer uma avaliação de quanto precisas de faturar, p.e:

-200€ renda (pressupondo que já tem gastos com agua, luz, comunicação);
-656€ salário (530 salario minimo + custos com SS )
- Custo da Mercadoria (Não faço ideia os custos mas acho que tens que ter em conta o prazo de validade das gomas)
- Eventuais custos com as constituição da empresa (decoração, equipamentos)

Assim por alto eu diria que se faturares menos de 1500€ por mês nem dá para sobreviveres... e será que se consegue 1500€ em guloseimas facilmente? Acho que devias apostar num negócio em que os produtos fossem produzidos em casa, de modo a ganhar uma margem de lucro superior da venda. Não me parece que nas gomas tenhas um lucro absurdo, mas isto sou eu a dizer pois não estou muito dentro desse tipo de negócio. Talvez apostasse em sumos ou gelados artesanais, a juntar às tais guloseimas.
 
Isto é daquelas coisas...a história que por ora vos conto é verídica, felizmente. E é daquelas que devia constar de alguns manuais de gestão ou empreendedorismo ou o raio que o valha...

Um gajo que pertence agora ao meu círculo familiar, e excelente pessoa por sinal, teve durante anos e anos a ocupação de segurança em discotecas, bares e até parques industriais.

Sei que a dada altura da vida dele ficou desempregado, com 2 filhos, agora já maiores de idade, ao seu encargo. O que é que ele magicou?

Pois bem, nas imediações de um local onde trabalhou reparou que não "havia nada"...fosse o indivíduo que trabalhava por turnos numa fábrica e gostava de aconchegar o estômago à saída/entrada, fosse o camionista que esperava largas horas para descarregar a mercadoria, e por aí em diante, todos se queixavam do mesmo. Não havia um alternativa mais interessante que os bolos e salgados vendidos numa estação de serviço da zona.

Se bem o pensou, melhor o fez...comprou uma roulote e ofereceu ainda mais do que procuravam. Bifanas, hambúrgueres e snacks, condimentados com aquilo que faltava realmente: a pitada de "relacionamento humano" e atendimento impessoal na tal estação de serviço.

Daí à inclusão de sopas "caseiras" no "cardápio" foi um instante. O que atraiu também os mais zelosos com o colesterol e afins. [:D][:)]

E a tal roulote, que muitos pensavam uma loucura, começou a ter cada vez mais clientes. Se no início a ideia era servir aquele ponto de passagem em particular, rapidamente apareceu um multidão que fazia desvios de vários quilómetros porque o o amigo aconselhou, ou o amigo do amigo disse bem.

E o que, se bem percebi contado pelo próprio, era uma forma de ganhar uns "trocos" para fazer face ao desemprego, transformou-se na sua actividade profissional, já com empregados pelo meio.[;)]

Disse-me o homem certa vez num almoço de família que não há segredo e teve apenas sorte. Pois eu acho que há.[:p]

Nunca deixa passar mais de dois/três dias sem estar num dos "pontos de venda" umas valentes horas. É o garante do serviço tal como como o criou, e os clientes reparam nisso. Até porque foi "ele" que os cativou e muitos, para além dos hambúrgueres, das sopas e das bifanas, vão lá por ele. Pela personalidade alegre, pela generosidade que o caracteriza, enfim...

Resumindo: identificou a oportunidade, respondeu e excedeu as expectativas e soube fazer marketing de forma brilhante. Ainda que, de certa forma, involuntariamente, digamos.

Não houve análises SWOT, plano de não-sei-quê....whatever...

Mas que tudo isto foi feito, ainda que sem saber os nomes técnicos, disso não tenho dúvida. De outra forma, seria impossível.
 
O que eu faria no teu lugar (ainda que sem mais detalhes seja muito especular) e desde que também existissem moradores perto da escola:

Um pequeno espaço para "comes e bebes", mas coisas tudo soft, parte delas feitas em casa e com o menor investimentos possível: umas sandes, uns bolos, sopas, gelados, croissants, sumos naturais, algumas guloseimas...

Conheço um estabelecimento deste género (chamam-lhe croissanteria) e a coisa vai de vento em popa! Começou a patroa e uma empregada (mais cozinheira que qualquer outra coisa) e agora já por lá laboram 4 pessoas! No verão a atividade cai um bocado (não há aulas e a zona tem pouco turismo), mas é quando a malta tira férias!

Lá em casa os dois falamos muito de um largar tudo para uma coisa dessas, mas falta algo muito importante: CORAGEM!!!
 
Por acaso umas das coisas que me faz alguma confusão é haver tantos alertas para o excesso de açúcar (e outras porcarias) ingeridos pelas crianças, e depois deixarem abrir casas/quiosques á porta da escola que, basicamente, vendem "porcaria" para eles comerem!

Não deveria haver mais legislação/controle sobre isto?
 
Por acaso umas das coisas que me faz alguma confusão é haver tantos alertas para o excesso de açúcar (e outras porcarias) ingeridos pelas crianças, e depois deixarem abrir casas/quiosques á porta da escola que, basicamente, vendem "porcaria" para eles comerem!

Não deveria haver mais legislação/controle sobre isto?
Nem o álcool e o tabaco eles conseguem controlar, quanto mais. [8b]
 
Boa tarde.
Agradeço desde já as vossas respostas e li todas com atenção.
De facto as férias escolares foram pensadas e claro que é uma altura que o negocio acabaria por cair mas o publivo-alvo não seria 100% a canalha...
Vai ser bem pensado antes de me aventurar ... Não farei QQ crédito inicial... Tenho um pouco d lado porque ha mais de 8 anos que junto dinheiro para um pequeno negocio. Não é muito daí a candy shop me parecer um negócio que não envolva tanto investimento inicial mas...

Em relação aos lucros creio que nas guloseimas a venda ao publica ronde o dobro da paga aos fornecedores. Para terem uma ideia um chocolate KitKat fica por 40 cm e é vendido a cerca de 80,90.1€
As pastilhas elásticas ficam a 2centimos são vendidas a 5 a maioria.... Isto pelo que me tenho andado a informar.

Cumps
 
Vai mantendo o tópico activo, é sempre interessante, e caso sigas para a frente podias fazer disto uma espécie de DB do negocio.
 
Por acaso umas das coisas que me faz alguma confusão é haver tantos alertas para o excesso de açúcar (e outras porcarias) ingeridos pelas crianças, e depois deixarem abrir casas/quiosques á porta da escola que, basicamente, vendem "porcaria" para eles comerem!

Não deveria haver mais legislação/controle sobre isto?

Tenho uma ideia contrária... As crianças é que deveriam ser educadas a controlarem-se e frequentarem estes locais ocasionalmente. Se eu consigo passar em frente de uma loja e pensar "não preciso disto agora" porque eles não o podem também?
 
Por acaso umas das coisas que me faz alguma confusão é haver tantos alertas para o excesso de açúcar (e outras porcarias) ingeridos pelas crianças, e depois deixarem abrir casas/quiosques á porta da escola que, basicamente, vendem "porcaria" para eles comerem!

Não deveria haver mais legislação/controle sobre isto?

Penso que chegou a haver uma proposta de lei com esse objectivo. Não sei se chegou a ser aprovada....
 
Se eu consigo passar em frente de uma loja e pensar "não preciso disto agora" porque eles não o podem também?

Porque são crianças? duh...

Relativamente ao tópico, tenho ideia que os miudos já não levam dinheiro para a escola. Julgo que agora usam cartões pré-carregados que só podem ser usados na cafetaria da escola, precisamente para não irem gastar dinheiro onde não devem.

Quem tiver putos em idade escolar que confirme, mas julgo que é assim na maioria das escolas.
 
Ola amigos :)
É o seguinte, gostaria de receber as vossas opiniões em relação à viabilidade na abertura de uma loja comercial tipo "candy shop" (não estou a falar de casa de meninas :) ).
No fundo a minha ideia seria abrir uma loja de venda de doces, guloseimas, chocolates, bebidas e talvez uns panikes ou bolos...

A minha ideia seria:
- loja pequena (renda baixa)
- junto a escola básica ou secundária
- talvez vender ao peso
...
Pergunto vos o que acham e como prespectivam o futuro de um negócio destes? Acham que vale a pena arriscar? Por um lado penso que sim ( lembro me de um quisoque junto a escola onde estudei há uns valentes anos e o homem vendia que se fartava), mas por outro lado penso .. Será vender gomas e pastilhas elásticas suficiente para pagar renda (+/- 200€/mês) + ordenado?

Agradeço as vossas respostas,
Bem hajam.
Cumprimentos

ERa um excelente modelo de negocio à uns 20 anos. Depois sairam carradas de leis para limitar o acesso dos putos ao exterior da escola exactamente devido a este tipo de negocios. Recordo-me de ter 10 ou 12 anos (tenho 37) e já na altura começaram a aparecer primeiras limitacoes para se sair das escolas (e falo de publicas pq colegios sempre foi mais dificil)

Hoje como carregam cartoes e nao costumam andar com muito dinheiro (para alem da diversidade de lojas q vendem este tipo de item) faz com q ja nao seja uma galinha dos ovos de ouro (e as leis q foram aparecendo fazem sentido ate pq tem quem arrebentava com a saude a comer disso)...

Mais depressa abriria uma mini mercado (algo mesmo pequeno ate pode ser tamanho de uma sala) num local onde nao exista nada genero.
Muito negocio do genero mesmo pouco movimentado permite auferir 1500€ liquidos . Nao é fortuna mas garantidamente terás sempre algumas vendas.
Ja vivi em local onde para ir ao supermercado tinha de ir de carro e estes mini estabelecimentos (era algo da divisao de uma sala) permitia desenrascar em quase tudo. Ou seja se era para comprar azeite, um queijo para o jantar, garrafa de vinho ou detergente q tinha acabado este tipo de negocio desenrrasca sempre. E facilmente dobras sempre valor mesmo vendendo barato

Valores tenho ideias pq adoro puxar conversas para fazer algumas avaliacoes de mercado [:D] Ou falar com alguns TC´s da zona e num copo ou dois falam facturacao de clientes. E falo de negocios fracos. Pq conheço cafes da esquina q só tem velhos e bebados e fazem mais 100 mil ano de facturacao
 
Última edição:
Porque são crianças? duh...

Relativamente ao tópico, tenho ideia que os miudos já não levam dinheiro para a escola. Julgo que agora usam cartões pré-carregados que só podem ser usados na cafetaria da escola, precisamente para não irem gastar dinheiro onde não devem.

Quem tiver putos em idade escolar que confirme, mas julgo que é assim na maioria das escolas.

O mesmo se aplica a (alguns) membros aqui do fórum quando passam em frente do concessionário "daquela" marca! :)

Agora a sério, não sei como faziam na vossa infância mas os meus pais sempre me educaram a gerir as coisas. Comigo, os meus pais davam me a mesada e com esse dinheiro eu almoçava, pagava os transportes e o que sobrava ficava para mim (muitas vezes não sobrava nada).

Isto para dizer que não estava proibido de ir a esses sítios mas naturalmente evitava-os.
 
Isto é daquelas coisas...a história que por ora vos conto é verídica, felizmente. E é daquelas que devia constar de alguns manuais de gestão ou empreendedorismo ou o raio que o valha...

Um gajo que pertence agora ao meu círculo familiar, e excelente pessoa por sinal, teve durante anos e anos a ocupação de segurança em discotecas, bares e até parques industriais.

Sei que a dada altura da vida dele ficou desempregado, com 2 filhos, agora já maiores de idade, ao seu encargo. O que é que ele magicou?

Pois bem, nas imediações de um local onde trabalhou reparou que não "havia nada"...fosse o indivíduo que trabalhava por turnos numa fábrica e gostava de aconchegar o estômago à saída/entrada, fosse o camionista que esperava largas horas para descarregar a mercadoria, e por aí em diante, todos se queixavam do mesmo. Não havia um alternativa mais interessante que os bolos e salgados vendidos numa estação de serviço da zona.

Se bem o pensou, melhor o fez...comprou uma roulote e ofereceu ainda mais do que procuravam. Bifanas, hambúrgueres e snacks, condimentados com aquilo que faltava realmente: a pitada de "relacionamento humano" e atendimento impessoal na tal estação de serviço.

Daí à inclusão de sopas "caseiras" no "cardápio" foi um instante. O que atraiu também os mais zelosos com o colesterol e afins. [:D][:)]

E a tal roulote, que muitos pensavam uma loucura, começou a ter cada vez mais clientes. Se no início a ideia era servir aquele ponto de passagem em particular, rapidamente apareceu um multidão que fazia desvios de vários quilómetros porque o o amigo aconselhou, ou o amigo do amigo disse bem.

E o que, se bem percebi contado pelo próprio, era uma forma de ganhar uns "trocos" para fazer face ao desemprego, transformou-se na sua actividade profissional, já com empregados pelo meio.[;)]

Disse-me o homem certa vez num almoço de família que não há segredo e teve apenas sorte. Pois eu acho que há.[:p]

Nunca deixa passar mais de dois/três dias sem estar num dos "pontos de venda" umas valentes horas. É o garante do serviço tal como como o criou, e os clientes reparam nisso. Até porque foi "ele" que os cativou e muitos, para além dos hambúrgueres, das sopas e das bifanas, vão lá por ele. Pela personalidade alegre, pela generosidade que o caracteriza, enfim...

Resumindo: identificou a oportunidade, respondeu e excedeu as expectativas e soube fazer marketing de forma brilhante. Ainda que, de certa forma, involuntariamente, digamos.

Não houve análises SWOT, plano de não-sei-quê....whatever...

Mas que tudo isto foi feito, ainda que sem saber os nomes técnicos, disso não tenho dúvida. De outra forma, seria impossível.

nem um business case com umas pivots?! Umas P&L?!

tá mal [:D]
 
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