[Sociedade] A poesia erótica, e Bocage

nunomplopes

New member
Já por diversas vezes estive para levantar este debate, mas como estou limitado pelas regras, não irei dar a conhecer nada da sua obra. E quando, meio mundo aqui diz que, a poesia é lamechice, aconselho a culturalmente nos aprofundarmos um pouco (entre tantos...) sobre o poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage.

E isto reside na sua denominada poesia erótica, como parte da sua obra só denoto que, isto é uma face oculta dele, talvez o preconceito ainda resida a que não exista a suficiente abertura para o aceitar.

Não sei faz parte do plano curricular, mas espero que estejam aqui os Professores (como demais) para me esclarecer, e a sua visão sobre o que levanto aqui. (A minha escola já lá vai...)

Recordo-me de em tempos elaborar um trabalho biográfico sobre o poeta e a sua obra, e a parte da poesia erótica foi por mim marginalizada, por receio que isso comprometesse a minha nota, como a incompreensão das pessoas aquando a minha apresentação do mesmo.

Deverá este lado de Barbosa du Bocage permanecer no esquecimento que lhe damos?

Quem acha que a poesia é maçuda só parte de si, não do poeta. A poesia é uma das melhores formas de liberdade em expressarmo-nos.

Boas participações, e cultivem-se um pouco![;)]
 
Permanecer no esquecimento?Essa é a faceta mais conhecida do Bocage. Infelizmente. Eu antes de ouvir falar do Camões ( aí com uns 6 anos) já sabia que o Bocage era um poeta que gostava da farra.
 
Bocage é porventura um doa mais conhecidos poetas portugueses. Se o é por boas ou más (menos próprias) razões, isso é outra conversa.

Mas não devemos associar Bocage apenas à poesia erótica. Há toda uma obra satírica, dramática, improvisos, etc.
 
A Pavorosa Ilusão
Epístola


"Pavorosa ilusão da eternidade,
Terror dos vivos, cárcere dos mortos,
D'almas vãs sonho vão, chamado inferno;
Sistema da política opressora,
Freio, que a mão dos déspotas, dos bonzos
Forjou para a boçal credulidade;
Dogma funesto, que o remorso arraigas
Nos ternos corações, e a paz lhe arrancas;
Dogma funesto, detestável crença
Que envenenas delicias inocentes,
Tais como aquelas que no céu se fingem.
Fúrias, cerastes, dragos, centimanos,
Perpetua escuridão, perpetua chama;
Incompatíveis produções do engano,
Do sempiterno horror terrível quadro
(Só terrível aos olhos da ignorância)
Não, não me assombram tuas negras cores:
Dos homens o pincel e a mão conheço.
Trema de ouvir sacrílego ameaço
Quem de um Deus, quando quer, faz um tirano.
Trema a superstição; lagrimas, preces,
Votos, suspiros, arquejando espalhe;
Cosa as faces co'a terra, os peitos fira:
Vergonhosa piedade, inútil vénia."

Manuel Maria Barbosa du Bocage


muito melhor que a poesia erótica se me perguntarem a minha opinião [;)]
 
Bocage é porventura um doa mais conhecidos poetas portugueses. Se o é por boas ou más (menos próprias) razões, isso é outra conversa.

Mas não devemos associar Bocage apenas à poesia erótica. Há toda uma obra satírica, dramática, improvisos, etc.

Sim eu sei, e reconheço as varias vertentes do poeta e estava para poder abordar isso, mas como penso ser este o lado mais oculto dele e, que não veja assim tanta discussão sobre isto e o que comigo se passou, em ter de ofuscar um pouco na apresentação do meu trabalho e a curiosidade em relação a esta parte no ensino. Ou se pode ser isto um motivo à deseducação, a reconhecer o ensino desta parte da sua obra.
 
Bocage era um génio, se querem a minha opinião, e não será apenas pelas poesias das "caralhadas".


E a poesia não é lamechas, poesia reles, desenxabida, repetitiva e desinspirada pode sim ser muito lamechas.
 
Bocage e tantos outros génios da nossa cultura só foram verdadeiramente reconhecidos depois de mortos.
Por cá, quase sempre é preciso morrer para se ter acesso ao reconhecimento.
A genialidade tem dessas coisas. Estar á frente do seu tempo paga-se com incompreensão e, por vezes, até com desprezo.

Mas os artistas sempre estiveram avançados relativamente à sua época, na forma de pensar, de não se acomodarem e terem uma visão mais moderna e livre que a maioria da sociedade.
Quem não se lembra de ter estudado os escândalos causados por movimentos como o Expressionismo, Fauvismo, Cubismo, etc.?

Poesia não são só palavras, são sentimentos e expressões tornados audíveis através de letras. Apenas isso... o que já é muito!
Só acha lamechas quem verseja “O João levava um balão pendurado na mão” ou “Amo-te daqui até ao céu e do céu até aqui”.

Ver mais além também é soltar a sua loucura sem medo de dizer as asneiras necessárias para se ser livre e único.
O padrão simbolizado pela “carneirada” é, quase sempre, o carcereiro da liberdade no qual se refugiam os sem imaginação.
É preciso muita coragem para ser-se louco e um pouco de loucura para ser-se livre.
Ah, já agora, parabéns por mais um belo tópico, Nuno.[;)]
 
Voltar
Superior