O inquérito aos utilizadores da rede de comunicações é um dos pontos do conflito. No ofício que o propõe, e a que a SIC teve acesso, a SGMAI argumenta que a avaliação "assenta, atualmente, de forma quase integral, em indicadores apurados e reportados pela própria SIRESP, S.A." e que esse reporte "mede a rede conforme instrumentada, e não o serviço conforme recebido pelas forças e serviços de segurança".
Por outras palavras, é a entidade que está a ser avaliada que entrega os dados com que vai ser escrutinada e não os utilizadores da rede.
“Poe-se a raposa dentro do galinheiro”, disse Ricardo Carrilho em entrevista è SIC Notícias. “Se a GNR, PSP ou qualquer outro tiver razões de queixa quanto ao funcionamento da rede vai-se queixar a quem está a ganhar dinheiro graças à existência da própria rede”, exemplificou.
A exposição de 13 de agosto a que a SIC teve acesso resume o princípio assim: "A entidade beneficiária da indemnização compensatória não pode simultaneamente dirigir funcionalmente os recursos responsáveis pela produção dos elementos que suportam a validação" dos pagamentos. O mesmo documento invoca regras de segregação de funções do regime do setor empresarial do Estado e, para investimentos com fundos europeus, da legislação da União Europeia, além da fiscalização do Tribunal de Contas.
O documento acrescenta que "a discrepância entre indicadores de disponibilidade agregada e experiência operacional concreta é conhecida e recorrente". Cita a cobertura no interior de edifícios e em áreas florestais, o comportamento da rede quando há muitos utilizadores em simultâneo e os prazos de reparação de infraestruturas avariadas. E remata:
“A verificação de uma obrigação de serviço público não pode repousar apenas na declaração do respetivo beneficiário.”
A SGMAI queria recolher as respostas numa plataforma própria, deixando à SIRESP S.A. apenas o envio do link aos utilizadores. Segundo o ofício de 7 de setembro,
não foi demonstrado que o questionário alguma vez tenha sido divulgado.