A Cidália e os "deslizes" (ou infidelidades para os menos susceptíveis)

portishead

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(...)
Vários amigos meus estão agora a separar-se. Lamento por eles, porque há também um bocadinho de mim que morre com o amor que nunca foi meu mas que vi nascer. É definhar. Assistir ao fim do amor mata-me.(...)
O amor comporta muitos sacrifícios, mas depois há um dia em que acordamos e aquela força parva que nunca esteve do nosso lado acorda connosco e deperta para nunca mais adormecer.(...)
Os meus amigos eram quase perfeitos no amor, ou na ideia que temos dele. Não fossem os deslizes. E os deslizes são graves. Ela desculpou o primeiro, não quis ver o segundo, chorou o terceiro, arrependeu-se de ter permitido o quarto, e se calhar foi ao quinto que disse: “Chega!”. Por “deslize” não tem que se entender um acto consumado, mas a intenção de cometê-lo. Para mim, e para ela, são igualmente importantes. Enquanto que a pessoa com quem partilhamos a cama está a pensar como vai cometer esse deslize, nós já deixamos de existir na cabeça dela. Ou só existimos porque constituímos um entrave ao acontecimento.
O meu amigo está a sofrer, é verdade. E há uma parte de mim que também é solidária com a sua dor. É que, para ele, os deslizes não tinham importância nenhuma porque ele gosta mesmo é dela. Deslizes e felizes são palavras que rimam na cabeça dele. E curiosamente rimam mesmo. Mas na minha fazem faísca.
A acabar o ano permitam-me estas linhas de filosofia barata, como se eu soubesse escrever outra coisa... O amor bem nutrido compensa mesmo e a fidelidade (por mais que a braguilha torça) é um mal necessário. Ou então já sabem que tudo o que fizeram vão também receber. Eu sei isso tão bem do meu passado recente. Isto não quer dizer que não prevarique... Tenho é consciência que não vou ser poupada pela má sorte.
Ou o amor ou os deslizes. E deslizes no amor dá qualquer coisa como dois infelizes.
Não é tão fácil de perceber o amor?

Parte da crónica de “O Sexo e a Cidália”, 29 de Dezembro de 2007 NS (DN)

 
Gostei.

Infelizmente ainda há quem ache que se não houver acto não existe traição. Só que muitas vezes (senão a totalidade) magoa mais a intenção o pensamento do que o acto em si.
 
provavelmente pensas que o teu marido(?) nunca pensou em como seria dar uma tranca na vizinha.......:)
ld


Eh pá espero que não!!! As vizinhas estão todas acima dos 50/60 anos, somos os mais novos!!![:)]

Mas ao que me referia são outras tentações!!Outro tipo de pensamento! Um amigo/uma amiga com quem se brinca, se têm conversas mais picantes e perversas e que no fim como eu costumo dizer, mais valia resolverem tudo entre lençois do que andar no chove e não molha!!! Só que enquanto chove e não molha acham muitas e muitos que não é traiçao! E essas magoam muito![;)]
 
Eh pá espero que não!!! As vizinhas estão todas acima dos 50/60 anos, somos os mais novos!!![:)]

» parece-me que foste tu quem escolheu a casa[:D]

Mas ao que me referia são outras tentações!!Outro tipo de pensamento! Um amigo/uma amiga com quem se brinca, se têm conversas mais picantes e perversas e que no fim como eu costumo dizer, mais valia resolverem tudo entre lençois do que andar no chove e não molha!!! Só que enquanto chove e não molha acham muitas e muitos que não é traiçao! E essas magoam muito![;)]

» pois é:)

ld
 
Os chamados "deslizes" por vezes é bem mais complicado do que aparenta, umas vezes necessarios outras impossiveis de se evitarem [;)]
 
A monogamia é uma invenção cultural contrária à nossa natureza animal. Quase todos os homens teriam relações extraconjugais se tivessem a certeza que não seriam apanhados.

É essa a sua natureza...
 
A monogamia é uma invenção cultural contrária à nossa natureza animal. Quase todos os homens teriam relações extraconjugais se tivessem a certeza que não seriam apanhados.

É essa a sua natureza...

Então porque se casam? Será só para obter mais benefícios fiscais?
 
Então porque se casam? Será só para obter mais benefícios fiscais?

Pq gostam de ter uma "limpinha" em casa, para lhes fazer a comida, limpar a casa, cuidar dos filhos... [:)]

A brincar a brincar, conheço quem seja assim, e tb podemos recordar aqui aquela cena do "Analise This" com o Robert De Niro, em que depois da proposta do psiquiatra para a mulher do Niro lhe fazer o que faz a amante, ele responde: "Tá a brincar?? A minha mulher beija os meus filhos!!" [:)]
 
Eu não gosto de traição e acho que não ia perdoar uma.
Mas se o meu namorado me propuser uma relação aberta eu aceitaria. É preferível que as coisas sejam feitas com o consentimento dos dois e em direitos iguais, do que andar a fazer as coisas às escondidas e colocando em causa a relação e os sentimentos da outra pessoa.
Acho perfeitamente normal que um homem ou uma mulher se sinta atraidos por outra pessoa, mas amar só se ama uma pessoa, aquela com quem queremos realmente estar. Podemos mandar as cambalhotas que quisermos com outras pessoas, mas abraçar e dizer que se ama e apenas a uma pessoa.

Eu consigo fazer uma distinção entre sexo pelo simples prazer de o fazer e o acto de fazer amor com a pessoa que realmente ama-mos.
 
Traição para mim, é tudo, desde o pensamento, ao acto.


isso tambem é ser tambem rádical demais. os nossos instintos levam muitas vezes a pensar em muitas coisas, mas depois a nossa parte racional leva-nos a não os executar.

claro que sou fiel à minha mulher e ela tambem a mim, mas daí a eu não pensar em gajas mamalhudas e ela em gajos sem barriga vai uma grande distancia.
 
Eu não gosto de traição e acho que não ia perdoar uma.
Mas se o meu namorado me propuser uma relação aberta eu aceitaria. É preferível que as coisas sejam feitas com o consentimento dos dois e em direitos iguais, do que andar a fazer as coisas às escondidas e colocando em causa a relação e os sentimentos da outra pessoa.
Acho perfeitamente normal que um homem ou uma mulher se sinta atraidos por outra pessoa, mas amar só se ama uma pessoa, aquela com quem queremos realmente estar. Podemos mandar as cambalhotas que quisermos com outras pessoas, mas abraçar e dizer que se ama e apenas a uma pessoa.

Eu consigo fazer uma distinção entre sexo pelo simples prazer de o fazer e o acto de fazer amor com a pessoa que realmente ama-mos.

Aplaudo a tua franqueza e concordo em grande parte com o que dizes. Só a parte de "mandar as cambalhotas que quisermos" é que me deixa mais reticente... não digo que não mas acho que para isso só com uma relação extremamente forte e estável em que haja um graaaaaaaande diálogo. É que enquanto não se fala no assunto, todas relações são estáveis... quando se menciona essa "abertura" normalmente a coisa começa a descambar.
 
Eu consigo fazer uma distinção entre sexo pelo simples prazer de o fazer e o acto de fazer amor com a pessoa que realmente ama-mos.

Nem mais.

Eu homem, falo por mim, quando tenho esses pensamentos pecaminosos [:D] é pura e simplesmente pelo sexo, pelo simples prazer de o fazer, porque a verdade é que amor só há um, e o "sexo" que se faz com a pessoa que se ama tem uma magia totalmente diferente.

No meu caso nunca passaram de pensamentos, mas tive o "prazer" (not) de ter relações anteriormente com quem não amava e a experiência é boa pelo acto em sim, mas depois falta-lhe muita coisa.
 
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