TURBO
Suspenso
Segundo cientistas que coordenam o Ano Polar Internacional em Portugal
Exploração portuguesa na Antárctida limitada por falta de assinatura de tratado internacional
17.12.2007 - 18h50 Lusa
O desenvolvimento de projectos de investigação portugueses na Antárctida *está limitado por o Governo ainda não ter ratificado o tratado que permite a exploração científica deste continente, afirmam cientistas que coordenam o Ano Polar Internacional em Portugal.
Os países signatários do Tratado da Antárctida comprometem-se a permitir a exploração científica do continente por um período indefinido, em regime de cooperação internacional, sem reclamar partes do território.
"O tratado já foi aprovado na Assembleia da República, mas estamos à espera que seja assinado de facto, e enquanto isso estamos limitados", disse Gonçalo Vieira, do Comité Português para o Ano Polar Internacional.
"Sem a assinatura do protocolo é mais difícil fazer acordos de investigação internacionais com outros países e está limitada a nossa participação no SCAR, o organismo internacional que define a política científica para a Antárctida", acrescentou.
"Assinar o tratado é também uma garantia de protecção ambiental, é não deixar que se comece a explorar a Antárctida como se fez no Árctico, que é hoje objecto de exploração intensiva por parte de alguns países interessados nos seus recursos naturais", realçou, por seu lado, Mendes Vítor, presidente do Comité Português para o Ano Polar Internacional.
Vários países estão a virar-se para a exploração da Antárctida com interesses variados, nomeadamente no conhecimento das suas estruturas geológicas, a sua passagem por vários períodos climáticos e as alterações que sofreram ao longo dos tempos.
"Sobretudo a ciência ambiental recebe aí um impacto novo, que é saber como funcionou o sistema climático no passado, porque os registos que estão nos sedimentos da Antárctida não estão perturbados e podem contribuir para o conhecimento da evolução de toda a estrutura climática planetária", considera Mendes Vítor.
"Sabemos hoje que o clima é muito influenciado pelo que vem dos pólos, especialmente a passagem das correntes polares do Sul que vão até às latitudes do Norte influenciando todo o movimento oceanográfico e consequentemente o atmosférico", realça.
O Ano Polar Internacional é um programa científico que visa a promoção e divulgação do conhecimento sobre as regiões polares permitido pelas novas capacidades tecnológicas, no qual Portugal participa pela primeira vez.
No âmbito da iniciativa estão a ser apoiados cinco projectos de investigação realizados por portugueses e estão ainda previstas bolsas de investigação e a criação de um portal polar a permitir acesso a uma base de dados que possibilitará aceder a informação sobre os pólos.
Programa Latitude 60!
O programa do Ano Polar Português inclui ainda o projecto Latitude 60!, que decorrerá até Março de 2009.
Trata-se de um dos maiores projectos apoiados no país pela Fundação Ciência Viva, abrangendo quase 200 escolas, com o objectivo de ensinar às crianças o que se passa nos pólos, os hábitos dos povos que os habitam e a sua influência no resto do mundo.
No âmbito do Latitude 60!, sete alunos do 12.º ano e "caloiros" dos cursos de Biologia, Matemática e Medicina Veterinária portugueses vão fazer a passagem de ano na Antárctida, integrados na expedição canadiana 'Students on Ice'. Estes alunos foram os autores dos projectos vencedores no concurso nacional “À Descoberta das Regiões Polares”.
Na expedição, juntamente com outros 57 estudantes estrangeiros, chegarão perto do Círculo Polar Antárctico e visitarão diversas ilhas ao largo da Península Antárctida, uma das áreas mais afectadas pelas alterações climáticas.
A bordo, os jovens terão várias actividades, "incluindo palestras dadas pelos cientistas polares, idas regulares ao continente para estudar a fauna e a flora, e visitas a bases antárcticas".
"Para além de ficarem a conhecer a investigação científica em curso, os estudantes vão ter também a oportunidade de realizar trabalho científico, como por exemplo medir os índices de poluição em amostras de gelo", revela a organização.
Em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314103&idCanal=13
*Sem comentários de maior!
![]()
![]()
Um milhão de euros para a ciência polar portuguesa
FILOMENA NAVES
DIREITOS RESERVADOS (imagem)
![]()
São poucos, mas muito activos, os cientistas portugueses que têm desenvolvido trabalhos de investigação nas regiões polares. Ainda há três anos, entregues cada um para seu lado às respectivas pesquisas, não se conheciam sequer. Hoje estão agrupados no Comité Português para o Ano Polar Internacional (o API, que se iniciou em Fevereiro e decorre até ao mesmo mês de 2009).
Delinearam uma estratégia nacional para a pesquisa nesta área e agora conseguiram pela primeira vez verbas para um programa português de investigação polar: o ProPolar, que concentra pouco mais de um milhão de euros, para os próximos dois a três anos, com a grande fatia das verbas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
"A ideia é que esta dinâmica que conseguimos criar não termine com o fim do Ano Polar Internacional, e que Portugal passe a ter a partir de agora uma estrutura, com pessoas, projectos e novos investigadores em formação nesta área, para podermos fortalecer também as colaborações com os nossos parceiros internacionais", explica ao DN Gonçalo Vieira, professor e investigador da Universidade de Lisboa, que integra o Comité Português para o API, o grupo que está a dinamizar, desde há quase três anos, toda esta actividade.
O ProPolar, apresentado ontem na Fundação Gulbenkian, instituição que financia também um dos projectos científicos, nasce justamente com a vocação da continuidade. Assegurada está já uma verba de 750 mil euros da FCT para os projectos portugueses no âmbito do API, nos quais estão envolvidos cerca duas dezenas de investigadores portugueses, entre doutorados e bolseiros de investigação, de várias universidades portuguesas.
Particularidade da participação portuguesa no API é "uma forte aposta na educação para os mais novos, e para o público em geral, que tem gerado até alguma admiração entre os nossos parceiros estrangeiros", adianta Gonçalo Vieira. Trata-se do programa Laditude 60!, financiado pela Agência Ciência Viva, que está a mobilizar alunos de 200 escolas para projectos de pesquisa e de trabalho sobre a ciência polar.
No âmbito do Latitude 60!, sete jovens estudantes portugueses, entre finalistas do secundário e caloiros da universidade, partem para a Antárctida no próprio dia de Natal, integrados na expedição canadiana "Students on Ice", que juntará naquele continente gelado um total de 64 jovens de vários países, para actividades que incluirão palestras pelos cientistas polares a bordo do navio, idas regulares ao continente para estudar a fauna e a flora, e visitas a bases antárcticas.
Os sete jovens portugueses foram seleccionados num concurso e os seus trabalhos foram considerados os melhores entre 500 candidatos.
Outra aposta central do ProPolar é a formação avançada da futura geração de cientistas portugueses nesta área. Está previsto, nomeadamente, um pacote de 10 bolsas para mestrados, com verbas públicas da FCT, mas também de privados, nomeadamente de fundações. Nos últimos 30 anos, foram à Antárctida oito investigadores portugueses. Nestes dois anos do API, no Comité queremos duplicar esse número para ambos os pólos".|
![]()
![]()
Em http://dn.sapo.pt/2007/12/18/ciencia/um_milhao_euros_para_a_ciencia_polar.html

