O saber estar em sociedade

Importa aqui salientar que no fundo, aquilo de que falamos é o civismo.
Li algures já há um tempo, e concordo inteiramente, que o desenvolvimento de um país não se deve medir apenas pelo PIB, relatórios da OCDE e afins, mas sim, também pelo civismo dos cidadãos.

Onde há civismo há educação e naturalmente onde há educação vive-se bem consigo próprio e com os outros.

Um dos maiores problemas da sociedade portuguesa é a falta de civismo e educação que pressupõe o egoísmo e mesquinhês de muitos dos seus habitantes. Comportamento esse que não se pode atribuir por questões de literacia ou sociais. Não. É de alto a baixo. Abrange todas as classes. Vem desde o deputado que falta a uma sessão na assembleia ao chico-esperto que fura filas.

Aí está o outro conceito já aqui relatado. O chico-espertismo. O que é que leva uma pessoa a pensar que é mais esperta do que toda a gente? E o que leva todos os outros que não se identificam com esse adjectivo que, o chico esperto é afinal, uma qualidade, um exemplo a seguir? Eu pelo menos desmarco-me dessa ideia. Muitos de vós também, espero.

Penso que todos nós temos que seguir a atitude de que, já que estamos todos ligados na sociedade (até por meio deste fórum), a sociedade funcionará melhor se todos cumprirem a sua parte.

Pensem nisso.
 
Última edição:
Exemplarmente devemos seguir por exemplo estes dois conselhos:

[FONT=Verdana,Arial]A confissão das más acções é o primeiro passo para a prática de boas acções.
(Sto. Agostinho)



Aplica a ti mesmo os conselhos que dás a outros.
(Thales de Mileto)
[/FONT]

Quando todos souberem olhar para os actos que praticam, e os souberem assumir, então a sociedade terá evoluído, até lá não passará de palavras ocas, e ocasionalmente de boas intenções.
 
O xico espertismo, o desafio da autoridade, o individualismo, tudo comportamentos desviantes que já nos foram úteis no passado, herança genética de um passado mais primitivo, só mesmo o civismo e a educação o podem combater.

Mais recente é o comportamento de vivência em sociedade, tem sido pouco divulgado mas sabe-se que ainda antes de os nossos antepassados sairem de África deu-se uma catástrofe natural que erradicou muita da floresta e dos recursos disponíveis, a genética diz-nos que os seres humanos são descendentes directos de um reduzido grupo de cerca de 200 indivíduos.

Este sucesso de uma situação de quase extinção para uma das espécies mais comuns no planeta deveu-se ao instituir de regras e de dependência comum, no trabalho de grupo para o bem do grupo, claro que no final do paleolítico as coisas complicaram-se, de novo o primitivismo ressurgiu.

O caminho para a evolução e sobrevivência da especie tem sido a cooperação, as sociedade que falham em entender isto, só tem um destino e a história recente é pródiga em exemplos.
 
Importa aqui salientar que no fundo, aquilo de que falamos é o civismo.
Li algures já há um tempo, e concordo inteiramente, que o desenvolvimento de um país não se deve medir apenas pelo PIB, relatórios da OCDE e afins, mas sim, também pelo civismo dos cidadãos.

que nem um missil (!!!)
apr:) apr:) apr:) apr:) apr:) apr:) apr:) apr:)

um dia havemos de ser um pais desenvolvido....[:)] [:)]
 
Boas.

Grande Lino, com um belo texto.

Concordo com muita coisa desse texto pois penso que até faz bastante sentido contudo gostaria de levantar aqui uma questão:

E quando quem dirige a sociedade não o faz de forma transparente e correcta, não cumprindo nem aplicando as regras pelas quais todos os elementos da mesma sociedade se devem reger?

Não nos podemos esquecer que quem dirige a sociedade tem de ser o mais isento possível. Sei que o factor humano acaba sempre por prevalecer mas não será também possível melhorar o seu comportamento de forma a que se possam tomar como exemplo? A velha máxima do "exemplo deve vir de cima".
Também sei que não nos podemos escudar eternamente nisto mas era um bom sítio para se começar.

No fundo o problema disto tudo, quanto a mim, acaba por ser o factor humano que gera grandes diferenças culturais e comportamentais pelos diversos elementos da sociedade. Se estes comportamentos podem ser mudados? Penso que sim mas claro, há-de levar gerações até que todos os intervenientes da nossa sociedade consigam atingir tal nível.

Abraço,
McDriver
 
De facto, o exemplo deveria vir de cima, mas se o que está em baixo melhorar, é uma questão de tempo até que os que estão em baixo façam perceber aos de cima que querem mais e melhor.
 
De facto, o exemplo deveria vir de cima, mas se o que está em baixo melhorar, é uma questão de tempo até que os que estão em baixo façam perceber aos de cima que querem mais e melhor.

Claro. O que quis dizer é que ninguém se pode imiscuir. Os de cima devem dar o exemplo e os de baixo devem fazer por viver segundo as regras da sociedade. Não se pode só culpar uma das partes.


Abraço,
McDriver
 
Nunca ouviram aquela frase que diz +/- o seguinte:

"Se a sociedade fosse boa, também não haveria necessidade de haver leis."


Infelizmente, sabe-se que o ser humano não sobrevive sem leis que disciplinem o seu comportamento, pois ele tem uma tendência natural para ser pernicioso, para se aproveitar do facto de "saber" que "pode" fazer o que quer, que nada lhe acontecerá, e usa isso em proveito próprio, prejudicando os outros. É aí que surgem os criminosos e aqueles que, não tendo plena consciência nem capacidade de avaliar as consequências dos seus actos a longo prazo e que isso pode prejudicar outros (algo que ele não tem o direito de fazer) ficam muito indignados e não compreendem que sejam penalizados pelas regras da sociedade de que fazem parte.

Muitos poderão argumentar: mas que raio! Mas eu faço parte da sociedade e não posso livrar-me dela, então o que faço? Pois, para esses não haverá outra alternativa senão sujeitarem-se às consequências dos seus actos, sempre que estes ultrapassem o que está estabelecido, por muito indignados que fiquem. Mas vejam que aqui entra outra faceta típica do ser humano: a sua típica sonsice e auto-vitimização, do tipo (parafraseando os Gatos Fedorentos): "Mas o que é que eu fiz? O que é que eu fiz?". Se alguém vai para a frente de uma manifestação e atira com calhaus à Polícia, sujeita-se a levar umas bastonadas; se alguém anda a 250 Km/h na AE, mesmo de noite e sem trânsito, arrisca-se a ficar sem carta.
No meio disto tudo, é extremamente curioso observar o seguinte: por que será que há pessoas que NUNCA têm qualquer tipo de problema com justiça, por muito antigas que sejam? Ou seja, por muitos anos que vivam, entenda-se! E será que são infelizes? Não me parece.

É que a questão é que existem muitos que têm um gene, que é o "gene do não saber acatar regras", e depois quando as infringem e são chamados à atenção, vitimizam-se e arrastam para seus apoiantes todos aqueles que também não possuem a clarividência nem a honestidade intelectual de emitirem opiniões apenas quando sabem o que se passa ou passou na totalidade. Aqui se verifica outro terrível defeito do ser humano: o desrespeito à regra de boa convivência em sociedade "quem não sabe, não opina". Ou pelo menos não o faz da forma contundente como faz, como se quem fez as leis fosse o mauzão injusto, e o que as desrespeitou (!!!) o coitadito da vítima do sistema!!!
Pensem nisto, e lembrem-se que onde há fumo, há fogo. E que a boa educação e o carácter não são, infelizmente, características ao alcance de todos! :sh)

Lino, mas nem todas as leis são justas... ou são?

E será que temos de concordar com todas as leis? Será incorrecto questioná-las?

E num país onde não há liberdade de expressão e onde existe perseguição? Será um sinal de civilização obedecer a todas as leis que são impostas?

Tería o 25 de Abril existido se todas as leis fossem cumpridas?
 
Lino, há algumas coisas que me fazem discordar de ti, nomeadamente parece-me que estás a interligar demasiado o conceito de lei com civismo. É que uma coisa não implica a outra.

Há muita gente com civismo que se calhar quebra leis sem prejudicar a sociedade. Se o Aristides tivesse ficado quietinho, já imaginaste a quantidade de pessoas que teriam morrido? [;)]

E da forma inversa, há muita gente sem civismo que não quebra leis e prejudica a sociedade. Assim de repente lembro-me dos que pagam a profissionais para descobrir os buracos na lei que lhes permitam executar as suas tarefas menos lícitas.

Eu penso que as pessoas devem ter os seus interesses individuais fortes, mas sempre sem prejudicar os interesses de terceiros. Ou seja, se tentarmos procurar o que achamos melhor para nós sem prejudicar de forma alguma quem nos rodeia, nós, como parte de um todo, melhoramos esse todo.
 
Lino, há algumas coisas que me fazem discordar de ti, nomeadamente parece-me que estás a interligar demasiado o conceito de lei com civismo. É que uma coisa não implica a outra.

Há muita gente com civismo que se calhar quebra leis sem prejudicar a sociedade. Se o Aristides tivesse ficado quietinho, já imaginaste a quantidade de pessoas que teriam morrido? [;)]

E da forma inversa, há muita gente sem civismo que não quebra leis e prejudica a sociedade. Assim de repente lembro-me dos que pagam a profissionais para descobrir os buracos na lei que lhes permitam executar as suas tarefas menos lícitas.

Eu penso que as pessoas devem ter os seus interesses individuais fortes, mas sempre sem prejudicar os interesses de terceiros. Ou seja, se tentarmos procurar o que achamos melhor para nós sem prejudicar de forma alguma quem nos rodeia, nós, como parte de um todo, melhoramos esse todo.

Este homem é um senhor! Vê-se logo que anda de Honda!

apr:) apr:) apr:) apr:) apr:)
 
Lino, mas nem todas as leis são justas... ou são?

E será que temos de concordar com todas as leis? Será incorrecto questioná-las?

E num país onde não há liberdade de expressão e onde existe perseguição? Será um sinal de civilização obedecer a todas as leis que são impostas?

Tería o 25 de Abril existido se todas as leis fossem cumpridas?


Lino, há algumas coisas que me fazem discordar de ti, nomeadamente parece-me que estás a interligar demasiado o conceito de lei com civismo. É que uma coisa não implica a outra.

Há muita gente com civismo que se calhar quebra leis sem prejudicar a sociedade. Se o Aristides tivesse ficado quietinho, já imaginaste a quantidade de pessoas que teriam morrido? [;)]

E da forma inversa, há muita gente sem civismo que não quebra leis e prejudica a sociedade. Assim de repente lembro-me dos que pagam a profissionais para descobrir os buracos na lei que lhes permitam executar as suas tarefas menos lícitas.

Eu penso que as pessoas devem ter os seus interesses individuais fortes, mas sempre sem prejudicar os interesses de terceiros. Ou seja, se tentarmos procurar o que achamos melhor para nós sem prejudicar de forma alguma quem nos rodeia, nós, como parte de um todo, melhoramos esse todo.


Dois excelentes posts.

apr:) apr:) apr:) apr:) apr:)
 
Lino, há algumas coisas que me fazem discordar de ti, nomeadamente parece-me que estás a interligar demasiado o conceito de lei com civismo. É que uma coisa não implica a outra.

Há muita gente com civismo que se calhar quebra leis sem prejudicar a sociedade. Se o Aristides tivesse ficado quietinho, já imaginaste a quantidade de pessoas que teriam morrido? [;)]

E da forma inversa, há muita gente sem civismo que não quebra leis e prejudica a sociedade. Assim de repente lembro-me dos que pagam a profissionais para descobrir os buracos na lei que lhes permitam executar as suas tarefas menos lícitas.

Eu penso que as pessoas devem ter os seus interesses individuais fortes, mas sempre sem prejudicar os interesses de terceiros. Ou seja, se tentarmos procurar o que achamos melhor para nós sem prejudicar de forma alguma quem nos rodeia, nós, como parte de um todo, melhoramos esse todo.

Bom, o adiantado da hora não te tirou a clarividência! [:D]

Tens razão, sim, e todos sabemos que as leis têm falhas. Lá está: é o factor humano a "ditar" a sua sorte! Um dos maiores problemas também é aquele que referi no início: não se consegue escapar à "injustiça" ou "deficiência" de certas leis ou regras da sociedade, mas nada podemos fazer perante isso, pois ao fazermos parte da sociedade, estamos sujeitos às leis, sejam elas "boas" ou "más", e às consequências no caso do seu incumprimento. No entanto há que analisar bem o espírito que preside à elaboração de cada lei e os efeitos que se pretendem alcançar muitas vezes a posteriori, o que muitas vezes as pode tornar, à primeira vista, injustas, quando até nem o são. [;)]
 
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