É tão simples que até acho que nem precisava de responder...
Então, tenho olhos para ver. Falo com pessoas amigas e familiares que andam/andaram na praxe. Sei muito bem do que falo, não é preciso viver a situação para saber... Ainda sei analisar as coisas e pensar pela própria cabeça.
Mas por acaso fui uns "diazitos" à praxe... tipo 3 manhãs, depois desisti, vi bem o que se fazia lá, em que consistia e quem eram as pessoas que lá andavam.
Já agora fui estudante no ISEP, ainda sou técnicamente, acabo o curso agora na época especial em Novembro. Por acaso o ISEP tem má fama em termos de praxes, mas não é só por ter sido no ISEP que desisti, se fosse noutro sitio em praxes mais "leves" desistia na mesma.
Atitudes como estas são lamentáveis, não é por elas acontecerem todos os anos e ser habitual que as temos de achar normais e ficar indiferentes. Se estas coisas acontecem tem tudo a ver com o espirito das praxes e como elas são encaradas por quem praxa e quem é praxado.
O conceito de não é preciso ir para saber a mim deixa-me algumas dúvidas e poderia entrar aqui por uma discussão de preconceito formado mas que não me parece que seja o ponto a discutir aqui. De qualquer forma acho que tens todo o direito a pensar sobre o tema mas acho que te falta a parte experiencial que muda muito.
Porque ir lá 3 manhãzitas para ver não é ir á praxe. È fazer o frete e portanto entraria outra vez no tópico do preconceito.
O conceito praxes mais leves para mim é ridiculo. As praxes bem feitas não são leves nem duras. A praxe é um todo e não se alternam praxes duras com leves. Os objectivos de união e amizade entre o grupo, respeito pelas estruturas, inter-apoio entre as pessoas que se relacionam e gosto pela instituição conseguem-se com a praxe, se for bem executada.
Cad vez é mais dificil alcança-lo quando há pessoas que vão lá duas vezes sem intença~so de prosseguir, todos os anos se vêm notícias e crónicas a atacar as praxes mesmo que muitas vezes as pessoas que as escrevem não tenham a noção real do que se passa.
Estes acidentes são lamentáveis (finalmente concordamos) e inadmissiveis. Há claramente muita gente que praxa a aproveitar-se da situação para descarregar problemas pessoais, a maioria dos quais de incapacidade de socialização.Há muita gente que praxa que não entende o espirito académico e da praxe e portanto dificilmente farão uma praxe acertiva nos seus objectivos fundamentais. Há muita gente a aproveitar a praxe paar interesses pessoais quando a verdadeira praxe envolve uma cedência pessoal de tempo e dedicação pessoal que não é remunerada em termos numerá rios. Há muita gente que vai a três manhazitas de praxe e q depois são os primeiros a ir praxar.
Q talvez os tempos para a praxe tenham sido outros e que as mentalidades egocêntricas e consumistas da maioria das nossas gentes ponderem que se deva ter que abdicar da praxe até aí estamos de acordo e concordo com o debate.
Mas, de opinião formada de quem praxou e foi praxado, se esta tradição se perder tenho pena dos futuros estudantes universitários pois estarão a diminuir as hipótese de conhecer o espirito académico na sua plenitude, vivenciar momentos de partilha inesquecíveis e mais que tudo de sairem da universidade a chorar, de saudade, como eu fiz...