Afinal, o erro não é humano
RICARDO LEMOS
Duarte Gomes pediu desculpa pelo erro cometido no Estádio José Gomes - ainda que nele tenha sido induzido por um dos seus assistentes, José Lima, neste caso - dando a mão à palmatória por um lapso que acabaria por penalizar fatalmente o Estrela da Amadora. Gostei, assumo, do gesto do juiz, mas abriu-se um precedente do qual, a avaliar pelos anos mais recentes, os encarnados poderão agora reclamar publicamente. Aliás, o estridente ruído criado em torno deste lance leva-nos a crer que este foi o primeiro erro dos árbitros. Aliás, o próprio emblema da Reboleira foi recentemente beneficiado na partida contra o Sporting, numa sequência de erros de arbitragem que tem marcado o início das provas nacionais em Portugal. No ror de lamúrias públicas que marcaram o "day after" da ronda da Taça da Liga, as virgens ofendidas clamam justiça ao mesmo ritmo que ganham pontos com a ajuda de terceiros. Aliás, o próprio Duarte Gomes ainda se deve ter lembrado da "ajuda" que deu a Jardel para se sagrar melhor marcador do Campeonato português, quando, na Luz, viu o que mais ninguém viu num dérbi com o Sporting que estava prestes a ser ganho pelos encarnados. Na altura, o juiz não teve de pedir desculpas públicas, muito menos teve direito a estar em destaque em toda a comunicação social. Foi, na altura, apenas um erro, destacou-se. Duarte Gomes voltou a errar, como ainda irá errar muitas vezes no futuro, mas também não vale a pena quase obrigá-lo a ir a pé a Fátima cumprir penitência...
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