Há dias fiz uma ronda pelos sites das marcas na Dinamarca e também há comerciais. Lembram-se daquelas station-wagon comerciais Volvo 245?
Pode parecer estranho tal coisa, um carro de passageiros tão grande, dividido para acomodar mercadorias. Mas na Dinamarca ao que parece há uma longa tradição deste tipo de veículos. Pelo que dá a entender, a razão poderá ser também de "índole fiscal" como aqui.
Um Audi Q7 3.0 V6 TDI é vendido lá pelo equivalente de 135.000 euros. A versão comercial (que tem uma grelha em forma de "L" que tapa as costas do condutor e tem um "fundo" que cobra a largura do veículo, deixando um buraco para o transporte de objectos compridos) tem outro preço... 85.000 euros.
Sim, pelo que percebi (e não falo dinamarquês) a diferença de preço é de 50.000 euros, o que dá para comprar um Mercedes Classe C decentemente equipado.
Em Portugal, o mercado de comerciais ligeiros é dominado pelos pequenos veículos com "look" desportivo, o que não acontece na Dinamarca. Lá têm propostas sui generis como o Renault Grand Espace Van, VW Touareg Van, vários SUV van, Peugeot 307 "Airvan", etc.
Lá há poucos "vans" pequenos. De qualquer forma, a razão de ser de existirem estes veículos especiais tanto aqui como lá devem prender-se com razões fiscais.
Para as empresas, a aquisição de um Ligeiro de Mercadorias é obviamente uma boa solução. Para os particulares, já não é assim tão óbvio quanto isso, por causa dos diversos contratempos que pressupõe, e que já foram expostos aqui com maior ou menor sarcasmo ou ironia, em jeito de colocar um "dedo na ferida" e abrir a análise a esta questão.
Uma ideia que se pode retirar de tudo isto é que em Portugal dá-se muita importância à beleza exterior dos carros. Todos nós sabemos que por muito pouco dinheiro que tenhamos, tentamos sempre estar asseados, bem-vestidos, com roupa de marca, acompanhamos as modas, e gostamos de dar nas vistas. Não somos todos assim, mas MUITOS SÃO. E isto reflecte-se também no campo dos automóveis, e os Ligeiros de Mercadorias utilizados para fins particulares. Ora, se a razão principal é a compra desta viatura para se poupar dinheiro (e poupar dinheiro significa guardá-lo para uma eventualidade urgente, investí-lo ou usá-lo para mais bens de primeira necessidade), porque é que vemos tantos Comerciais "bonitinhos por fora"? Se fosse como aqui há uns anos, onde os comerciais eram todos brancos, com tampas nas rodas, pára-choques de plástico preto etc, como quem diz "de facto é para ser poupadinho", ainda vá, mas vocês sabem tão bem quanto eu que não é isso que se verifica.
Portanto pode-se alegar as razões que se queira para comprar um Comercial novo para fins particulares:
- não gostam de dar boleias
- querem forçosamente levar o carro para todo o lado
- razões fiscais
- gosto pela estética exterior
- querem usar o espaço de carga para "outras coisas"
Se esperarem um ano, e pouparem mais algum, têm acesso a um carro inteiro (normal), que apesar de ser mais caro na compra, também vale muito mais do que o Comercial quando for para vender, por isso a "poupança" desvanece.
Se forçosamente têm que comprar agora, não descartem a hipótese de comprar um carro igual de serviço, com todas as garantias e pelo mesmo preço. Ou então, aventurarem-se no mercado de usados, junto a entidades credíveis. Se não confiam nos usados, não se esqueçam que um dia terão que vender o vosso carro... ponham-se nessa situação.
Comprem como entenderem mas ponderem todas as variáveis, e não se admirem se alguma vez se arrependerem das vossas escolhas quando fazem compras "de mão beijada". Só assim serão verdadeiros cidadãos com capacidade de "ver mais à frente". Já que estão a ver para a frente, não se esqueçam de olhar para os espelhos e... siga viagem!
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