Excalibur
Banido
Estes não levaram a CNN atrás.
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Raide aéreo ultra-secreto
Israel ataca depósito nuclear sírio
Em completo segredo, uma esquadra de caças israelitas atravessou a linha costeira da Síria, apanhou de surpresa as defesas antiaéreas e, pouco depois da meia-noite, arrasou um armazém subterrâneo onde supostamente estaria guardado material nuclear proveniente da Coreia do Norte. A operação, levada a cabo no passado dia 6 de Setembro, causou revolta em Damasco, onde se planeia a retaliação.
Seis meses antes do raide, a espionagem israelita mantinha sob apertada vigilância de satélite as instalações de um suposto centro de investigação agrícola junto da fronteira norte da Síria. Israel acreditava tratar-se de um local onde, a partir de fosfatos, se extraía urânio, material radioactivo utilizado em armas nucleares.
A ordem de partida para o ataque foi dada dois a três dias antes de 6 de Setembro, pois por essa altura chegou ao porto sírio de Tartus um carregamento marcado como cimento, mas que os israelitas acreditam ser material nuclear. O destino da carga é o centro de investigação.
Um comando Shaldag da Força Aérea de Israel entra secretamente na Síria no dia 5, a tempo de se colocar em posições estratégicas e marcar, com laser, o alvo para o bombardeamento do dia seguinte do Esquadrão 69. Os pilotos só em voo são informados sobre a missão e o alvo. Até aí nem sequer sabiam que iam invadir espaço aéreo sírio.
MISTÉRIO POR RESOLVER
Israel manteve o silêncio sobre a missão, da qual se desconhecem os reais objectivos, apesar de a a imprensa de Israel, e depois o ‘The Washington Post’, terem dado como certa a versão corrente.
O jornal britânico ‘The Sunday Times’ reforçou ontem esta teoria ao citar fontes israelitas segundo as quais a Síria tinha em preparação “uma surpresa devastadora” para Israel. “Sabemos há muito que tem ogivas químicas nos seus Scud, mas Israel não podia permitir que obtivessem ogivas nucleares”, refere a fonte.
O jornal afirma ainda que os planos de ataque começaram a ser delineados no final da Primavera, depois de Meir Dagan, chefe da Mossad (espionagem israelita), informar o primeiro-ministro Ehud Olmert de que tinha provas de apoio de Pyongyang a Damasco para construir uma bomba nuclear.
Mas, caso se tratasse de material nuclear norte-coreano, seria de facto para construir armas sírias? Uma teoria alternativa defende que Kim Jong-il estava a usar a Síria para esconder material bélico e iludir a vigilância ao desmantelamento do seu programa nuclear. Outros consideram ainda que o material estava em escala para o Irão.
Para adensar mais ainda o mistério alguns analistas defendem que a missão, levada a cabo com grande aparato – participaram nela oito aviões F15 e F16 e ainda um ELINT, avião de vigilância electrónica – não foi mais do que um ensaio para um ataque ao Irão.
Seja como for, Damasco (e também a Turquia) denunciou a violação do seu espaço aéreo, ameaçando responder na mesma moeda. “Tudo quanto posso dizer é que políticos e militares estão a avaliar uma série de respostas”, afirmou Farouk al-Sharaa, vice-presidente sírio, escusando-se a revelar pormenores.
À MARGEM
PYONGYANG NEGA
Um responsável da Coreia do Norte negou ontem que o país esteja a fornecer ajuda nuclear à Síria, como se tem dito nas últimas semanas. Recorde-se que a Coreia do Norte acedeu recentemente desmantelar as suas instalações nucleares.
EUA PREOCUPADOS
O secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, considerou ontem que uma cooperação nuclear entre Síria e Coreia do Norte seria “um problema grave” para Washington. Apesar disso escusou-se a confirmar se essa é a convicção norte- -americana.
F. J. Gonçalves com agências
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