Simão
“Sou benfiquista”
MANUEL CASACA, em Madrid [Espanha]
Há quem diga que se pode mudar de tudo: de mulher, de carro e de casa, mas nunca de clube. No caso de Simão não é bem assim. Era sportinguista em pequenino, mas foi tão bem tratado no Benfica que levou o clube no coração quando deixou a Luz para assinar um contrato de quatro anos pelo Atlético de Madrid, onde está feliz.
Já comprou casa perto da cidade desportiva dos “colchoneros”, mas enquanto não está pronta vive numa unidade hoteleira. Foi lá que falou a O JOGO. Numa conversa franca e aberta, mostrou as suas qualidades de extremo rápido e tecnicista na hora de falar do departamento médico do Benfica e do episódio da braçadeira de capitão que José António Camacho entregou a Hélder. Fintou as perguntas com a mesma habilidade com que se prepara para encantar e triunfar no futebol espanhol.
P | O que sente por ter sido o jogador mais caro do Benfica – custou 12 milhões de dólares – e o maior encaixe do clube, já que o Atlético de Madrid pagou 20 milhões de euros?
R | Sinto-me orgulhoso. No início criticaram a minha contratação, por terem pago 12 milhões. O presidente Luís Filipe Vieira foi muito criticado, mas sempre acreditou nas minhas qualidades. Esta foi a prova que fui um bom negócio para o Benfica. Foram seis anos maravilhosos, durante os quais ganhei três troféus, fiz muitos jogos e muitos golos.
P | Não era possível ter continuado no Benfica?
R | Desde a primeira proposta que apareceu do Liverpool, o presidente deu-me a palavra que me deixava sair se aparecesse uma boa proposta para o clube e para mim. Queria um novo desafio, que surgiu agora, depois de também ter aparecido o Valência. Não saí nessas alturas e continuei a jogar da mesma maneira.
P | Significa que agora não ficaria contrariado?
R | Continuaria feliz no Benfica e continuaria a ser o mesmo Simão.
P | É benfiquista?
R | Sou. Aprendi a gostar do Benfica. No início não foi fácil, devido à ligação ao Sporting, mas aprendi a gostar e tenho um grande carinho pelo Benfica.
P | Não se sente dividido?
R | Tenho um respeito enorme pelo Sporting, um clube que também foi muito importante na minha carreira profissional e onde estão pessoas fantásticas, como o senhor Aurélio Pereira, o Mário Lino, o próprio treinador-adjunto do Paulo Bento, o Carlos Pereira, com quem falo muitas vezes, e o Paulinho. Tenho uma óptima relação com eles e sei que nunca duvidaram do meu profissionalismo. Respeito o Sporting, gosto do Sporting, mas neste momento o Benfica é meu clube. P | Qual era o seu clube em criança?
R | Era do Sporting. Fui com 13 anos para o Sporting e era esse o meu clube.