Eu tento, dentro daquilo que me é possível/permitido, manter a justiça.
Se tenho um contracto de trabalho com determinadas condições, exijo que elas se apliquem.
Já passei por uma situação em que fiz um "favor" para desenrascar num Sábado e depois apanharam-lhe o gosto. O favor passou a ser hábito, e estava já quase a tornar-se em exigência, sem que eu fosse reompensado por tal. Comecei a procurar alternativas e, quando encontrei uma (depois de ir a entrevistas e estar tudo alinhado para mudar de emprego), fui ter com o meu director e contei-lhe tudo. Fez-me uma contra-proposta muito fraca (quase insultuosa) e eu apresentei a carta de demissão.
A primeira empresa para a qual trabalhei também tinha esse hábito de explorar os empregados. Curiosamente, foi a emrpesa para onde voltei depois de apresentar a carta de demissão no caso que relatei acima.
Mas na entrevista disse que só ia para lá se fosse para ficar efectivo, o que aconteceu. O meu contracto tinha isenção de horário de trabalho, e este existe sob 3 formas distintas. Nas condições em que comecei a trabalhar, reunia todas as directivas para estar em isenção, mas quando mudei de cliente isso deixou de se verificar, portanto passei a fazer o meu horário das 9 às 18 (na verdade, das 8 às 17).
Quando me vieram perguntar o porquê de trabalhar "tão pouco", espetei-lhes com a legislação e eles tiveram que comer e calar. Claro que me podiam ter despedido mas, estando efectivo e a cumprir escrupulosamente o contracto, tinham que me indemnizar e bem, portanto lá aceitaram.
Não digo isto com arrogância, até porque era dos poucos que realmente trabalhava naquelas 8 horas, ao contrário de outros que ficavam lá 10 a 12 horas por dia e passavam 2 horas a almoçar e mais 2 no café, e pouco produziam.
O problema, muitas vezes, é um gajo não estar devidamente informado.
Se naquela altura alegassem que eu não estava a cumprir com a isenção de horário, metia-os no tribunal de trabalho. Como não estava a trabalhar em condições que permitissem a aplicação da IHT, levavam com a multa.
Mas muitas vezes um gajo tem que se sujeitar porque, como já disseram, o patronato acaba por arranjar alguém que se sujeite se nós não quisermos. Não sou insubstituível mas sei que trabalho bem. Nunca deixei nada por fazer ou atrasado. Se é verdade que há alturas mortas em que ando aqui pelo fórum ou no café, também é verdade que noutras alturas chego mais cedo para fazer tarefas que requerem essa antecipação, ou saio mais tarde para acabar qualquer coisa ou adiantar trabalho.
Fazer muitas (ou mais) horas de trabalho por dia não quer dizer que se produza, de facto, mais.
Actualmente estou numa empresa onde tenho IHT, mas pratica-se um horário das 9:30 às 19h, apesar de na prática o pessoal abusar nos almoços (há quem faça cerca de 3 horas uma ou duas vezes por semana) e muitos chegarem depois das 10.
Eu chego às 9, muitas vezes almoço em 15 ou 20 minutos e piro-me às 18:15/18:30. Uma vez ou outra entro às 7 ou saio às 19 e tal.
Aqui também conta muito o ambiente, o tipo de chefe que tens, as "práticas comuns" da casa, etc...
Mas também me pagaram uma formação bem cara na IBM, tenho partilha de lucros, uns subsídios de férias e de Natal um pouco maiores do que seria suposto, etc... é uma motivação e uma "recompensa", de certa forma. Não me posso queixar.
Só não suporto injustiças. Se um contracto diz "X", para mim é "X".
Se queriam "Y", metessem isso no contracto, e eu aceitava ou não.