A questão deveria ser "o que é um paradigma?" e não "será que há desportivos a diesel?"...
Porque é - simplesmente - uma questão de paradigma. E isso muda com frequência quando o tema é carros.
Quando eu era um miúdo, com os meus 14 ou 15 anos, desportivo era um Escort XR3i de 83 ou Manta 2.0 GTE de 82. Para o paradigma vigente - à data - contavam vários factores; a informação que eu tinha disponível (sendo que esta se resumia a uma ou duas revistas francesas a que tinha acesso e os carros que via na rua) e o facto de serem carros muito mais rápidos que o Opel 1204 lá de casa. Conforto, segurança activa e passiva, comportamento e equipamento de série
não contavam para nada. Sendo "desportivos" para a época não são nada hoje que um Ibiza-manco não envergonhe hoje.
Depois, mais tarde, tirei a carta e "desportivo" passou a querer dizer - por força da mudança do belo do paradigma - carro capaz de fazer menos de 9 segundos nos 0 aos 100, menos de 30s nos 0 aos 1000, pesar menos de 1000kgs e recuperar estupida e rapidamente entre os 80-120 em 5a (não havia 6as). Foi a época dos GTis-de-boa-memória e tive vários: 205 1.9, 5 GTT, 309 GTI16, Fiesta RS Turbo; uns mais guiáveis que outros. Tinham 4.000 boas rotações (entre as 2k e as 6k) que davam para aproveitar e tirávamos, com mais ou menos risco de vida, grande prazer da sua condução. Não eram bons - por falta de espaço e por excesso de arestas cortantes no tablier - para a principal actividade da época:namorar, de preferência no pinhal à noite.
Ainda mais tarde, já casado, careca e com filhos, desportivo passou a ser uma coisa que permite ultrapassar uma pickup carregada de repolhos, numa subida, sem acordar os putos nem irritar a mulher, de preferência sem gastar um bidon de combustível no processo. Mudou, pelos vistos, o paradigma outra vez.
Há, no entanto, uma constante que pode ser aproveitada:
A desportividade pode ser medida pela "emoção" que o carro transmite ao condutor e ao facto de determinado carro cumprir com aquilo a que determinado condutor dele exige.
Nesse específico, todos os carros que tive até hoje (e foram muitos) são - para mim - desportivos.
É que nas nossas estradas de hoje (e quando me lembro das estradas dos anos 70) a desportividade - e a caca do paradigma - também muda na proporção inversa da consciência.
Acredito que o tal do paradigma, agora que me apresto a passar para a 2ª -idade-e-meia, vai fazer com que ache que "desportivo" é o carro que eu consiga conduzir com o fato de treino vestido, de preferência sem ser incomodado com dores de costas e bicos-de-papagaio.
Por tudo isto - e respondendo à pergunta inicial - é claro que há desportivos a gasóleo.
Depende do paradigma.[

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