O mais interessante disto tudo é que só aqui neste cantinho se discutem estes problemas. Vai demorar, mas daqui por uns anos o pessoal já vai perceber que o aborto é uma situação normal, que não traz nada de anormal e que ninguém vai para o inferno nem para o purgatório. Estas questões são, como é óbvio, patrocinadas pelo movimento do não (igreja, etc e tal). Mas meus amigos, num país acabado de saír do salazarismo e governos provisórios, que tem uma taxa enorme de iliteracia, em que os livros custam uma fortuna, em que as pessoas preferem telenovelas a documentários... É normal isto acontecer. (Daqui a bocado já estão a dizer que eu disse que o aborto é sinal de progresso! [8b] Depois eu digo assim, não vale a pena, deixa lá... acalma-te [

]) A eutanásia, a cremação de cadáveres, o casamento entre homossexuais... tudo isto gera confusão entre as pessoas. Aqui há uns anos tomava-se banho com roupa e agora de bikini e faz-se vulgarmente topless e nudismo nas praias reservadas para isso. Muitos de nós condenam as coisas, dizem mal dos outros e não evoluem. Tudo isto é cultural e é normal a gente ter uma certa dificuldade em acompanhar a evolução do pensamento da sociedade. O aborto é mais uma situação dessas, em que "por um lado sim, por outro não"! A sociedade quis que "SIM", o que demonstra evolução relativamente ao que existia, suportado por uma maioria numa votação democrática. Toda a mudança compreende inércia, mas daqui por uns anos nem sequer vamos pensar nisso. Para mim a situação da objecção de consciência foi mais uma demonstração da inércia da sociedade, que se vai diluir com o tempo. Perfeitamente compreensível.